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Coluna - A "Taiada"
Publicada dia 07 de Setembro de 2003

A "Taiada"

Alguém já disse que uma cidade sem uma banda não é uma cidade inteira, completa. São Bento, nesse particular, graças ao patriarca Liberato Siqueira, fundador da Banda Musical Santa Cecília, é uma cidade "inteira", completa. Essa "integridade" vem sendo mantida a duras penas, diga-se, desde o início, quando a nossa "taiada" saiu às ruas pela primeira vez.

E foram tantos os percalços, tantas as dificuldades enfrentadas pela "Santa Cecília", ao longo dos anos que, não fora o carinho e a abnegação de uns poucos, as suas trompas já teriam calado há muito tempo.

Zezinho de Carminha, certa vez ao ver, contrariado, a banda desfilar tão reduzida e tão probremente uniformizada, não se conteve:

- Isto não é uma banda... é uma taiada!

Infelizmente Zezinho tinha razão. Aquilo era um pedaço de banda, uma fatia, uma talhada...

Mas a nossa "taiada" jamais se entregou. Quando davam-na por morta, como fora da Festa-de-Reis, eis que o som de um trompete vindo das bandas da barragem, rompia o silêncio da noite. Eram sinal de que começava a estrebuchar para não morrer, para não ficar ausente "nim" Reis.

Hoje em dia a coisa está um pouco melhor. Fardamento e instrumentos têm sido doados. No entanto a falta de local para ensaios - a antiga sede ruiu -, tem dificultado e muito a vida da nossa "taiada", que se encontra, no momento, em fase de renovação, recrutando crianças talentosas. Trabalho meritório do mestre Adilson.

Vocês já imaginaram se essa bandinha houvesse sucumbido ante tantas dificuldades? Não teriam surgido, para o deleite dos amantes da arte sublime - como diria o mestre Balbino Mendes -, Josué cujo saxofone "dizia palavras"; o velho Néco, que conduzia humildemente a sua tuba como um pagador de promessas; Olavinho, trompetista, que curiosamente soprava seu instrumento com o "bocal" no canto da boca; e aquela infinidade de "zés": o "Vicente", o "de Calú", o "de Néco", o "de Margarida", o de "de Dasdores", o "de Né", o "de Horácio"; mais "Java", Antonio de Flora, Toinho Moré, Joaquim Lins, Antônio Zumba, "Zé-Macaco", Malaquias, Luis e João Coquinho, Midinho, Afrânio e tantos outros de quem estou, nesse momento, vendo a cara sem lembrar dos nomes, de talentos inquestionáveis, cujos sopros, ao longo de suas existências, deixaram impregnadas de "dós", de "rés" e de "mís", as ruas de São Bento da minha infância.

Ah! Lira de Ouro, você ainda me mata...


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