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Coluna 246: História de São Bento do Una, Pernambuco, Brazil
Publicada dia 16 de Julho de 2017

História de São Bento do Una, Pernambuco, Brazil


CRONOLOGIA DE SÃO BENTO DO UNA, ESTADO DE PERNAMBUCO
1ª Edição Direitos Reservados © 2017


A RIQUEZA DE UM POVO

"A maior riqueza cultural de um povo é a sua História. Mas, o que dizer de um povo que não dá valor a sua própria história, a sua gente e ao que ela tem de maior que é o que esse povo produz e faz? Um povo que não preserva a sua história, ao contrário depreda o que tem e não valoriza seu passado é um povo sem identidade".

Datas notáveis e algumas não tão notáveis datas do município de São Bento do Una desde seus primórdios até a atualidade. Este singelo trabalho engloba fatos históricos do Brasil e de Pernambuco que tiveram relação direta com a nossa vida política e administrativa.

Dados sobre o autor:

Orlando de Almeida Calado, filho de Luiz Cadete de Almeida Calado e de Olindina Correia Paes da Rocha, natural de São Bento do Una, Estado de Pernambuco, tendo nascido em 06 de dezembro de 1939. Bacharel em Ciências Contábeis e Administrativas (1977), do Instituto Brasileiro de Contabilidade, da cidade do Rio de Janeiro e bacharel em Ciências Jurídicas (1989) pela Faculdade de Direito da Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. Colabora no Portal de São Bento do Una com mais de 245 trabalhos publicados que podem ser lidos em www.portalsbu.com.br .


1777 – Na grande seca iniciada nesse ano, até os índios acostumados com os rigores do Sol migraram para a orla marítima. Nessa época, já havia caminhos precários margeando e também cortando rios como o Canhoto, Chata, Una e o Ipojuca em demanda dos rios Capibaribe e Paraíba do Norte. Fugindo da grande estiada e proveniente, possivelmente, do rio do Peixe, Antônio Alves Soares se apossou de enorme fração de terra sem que para tanto fosse possuidor do justo título. Essas terras iam da Primavera ao Gado Bravo, abrangiam os Apeninos, Riachão e o riacho Gravatá. Essa grande fração de terra apossada por Antônio Alves Soares se destinava à criação de gados e mais tarde sofreria a invasão de forasteiros cabanos fugidos, ávidos por um pedaço de chão para viver, criar e plantar em paz.

1818 – No lugar de S. Bento, que à época pertencia ao termo e freguesia de Santo Antônio dos Garanhuns, já havia na sua base territorial fazendas e sítios cujos topônimos ainda perduram nos dias de hoje, como por exemplo: sítio Riachão, Poço da Lama (na ribeira do Ipojuca), fazenda Cachoeirinha, fazenda Caldeirão, Conceição, Gameleira, Taquara, Brejo da Taquara, Basílio, Poço Doce, S. Bento, sítio Santa Cruz (na ribeira do Una), Gurjão.
(Inocentes em culpados no Tribunal do Júri de São Bento, de Sebastião Soares Cintra, Recife, 1986).

1825 – Todo o vale do rio Una, Ipojuca e Riachão já estava salpicado de choupanas com seus cercados. A agricultura era incipiente e se cingia às margens dos rios. A partir de então houve grandes queimadas, no local, sendo que uma grande quantidade de cobras fugiu do fogo e procuraram as choupanas. Os habitantes apavorados clamavam:
“Valei-me, senhor S. Bento”.
Foram mortas algumas dezenas de cascaveis e daí, então, começou a devoção a S. Bento, embora ele não seja o padroeiro católico da cidade.

1830 - O missionário, padre "Francisco José Correia, morador em Bezerros e que percorria os sertões doutrinando, pregou uma missão na casa de Antônio Alves Soares". O missionário, com a ajuda de moradores, fez erigir um cruzeiro, tendo sugerido aos moradores à construção de uma capela dedicada ao Senhor Bom Jesus Pai dos Pobres e Aflitos.

1831 - Início da construção da capela do Senhor Bom Jesus em dois terrenos doados por Inácio Tomás de Aquino (filho de Antônio Alves Soares) e Joaquim de Benevides Falcão.

1832 - Em razão do movimento insurrecional denominado "Cabanada", vaqueiros com suas famílias, acampados nas matas de Panelas de Miranda, migraram para Santa Cruz de São Bento, onde se fixaram, construindo casas e provocando o desenvolvimento do arruado com a instituição de uma feira semanal onde hoje é a Praça da Matriz.

1833 - Em 20 de maio, por resolução do presidente do Conselho de Governo da Província de Pernambuco, foi criada a comarca do Bonito.

1834 - Criação do 9° distrito de paz de São Bento subordinado à comarca do Bonito, conforme relação dos distritos criados em Bonito, enviada pela comarca do Bonito ao Conselho de Governo da Província de Pernambuco com ofício datado de 08/11/1834.

1835 - A comarca do Bonito é formada pelos seguintes termos: vila do Bonito e povoações de Caruaru, Bezerros, Crauatá (Gravatá), Bebedouro, S. Bento, Altinho, Panelas de Miranda, Quipapá, Poço Redondo e Capoeiras.
(DP de 14.04.1835).

1835 - Criação da Irmandade do Senhor Bom Jesus Pai dos Pobres Aflitos em 08 de outubro, cuja primeira resolução foi determinar que se fizesse o coro da capela que começara a ser erigida em 1831. A primeira mesa diretiva teve a seguinte composição: juiz, José Venâncio de Benevides; suplente, Antônio Joaquim Dutra; escrivão, Francisco Correia da Câmara; procurador, José Clemente da Rocha; tesoureiro, padre José Rodrigues Valença; mesários, Anastácio José Rodrigues dos Santos, José Cordeiro Rego, José dos Santos Falcão, Leandro Gomes Bezerra, Antônio José de Araújo, João Alves Muniz Falcão, Jacinto Muniz de Almeida da Costa, Francisco José Moreira, Agostinho Rabelo Cadaval e Manoel José de Oliveira.

1836 – Abaixo-assinado de parte dos habitantes do Bonito aos membros da Assembleia Legislativa Provincial protestando contra o projeto de lei n° 48 que extingue a comarca do Bonito e transfere a dita comarca para a vila de Garanhuns.
(DP de 21.05.1836, suplemento 111).

1836 - Em 07 de junho, pela Lei Provincial nº 22, foi criada a comarca de Garanhuns, desmembrando-a da comarca de Brejo da Madre de Deus. Seu primeiro juiz de direito, João Pereira de Carvalho, instalou a comarca em 1837. Como a comarca do Bonito fora suprimida
pela Lei Provincial nº 58, de 19 de abril de 1838, é provável que o termo de São Bento tenha passado para a jurisdição da comarca de Garanhuns.

1838 – Pela provincial lei nº 58, de 19 de abril, foi suprimida a comarca do Bonito e o termo da vila do Bonito inserida na comarca de Santo Antão.

1839 – Ofício do secretário da Província ao secretário da Assembleia Legislativa Provincial encaminhando uma representação de uma parte dos habitantes das vilas do Bonito e de Garanhuns pedindo o restabelecimento da comarca do Bonito.

1841 - Do abaixo-assinado, e de sua fazenda da Macambira, termo da vila do Pesqueiro, comarca do Brejo da Madre de Deus, fugiu em dias do mês de setembro do ano passado, o escravo Joaquim, filho do mesmo sertão, o qual o houve por herança do seu sogro, o finado José Cordeiro Muniz Falcão, os sinais do escravo são os seguintes: alto, cheio de corpo, cor bem preta, pernas bastantemente grossas, fala algum tanto rouca, tem o vício da embriaguês, é bastante prático nas estradas do sertão, pois em outras fugidas tem-se dirigido aos serttões da Paraíba. Tem sido visto nas povoações de São Bento e Cacimbão, termo de Garanhuns, e ultimamente que tomara para Panelas de Miranda. Quem o pegar, leve ao aterro da Boa Vista que terá 100$000 réis de gratificação.
Francisco Xavier Pereira de Brito
(DP de 12.05.1841).

1844 - Correio do Recife. Correspondência da Cidade e e da Província.
É preciso ser bem falto de senso, ou como diz o promotor intruso, não estar no seu "perfeito estado de senso comum", ou ser muito injusto para negar as vantagens que nos trouxe o sistema de conciliação e reparação à Paula e Souza. Vejam os incrédulos só no artigo moralidade e polícia o espantoso progresso que tem feito esta província, e dir-me-ão se ainda têm boca para falarem. Para lhes facilitar a observação, além dos fatos criminosos de que tenho dado notícias em outras ocasiões, aqui lhes referirei mais alguns de que tenho sido informado.
Um amigo do sertão me diz que no termo de Garanhuns, além dos assassínios do septuagenário Vigário da Palmeira e do seu sobrinho ex-tenente-coronel Bastos, em Taquari houve, em dois meses, vinte e tantos homicídios; na povoação de São Bento, em razão da morte de um cão, foram assassinados quatro homens, cujas viúvas e parentes pagarão demais as custas do processo que se seguiu, em que ficou a culpa às costas dos mortos!!! (...). Barão.
(DP de 25.11.1844).

1845 - Pernambuco. O Sr. Tomás Xavier Garcia de Almeida, presidente da Província, sancionou em 21 de maio a Lei nº 144, que versa sobre o orçamento referente ao período de 1º de julho de 1845 a 30 de junho de 1846.
Transcreve-se apenas a despesa referente ao ensino público provincial:
"Art. 9. Com os professores de primeiras letras, reduzida ao ensino simultâneo a aula de ensino-mútuo; passando para a freguesia de São José uma das cadeiras da de Santo Antônio; suprimidas as cadeiras vagas da Vitória e Laranjeiras, criada uma cadeira na povoação de São Bento, no termo de Garanhuns, outra no de Águas Belas, outra no de Fazenda Grande desde já, outra em Ouricuri, tendo as professoras de Fora de Portas do Recife, da Sé de Olinda, e a de Goiana quinhentos mil réis de ordenado (anual) cada uma..........32:350$000 réis(total da rubrica.
(DP de 10.06.1845).
Nota: Entre a "Porta da Terra" e o Forte do Brum, o povo pobre foi ocupando a região, fato que deu origem a uma localidade denominada "Fora de Portas"., que seria destruída para expansão do porto do Recife nos anos 70 do século 20.Na atualidade, essa área tem o nome de comunidade do Pilar, em razão da igreja que foi construída para solenizar a retirada dos batavos.

1849 – No dia 23 de fevereiro, a povoação foi atacada por forças rebeldes, seguidoras da Revolução Liberal Praieira e comandadas pelos caudilhos João Tosta, Severo de Tal, João Rodrigues de Vasconcelos e Francisco Ribeiro, em um dia de sábado, invadindo a área urbana de S. Bento. Avisado, o coronel João Leite de Torres Galindo, diretor dos índios aldeados de Boi Morto, veio ao encontro dos rebeldes, com 150 índios, dando-se, então, renhida peleja entre as duas forças e sendo rechaçada a tropa liberal que teve um morto e seis feridos. (DCHEPE, de Sebastião Galvão).

1849 - Ofício de 28 de fevereiro, do juiz municipal de Garanhuns ao chefe de Polícia da Província de Pernambuco, dando conta do assalto à povoação de S. Bento pelas forças rebeldes a mando do cabecilha Pedro Paes de Souza assim como sua dispersão mediante os esforços do valente do major João Alves de Leite. Em resposta, o chefe de Polícia diz que o presidente da Província acaba de dar as providências necessárias para o fim indicado, tal seja , autorizando o destacamento de uma porção da guarda nacional da comarca, munição e algum dinheiro para conter e perseguir os rebeldes, sendo que o referido cabecilha não pode ficar impune cumpre todas as diligências para capturá-lo e que o remeta para esta cidade, quando seja preso, visto não ter a cadeia dessa vila a precisa segurança.
(DP de 10.10.1856).

1851 – Assembleia Provincial de Pernambuco. Sessão de 12.04.1851. Ordem do dia (...) – O Sr. Gitirana: “(...). Vendo, pois, que as minhas ideias já vão ganhando prosélitos, mandei à mesa um artigo, fazendo extensiva, a ideia de um açude em Ouricuri à povoação de S. Bento, que também merece igual benefício. Sim, a povoação de S. Bento era até pouco vítima de qualquer seca, pois, não obstante estar plantada à margem de um rio, este seca tanto que os habitantes daquela povoação um e muitas vezes viram-se obrigados, quando a sede apertava, a procurar asilo em outros lugares bem distantes, levando consigo o gado, em que abunda aquela povoação e seus contornos. Entretanto hoje já não é tão sujeita a esses inconvenientes, porque graças a uma família benfazeja que ali existe, falo da família Valença, tem um açude que se não remedeia tanto quanto deve, remedeia quanto pode. Este açude sendo levado a ponto maior e aperfeiçoado pode produzir imensos bens e abrigar toda aquela população dos
horrores das secas. A vista pois do que tenho exposto, espero que a Casa aprovará o meu artigo”.
(DP de 22.04.1851).

1852 - Governo da Província - Expediente do dia 27.02.1852. Ofício ao diretor geral da instrução pública, inteirando-o de haver deferido, em 15 de janeiro último, o requerimento em que os professores de instrução elementar Luiz Paulino de Holanda Valença, da povoação de Correntes. e Antônio dos Santos Falcão, da de São Bento, pediram permutar as respectivas cadeiras. Neste sentido, fizeram-se as convenientes comunicações.
(DP de 24.03.1852)

1852 – Governo da Província. Expediente de 02.03.1852. Ofício à tesouraria da fazenda provincial remetendo cópia do orçamento que, em vista de sua informação, aprovou para a obra do açude a fazer-se na povoação de S. Bento, município de Garanhuns a fim de que ponha dita obra em arrematação. Comunicou-se o fato ao diretor das obras públicas.
(DP de 24.03.1852 e Diário Novo de 27.03.1852).

1852 – Na sessão de 26 de março, da Assembleia Legislativa Provincial, é lido e julgado objeto de deliberação e mandado imprimir o seguinte projeto:
“Art. 1. Fica criada a freguesia de S. Bento que compreenderá todo o território à margem do rio Canhoto desde sua nascença até a província de Alagoas; o que for banhado pelas águas pendentes do riacho Liberalinho, desde sua nascença até a sua confluência no rio Ipojuca; e daí o mais terreno ao sul da estrada do Redondo, compreendendo o povoado de Água Fria e a fazenda Ingá, de onde, seguindo pelo alto da serra do Redondo, tomará o terreno que fica ao sul da mesma serra e mais o que for banhado pelas águas que vão ter ao rio Riachão inclusive o povoado de Cachoeirinha e dali continuará abrangendo as fazendas Boqueirão e Quati, até findar por este lado onde acaba o distrito da subdelegacia de S. Bento.
Art. 2. Esta freguesia e a de Buíque compreenderão um município, cujo termo pertencendo à comarca de Garanhuns, terá por sede a povoação de S. Bento, a qual fica elevada à categoria de vila com a mesma denominação. Ficam revogadas as leis em contrário. Paço da Assembleia Provincial de Pernambuco, 26 de março de 1852. Carneiro da Cunha. Maciel Monteiro. Barros Barreto. Correia de Brito. Melo Rego. Valentim Vilela”.
(DP de 30/03/1852).

1852 – Edital da tesouraria da fazenda provincial, em cumprimento a uma resolução do tribunal administrativo, manda fazer público que no dia 19 de maio próximo vindouro irá novamente à praça para ser arrematado, perante o mesmo tribunal, a quem por menos fizer a obra do açude na povoação de S. Bento no município de Garanhuns, avaliada em 1:351.955 (um conto, 351mil e 955 réis). Secretaria da Tesouraria da Fazenda Provincial de Pernambuco, 26 de abril de 1852. Prazo de conclusão da obra: seis meses.
(DP de 27.04.1852).

1853 – Assembleia Legislativa Provincial de Pernambuco – “A ordem do dia para hoje é: primeira discussão do projeto nº 45, criando uma freguesia na povoação de S. Bento da comarca de Garanhuns (...).
(O Liberal Pernambucano, de 05.03.1853).

1853 - Criação da freguesia (distrito) pela Lei Provincial n° 309, de 12/05/1853 – Artigo único: Cria a freguesia de S. Bento e marca-lhe os limites. Esta lei foi sancionada por José Bento da Cunha e Figueiredo, presidente da Província. De notar que, pelos primeiros registros paroquiais, iniciados em 1853 com a criação da freguesia, as famílias que para São Bento migraram vieram da Souza, Pombal e São João do Cariri, na província da Paraíba e de Cimbres, Brejo da Madre de Deus, Pedra. Buíque, Altinho, Bonito, Panelas e Palmares na Província de Pernambuco.

1854 - Nomeação do 1º vigário: pelo decreto não numerado de 07/04/1854, o imperador Pedro II apresentou o padre Antônio Alves de Carvalho, da freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos do distrito de São Bento, a dom João da Purificação Marques Perdigão, bispo de Olinda.
(Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro, 11.04.1854).

1854 – Por decreto de 7 do mês de abril, está apresentado na freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, da província e bispado de Pernambuco, o padre Antônio Alves de Carvalho.
(“O Cearense”, da cidade de Fortaleza, de 05.05.1854).

1854 – Movimento do porto do Recife. Navios entrados no dia 14 de agosto, entre eles o vapor brasileiro Imperatriz vindo do Pará e portos intermediários e entre os passageiros desembarcados o padre Antônio Alves de Carvalho.
(“O Liberal Pernambucano”, de 17.08.1854).

1854 - Instalação da freguesia de São Bento em 17 de setembro com a missa solene de posse do padre paraibano, Antônio Alves de Carvalho, presbítero secular do hábito de S. Pedro, pároco da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos na vila de S. Bento por Sua Majestade Imperial e Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Pedro II.

1854 – Fundação da Filarmônica, hoje Banda Musical Santa Cecília, por Antônio Gonçalves Tristão (pai de Liberato Augusto de Siqueira), Firmino Gonçalves de Siqueira e Aprígio Siqueira em 22 de novembro, dia consagrado à protetora dos músicos.

1855 - Governo da Província. Expediente de 17 de julho. Ofício ao chefe de polícia declarando que expediu ordem ao inspetor da tesouraria provincial mandando pagar, estando nos termos legais, as contas que sua senhoria remeteu, sendo (...) outra do aluguel de um cavalo que conduziu o sentenciado João Carlos Damasceno, da povoação de São Bento até esta capital, (...).
(DP de 20.07.1855).

1856 – Relatório dos trabalhos do Conselho Interino de Governo da Bahia – Ano de 1855/1856. Saúde Pública – Cólera-morbo. O mal se manifestou na província do Pará em junho de 1855, diagnosticado de cólera asiática. No dia 21.07.1855, apareceram três casos de cólera na capital da Bahia, depois em Rio Vermelho, Cachoeira, Maragogipe, Santo Amaro, Itaparica, Valença, Nazaré, Jeremoabo, Feira de Santana e Purificação. Só em Santo Amaro foram 5 mil mortos.

1856 – Chegada de Olavo Corrêa Crespo a Maceió. Cólera-morbo. Transcrição de parte da fala do presidente da província de Alagoas, Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, em 08.05.1856, perante a Assembleia Legislativa Provincial de Alagoas. Em 23.11.1855, o presidente recebeu a triste notícia de que o médico municipal de Penedo havia observado o primeiro caso de cólera-morbo num operário de uma fábrica de óleo vegetal. “No dia 04.01.1856, chegaram a Maceió no vapor “Guanabara” dois ouvintes práticos da Faculdade de Medicina da Bahia, Luiz Aurélio Godói e Vasconcelos e Olavo Corrêa Crespo, oferecendo-se-me para prestar serviços nesta província ou na de Pernambuco. Esses mancebos já eram experimentados nas lutuosas cenas da Bahia; engajei-os e fi-los partir o primeiro para Papacaça e o segundo para Quebrangulo”. “Em 06.01.1856, recebi contristadoras notícias de Papacaça: havia lá sucumbido um dos facultativos comissionados pela presidência de Pernambuco, o infeliz Dr. Joaquim da Silva Araújo Amazonas, a epidemia ostentava-se . Julguei, então, do meu dever ir em socorro dos infelizes papacacences e com eles repartir os recursos de que podia dispor. Enviei-lhes dinheiro, uma outra bem provida ambulância e grande quantidade de víveres, e dei ordem ao acadêmico Olavo Correia Crespo que, sem demorar-se em Quebrangulo corresse a reforçar o ponto de Papacaça.” “O vapor Tocantins chegou a Maceió em 01.12.1855, trazendo a bordo alguns estudantes de medicina da faculdade da Bahia os quais se recolhiam às suas províncias para passar as férias no seio de suas famílias. Procurei contratá-los. Tendo ido a bordo, oito me acompanharam no desembarque, foram meus hóspedes; penetraram-se de minhas ideias e no dia seguinte seis desses caridosos mancebos seguiram para Piaçabuçu e Penedo nas margens do rio de São Francisco”.
(Diário de Pernambuco de 11.06.1856).
(Nota: Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, foi presidente de várias províncias no Império de 1851 a 1863 (Pará, Paraíba, Alagoas e Bahia), senador de 1864 até falecer. Foi proprietário rural, tendo nascido em Pernambuco em 1821 e falecido em 1868 no Rio de Janeiro).

1856 - O presidente da província de Alagoas, Sá e Albuquerque, por um expresso chegado ontem ao Recife, participou ser falsa a notícia de ter falecido em Papacaça o estudante de medicina, Luiz Antônio de Godoi Vasconcelos; e que e seu companheiro, Olavo Correia Crespo, continuavam a prestar bons serviços naquela freguesia. (DP de 30.01.1856).

1856 – Os pesquisadores ainda não conseguiram determinar a data da chegada de Olavo Corrêa Crespo à povoação de S. Bento. Sabe-se que o presidente da província de Alagoas, Sá e Albuquerque, determinara o deslocamento dele de Quebrangulo para Papacaça (hoje Bom Conselho) em substituição a um médico falecido, vítima da cólera-morbo. No seu livro: “São Bento do Una: Formação Histórica”, a historiadora Ivete de Morais Cintra afirma que Olavo Corrêa Crespo, natural de Goiana (PE), era filho de Bento Pinto Crespo e de Maria Benedita, tendo contraído núpcias, em 18.06.1856, com Jacinta Emília de Oliveira. Desse consórcio nasceram: Dipna, Maria Paraguaçu, Rodolfo, Tude, Bento, Olavo e Ester. Com a morte de Jacinta Emília em 1876, Olavo Crespo casa-se, em 18.03.1890, com Cândida América Brasil. Desse segundo consórcio, nasceram: Leonildes, Oscar, Eliú, Sara, Elvira, Rute e Judite.

1856 – “Na freguesia de S. Bento, terceiro distrito de Garanhuns, estava a mesa recebendo regularmente as cédulas dos votantes quando se apresentou o vigário da freguesia Antônio Alves de Carvalho e seu coadjutor Manoel Teotônio Pereira da Costa, a testa de gente armada e ajudados por outros homens turbulentos produziram tal desordem que o juiz de paz e o subdelegado não puderam dominar, porque os soldados que estavam na igreja foram desarmados por surpresa. A mesa suspendeu por cinco dias a eleição até que o delegado viesse dar garantias de ordem e de liberdade dos votantes. Então compuseram os amotinados uma mesa a seu jeito, presidida pelo quinto suplente de juiz de paz, José Francisco Calado. Esta
mesa lá ficou funcionando entre os gritos de ‘viva a praia, morram os guabirus’, e outros atos de desordem. É natural, porém, que a este tempo tenha ali chegado com força o delegado,
capitão Camisão, e tenha restabelecido a ordem e restaurado a mesa legal que é presidida pelo juiz de paz mais votado”.
(DP de 10.11.1856).

1859 – Assembleia Legislativa Provincial. Sessão ordinária de 14.03.1859 sob a presidência do Barão de Camaragibe. Ordem do Dia. Segunda discussão do projeto nº 56, de 1858 elevando à categoria de vila, com a denominação de S. Bento, a povoação do mesmo nome, pertencente à comarca de Garanhuns, tendo por termo o território da freguesia deste nome.
O Sr. P. Duarte: - Sr. Presidente, não desejava que este projeto passasse nem mesmo na primeira discussão, sem que alguém se pronunciasse, oralmente, pró ou contra ele. Eu resolvo-me a votar a favor do projeto, e o sustentarei com as minhas fracas forças: o ano passado não pensava assim, porque não residia então no centro; hoje, porém, que tenho conhecimento cabal da localidade, entendo que o projeto deve passar, visto como reconheço nele uma necessidade pública. A freguesia de S. Bento tem nove mil almas; tem até necessidade de ter um batalhão de guarda nacional, pela sua população; dista da sede da comarca, que é a vila de
Garanhuns, 12 léguas, pelo que V. Exc.ª vê e a casa, que não só a justiça não poderá ser convenientemente distribuída, como aqueles, que têm pendência no foro, não deixam de sofrer graves prejuízos; depois na organização do júri, nós sabemos quanto nesta capital custa ele reunir-se, residindo quase às portas do tribunal os sorteados, e como reunir-se de momento, residindo-se doze léguas distantes, e no centro onde as léguas são extraordinariamente
extensas? Senhores, isto não é um discurso; são unicamente as bases em que está firmado este projeto que não é meu, e sim do Sr. Siqueira, mas que voto a favor dele, e por isso estou apresentando as bases m que ele se firmou...
(Um Sr. Deputado: - Defende-o).
O Sr. P. Duarte: - Quem quiser melhormente defendê-lo pode-o fazer, e por isso apenas direi, que S. Bento é um povoado rico e bastante comercial, que tem à roda de si muitas fazendas de proprietários abastados; os gêneros alimentícios ali são abundantes; a água é sofrível, e quase nunca as secas fazem seca, que aquela localidade sofra pela multidão que há de açudes. Disse o nobre deputado, juiz de direito, nomeado para Garanhuns, aqui em aparte, que não há casa para a câmara, júri e cadeia etc. e que por isso não podia S. Bento ser vila. Suponho que foi este o seu pensamento, embora o não concluísse. Mas, Senhores, eu estou autorizado para dizer à casa, que o meu honrado amigo, o Sr. vigário de S. Bento tem uma excelente propriedade no lugar e me disse muitas vezes que a ofereceria ao governo, por venda, para servir de cadeia, casa de câmara, júri etc...
(Um Sr. deputado: - De graça?).
O Sr. P. Duarte: - Não, senhores, não o reconheço tão “patriota”, que faça cessão de sua propriedade gratuitamente quando ele não tem interesse na política.
(Há um aparte).
O Sr. P. Duarte: - E o governo não tem de edificar uma propriedade para servir de repartições no caso de passar o projeto? Tem; pois existe uma já edificada que é do reverendíssimo vigário que com qualquer aumento servirá para câmara e júri.
(Um deputado: - Se fosse de graça!...).
O Sr. P. Duarte: - Seria melhor... Depois, Sr. presidente, eu entendo que a freguesia de S. Bento, devendo tudo que é a uma família ali residente, e havendo uma representação nesta casa assinada por quase toda essa família e seus amigos, parece que tinham direito a receber
desta casa, em atenção aos benefícios que têm feito a esse povoado, o favor que solicita, tanto mais quanto é ele em benefício do povo. Há um argumento contra, que o anteciparei, o qual é
que nessa representação não existe a assinatura do respeitável Francisco Inácio de Paiva nem a de seu filho nem mesmo a do reverendíssimo vigário...
(Um Sr. deputado: - Quem disse isso?).
O Sr. P. Duarte: - Eu estou imaginando o que se pode dizer; e de mais para que iludir-me? Sei que o projeto morre, mas não quero acompanhá-lo no enterro...
(O Sr. Brito: - Eu declaro que voto a favor).
O Sr. P. Duarte: - Esse argumento não procede. V. Exc.ª sabe que a “obera” conciliação por mais que ande nunca chegará aos nossos sertões, salvo se quiser esperar pelo trem do caminho de ferro. O honrado Sr. capitão Paiva, ancião respeitável, e que tem por timbre ser franco e leal com os seus amigos, por várias vezes disse-me, - que não se opunha a ideia de ser elevada a categoria de vila a povoação de S. Bento, que mesmo a aplaudia e achava de necessidade pública essa elevação, mas que não assinava a representação, por se acharem nela as assinaturas de pessoas suas adversárias. - Já vê a casa que nisso só há apenas um capricho, que cumpre respeitar, e não um protesto contra a utilidade do projeto. A falta igualmente da assinatura do meu amigo, o reverendíssimo Sr. vigário de S. Bento não prova também que ele reprove que a sua freguesia seja eleva a termo e vila. Aos dois argumentos que os adversários do projeto podem apresentar, com alguma vantagem, tenho respondido, porque não podem ser outros do que a falta de casa para as repartições públicas, e a falta de assinatura desses senhores. Sr. presidente, eu acho que fazer uma dissertação sobre a necessidade de elevar este ou aquele povoado à categoria de vila e termo é enfadonho, é inadmissível mesmo, parece-me que até mesmo o orador não faria um bom papel. Portanto, termino aqui, declarando solenemente que voto a favor do projeto, e bem assim que trabalharei quanto minhas forças permitirem para que ele seja adotado pela casa.
O Sr. Teixeira de Melo: - Sr. presidente, o ano passado, quando se tratou de se elevar a freguesia de S. Bento à categoria de termo, eu, como membro da comissão de estatística, neguei a minha assinatura a este projeto, porque não acho a povoação de S. Bento com proporções para ser elevada à categoria de termo, mormente estando a comarca de Garanhuns dividida já em dois termos, o de Buíque e o de Garanhuns.
(Um Sr. deputado: - O termo de Buíque já foi reunido).
(Outro Sr. deputado: - Isso prova contra o projeto; se dois era muito, três o que será?). O Sr. O Sr.Teixeira de Melo: - Sr. presidente, a povoação de S. Bento é pequena; eu conheço-a muito, tenho-a percorrido muitas vezes, e não vejo essa influência, essa população que o nobre deputado lhe nota: onde está a estatística desse lugar?
(O Sr. P. Duarte: - Na polícia, eu a vi.)
O Sr. Teixeira de Melo: - Mas não existe aqui oficialmente, e demais Sr. Presidente, o argumento que apresentou a representação dos habitantes de S. Bento, era somente de uma parte da freguesia, que distava da comarca 18 léguas. O ano passado já isto foi remediado; um projeto aqui se apresentou a semelhante respeito e, creio, passou em primeira e segunda discussões, faltando-lhe a terceira, o qual acho muito conveniente seja aprovado. Este era o ponto principal em que se fundava a representação; isto é, a distância de 18 léguas, mas o remédio a isto já o ano passado se começou a dar. Depois, senhores, eu não vejo em S. Bento o pessoal necessário para ocupar esses lugares de que carece uma vila...
(O Sr. P. Duarte: - Oh! pois, não! há muitas pessoas e muito importantes).
O Sr. Teixeira de Melo: - Tanto é como digo, que para o lugar de subdelegado, foi nomeado um militar. Não há cadeia, e não vejo proporções para tal edifício se possa fazer ali com brevidade. E se em S. Bento não se encontrou pessoa apta para exercer o lugar de subdelegado, como achá-las para os de vereadores, suplentes de juiz municipal etc.?
(O Sr. P. Duarte: - Há gente muito suficiente; para tudo isso).
(Um Sr. deputado: - E para jurados?).
(O Sr. P. Duarte: - Onde há nove mil almas, pode por certo haver mil para jurados).
(Um Sr. deputado: - Essa estatística está sem base).
O Sr. Teixeira de Melo: - A população é quase toda de vaqueiros, pessoas dadas à criação de gado, pessoas ignorantes, que não estão a par desses negócios...
(Um Sr. deputado: - Por essa razão, no sertão não deve haver vilas).
O Sr. Teixeira de Melo: - Mas tem certos lugares em que a população está mais atrasada, como sucede em S. Bento, que é um lugar mais retirado e sem esse grande comércio; porque apenas
há ali uma feira onde se vendem rapaduras e farinha, e algumas casas de negócio em que seus donos poderão levar da praça 1:000$ ou 1:200$ réis...
(O Sr. P. Duarte: - Não apoiado; o meu nobre colega está muito prevenido; só eu conheço 4 ou 5 casas de negócio).
O Sr. Teixeira de Melo: - Isso não é negócio importante. E demais como já disse, ali não existem proporções para uma cadeia; e assim acontecerá o que está acontecendo em Buíque, em que não houve reunião de jurados, que não houvesse evasão de presos; estão fugindo todos os dias: é haver reunião de jurados, e haver fuga de presos: em S. Bento há de dar-se o mesmo, não se poderá fazer cadeia; por conseguinte certa é a evasão dos presos...
(Um Sr. deputado: - Mas pode haver cadeia).
O Sr. Teixeira de Melo: - Pois elevaremos à categoria de vila quando houver cadeia, quando houver os edifícios necessários para esses misteres de vila, etc. São Bento, senhores, dista da cabeça da comarca doze léguas, o que por certo é uma distância muito limitada.
(O Sr. P. Duarte: - Doze léguas no sertão são 16 na praça).
O Sr. Teixeira de Melo: - Pelo contrário. A divisão de S. Bento fica a três léguas da vila de Garanhuns, isto é, a extrema da freguesia. Ora, como dividir um termo nesta distância? Eu desejo muito os melhoramentos de minha comarca, mas tanto quanto for possível e necessário, porém elevar um povoado à categoria de vila, somente para satisfazer a vontade de certas pessoas, entendo que não é fazer justiça. Devemos atender às circunstâncias, ao melhoramento do lugar e não à influência de certas pessoas, como disse o meu nobre colega...
(O Sr. P. Duarte: - Eu falei em serviços, e não em influência, e se é influência isso é muito legal).
O Sr. Teixeira de Melo: - De mais a mais, não é a assinatura do Sr. Paiva, que falta nessa representação, falta a de pessoas muito respeitáveis, mesmo da família do Sr. Valença; o Sr. Luiz Paulino de Holanda Valença e outras pessoas daquele lugar, da família do Sr.Valença não assinaram, porque tudo isso foi por mim examinado. Se na comarca de Garanhuns for necessário fazer-se uma divisão de termo, então nesse caso a divisão deve ser na freguesia de Papacaça, cuja importância é muito maior, cuja localidade é muito diversa. S. Bento é um
terreno estéril, seco, pedregoso. E Papacaça lhe é muito superior, é um terreno fértil, abundante e muito populoso etc. Se é necessária a divisão, Papacaça deve ser preferido a S. Bento. À vista dessas razões, que de repente me ocorrem, a casa fará justiça, rejeitando o projeto que se discute.
Vai à mesa o seguinte requerimento:
“Requeiro que oficialmente se peçam informações ao juiz de direito e câmara municipal de Garanhuns a respeito deste projeto, ficando, no entanto, o projeto adiado. – S. R. - Barros de Lacerda”.
Apoiado, o requerimento entra em discussão.
Sr. Melo Rego (Raphael): - Sr. presidente, não me oporei ao requerimento que acaba de ser lido, visto que ele tende a orientar a casa a cerca do modo por que deve votar nesta questão. E desnecessário ser-me-ia ocupar a atenção da casa, se eu não tivesse que fazer algumas reflexões em oposição ao que disse meu nobre colega que se acha à minha esquerda. Permita-me ele que lhe diga com franqueza, que não achei peso nas razões que apresentou para combater o projeto. Assevera o nobre deputado que S. Bento não está no caso de ser elevada à categoria de vila, por faltarem-lhe as condições precisas; mas isso não pode servir contra a criação do termo, e o projeto dispõe sobre ambas as coisas. O primeiro cuidado do nobre deputado deveria ser provar não somente que a povoação de S. Bento não reúne as precisas condições para ser vila, mas também que a freguesia do mesmo nome não pode compor um termo...
(Um Sr. deputado: - Quem inova é quem prova).
O Sr. Melo Rego (Raphael): - Quem apresenta a ideia tem uma convicção formada, quem se opõe a ela, deve mostrar que essa ideia não é razoável, não tem fundamento sólido. Por entanto, ainda que a povoação de S. Bento não se ache no caso de ser elevada a vila, não se segue que não possa a freguesia ser levada a termo quando muito serviria isso para elevar-nos a examinar se há outra localidade que melhores condições ofereça para ser sede do termo. Disse o nobre deputado que em S. Bento não há pessoas para servir o lugar de subdelegado. Sr. presidente, se há insuficiência de habilitações na freguesia de S. Bento para os cargos policiais, o mesmo se dá em todo o sertão. E se a proposição do nobre deputado funda-se no fato de ser o subdelegado de S. Bento um militar esse fato prova demais, prova também contra toda comarca da Garanhuns, onde já foi delegado um militar. E seria isso por não haver em Garanhuns uma pessoa habilitada e de confiança do governo para exercer esse lugar? Não, logo o argumento do nobre deputado é muito fraco, e quem se socorre a ele é porque não tem
outro mais forte. Disse ainda o nobre deputado que em S. Bento não há gente para servir de jurados. Mesmo assim isto não é razão. Sr. presidente, V. Exc.ª sabe muito bem que nestas criações de termo nem sempre se atende ao número de pessoas suficiente para compor o júri; termos há em que não há júri. A condição principal, única que se deve ter em vista, primeiro que tudo é o interesse dos povos quanto à distribuição da justiça. Está na conveniência da justiça que haja um termo naquele lugar? Aqueles povos privados desse termo ficam ou não inibidos da boa distribuição da justiça que se lhes deve ministrar? Esta é que é a questão. O argumento do nobre deputado de que S. Bento dista só doze léguas de Garanhuns, não me parece valioso, porque só formos atender unicamente as distâncias, e no sertão onde não há estradas, onde as comunicações são difíceis, onde os caminhos são péssimos, então não só teríamos de não criar novos termos, que são necessários, mas até deveríamos suprimir alguns que existem, por exemplo, o de Olinda porque está a menos de uma légua desta cidade e com muito boa estrada. Disse mais o nobre deputado em apoio de uma oposição ao projeto que em S. Bento não há cadeia. Se o fato de não haver cadeia tem valor, se pode provar contra o projeto, então deve valer contra outras vilas e até mesmo comarcas, que não as têm, e citarei uma bem importante e não longe desta capital, Rio Formoso. Qual é a comarca de fora que tenha boa cadeia? Só conheço três: Limoeiro, Goiana e Brejo...
(Vozes: - Ouricuri...). (Outras vozes: - Pesqueira).
O Sr. Melo Rego (Raphael): - Pesqueira e Ouricuri não têm cadeia: o governo tem uma casa
que comprou em cada uma dessas vilas por seis ou oito contos de réis; mas não têm cadeia. Se o fato de se ter comprado uma casa é argumento a favor da localidade, S. Bento está em muito boas condições porque lá há casas e pode-se comprar uma. Não vem agora ao caso discutir se a casa de Pesqueira é ou não própria para cadeia. Eu a examinei e sei o que ela é.
(Um deputado: - E então uma cadeia não influi para a criação de um termo?)
O Sr. Melo Rego (Raphael): - É já um meio. Senhores, eu encaro as cadeias como meio de polícia; são muito necessárias, é bom que haja, mas isso não é razão para deixarmos de votar pelo projeto; pelo menos é razão a que não se tem atendido nesta casa. Disse o nobre deputado que Papacaça é que está nas circunstâncias de ser elevado a termo e nisto concordou o outro nobre deputado por aquele círculo (eleitoral). Mas o que se segue daqui é que eles e eu, que também pertenço ao mesmo círculo, estamos em falta para com Papacaça, eu por ignorante porque não sabia que essa povoação estava em condições tão prósperas, mas isso não quer dizer que elevemos a freguesia de S. Bento a vila e termo se S. Bento está no caso de ser elevado a vila e termo, se tem as condições necessárias para isso, fazendo o mesmo a Papacaça; a concessão feita a uma não prejudica a outra. Enfim, eu como gosto de votar com consciência, e acho que todos assim fazem, entendo que há conveniência em aprovar o requerimento, visto como ele tem por fim obter informações e ninguém por certo as pode dar melhores, do que aqueles a quem o requerimento as pede. Voto, pois pelo requerimento.
O Sr. Teodoro da Silva: - Prescindindo Sr. Presidente de emitir o meu juízo sobre o projeto com relação às pessoas que figuram na representação trazida a esta casa e que motivou a sua apresentação, ocupo-me dele pelo lado de sua utilidade. Não conheço bem a comarca de Garanhuns, conquanto tivesse ido a ela ultimamente. A minha estada ali foi passageira, tanto que por mim pouco poderei dizer a respeito do projeto. Mas, quando ali estive, por me lembrar de que nos trabalhos do ano passado figurava o projeto, de que se trata, pedi e obtive a respeito de sua utilidade, informações de pessoa que mais habilitada me pareceu, já pelo seu desinteresse, já pela sua posição oficial. Essa pessoa foi meu antecessor, o Sr. Dr. Juiz de direito Bandeira de Melo, e, além dele, consultei e ouvi outros funcionários da comarca de Garanhuns; sendo que todos foram acordes, ou antes me afirmaram que o projeto, que eleva à categoria de vila a povoação de S. Bento é de nenhuma utilidade. Fiz mais: supondo que seria talvez ouvido nesta casa, quando se discutisse o projeto e para que eu pudesse dar informações exatas, além das que me tinham dado, procurei ir e efetivamente fui a S. Bento. Porém transtornos de viagem obrigaram-me a chegar ali de noite, em vez de dia, como desejara, para que bem pudesse observar a povoação. Portanto não a vi bem; mas pelo que pude observar, declaro à casa que ela é muito pequena. Prescindamos, porém, destas informações próprias,
que são insuficientes; destas informações que eu pretendi alcançar, mas não alcancei com meus próprios olhos; e vamos ás que me deu meu antecessor. A comarca de Garanhuns contém diversas povoações; além delas há duas vilas, uma de Garanhuns e outro de Buíque. A vila de
Garanhuns, que é a cabeça da comarca, está no centro de todas as povoações; dista de Buíque 22 léguas, de S. Bento 12, de Papacaça outras 12, para Correntes apenas 10 e finalmente mais ou menos léguas para outros povoados. Portanto, a ter de criar-se alguma vila ou algum termo na comarca de Garanhuns, deve-se procurar desses povoados que a exceção de Buíque, que já é vila, estão todos equidistantes de Garanhuns, o que tiver mais vida, mais riqueza e população mais densa. Mas, S. Bento não está nesse caso; e não houve uma só pessoa, com quem eu falasse em Garanhuns a respeito, que não me dissesse que no caso de escolha, a comparar-se S. Bento com Papacaça, esta deveria ser preferida para vila. Se se quer criar, pois, criar alguma vila, algum termo na comarca de Garanhuns, convém que de preferência a S. Bento se escolha Papacaça, que tem mais vida própria, mais riqueza, maior população, e deve ser mais animada. Por esse lado, já o projeto não merece aprovação; agora vou mostrar que a não merece por outros motivos. Era de certo muito conveniente que nós fizéssemos com que a justiça se administrasse de braça em braça de terreno, assim como a distribuição do pasto espiritual chegasse a todas as portas. Isto seria de muita vantagem. Mas, pelas nossas circunstâncias, convém não menos quando se trata de criar vilas, termos ou freguesias, atender as distâncias, os recursos próprios das localidades, e a densidade de sua população.
Em S. Bento nem é grande a distância da sede do termo a que pertence, nem a população é densa, nem os recursos de que dispõe são abundantes.
(O Sr. P. Duarte: - Tem nove mil almas).
O Sr. Teodoro da Silva: - Penso eu, que nas criações de vilas, não se trata de um simples ato de divisão territorial, não; trata-se, ao mesmo tempo, de uma criação importante, os fins a que são destinadas as vilas. É necessário, pois, para que uma povoação seja elevada a vila, que seja mais que uma simples povoação, que tenha recursos de certa ordem. E é por isso, é porque não
se tem procedido assim, que vemos quase todas as vilas da província, jazerem no abandono, visto como suas câmaras municipais, vivendo de irregularidades e no desleixo, não têm rendimento próprio com que possam satisfazer suas necessidades. Sei que esta não é a única razão do abolimento de nossas vilas: a razão principal está na lei; e a falta de fiscalização sobre as câmaras, mas de certo não influi pouco essa outra que apresento. E por esta razão devo opor-me ao projeto. Senhores, S. Bento é um pequeno povoado, pobre de recursos, sem vida alguma e com uma ou duas casas de comércio. Qual será o resultado se ali se criar uma vila? O resultado será que daqui a dias o governo terá de edificar, por sua conta, a casa da câmara, a cadeia e tudo o mais que for necessário; e não obstante isso a futura vila viverá sempre na miséria. Já se vê que nisso há um grande inconveniente; porque todos os ônus da criação virão a pesar sobre a província, que, aliás, nada lucrará com ela. Argumentou-se com a distância. Mas quem conhece as avultadas distâncias que há nos povoados das comarcas centrais, de certo não poderá sustentar que devia criar-se um termo em S. Bento, porque dista 12 léguas da cabeça da comarca e do termo ao qual pertence; quando outras comarcas centrais têm povoados distantes das respectivas sedes mais de 20 e 30 léguas. Doze léguas de nenhuma população, o que posso asseverar à casa, pelo que vi em caminho, não é, pois, motivo, só por si, para a criação de um termo. Portanto, eu concluo por todas estas razões, que não são minhas, porque as ouvi de outras pessoas mais habilitadas que eu, que a adoção do projeto não é conveniente. E, ainda por outra razão, que não sê-lo-á para a casa, mas que o é para mim, oponho-me ao projeto. A criar-se vila em S. Bento, mais cedo ou mais tarde ali haverá um termo para a administração da justiça; mas vindo ele a ser um termo insignificante, porque constará de uma só freguesia, em vez de um juiz municipal efetivo e letrado, terá juízes suplentes, juízes leigos. E eu que sei o que são os juízes leigos, ainda por isso me oponho ao projeto.
(O Sr. Duarte: - Então, não se criem mais termos).
(Um outro deputado:- Onde for preciso, criem-se).
(O Sr. Melo Rego (Raphael): - Sr. presidente, as informações que acaba de dar o nobre deputado são desanimadoras; mas eu esperava que ele concluísse de modo diverso porque o fez; isto é, que terminasse votando pelo requerimento, por isso mesmo que ele declarou que as informações que apresentava, não eram próprias, não nasciam de exame e indagações
próprias. Ora, sendo o nobre deputado autoridade no lugar, e tendo de voltar para ele muito em breve, que mal há (e ele mesmo deve ter muito interesse em que esse projeto passe, ou deixe de passar, segundo as conveniências da justiça da sua comarca) em que se espere pela época do
seu exercício ali para por si mesmo examinar a matéria e dar sobre ela os esclarecimentos precisos? O nobre deputado disse que não viu S. Bento como desejava, que ali chegou à noite, mas do juiz de direito e de outras pessoas colheu as informações que nos deu. Senhores, m negócios destes, não nos devemos guiar pelas informações encontradas de uns e outros que podem ser mais ou menos parciais. Os que informaram ao nobre deputado dizem que S. Bento não tem vida, mas o nobre deputado que falou em primeiro lugar e mora lá, diz o contrário. Entre este jogo ou encontro de opiniões, o que manda a prudência e aconselha a boa razão? Nem há motivos para desconfiar-se das informações que se pedem. Os que se opõem ao projeto já vêm pela opinião antecipada do nobre juiz de direito, que ele não é favorável ao mesmo projeto. Se, pois, ele chegar a dar uma opinião favorável ao mesmo projeto, é porque S. Bento está realmente no caso de ser elevada à vila. Portanto, senhores, acho prudente que se aprove o requerimento.
(Há um aparte).
O Sr. Melo Rego (Raphael): - O requerimento encerra duas partes: e ainda mesmo que pudéssemos dispensar as informações do juiz de direito, falta-nos a da câmara municipal. E pode ser que a câmara seja tão favorável que do mesmo despeito destas dadas pelo nobre deputado, a casa pronuncie-se por ele. Voto, pois, pelo requerimento até por um dever de consciência.
Encerrada a discussão, aprova-se o requerimento (de informações), ficando o projeto adiado.
(DP de 16.03.1859).

1859 – Assembleia Legislativa Provincial . Em 2ª discussão é aprovado sem debate o projeto nº 58, de 1958, que eleva a povoação de S. Bento à categoria de vila. (DP 04.05.1859).

1860 – Assembleia Legislativa Provincial de Pernambuco. Em 3ª discussão, foi aprovado o projeto de lei n° 56, de 1858, que eleva a povoação de S. Bento à categoria de vila. Em sessão de 06.03.1860 foi aprovada em 4ª discussão por haver sido apresentada uma emenda na 3ª discussão do projeto n° 56, de 1858, elevando à categoria de vila as povoações de Papacaça e S. Bento desta província.
(DP de 08.03.1860).

1860 - Criação da vila e município pela Lei Provincial n° 476, de 30/04/1860, desmembrada da vila e município de Santo Antônio dos Garanhuns. Esta lei foi sancionada por Ambrósio Leitão da Cunha, presidente da Província. O termo da vila e município de S. Bento abrangia, além da
vila do mesmo nome, como 1° distrito; os povoados de Canhotinho, como 2º distrito e Quipapá, como 3º distrito, e as povoações de Jupi, S. Benedito, Queimadas, Pau Ferro, Jurema, Canhotinho, Lajeiro (Lajedo) e Calçado.

1860 - Em 7 de setembro são realizadas as eleições paroquias para a escolha dos vereadores e juizes de paz. Os primeiros vereadores escolhidos foram: Bento José Alves de Oliveira, Francisco Alves Maciel, José Leão Vitor de Oliveira Ledo, Manoel Antônio de Andrade (Dédi), Antônio Vítor de Barros Teixeira, João Emiliano de Seixas Valença e João da Porciúncula Valença. Suplentes: João Bispo de Araújo, Antônio Correia da Rocha Júnior, Joaquim Bispo de Araújo, Francisco Cândido Valença.

1860 - Em 15 de dezembro, o juiz municipal de Capelas exara, de Garanhuns, despacho no livro da Irmandade do Bom Jesus, da vila de S. Bento, criada em 1835, dizendo que a entidade não estava legalmente constituída, uma vez que não possuía o termo de compromisso. Foi dado
o prazo de um ano para a regularização e a abertura de novos livros. Caso não fossem cumpridas as exigências, a irmandade ficaria dissolvida após o decurso do prazo.

1861 - Em 7 de janeiro, foi solenemente instalada e empossada, pelo presidente da Câmara Municipal da Vila de Garanhuns, a Câmara Municipal da nova vila de São Bento, cujos primeiros vereadores foram eleitos em 7 de setembro de 1860 para mandato de três anos de duração, tendo sido escolhido como secretário da municipalidade Olavo Correia Crespo.

1861 - Em 14 de abril, foi discutido e aprovado pela Irmandade o compromisso que teria de regê-la e aprovada a remessa do documento ao presidente da Província para encaminhar à apreciação e aprovação da Assembleia Legislativa Provincial. É provável que a Assembleia Provincial não tenha apreciado ou aprovado o compromisso. O fato é que em 1º de janeiro de 1862 houve eleição dos novos dirigentes, sem a presença de sacerdote, e posse no dia 6. A partir de então a Irmandade do Bom Jesus nunca mais se reuniu.

1861 – Porto do Recife. Entrada de navios. Vindo do Pará e portos intermediários pelo vapor Oyapock desembarcaram vários passageiros entre os quais o padre Antônio Alves de Carvalho acompanhado de dois escravos.
(DP de 05.04.1861).

1861 – A Comarca de Garanhuns possui dois termos: Garanhuns, e Buíque, com cinco freguesias. Garanhuns tem três freguesias: Garanhuns, S. Bento e Bom Conselho (Papacaça) e Buíque tem duas freguesias: Buíque e Águas Belas. (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Província de Pernambuco, ano de 1861 com dados relativos ao ano de 1860).

1861 – Governo da Província de Pernambuco. Expediente de 21.02.1861. Ofício à Câmara Municipal da vila de S. Bento. Ciente de que a Câmara Municipal da vila de S. Bento concluiu regularmente a sua 1ª reunião, tenho a declarar-lhe em resposta à segunda parte do seu ofício de seis deste mês que estando criado por lei esse termo e eleita a sua Câmara de Vereadores deve esta nomear agentes seus que se encarreguem da fiscalização de seus rendimentos e cobrança dos impostos devidos, dentro da circunscrição territorial do mesmo termo que não devem continuar a ser pagos à municipalidade de Garanhuns de que ele foi desmembrado; ficando sem efeito as arrematações feitas relativas a esses impostos que devem ser novamente levados à praça perante a Câmara Municipal de S. Bento.
(DP de 25.02.1861).

1862 – Instrução pública. A vila de S. Bento é o 42º Distrito Literário: presidente Francisco Alves Maciel (delegado), membros: pároco Antônio Alves de Carvalho, Joaquim Alves da Silva
Valença e Olavo Correia Crespo. (Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Província de Pernambuco, ano de 1862).

1863 – Novamente a cólera. “Temos informações de que a cólera acha-se lavrando na vila de S. Bento com intensidade de modo a não poupar aos acometidos”. Não sabemos quais as providências dadas para ali, mas não podemos deixar de solicitar a sua realização, no caso de
ainda não terem sido expedidos os necessários socorros para aquele povo, que por certo merece a atenção do governo”.
(DP de 17.01.1863).

1863 - Primeiro código de posturas da Câmara Municipal da vila de S. Bento, abrangendo a povoação de Canhotinho, aprovado pela Lei Provincial n° 554, de 04.05.1863. Esta lei foi sancionada por João Silveira de Souza, presidente da província de Pernambuco.

1863 - Manoel da Costa Honorato, estudante do 5° ano da Faculdade de Direito do Recife, publica o seu "Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco", pela Tipografia Universal, do Recife. A seguir, em ortografia da época, reproduzimos o verbete referente à nossa então vila:
"SÃO BENTO, termo, municipio, freguezia e villa, 51 leguas distante do Recife, 12 de Garanhuns, 15 de Papacaça, 25 do Buique, 34 de Aguas Bellas. Foi criada pela lei provincial n.° 309 de 12 de Maio de 1853, que lhe deo todo o territorio á margem do rio Canhoto, desde sua nascença até a provincia de Alagoas, o terreno banhado pelas aguas pendentes do riacho Liberalinho, desde sua nascença até a sua confluencia no rio Ipojuca; e d'ahi o mais territorio ao sul da estrada do Redondo, comprehendendo o povoado Agua-Fria e fazenda do Ingá; donde seguindo pelo alto da serra do Ribeiro, tomando o terreno ao sul da mesma serra, e mais o banhado pelas aguas, que vão ter ao Riacho, inclusive o povoado Cachoeirinha e d'ahi continuando, abrangendo as fazendas Boqueirão e Quaty, até findar por este lado, onde acabava o districto da subdelegacia de São Bento. A lei n.° 432 de 23 de Junho de 1857 determinou que as fracções de territorio dos termos de Caruaru, Brejo e Cimbres, que fazião parte da freguezia de São Bento, ficassem pertencendo ao termo de Garanhuns. A lei n.° 476 de 30 de Abril de 1860 elevou a povoação de São Bento á cathegoria de villa e deo-lhe por termo a mesma freguezia. A sua igreja matriz é dedicada a São Bento. Esta freguezia esta dividida em 2 districtos de paz e é sede do termo de São Bento, que pertence á comarca de Garanhuns. Tem um delegado e um subdelegado de policia, uma cadeira publica de instrucção elementar para o sexo masculino, um delegado e tres commissarios litterarios. Dá 35 eleitores e
faz parte do 4.° circulo eleitoral da provincia. A sua população livre é estimada em 14,000 almas".

1863 – Governo da Província. Expediente de 13 de julho. Ofício ao inspetor da tesouraria da fazenda restituindo a V. Sª o requerimento documentado em que Olavo Corrêa Crespo pede o pagamento da gratificação de 15$000 diários que venceu desde 10 de janeiro a 09 de fevereiro deste ano, tempo em que esteve incumbido do tratamento dos indigentes acometidos do cólera-morbo no termo de S. Bento, o autorizo a mandar pagar esta gratificação na importância de 465$000, conforme indica a contadoria dessa tesouraria no parecer a que se refere a informação de V. Sª datada de 08 do corrente e sob o n° 497.
(DP de 16.07.1863).

1864 - Criação de um batalhão da Guarda Nacional no município de S. Bento, comarca de Garanhuns.
(DP de 21.01.1864).

1864 – Governo da Província. Expediente de 11 de fevereiro. Por portaria, o vice-presidente da Província resolveu criar no termo de S. Bento, além do distrito deste nome, mais dois distritos de subdelegacia com a denominação de Jupi e Canhotinho, os quais terão os seguintes limites: o de S. Bento compreenderá todo o primeiro distrito de paz,; o de Jupi principiará na fazenda Praça do segundo distrito de paz, beira do riacho Canhoto, Divisão, Olho d´Água da Doida a Queimadinha e dali à fazenda Santa Ana até chegar à freguesia de Altinho; e de Canhotinho principiará da estrada velha no mesmo segundo distrito de paz, que segue de Garanhuns para Luz, a encontrar com a freguesia de Altinho, com o terreno que tiver para o sul até encontrar com a província de Alagoas e o distrito de Palmeira em Garanhuns.
(DP de 16.02.1864).

1864 – Governo da Província. Expediente de 11 de fevereiro. Por portaria, o vice-presidente da Província resolveu nomear José Noé da Silva Braga para 3º suplente de delegado do distrito de S. Bento na vaga decorrente do falecimento Antônio de Paiva e Melo; resolveu ainda nomear os suplentes de subdelegado: 2º, Severino Cordeiro Rego; 3º, Pedro Francisco de Almeida; 4º, José de Holanda Valença; 5º, Antônio Ferreira de Melo e 6º, João Gomes de Melo. Distrito de Jupi: subdelegado, Francisco Inácio de Paiva, suplentes de subdelegado: 1°, Pedro Lins de Souza Fontes; 2º, José Ferreira da Silva; 3°, Vicente Ferreira dos Prazeres; 4º, Antônio José da Silva; 5º, João Batista da Silva; 6º, Antônio de Barros Silva. Distrito de Canhotinho: subdelegado, Domingos Ferreira de Morais, suplentes de subdelegado: 1º, João Florentino dos Santos; 2º, José Pereira Leite; 3º, Joaquim Cláudio de Melo; 4°, Joaquim Pedro Alexandrino;
5°, Antônio Vidal dos Santos e 6º, Laurentino Ferreira Pimentel.
(DP de 16.02.1864).

1864 – O termo da vila de S. Bento deixa de fazer parte da comarca de Garanhuns, sendo reunido à comarca de Caruaru, situação que perduraria até 11 de janeiro de 1890 quando foi instalada a comarca de S. Bento, criada por lei provincial de 1881.

1864 - Assembleia Legislativa Provincial. Sessão de 17 de março. Foi lido e mando à impressão o seguinte projeto de lei:
A Assembleia Legislativa Provincial de Pernambuco resolve:
Art. 1º Fica criada uma cadeira do ensino primário para o sexo feminino na vila de São Bento.
Art. 2° Ficam revogadas as disposições em contrário.
Paço da Assembleia Provincial de Pernambuco em 17 de março de 1864.
Joaquim do Rego Barros
(O Liberal de 26.04.1864).

1865 - Governo da Província. Expediente de 1º de abril de 1865. Ofício ao inspetor da tesouraria provincial:
Não havendo inconveniente, mando V. Sª pagar a João Pereira de Gouveia Torres Galindo, como pede no incluso requerimento, a quantia que se lhe estiver a dever proveniente do aluguel de parte da casa de sua propriedade, ocupada pelo destacamento da vila de São Bento, visto como a mencionada casa tendo sido alugada para servir de cadeia, parte dela prestava-se para quartel do mesmo destacamento.
(Jornal do Recife de 07.04.1865).


1865 - Em 8 de maio, nasce na vila de São Bento Liberato Augusto de Siqueira, filho de Antônio Gonçalves Tristão, este um dos fundadores da Filarmônica, mais tarde denominada Banda Musical de Santa Cecília.

1865 - Governo da Província. Lei nº 629. Antônio Borges Leal Castelo Branco, presidente da província de Pernambuco: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial, sob proposta da Câmara Municipal da vila de São Bento, decreta o seguinte artigo aditivo às respectivas posturas:
Art. 1º Fica proibido tirar-se couro de gado neste município sem licença do respectivo dono; os infratores sofrerão a multa de doze mil réis, ou três dias de prisão.
Art. 2º Ficam revogadas todas as disposições as disposições em contrário.
Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da presente resolução pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.
O secretário de Governo desta Província a faça imprimir, publicar e correr.
Palácio do Governo de Pernambuco, 16 de maio de 1865. 44º da Independência e do Império.
LS Antônio Borges Leal Castelo Branco
(Jornal do Recife de 24.05.1865).

1865 - Governo da Província. Expediente de 13 de junho de 1865.
Ofício ao comandante superior de Garanhuns.
Não tendo regressado a esta capital o destacamento do corpo de polícia, que se acha na vila de São Bento, por não se ter ainda apresentado o da guarda nacional, composto de um inferior e cinco praças que o deve substituir, como determinei em data de 15 de fevereiro último, recomendo a V. Sª que expeça as mais terminantes ordens para que entre em serviço o da guarda nacional e possa regressar o do corpo de polícia, como agora ordeno ao delegado daquele termo.
(Jornal do Recife de 17.06.1865).


1865 – Governo da Província de Pernambuco. Expediente do dia 29.08.1865. Ofício ao tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, comandante do batalhão nº 50 de S. Bento. “Certo de quanto me declara em seu ofício de 16 do corrente, tenho a dizer-lhe que muito tomo os seus sentimentos patrióticos e conto com a sua prestimosa coadjuvação na aquisição de remessa de “Voluntários da Pátria” e do contingente da guarda nacional que coube dar o seu batalhão”.
(Jornal do Recife, 01.09.1865).

1865 - Gazetilha. Agora o pagará. Manoel Luiz José Ferreira, achando-se preso na cadeia da vila de São Bento por crime de roubo, conseguiu fugir dali e homiziar-se no lugar chamado Salgado, do mesmo termo, onde pôde por algum tempo iludir os agentes policiais que o procuravam, e reunindo a si outros criminosos, formar com eles um grupo de criminosos que roubava os moradores dos arrabaldes ao mesmo tempo que violava as mulheres que lhe caíam nas mãos. Felizmente tendo brigado com um dos seus companheiros chamado Genuíno de Farias, deliberou matá-lo e disparou sobre ele a sua arma. Genuíno, que apenas ficou ferido, corre a denunciar Manoel Luiz à autoridade local que guiada pelas suas revelações deu sobre o outro criminoso e conseguiu afinal prendê-lo, sendo na mesma ocasião preso outro réu de polícia chamado João Bem, que se acha processado na vila de Buíque, para onde foi remetido.
(Jornal do Recife de 07.09.1865).

1865 – Gazetilha. Em boa hora venham. Informam-nos que o Sr. tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, comandante de um dos corpos efetivos da guarda nacional do município de S. Bento, comarca de Garanhuns, vem em viagem para esta cidade, trazendo consigo cerca de 50 voluntários que conseguiu arrolar ali, para apresentá-los pessoalmente ao Sr. conselheiro, presidente da Província, mostrando assim o interesse que toma pela causa do seu país. Não é a primeira vez que o tenente-coronel Valença dará tão exuberante prova de patriotismo e incansável atividade nesta quadra melindrosa. Já na administração do Sr. Dr. Castelo Branco trouxe Sua Senhoria para alistarem-se muitos voluntários. Possa o seu procedimento servir de estímulo e modelo aos que exercendo, como ele, no interior uma legítima influência, tanto podem concorrer para o brilho de sua província.
(Jornal do Recife, de 27.09.1865).

1865 – Gazetilha. A notícia que demos da vinda do tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, trazendo consigo da vila de S. Bento grande número de “Voluntários da Pátria” realizou-se como tínhamos anunciado. Luiz Paulino apresentou-se ontem e fez entrega ao presidente da Província de cerca de 50 voluntários, se não mais, que na sua comarca se alistara com destino ao 5º batalhão. O presidente da Província agradeceu ao tenente-coronel Valença tão patriótico procedimento, louvou-o como merecia, dizendo que esperava que continuasse a prestar ao seu país serviços relevantes como os que acabara de fazer.
(Jornal do Recife, 03.10.1865).

1865 – Gazetilha. Voluntários da Pátria. Eis os nomes dos voluntários trazidos de S. Bento pelo tenente-coronel, Luiz Paulino de Holanda Valença, como ontem noticiamos: Francisco José Barros, Joaquim Alves da Silva, Antônio Estêvão de Melo, Nicolau Tomás da Silva, Tomás Ferreira Guarabira, José Carneiro dos Santos, Lindo Pereira Gomes, Francisco José Ferreira,
João Paulo dos Santos, Francisco Florêncio de Melo, Laurentino Antônio Torres, Antônio Gomes Barbosa, Joaquim Rodrigues dos Santos, José Jerônimo dos Santos, José Barreto, Manoel Felipe de Azevedo, Luiz José de Farias, José Lopes de Souza, Antônio Lopes de Araújo, José Francisco das Chagas, Belarmino Lopes de Lira, Manoel Antônio da Silva, Antônio Manoel da Costa, Manoel Miguel Gonçalves, Manoel Pereira da Cruz, Claudino José da Costa, José Carlos de Melo, Duarte Pereira do Monte, Manoel Gomes da Silva, Manoel Amaro dos Santos, Teotônio José Felipe Cobra, Manoel Guilhermino do Rosário, Tomás Bispo da Silva, Manoel Gomes da Silva Júnior, José Correia, Antônio Gregório Leite, Inácio Francisco Correia de Araújo, Pedro de Alcântara Moreira, Firmino dos Santos Feitosa, Paulo da Silva Lima, José Ferreira de Campos, Luiz Francisco de Azevedo Brasil, Quirino José Bezerra, José Eusébio de Carvalho, José Alves da Costa, Antônio Ferreira dos Santos, Antônio Rodrigues de Melo, Luiz Inácio de Freitas, Marcolino José de Souza, João Muniz Falcão, Manoel Antônio Dias, José Alves de Souza, Leonardo Bezerra do Nascimento e Joaquim Manoel da Fonseca. (Jornal do Recife, 04.10.1865).

1865 – Gazetilha. Honrado proceder. O tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença endereçou o seguinte ofício ao conselheiro, presidente da Província: “Desejo de concorrer diretamente para a desafronta da honra e dignidade nacional ultrajada pelo estrangeiro, apesar de me ter esforçado de coadjuvar ao governo no nobre empenho de manter eles os nossos foros de nação livre e independente, todavia cada vez me sinto me sinto mais impelido pelo dever a prestar os meus fracos serviços à causa sagrada da pátria, por isso peço para V. Exc.ª para me oferecer como agora o faço, para transpor-me ao teatro de guerra, à frente de corpo de guardas nacionais de que sou comandante, ou de parte dele, se não tiver a fortuna de o reunir em estado completo.
Com a resposta de V. Exc.ª. ª irei empregar todos os esforços para convencer a guarda nacional do meu comando do rigoroso dever que lhe corre de, acudindo ao apela da pátria, acompanhar o Imperador cujo magnânimo exemplo não é lícito esquecer.
Se os meus esforços, o que não espero, não forem bem sucedidos, desde já ponho à disposição do governo os meus serviços de oficial da guarda nacional para qualquer comissão concernente à guerra. Deus guarde Exc.ª por muitos anos. Recife, 03 de outubro de 1865. Luiz Paulino de Holanda Valença, tenente-coronel comandante do batalhão nº 50”.
O presidente da Província aceitou tão patriótico oferecimento, louvou e agradeceu.
Com este honroso passo, o Sr. tenente-coronel Valença, que já tantas provas tem dado de patriotismo, torna-se ainda maior credor à gratidão de seus comprovincianos.
(Jornal do Recife, de 04.10.1865).

1865 – Governo da Província. Expediente do dia 03 de outubro. Ofício do presidente da Província ao tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença. “Respondendo ao seu ofício desta data, tenho a declarar-lhe que tem V. Sª prestado mais um relevante serviço com a apresentação que acaba de fazer-me de 54 voluntários da pátria para tomarem parte na luta em que acha o Império empenhado com a República do Paraguai, serviço que não deixarei de levar ao conhecimento do governo imperial oportunamente e pelo qual antecipo-me em apresentar-lhe os meus agradecimentos em nome do mesmo governo”.
Ofícios do presidente da Província aos comandantes dos corpos: nº 26 de infantaria, do Bonito; nº 21 de infantaria, Caruaru; esquadrão de cavalaria, do Bonito; 25°e 36º, do Brejo, 37º e 38º, de Cimbres; 28º, de Garanhuns e corpo de cavalaria, do Brejo, autorizando o tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, nesta data, a organizar um batalhão de guardas nacionais com que pretende marchar para o teatro de guerra, sendo esse batalhão composto pelos contingentes que pela designação já feita tem de dar os corpos da guarda nacional das comarcas de Caruaru, Bonito, Garanhuns e Brejo, bem como dos guardas voluntários que for possível obter. Assim o declaro a V.Sas. para ter execução na parte que lhes toca e muito lhes
recomendo que auxiliem o mesmo tenente-coronel com os seus esforços para o bom desempenho desse importante serviço”.
(Jornal do Recife, de 06.10.1865).

1865 - Por portaria, o presidente da província de Pernambuco resolveu nomear os integrantes do oficialato do 50º Batalhão de Infantaria de S. Bento: Estado Maior - tenente quartel mestre, Severino Cordeiro Rego; tenente cirurgião, Luiz Antônio de Almeida Costa; alferes secretário, Luiz Apolinário da Silva Manso; alferes porta-bandeira, Francisco Inácio de Paiva Neto. 1ª companhia: capitão Joaquim Alves da Silva Valença, tenente José Leão Vitor de Oliveira Ledo, alferes Antônio Ferreira de Melo, alferes Francisco Inácio de Paiva Júnior. 2ª companhia: capitão Manoel Rodrigues dos Santos, tenente Pedro Luiz de Souza Fontes, alferes João Valeriano Pessoa de Lacerda, alferes José Rodrigues Pereira de Freitas. 3ª companhia: capitão José de Holanda Valença, tenente Bento Vieira Pinto, alferes Lino Ribeiro de Andrade. 4ª companhia: capitão Manoel Antônio de Andrade, tenente Lucio Camelo Pessoa de Siqueira Cavalcanti, alferes Claudino de Almeida Valença, alferes Dionizio José Correia.
(DP 09.10.1865 e Jornal do Recife, de 09.10.1865).

1865 - Governo da Província. Expediente de 26 de outubro de 1865.
Ofício ao inspetor da tesouraria da fazenda.
Mande V. Sª adiantar ao major em comissão Henrique Tibério Capistrano, que segue quanto antes para a vila de São Bento, a reunir-se ao batalhão da guarda nacional que ali se está aquartelado, e para o qual fora nomeado, um mês de seus vencimentos, e bem assim entregar-lhe o quantitativo para a cavalgadura a que tem direito.
(Jornal do Recife de 30.10.1865).

1865 - Gazetilha. Guarda Nacional Expedicionária.
O conselheiro presidente da província já expediu ordem para que o tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença traga para esta cidade o corpo de guarda nacional expedicionária que sob seu comando se formou na vila de São Bento.
(Jornal do Recife de 25.11.1865).

1867 - O termo da vila de S. Bento deixa de fazer parte da comarca de Garanhuns, sendo reunindo à comarca de Caruaru, separada da comarca do Bonito pela Lei Provincial nº 720, de 20 de maio de 1867 e instalada no mesmo ano, situação que perduraria até o ano de 1890 quando a comarca de São Bento foi finalmente instalada.
Nota: Tudo faz crer que este tenha sido o motivo pelo qual o pesquisador Sebastião Soares Cintra, autor do livro "Inocentes e culpados no tribunal do júri de São Bento", não ter encontrado nos cartórios da comarca de São Bento os processos criminais desde os primórdios do termo até os anos iniciais da década
de 60 do século 19. Tais processos devem estar arquivados no cartório criminal da comarca de Garanhuns.

1867 – Inauguração do cemitério, fundado pelo pároco Antônio Alves de Carvalho com o concurso do povo.
(Pereira da Costa, volume 9, página 383).

1868 - Portaria. O presidente da Província, atendendo ao que requereu a professora pública da cadeira de São Bento, Fernandina Palatina de Jesus, resolve prorrogar por mais um mês, com seus vencimentos, a licença que lhe foi concedida por portaria de 6 de outubro do ano passado.
(Jornal do Recife de 06.06.1868).

1868 – Termo de S. Bento (Anexo ao de Caruaru)
- Suplentes de juiz municipal:
1° tenente-coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, 2º major Francisco Alves Maciel, 3° Joaquim Alves da Silva Valença, 4° José Noé da Silva Burgos, 5° Pedro Tolentino de Andrade e 6° José de Holanda Valença.
- Freguesia de S. Bento – Igreja matriz sob a invocação do Senhor Bom Jesus dos Aflitos
Vigário colado: padre Antônio Alves de Carvalho
Coadjutor: padre José de Lima e Silva.
(Almanak Administrativo, Mercantil, Industrial e Agrícola de Pernambuco para o ano de 1869).

1869 – Assembleia Legislativa Provincial. Requerimento de informações datado de 13 de maio, apresentado pelo deputado Miguel Amorim: “Requeiro ao vice-presidente da Província se peça informações sobre o seguinte: que razões teve o delegado de Garanhuns, Dr. José Antônio da Costa Dourado, para prender e recolher o escravo Vicente, de propriedade do vigário de S. Bento, o reverendíssimo padre Antônio Alves de Carvalho, se por este fora requerida a soltura do mesmo escravo e decisão dada a respeito”.
(DP de 26.05.1869, Edição 118).
Nesta mesma edição n° 118, são feitas severas críticas ao delegado e subdelegado José Antônio da Silva Lemos, de S. Bento, sobre abuso de autoridade praticado contra adversários políticos.

1869 – Revista diária. O reitor do Seminário de Olinda recebeu, para obras do estabelecimento, 170$000 réis, produto de uma subscrição agenciada na sua freguesia, pelo pároco de S. Bento, padre Antônio Alves de Carvalho.
(DP de 31.07.1869).

1869 - Gazetilha. Instrução Pública. Por deliberação da presidência da Província em data de 2 do corrente, e pelo resultado do concurso a que se procedeu no dia 17 de junho, foi nomeada professora pública da vila de São Bento Jesuína Alexandrina de Carvalho Pedrosa.
(Jornal do Recife de 04.08.1869).

1869 - Atos Oficiais. Diretoria Geral de Instrução Pública. Ofício ao vice-presidente da Província informando a petição da professora interina da cadeira da vila de São Bento, Alexandrina Adelaide de Paula Brazil na qual pede para que se lance no título de sua nomeação o competente "cumpra-se" a fim de que ela possa receber da Tesouraria Provincial a gratificação que lhe compete.
(Jornal do Recife de 09.10.1869).

1869 - Ministério do Império. Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1869.
Senhor presidente da província de Pernambuco.
Foi presente à Sua Majestade, o Imperador, o ofício de 10 de fevereiro do corrente ano no qual o antecessor de V. Exciª comunicou ter declarado válida a eleição para vereadores e juízes de paz, a que procedeu em setembro do ano passado na matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos da vila de São Bento, presidida pelo juiz de paz do 3º distrito, Florêncio das Neves Camelo, e nula a outra eleição que na mesma freguesia se efetuou na Câmara Municipal, sob a presidência do juiz de paz mais votado do 1º distrito, Francisco Alves Maciel.
E o mesmo Augusto Senhor manda declarar a V. Exciª que é sustentado este ato pelo Governo Imperial à vista das seguintes razões em que se fundou:
1ª O juiz de paz do 3º distrito competentemente presidiu a assembleia paroquial, pois que não compareceram à hora estabelecida os do distrito, e apresentando o mais votado depois de formada a mesa, recusara a asumir a presidência, apesar de convidado a fazê-lo pelo que a exercia;
2ª Instalada regularmente a assembleia paroquial, a lei não dá ao juiz de paz mais votado, que comparece depois, outro direito senão o de assumir a direção dos trabalhos, e não lhe permite, antes proibe que promov e presida outra eleição, como praticou o do 1º distrito na casa da câmara municipal, lugar incompetente e para o qual não havia convocado os votantes.
3ª Não constam das atas desta última eleição os nomes dos eleitores e suplentes que compareceram, o número das cédulas recebidas e dos votos apurados para a formação da mesa, além de não se receberem as cédulas dos votantes do 3º distrito.
Deus guarde V. Exciª
Paulino José Soares de Souza
(Jornal do Recife de 17.11.1869).

1870 - Gazetilha. Cadáver.
Em terras da fazenda Brejinho, do termo de São Bento, foi encontrado no dia 2 do corrente o cadáver do vaqueiro da referida fazenda, Manoel Caetano da Silva.
Assassinato - No dia 4 do corrente, no lugar Caldeirão, distrito da vila de São Bento, foi assassinado com uma facada Bernardo Alves de Oliveira por José Vicente, escravo de Manoel de Barros.Procedeu-se a corpo de delito e ia instaurar-se processo contra o assassino que evadira e cuja captura se diligenciava.
(Jornal do Recife de 13.01.1870).

1870 - Governo da Pernambuco. Expediente de 19 de novembro de 1869.
Portaria n° 318, dissolvendo o destacamento de guardas nacionais do Batalhão nº 26 do Bonito que se achava na vila de São Bento, para fins de manutenção da ordem.
(DP de 19.01.1870).

1870 - Governo da Província. Expediente de 24 de novembro de 1869.
O presidente da Província, Frederico de Almeida e Albuquerque, atendendo ao que requereu Silvestre Antônio de Souza, professor público de instrução primária da vila de São Bento, resolveu conceder-lhe um mês de licença, com somente o ordenado, para tratar de sua saúde.
(DP de 20.01.1870).

1870 - Governo de Pernambuco. Expediente de 15 de dezembro de 1869.
Nesta data foi expedido ofício ao comandante superior da guarda nacional em Garanhuns para informar o número de praças que estiveram destacadas na vbila de São Bento desde 5 de novembro de 1868 até a data em que o dito destacamento foi dissolvido.
(DP de 07.02.1870).

1870 - Governo da Província de Pernambuco. Expediente de 17 de janeiro de 1870.
Expedição de ordem ao comandante superior da Guarda Nacional de Garanhuns mandando transferir para a vila de São Bento o destacamento que existe na vila de Buíque.
(DP de 24.02.1870).

1870 - Governo da Província de Pernambuco. Expediente de 20 de janeiro de 1870.
Portaria do presidente da Província, Frederico de Almeida e Albuquerque, mandando pagar a João José Ferreira a quantia de 10$000 (dez mil réis) em pagamento do aluguel referente a dezembro de 1869 da casa que serviu de cadeia e de quartel ao destacamento de polícia da vila de São Bento.
(DP de 25.02.1870).

1870 - Assassinato. Constando ao subdelegado da vila de São Bento que um indivíduo chamado Francisco e ali morador havia assassinado no dia 1º de fevereiro úlrimo uma pobre mulher, com quem vivia amancebado, enterrando o cadáver em lugar ermo, tratou de verificar se assim era e, de fato, achou o corpo, cuja exumação mandou fazer, procedendo logo a corpo de delito e mandando recolher à cadeia o criminoso que está sendo processado.
(Jornal do Recife de 10.03.1870).

1870 – Governo da Província. Expediente de 11de fevereiro. O presidente da Província de Pernambuco resolveu privar dos postos para os quais foram nomeados, por deliberação de 23 de abril de 1867, visto não terem solicitado as respectivas patentes no prazo legal os oficiais a seguir declarados, pertencentes à Seção de Reserva n° 7, da Guarda Nacional de Garanhuns: 2ªcompanhia – tenente José Francisco Calado e alferes Domingos Ferreira de Morais. 3ªcompanhia – alferes José Camilo Valença e João Rodrigues Valença.
(DP de 24.03.1870).

1870 – Governo da Província. Expediente de 11de fevereiro. O presidente da Província de Pernambuco, atendendo a que a Seção de Reserva n° 7 da Guarda Nacional do município de Garanhuns, não se acha definitivamente organizada, e tendo em vista o ofício do major comandante, resolve nomear para a referida seção os seguintes oficiais: Estado Maior – alferes cirurgião Olavo Corrêa Crespo; 2ª companhia – Federalino Antônio da Silva Lemos, alferes Luiz Bezerra de Vasconcelos; 3ª companhia – Joaquim Antônio de Melo e Manoel Ramos dos Santos.
(DP de 24.03.1870).

1870 - Publicações Solicitadas. Ao Público.
Sr. Redator. O abaixo-assinado não pode deixar de trazer estas toscas linhas a fim de serem publicadas em seu conceituado jornal.
Srs. leitores, não posso deixar, de hora em diante, de acompanhar as fileiras liberais; e até então se acompanhei as fileiras conservadoras era completamente iludido. Hoje, porém estou disposto a prestar meus pequenos serviços ao Partido Liberal do que muito me ufano.
Vila de São Bento, 13 de março de 1870.
Florentino Manso da Silva Dedo
(Jornal do Recife de 30.03.1870).

1870 - Assembleia Legislativa Provincial. Foram apresentados diversos projetos, entre os quais o de nº 27, autorizando a construção de um açude para a vila de São Bento no lugar designado pela Câmara Municipal. (a) Antônio Paulino, Felipe Figueroa, Vieira de Melo, Rufino de Almeida, Eduardo de Oliveira, Vigário Cunha e Gusmão Lobo.
(Jornal do Recife de 10 e 11.04.1870).

1870 - Assembleia Legislativa Provincial. Sessão ordinária de 8 de abril. Ordem do dia. (...).
2ª discussão do projeto nº 27, de 1864, autorizando a Câmara Municipal da vila de São Bento a contratar a construção de uma casa de mercado com Joaquim José Pacheco do Amaral Rego.
Vai à mesa e apoia-se a seguinte emenda: Depois de Joaquim José Pacheco do Amaral Rego, acrescente-se - "ou com que melhores vantagens oferecer. - Melo Rego".
2ª discussão do projeto nº 79, de 1864, que desliga da freguesia de São Bento e incorpora à de Garanhuns diversos territórios.
Vai à mesa e apoia-se o seguinte requerimento.
"Requeiro que sobre o projeto seja ouvido o Exmº Sr. governador do Bispado. Cunha Figueiredo".
(DP de 21.04.1870).

1870 - Revista Diária. Assembleia Legislativa Provincial. Ordem do dia. (...). Aprovou, em 1ª discussão, o projeto de lei n° 27, do ano de 1870, que autoriza o governo a despender seis contos de réis com a construção de um açude na vila de São Bento.
(DP de 04.05.1870).

1870 - Assembleia Legislativa Provincial. Sessão ordinária de 4 de maio. É lido e aprovado o seguinte requerimento: 1º Se em anos anteriores foi votada alguma quota para a construção de um açude na vila de São Bento. 2º Se a obra foi executada e qual o seu estado atual. 3º Se há plantas e orçamentos, remetendo-se cópia no caso afirmativo. Sala das sessões em 4 de maio de 1870. - A. Paulino.
Ordem do dia. É aprovado em 1ª discussão o projeto de lei n° 44, de 1870, que autoriza a Câmara Municipal da vila de São Bento a contratar a construção de uma casa de mercado
(DP de 13.05.1870).

1870 - Assembleia Legislativa Provincial. Sessão ordinária de 3 de maio. A comissão de agricultura, comércio e obras públicas leu, com a devida atenção, o ofício da Câmara Municipal da vila de São Bento em que os agricultores peticionários dali reclamam providências contra os abusos que dizem ali praticados pelos prensários de algodão no peso desse gênero. Nesse sentido, a comissão de agricultura emitiu o seguinte parecer: considerando que os peticionários não juntaram documento comprobatório do que afirmam; considerando que a lesão que dizem sofrer pode provir de fontes que não a indicada na petição; considerando que a Assembleia não pode ferir a liberdade de comércio; considerando que a lesão só pode provir, na hipótese, de falsidade de pesos; considerando que é da competência dos fiscais da Câmara Municipal a fiscalização de pesos e medidas adotados. É de parecer que seja indeferida a petição, remetendo-a ao presidente da Província e o ofício da Câmara Municipal de São Bento, a fim de que leve ao conhecimento da Câmara Municipal do Recife para que tome na devida consideração o seu objeto, e faça cumprir a postura que lhe diz respeito. Sala das comissão, 3 de maio de 1870. Felipe de Figueroa Faria. João Cavalcanti de Albuquerque.
(DP de 14.05.1870).

1870 - A Assembleia Legislativa Provincial de Pernambuco resolve: Art. 1º As despesas das câmaras municipais da Província no ano financeiro de 1ºde outubro a a 30 de setembro de 1871 é orçada em 254:260$883 (duzentos e cinquenta e quatro contos, duzentos e sessesta mil e oitocentos e oitenta e três réis). (...).
Art. 19. A câmara municipal da vila de São Bento é autorizada a despender com os objetos abaixo declarados a quantia de 1:420$000 (um conto e quatrocentos e vinte mil réis).
1. ordenado do secretário................... 300$000
2. ordenado do porteiro..................... 40$000
3. ordenado do fiscal....................... 70$000
4. porcentagem do procurador................ 80$000
5. expediente e assinatura do jornal oficial 50$000
6. limpeza de ruas.......................... 50$000
7. luz e água para a cadeia................. 50$000
8. custa de processos decaídos.............. 150$000
9. aluguel do paço municipal................ 160$000
10.eventuais................................ 50$000
11.pesos e medidas decimais................. 90$000
12.com o princípio de um novo cemitério..... 300$000
13.júri e eleições.......................... 30$000
total.................................... 1:420$000
(DP de 16.05.1870).

1870 - Orçamento Provincial. IV - A verba da lei do orçamento, destinado a obras novas, tem a seguinte aplicação: 2 - (...) cadeia da vila de São Bento....15:000$000 (quinze contos de réis). (...).
(Jornal do Recife de 18.08.1870).
Nota: A cadeia de São Bento só seria inaugurada nos anos 50 na Rua José Cadete (antiga José Mariano) e em 2017 continua abandonada. Apesar de a verba ter sido consignada, o governo da província preferia pagar aluguel de casa que servisse de cadeia e quartel do destacamento policial. O prédio da chamada "cadeia velha", na Praça da Matriz, continua pertencendo a particulares onde se pratica jogos de bilhar e sinuca.

1870 - Agradecimento. Senhores redatores.
Faltaria ao imperioso dever, se, ao retirar-me da vila de São Bento para a capital do Recife, não rendesse um preito de homenagem gratidão aos ilustríssimos senhores: reverendíssimo vigário Antônio Alves de Carvalho, major Bento José Alves e família, major João da Porciúncula Valença, delegado Manoel Aprígio de Morais, João Manso da Silva e família, João Ferreira de Gouveia e família, João José Ferreira, João Emiliano de Seixas Valença, José Bento de Oliveira e família, Manoel Carneiro de Morais e família, Joaquim Antão de Oliveira e família, Jacinto do Amaral, Francisco José de Oliveira e família, Joaquim José Pacheco do Amaral e família, Joaquim José de Souza Jarcim e família, Lino Ribeiro Pontes e família, Domingos Ribeiro Pontes e família, Felinto de Morais Peixoto, Federalino Antônio da Silva Lemos, professor Silvestre Antônio de Souza, Hermenegildo Freire dos Santos, à crioula Aninha e aos demais habitantes do referido lugar.
Na verdade, conheço a magnitude da virtude da hospitalidade e da pequenez individual, para com os mesmos senhores,contemplados os inúmeros favores que me prodigalizaram durante o curto espaço de tempo de três meses que ali residi, ao finado meu afilhado, e mana deste durante, durante a enfermidade que o levou ao túmulo, assistindo ao seu funeral, fazendo particular menção ao senhor capitão Antônio Bento de Oliveira e sua excelentíssima família que me obsequiaram com a catacumba para inhumar o cadáver, ao senhor Francisco Rodrigues Valença com a precisa ceia para os convidados e ao senhor coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, com quatro cavalgaduras para meu regresso, tudo isso gratuitamente.
No intuito do meu reconhecimento, oferto o meu acanhado préstimo no convento de Santo Antônio do Recife, não só como religioso, mas como homem social.
Recife, 4 de novembro de 1870.
Frei João Batista do Espírito Santo
(DP de 07.11.1870).

1870 - Ferimentos Graves. Antônio Campelo Guimarães, morador na vila de São Bento, feriu gravemente a sua mulher, pondo-se logo em fuga, segundo mandam dizer dali.
O crime teve lugar às 6 horas da manhã do dia 16 do corrente, aparecendo pouco depois a autoridade policial, que procedeu a corpo de delito na ofendida e expediu ordens para a capturação do criminoso.
(Jornal do Recife de 23.12.1870).

1871 - "Assassinato" - No distrito de Quipapá, termo de São Bento, e às 10 horas da noite de 9 deste mês foi José Vicente assassinado com um tiro de pistola por Antônio Gomes de Andrade, que foi preso e está sendo processado.
"Que monstro" - Mandam dizer da vila de São Bento que no sítio denominado "Prata", vizinhança daquele lugar, fora Inácio Batista assassinado por sua mulher, Ana Isidoro do Espírito Santo (espírito do demônio) que descarregou um golpe de machado sobre a cabeça quando ele estava dormindo, sendo cúmplices desse horroroso crime os indivíduos Joaquim e Estêvão, escravos de Luiz Nunes da Silva, e com os quais a criminosa entretinha relações.
Todos três foram presos e estão sendo processados.
(Jornal do Recife de 23.04.1871).

1871 - Vila de São Bento. Arrombamento da Cadeia. Da meia-noite para as duas horas da madrugada, de 16 de abril, arrombaram a cadeia da vila de São Bento, fazendo dois buracos, um na parede do oitão e outro na da frente, e conseguiram evadir-se um recruta e dois presos de justiça, de nome Aquiles, escravo do coronel Trajano Belmude Mendes, pronunciado em crime de roubo e João Raimundo Barros, conhecido por Calabá, no de furto de gado.
(Jornal do Recife de 03.05.1871).

1871 - A Lei Provincial n° 1015, de 13 de junho, cria o imposto de 500 réis por cabeça de gado cavalar nascido no município de São Bento e de 400 réis por cabeça de gado vacum e cavalar de outros municípios posto de solta no de São Bento. O produto da arrecadação seria aplicado, pela Câmara Municipal, na construção de um açude, de um cemitério e de uma casa de mercado na vila de São Bento. Concluídas ditas obras, o imposto não mais seria cobrado.

1871 - A Lei Provincial n° 1025, de 13 de junho de 1871, é sancionada pelo vice-presidente da Província de Pernambuco, Manoel do Nascimento Machado Portela, que versa sobre as posturas propostas pela Câmara Municipal da vila de São Bento.
Nota: Como o texto é longo, destacamos apenas o seguinte: "Título VI. Dos empregados. Art. 1° A câmara municipal desta vila, para o bom desempenho de suas atribuições, terá os seguintes empregados: um secretário, um advogado, um procurador, um fiscal na vila, outro na freguesia de Quipapá, outro na povoação de Jurema, outro na povoação de São Benedito, outro na povoação de Pau Ferro, outro na povoação de Cachoeirinha, outros na povoação de Canhotinho, outro na povoação de Queimadas e outro na povoação de Jucupé, um porteiro, nove cordeadores, nove administradores do cemitério e nove administradores de matadouro".
(DP de 13.06.1871, Edição 223).

1871 - Roubo. A inveja pelos bens alheios tem sido a desgraça de muita gente. Nela teve a sua origem a que atualmente pesa sobre o cidadão Manoel Antônio da Silveira, preso na cadeia da vila de São Bento por ter no dia 31 de agosto roubado a casa de negócio do Sr. José Francisco das Chagas, segundo mandou dizer o delegado daquele termo, que vai instaurar-lhe processo.
(Jornal do Recife de 27.09.1871).

1871 - Governo da Província. Expediente de 17 de outubro de 1871.
Ofício ao inspetor da tesouraria provincial para que, em vista das cláusulas e orçamento, junto por cópia, na importância de 4 contos de réis, contrate com Antônio Bento de Oliveira a reconstrução do açude da vila de São Bento atenta à necessidade de ser quanto antes executada esta obra, segundo se vê da informação, também junta por cópia, do chefe da repartição das obras públicas.
(DP de 24.10.1871).

1871 - São Bento.
Têm sido vítimas os proprietários da vila de São Bento nas unhas dos Srs. Franco José de Oliveira, José Bento do Oliveira e seu advogado Olavo Correia Crespo, querendo aqueles como compradores ao arrematante dos impostos provinciais, cobrarem décimas de prédios urbanos nesta módica vila, e isto é uma forma nunca vista.
Apesar de terem os proprietários desta vila solicitado informações, a nada se convencem aturdindo a lei e a todos, ameaçando com executivo; que a isto muitos têm pago, forçados pela ameaça executiva, aos 27$, 28$ e 30$ e mais de casebrios que nada rendem, que até dentro moram, ou se conservam fechados aqueles cujos donos moram nos sítios e que deles se servem só nos domigos à missa e festas do ano; sendo esta cobrança na ordem de 60$000 (sessenta mil réis) anuais por eles arbitrados, e provenientes de 9%, desprezando a fração decimal.
Ora, se o imposto é de décimas, como poderá desprezar esta fração? Considerando mais que esta cobrança é redução desde o ano de 1865 a 1871; mas sem terem sido coletados nenhum dos proprietários.
É assim que têm estes insignes senhores cobrado o imposto de décimas em São Bento.
Será enfadonho apontar-se nas colunas do "Diário" tantas picardias exercidas por estes senhores nas suas arrecadações nas feiras deste município; além de muitas, apontaremos uma cuja análise é célebre. Sendo o impostos das aguardentes de produção, só é devido e cobrado nos estabelecimentos, é aqui em São Bento cobrado nos estabelecimentos, nas cargas expostas ao mercado da feira, e 20 réis por cada litro ou garrafa, pagos por aqueles que compram para seu uso.
Em conclusão, pedem os proprietários desta vila providências ao Exmº Sr. presidente da Província que os faça desabusar a lei, e ensinar-lhes onde, e como são devidos e arrecadados estes impostos, pois ao contrário iram sendo adicionados de mais a mais.
"Os proprietários de São Bento".
(DP de 10.11.1871).

1871 - Governo da Província. Expediente de 16 de dezembro de 1871.
Oficio do presidente da Província ao chefe da repartição das obras públicas dizendo ficar ciente de quanto expôs o engenheiro Francisco Apoligório Leal, acerca da localização escolhida para a reconstrução do açude da vila de São Bento, contra a qual reclamaram alguns habitantes daquela vila.
(DP de 28.12.1871).

1872 - Pernambuco. Liberdade. No dia 12 do corrente mês de janeiro, a Srª Maria Eleutéria do Espírito Santo, mãe do tenente honorário do Exército, João Pereira de Gouveia Torres Galindo, morador na vila de São Bento, deu carta de liberdade gratuitamente ao seu escravo Isidoro, de 26 anos de idade.
(DP de 24.01.1872).

1872 - Governo da Província. Fala com que o presidente da Província, João José de Oliveira Junqueira, abriu a Assembleia Legislativa Provincial de Pernambuco em 1º de março de 1872.
Obras Públicas. (...). Açudes. O da vila de São Bento foi contratado com Antônio Bento de Oliveira por 4 contos e 600 mil réis, e já recebeu a 2ª prestação por ter executado 2 terças partes da obra. (...).
(DP de 13.03.1872).

1872 – No primeiro e único recenseamento realizado no Brasil, durante o Império, a população da vila e município de S. Bento era de 12.239 habitantes. Em 14 de novembro, foi instalada a Câmara Municipal de Panelas, cujo município englobou os distritos de Quipapá e S. Benedito, com os povoados de Jurema e Pau Ferro que pertenciam à base territorial de S. Bento. A povoação de Queimadas continuou sendo de São Bento. O município Panelas reivindicava de São Bento os impostos lá cobrados. Respondendo à consulta da Câmara Municipal da Vila de São Bento sobre a reivindicação do município de Panelas, o presidente da província, Henrique Pereira de Lucena, decidiu em favor de São Bento o produto da arrecadação dos impostos da povoação de Queimadas, de vez que o referido só poderia ser desmembrado por meio de lei provincial.

1872 - Governo da Província. Expediente de 3 de dezembro de 1872.
Ofício ao inspetor da tesouraria de fazenda remetendo a portaria de Hermenegildo Freire dos Santos, agente nomeado para a vila de São Bento.
(DP de 13.12.1872).

1873 - Governo da Província. Expediente de 23 de abril. Portaria. À câmara municipal da vila de São Bento. Em resposta ao ofício da câmara municipal da vila de São Bento, datado de 10 de março último, tenho a declarar que bem procedeu essa câmara não remetendo a de Panelas o produto dos impotos de Queimadas, pertencente ao seu município, do qual não pode ser desmembrado senão em virtude de uma lei provincial. Quanto à letra da 2ª prestação, relativa à arrecadação dos impostos de Quipapá, não há restituição a fazer se o seu vencimento verificou-se depois da instalação do município de Panelas; se porém antes, deve o seu produto ser dividido proporcionalmente, atendendo ao tempo em que aquele território pertenceu a esse município.
(DP de 21.06.1873).

1873 - Governo de Pernambuco. Expediente de 20 de maio. Expediente do secretário de governo da Província.
Ofício ao juiz de direito de Caruaru. O presidente da Província manda acusar o recebimento do ofício de V. Sª de 14 de maio, comunicando que no dia 26 de abril deste ano teve lugar a primeira sessão judiciária do júri na vila de São Bento e que o tribunal funcionou por cinco dias, sendo submetidos a julgamento três processos.
(DP de 04.08.1853).

1873 - Governo da Província. Expediente de 23 de maio.
Portaria do presidente da Província.
Declaro à Câmara Municipal da Vila de São Bento que fica designada a primeira dominga de agosto vindouro, para ter lugar a eleição de eleitores da freguesia que constituem esse município; o que comunico à mesma Câmara a fim de que forneça ao 1º juiz de paz o que a lei recomenda para tal fim.
(DP de 06.08.1873).

1873 - Ministério do Império. À presidência da Província foi dirigido, em 23 de agosto, o seguinte aviso:
Ilmº e Exmº Sr.
Declaro a V. Exciª, em solução ao seu ofício 38 bis, de 15 de março último, que mereceu aprovação o ato pelo qual V. Exciª resolveu anular as duas eleições procedidas em 6 de outubro de ano passado, para vereadores e juízes de paz na freguesia do Sr. Bom Jesus dos Aflitos da vila de São Bento, única que constitui o respectivo município, sendo uma na matriz, sob a presidência do 1º juiz de paz, e a outra na casa da Câmara Municipal, presidida pelo 3º juiz de paz.
Justificam o ato de V. Exciª as seguintes irregularidades constantes das atas e mais documentos que acompanharam o referido ofício:
1ª Não reinou plena liberdade durante o processo da eleição da matriz, sendo este templo cercado por numerosa força armada, capitaneada pelo delegado de polícia, a pretexto de evitar conflitos prováveis, e vedada a entrada no mesmo templo a grande número de eleitores, suplentes e cidadãos qualificados.
2ª Não se lavrou, nessa mesma eleição, a ata especial da 3ª chamada, mas uma única das três chamadas, na qual não se mencionam todas as ocorrências notáveis, deixando pairar dúvidas à fiel execução das formalidades legais no correr destes trabalhos.
3ª Foi extremamente precipitado, na eleição da casa da Câmara, o processo de apuração das cédulas, de onde se infere que estão não foram abertas, examinadas e apuradas uma por uma nos termos da lei; se assim procedesse era materialmente impossível que, além de outros atos, se apurassem em um só dia (9 de outubro) 950 cédulas para vereadores e outras tantas para juízes de paz.
Cumpre, portanto, que se proceda à nova eleição na mencionada freguesia, devendo V. Exciª expedir ordem nesta conformidade.
João Alfredo Correia de Oliveira
(DP de 05.09.1873).

1873 - Pernambuco. Revista Diária. Decisão eleitoral. O presidente da Província expediu a seguinte circular:
Palácio da presidência de Pernambuco, 16 de setembro de 1873.
Declaro à câmara municipal da vila de São Bento que, não se achando ainda reconhecidos pelo poder competente os eleitores da paróquia que constitui esse município, não podem eles tomar parte na próxima eleição de deputados provinciais, nem exercer ato algum eleitoral, em vista do disposto no artigo 121, da lei de 19 de agosto de 1846, e aviso 5.7 de 22 de novembro de 1861.
Henrique Pereira de Lucena
(DP de 20.10.1873).

1873 - Governo da Província. Expediente de 1º de setembro de 1873.
À câmara municipal da vila de São Bento.
Comunico à câmara da vila de São Bento que pelo aviso do Ministério do Império de 23 de agosto, por cópia incluso, foi confirmada a decisão desta presidência, que anulou as eleições de vereadores e juízes de paz desse município; cumprindo a essa câmara dar as precisas providências para que se proceda à nova eleição na terceira dominga de outubro vindouro, que designo para tal fim.
...
Ao juiz de paz mais votado do 1º distrito da freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos da vila de São Bento.
Tendo sido, por aviso do Ministério do Império, por aviso de 23 de agosto, confirmada a decisão desta presidência, que anulou a eleição última de vereadores e juízes de paz dessa paróquia, mandando proceder à nova, cumpre que Vossa Mercê faça a devida convocação para a próxima dominga de outubro vindouro que designo para tal fim.
(DP de 13.11.1873).

1873 - Governo da Província. O presidente da Província, atendendo ao que requereu, Cândida Maria Rosa, professora dee instrução primária da vila de São Bento, resolveu conceder-lhe 15 dias de licença, com vencimento, para realizar o seu casamento.
(DP de 20.11.1873).

1873 - Governo da Província. Expediente de 22 de setembro de 1873.
Ao juiz de paz da freguesia de São Bento.
Em resposta ao seu ofício, tenho a dizer-lhe que fica designada a terceira dominga de novembro vindouro para ter lugar a eleição de vereadores e juízes de paz desse município; não devendo concorrer para a organização da referida mesa paroquial os juízes de paz residentes na freguesia de Santa Águeda (Pesqueira), desmembrado dessa, visto como os respectivos habitantes só devem concorrer a atos eleitorais nessa freguesia na eleição de eleitores, produzindo a desmembração, independente da aprovação da assembleia geral, todos os seus efeitos na eleição de que se trata.
...
À câmara municipal da vila de São Bento.
Não tendo a câmara municipal da vila de São Bento expedido as necessárias comunicações ao 1º juiz de paz, a fim de ter lugar a eleição de vereadores e juízes de paz, marcada para a terceira dominga de outubro, conforme o referido juiz de paz em ofício de 19 do corrente, designo, novamente, a terceira dominga do mês de novembro para o indicado fim. Cumpre, portanto, que essa câmara expeça em tempo as convenientes ordens, no sentido de que se realize naquele dia a referida eleição e não se reproduza semelhante falta.
(DP de 06.12.1873).

1874 - Governo da Província de Pernambuco. Expediente de 14 de outubro de 1873.
Portaria à Câmara Municipal da Vila de São Bento.
Declaro à Câmara Municipal de São Bento que, ainda não se achando reconhecidos pelo poder competente os eleitores da paróquia que constitui esse município, não podem eles tomar parte na próxima eleição de deputados provinciais, em exercer ato algum eleitoral em vista do disposto no artigo 121 da lei de 19 de agosto de 1846 e aviso n° 547 de 22 de novembro de 1861.
(DP de 20.01.1874).


1874 - Publicações Solicitadas.
A polícia na vila de São Bento
É por demais repreensível e abusivo o procedimento do delegado de polícia do termo de São Bento, o tenente José Carlos Vital.
Os desmandos desta autoridade têm atraido a si as imprecações da população sensata do mesmo termo!
Esta autoridade, inimiga rancorosa e acérrrima daqueles que dignamente se conduzem, antes amiga dos desordeiros, dos homens sem caráter, dos rébrobos da sociedade, sendo estes os seus prediletos companheiros, vai perseguindo a seu bel prazer aqueles que, por direito, devia garantir, e garantindo os que, também por direito, devia "trancafiar" na cadeia.
Citamos dentre muitas arbitrariedades as seguintes que têm causado geral indignação:
Vítima inocente de suas perseguições e insultos tem sido um moço português ali residente que, aliás, se tem distinguido pelo seu regular comportamento.
Acontece, porém, que na noite de 1º para 2 de janeiro do corrente ano, o delegado de polícia disse que ia acabar com a vida do referido moço: nesta mesma noite recebeu este um tiro na porta de sua moradia.
Que coincidência, Sr. delegado!
Não consta que este fato tenha sido relatado ao Sr. Dr. Chefe de Polícia.
Outra coincidência!
À vista do procedimento desta autoridade, o moço, ofendido em seus direitos, entendeu que devia requerer uma justificação perante o juiz muniicipal, para provar a perseguição que sofria. Que fez, porém, o Sr. Delegado mandou intimar gente de véspera que reunida com os soldados de polícia, se apresentou armada no dia da audiência, e desta forma coagiu o juiz no exercício de suas funções.
Também será coincidência?
Os escrivães deram-se por suspeitos (foi nomeado um "ad hoc"), algumas testemunhas tímidas se ocultaram.
Nesta vila não há segurança individual, e os atos de canibalismo sucedem-se uns aos outros. Para prová-los relatarei mais o seguinte:
Na noite de 19 para 20 de janeiro, cerca de 30 homens armados se dirigiram à Matriz, e violentando o sacristão, roubaram-lhe as chaves da mesma, e penetrando nela arrombnaram uma porta que comunica com um corredor, hoje independente da igreja; depois de penetrarem no referido corredor, arrombaram mais duas portas deste, que dão saída para a rua, e abriram com alavancas um vão de janela que se achava fechado a tijolo.
O reverendíssimo vigário dirigiu-se nesta ocasião ao delegado, pedindo providências, porém este lhas negou, dizendo que nada tinha com isso e sim o juiz de capelas.
Eis aqui o estado em que se acha o termo de São Bento!
Assumimos a responsabilidade do presente artigo: por isso provocamos o Sr. delegado de polícia de São Bento, o tenente José Carlos Vital, para que nos chame às barras do tribunal que de bom grado lhe provaremos o que foi dito.
F. P.
(Jornal do Recife de 04.02.1874).


1874 - Decisões eleitorais. Ministério do Império.
Em 28 de abril ao presidente de Pernambuco.
Ilmº e Excº Sr.
Constando das atas e mais papéis anexos ao ofício de V. Sª de 17 do mês findo, que das duas eleições feitas em novembro último, na vila de São Bento correu regularmente a que se realizou na igreja matriz sob a presidência do juiz de paz mais votado, João da Porciúncula Valença, a viciam a outra a circunstância de ter sido efetuada incompetentemente na casa da Câmara Municipal e de havê-la presidido o juiz de paz votado em 2º lugar, Joaquim Soares da Rocha, resolveu o Governo Imperial aprovar o ato pelo qual V. Exciª anulou provisoriamente a 2ª das referidas eleições e determinou que tomassem posse os cidadãos eleitos pela primeira. O que declaro a V. Exciª em resposta ao seu dito ofício.
Deus guarde a V. Exciª
João Alfredo Correia de Oliveira
(DP de 17.05.1874 e Jornal do Recife de 18.05.1874).

1874 – Em 03 de junho, Olavo Correia Crespo doou à Municipalidade "um terreno sito no riacho Bela Vista desta vila para a construção de um açude de água potável". O povo chamaria esse açude de açude do Doutor, porque Olavo Crespo tinha cursado até o quarto ano a Faculdade de Medicina da Bahia. Ele chegou a São Bento para dar combate à cólera morbo e nunca mais voltou à Bahia para concluir o curso. Olavo e outro colega desembarcaram em Maceió e se ofereceram ao presidente da província de Alagoas para combateram o mal que grassava em localidades alagoanas. Como o presidente da província de Alagoas era pernambucano, ele resolveu deslocar o estudante Olavo Crespo de Quebrangulo para a localidade de Papacaça (hoje Bom Conselho) em substituição a um médico que falecera vítima da cólera.

1874 - Pernambuco. Revista Diária. Instrução Pública.
Por portaria do presidente da Província, de 23 do corrente, foi removida a professora Liliosa Silveira de Oliveira e Silva, da cadeira de Quipapá para a de São Bento.
(DP de 27.07.1874 e Jornal do Recife de 28.07.1874).

1874 - Criação da povoação de Cachoeirinha subordinada à vila e município de S. Bento.

1874 - Governo da Província. Expediente de 17 de março de 1874.
Ato. O presidente da Província, tendo em vista as atas da eleição de vereadores e juízes de paz, a que se procedeu em 16 de novembrto último no corpo da matriz da vila de São Bento, sob a presidência do 1º juiz de paz, major João da Porciúncula Valença, e bem assim a ata da apuração feita pela respectiva câmara municipal e mais documentos;
E considerando que tal eleição correu regularmente, de conformidade com as prescrições legais e sem estorvo das formalidades e garantias preestabelecidas para a livre manifestação do voto popular; que a segunda eleição, que se figura, feita a 16 do mesmo mês e ano no paço da câmara municipal de São Bento, principiada pelo 2º juiz de paz, Joaquim Soares da Rocha, e acabada pelo 3º, Bento José Alves de Oliveira, é um ato simulado, o que está provado por documentos, sendo que de um deles vê-se que no dia 19 de novembro, em que se fez a 3ª chamada, achava-se fechado e sem povo o paço municipal, e tanto o 2º como o 3º juízes de paz acima mencionados concorreram à matriz e tomaram parte na discussão para a formação da mesa paroquial, retirando-se sob o falso pretexto de não poder o 1º juiz de paz presidir a eleição, por haver perdido o lugar, o que não se deu;
Que a simples alegação de força armada na matriz é destruída por documentos irrecusáveis;
Resolve, usando da atribuição conferida pelo artigo 118 da lei n° 387 de 19 de agosto de 1846, declarar válida a eleição procedida em 16 de novembro último, no corpo da matriz de São Bento, sob a presideência do 1º juiz de paz, major João da Porciúncula Valença; e mandar que se expeça diplomas aos cidadãos eleitos por essa eleição, tanto para vereadores como para juízes de paz, dando-lhes a competente posse;
Anular a duplicata da eleição que se diz feita na casa da câmara muniicipal da vila de São Bento, principiada pelo 2º juiz de paz, Joaquim Soares da Rocha, e acabada pelo 3°, Bento José Alves de Oliveira;
E ordena que neste sentido se façam as devidas comunicações, levando-se este ato ao conhecimento do Exmº Sr. Ministro do Império.
...
À câmara municipal da vila de São Bento.
Tendo nesta data aprovado a eleição a que se procedeu no corpo da matriz dessa vila, sob a p´residência do 1º juiz de paz, major João da Porciúncula Valença, assim o comunico à câmara municipal da vila de São Bento, a fim de que expeça diplomas e dê posse aos vereadores, juramentando os juízes de paz, eleitos pela referida eleição.
(DP de 01.08.1874).

1874 - "A uma menina". Sob este título, enviam-nos da vila de São Bento a seguinte poesia:

Inda não tens o aroma inebriante
Que faz bater o seio palpitante,
És a rosa em botão;
Os brincos infantis são teus amores,
Os teus sonhos febris são pelas flores
Que nascem no sertão.

Inda teu coração não sente chama,
De puro amor tão seis não se inflama,
Nem sabes suspirar.
Vagas no campo, as auras te acompanham,
As águas do regato que te banham
Não te veem cismar.

Qual a meiga, gentil Natércia bela
Era do vate infeliz a linda estrela,
Tu a minha serás.
E quando a idade o amor te abrir no seio,
Nossas almas unindo em doce enleio
A meus braços virás.

Mas ai! talvez qual folha arrebatada
Que o furacão sacode na rajada
E a desfaz em pó,
Oh! talvez que feneça minha esperança,
E que fique em minha alma uma lembrança
Desconsolada e só.

Então, só neste mundo a desventura,
Sem ti, o que será da alma ventura
Que tão leda sonhei!
Qual do cedro quebrada a hástea altiva
Rola no chão do vendaval cativa,
À campa descerei!
(DP de 14.08.1874).

1874 - Governo da Província. Lei n° 1156, orçamento das despesas das câmaras municipais, sencionada por Henrique Pereira de Lucena, comendador da imperial ordem da Rosa, cavalheiro da de Cristo, juiz de direito e presidente da província de Pernambuco.
...
Art. 21. A câmara municipal da vila de São Bento fica autorizada a despender, com as verbas seguintes, a quantia de 1:900$000 (um conta e novecentos mil réis).
1. ordenado do secretário................................... 300$000
2. idem do porteiro......................................... 50$000
3. idem do fiscal da vila de São Bento...................... 100$000
4. idem do fiscal de Canhotinho............................. 50$000
5. porcentagem ao procurador na razão de 6% do que arrecadar 100$000
6. ordenados dos fiscais de Jupi e Cachoeirinha a 20$000 rs. 40$000
7. expediente e assinatura do jornal oficial................ 50$000
8. limpeza das ruas......................................... 30$000
9. água e luz para a cadeia................................. 50$000
10.custas dos processos em que decair a justiça pública..... 150$000
11.aluguel da casa da câmara................................ 240$000
12.obras municipais inclusive as 2 pontes pequenas no açude
e riacho do cemitério.................................... 650$000
13.eventuais................................................ 50$000

total.................................................... 1.900$00
(DP de 20.08.1874).

1874 - Expediente de 24 de julho de 1874. Ofício ao engenheiro chefe da repartição de Obras Públicas.
À vista da sua informação de 22 do corrente, sob o nº 214, e mais documentos anexos à petição de Antônio Bento de Oliveira, arrematante das obras do açude da vila de São Bento, autorizo vosmecê a mandar receber definitivamente as mesmas obras por haver terminado o prazo da responsabilidade e a passar o competente certificado para ter lugar o pagamento do que se estiver a dever.
(DP de 19.11.1874).

1874 - No sábado, 19 de dezembro, dia de feira, a vila de São Bento foi invadida por indivíduos, apelidados de “quebra-quilos”, que não queriam a adoção do sistema métrico francês, determinada pela Lei Imperial nº 1.157, de 26 de junho de 1862, dando prazo de dez anos para sua implantação total. Pela manhã, entrou na vila um grupo de pessoas armadas, invadindo a Câmara Municipal para se apoderar dos pesos e medidas pertencentes àquela casa. Os manifestantes, ao tempo que destruíam os pesos e medidas, gritavam para o povo que não consentisse que os fiscais da municipalidade arrecadassem os impostos. Depois desse ato de violência, os manifestantes se retiraram da vila sem maiores consequências.

1874 – Termo de S. Bento.
- Juiz municipal: Dr. Aristarco Cavalcanti de Albuquerque.
Suplentes de juiz municipal: 1° Antônio Bento de Oliveira, 2° José Bento de Oliveira e 3° José Pereira Leite.
- Escrivães e tabeliães:
Tabelião e escrivão de órfãos: João Antônio da Cunha Ferreira.
Tabelião e escrivão do cível: José Antônio da Silva Lemos.
-Freguesia de S. Bento
Igreja matriz sob a invocação do Senhor Bom Jesus dos Aflitos
Vigário colado: padre João José do Espirito Santo.
Coadjutor: padre José de Lima e Silva.
(Almanak Administrativo, Mercantil, Industrial e Agrícola de Pernambuco para o ano de 1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 25 de setembro de 1874.
À camara municipal da vila de São Bento.
Respondendo ao ofício dirigido a esta presidência, em 13 de maio findo, declaro que, em vista do artigo 80 da lei de 1º de outubro de 1828, os procuradores das câmaras municipais são obrigados a prestar fiança e que os seus bens estejam legalmente hipotecados à fazenda municipal, de acordo com o artigo 3º § 5º da lei (hipotecária) nº 1237, de 24 de setembro de 1864.
(DP de 15.01.1875).

1875 - São Bento. Escrevem-nos o seguinte:
Devo dar-lhe notícias desse malfadado termo. Aqui chegou o famigerado João Vieira com a guarda nacional de Caruaru, constando toda de 27 praças, inclusive o comando superior. Neste número um capitão e "dezesseis" sargentos. O capitão é o cunhado do comandante, e a quem os matutos chamam de capitão de bobagem.
Este moço é o mais insolente de toda a força e já não levou aqui muito cacete porque os homens prudentes não têm querido, mas obstado.
João Vieira entrou nesta vila com o pé esquerdo adiante. O seu predileto, chico-mata-escura levou muita bofetada do sargento Rosa, praça do 2º, e havendo conflito da força de linha com a guarda nacional, o coronel "trancou-se na casa da Câmara", donde mandou recuar sua força e ali esteve trancado até que a tropa de linha seguiu para Buíque. É um perfeito capitão Tibério. Não sei porque o governo se lembrou de tamanho bicho, que só tem préstimo para anarquizar a comarca e pô-la em continuados sustos.
"Não prendeu um só "quebra-kilos". A cadeia, porém, está cheia de inocentes e incautos, que pôde agarrar na sua marcha de Caruaru. "Felizmente nenhum é liberal", e os vermelhos daqui não poderão ainda soltar ninguém. Ele os trata com desprezo e diz que não leva ninguém em conta, porque está cumprindo ordens do governo que lhe "prometeu um baronato".
Quando vinha de Caruaru, despediu-se da força um cunhado sapateiro, a quem tinha feito sargento brigada.
Ontem, foram presos João Marinho Cavalcanti de Albuquerque, Francisco Dias e José Cavalcanti, este sobrinho do juiz de direito de Escada, porque disseram que viram as bofetadas do "Mata-escura". Foram logo soltos depois de ouvir João Vieira novas do seu avô alforriado, João Filipe.
Nas duas últimas feiras não houve farinha, e todos os gêneros alimentícios triplicaram de preço. O povo está todo pelos matos.
Antônio Cordeiro de Melo, correndo com medo da força, levou dois tiros, "escapando de morrer", por causa do sargento Rosa que agarrou-se com o "Mata-escura" "exprobando-lhe" a ordem de atirar em quem corria, e fugia para os matos.
Acha-se presa uma mulher de nome Bela por uma mentira que foi contar, e que deixou o pobre coronel em sustos.
Ontem, coitado, correndo uma casa, donde saía uma mulher, e já alta noite, deu com a cara num jirau e quase fura o olho por onde ainda vê um bocadinho.
Enquanto se cura, estaremos com os ouvidos mais livres de tantas bravatas.
A vila está deserta. Ontem morreu um sobrinho do Dr. Tamarindo e quase é enterrado no mato, porque ninguém se atrevia a vir com o cadáver para a Matriz. Nesta hora, chegam quatro soldados, vindos de Caruaru, um atrás do outro, pela notícia de se achar João Vieira "cercado".
Nunca vi tanta mentira.
(A Província de 26.01.1875).

1875 - Vila de São Bento. Carta de Antônio Bento de Oliveira.
Achando-me nesta cidade, onde vim a negócio, deparei por acaso com uma correspondência da vila de São Bento inserta no jornal "A Província" de 26 do corrente em que um acervo de torpes e desbragadas calúnias procura lançar a ridículo os Ilmos. Srs. coronel João Vieira de Melo e Silva e seu digno cunhado Dr. Manoel M. Pinto que para aquela vila foram com uma força de guarda nacional a fim de manterem a ordem que se achava alterada e capturar aos criminosos que pudessem encontrar.
Moro na vila de São Bento, onde me achei durante o tempo que o Ilmº Sr. coronel João Vieira ali esteve; cumpre-me portanto declarar em abono da verdade que o autor de tal correspondência é mestre no "fabrico" de mentiras.
Não o provocamos para que volte de viseira erguida para lhe darmos a resposta, por estarmos convencidos de que é ele algum dos criminosos, a quem o digno coronel incomodou, obrigando-o a refugiar-se por alguns dias np mato, e tanto prova isso, que a tal correspondência aponta como perseguido o "inocente" Antônio Cordeiro de Melo, não se lembrando que este homem é criminoso pronunciado e por conseguinte: - "simile com similibus".
Recife, 28 de janeiro de 1875.
Antônio Bento de Oliveira
(DP de 29.01.1875 e Jornal do Recife de 30.01.1875).


1875 - Governo da Província. Expediente de 10 de outubro de 1874.
Portaria à câmara municipal da vila de são Bento.
Em resposta ao ofício que me dirigiu em 2 de setembro findo, solicitando aprovação provisória de posturas sobre aferição de pesos e medidas, lhe declaro que adote as da ilustríssima câmara municipal do Recife, constantes da cópia inclusa até que a assembleia legislativa provincial resolva a respeito.
(DP de 01.02.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 3 de dezembro de 1874.
Ofício ao exator dos impostos municipais da vila de São Bento, Antônio Bezerra da Silva Paula.
- Conformando-me com a informação do inspetor do inspetor do tesouro provincial, declaro a vosmecê, em resposta à sua consulta de 4 de agosto de 1874 que, a exceção dos gados vacum e cavalar dizimados, que representam o resultado do imposto, os demais existentes no município estão sujeitos às imposições decretadas pelos artigos 77 e 18 do título 5° da lei 1.025 de 13 de junho de 1871.
Cumpre ponderar que vosmecê deverá dirigir-se à câmara municipal, a quem cabia se não pudesse esclarecê-lo consultar a esta presidência.
(DP de 06.04.1875).

1875 - A Província de Pernambuco estava dividida em cidade e vilas. Cidades: 1 - Recife, 2 - Olinda, 3 - Goiana, 4 - Vitória, 5 - Nazaré, 6 - Escada, 7 - Rio Formoso, 8 - Caruaru. Vilas: 9 - Palmares, 10 - Paudalho, 11 - Jaboatão, 12 - Iguarassu, 13 - Cabo, 14 - Barreiros, 15 - São Bento, 16 - Triunfo, 17 - Ingazeira, 18 - Itambém, 19 - Bom Jardimm, 20 - Granito, 21 - Sirinhaém, 22 - Bonito, 23 - Gameleira, 24 - Brejo, 25 - Cimbres (Pesqueira), 26 - Bom Conselho, 27 - Garanhuns, 28 - Salgueiro, 29 - Petrolina, 30 - Ouricuri, 31 - Buíque, 32 - Vila Bela, 33 - Flores, 34 - Bezerros, 35 - Ipojuca, 36 - Floresta, 37 - Cabrobó, 38 - Tacaratu, 39 - Panelas, 40 - Boa Vista, 41 - Águas Belas e 42 - Limoeiro.
(DP de 22.04.1875).

1875 - Revista Diária. Ferimento. Às 7 horas da noite de 3 do corrente, Francisco Inácio de Paiva feriu gravemente a Miguel Cândido na vila de São Bento; evadindo-seo criminoso.
(DP de 24.04.1875).

1875 - Governo da Província. Despachos da presidência da provínica de 17 de janeiro de 1875.
Abaixo-assinados, moradores da vila de São Bento.
- Informe o Sr. Dr. chefe de polícia.
Abaixo-assinados, moradores e proprietários no povoado de Lajeiros (hoje Lajedo), município de São Bento.
- Informe à câmara municipal da vila de São Bento
(DP de 19.05.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 5 de fevereiro de 1875.
Portaria à câmara municipal da vila de São Bento.
Declaro, em resposta ao seu ofício de 28 de janeiro findo, que, se julgar conveniente, requeira à Assembleia Legislativa Provincial aumento de grtificação para o procurador da mesma câmara o qual, por ora, só tem direito a que está designada no artigo 21, § 5º, da lei n° 1156, de 15 de junho de 1874.
(DP de 09.06.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 11 de fevereiro de 1875.
Portaria à câmara municipal de São Bento.
Nego a autorização para que a câmara municipal da vila de São Bento solicita, desta presidência, em 30 de janeiro findo para conceder um abate de 80$000 (oitenta mil réis) ao arrematante dos impostos municipais não só porque isso se opõe ao artigo 52 da lei de 1º de outubro de 1928, explicado pelo aviso de 2 de junho de 1840, como também porque o mesmo arrematante não sofreu prejuízo sério desde que, embora não se tendo reunido a feira uma ou duas vezes, quase todos os impostos podem ser cobrados posteriormente a elas, não se reproduziram os movimentos sediciosos.
(DP de 14.06.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 13 de março de 1875.
Portaria à câmara municipal da vila de São Bento, em resposta ao seu ofício de 18 de fevereiro findo, que mande novamente pôr em praça os impostos municipais para serem arrematados com o abate de 10% sobre a primitiva avaliação.
(DP de 22.07.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 29 de março de 1875.
Ofício ao inspetor da tesouraria de fazenda remetendo, para fins convenientes, o título de nomeação expedido pela diretoria geral dos correios a favor de Luiz Apolinário da Silva Manso para o lugar de agente do correio da vila de São Bento.
(DP de 31.07.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 14 de abril de 1875.
Portaria à câmara municipal de São Bento, declarando, em resposta ao seu ofício de 8 do corrente, que teve conveniente destino o abaixo-assinado dirigido à Assembleia Legislativa Provincial pelos moradores do distrito de Canhotinho.
(DP de 07.08.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 22 de maio de 1875. Expediente do secretário.
Ofício ao juiz de direito de Caruaru, acusando o recebimento do ofício em que participa ter funcionado o júri da vila de São Bento, em 1ª sessão deste ano do dia 10 a 15 deste mês.
(DP de 24.08.1875).

1875 - Governo da Província. Expediente de 10 de setembrto de 1875. Ofício à tesouraria da fazenda, transmitindo cópia do aviso do Ministério da Guerra, de 31 de agosto, donde se evidencia que o tenente Capitulino César Loureiro não tem direito à gratificação de 56$000 (cinquenta e seis mil réis), que despendeu com sua condução à vila de São Bento onde foi exercer o cargo de delegado de polícia.
(DP de 29.09.1875).

1875 - Editais. Aristarco Cavalcanti de Albuquerque, bacharel formado em ciências sociais e jurídicas pela faculdade de direito do Recife, juiz municipal e de órfãos do termo de São Bento, de Pernambuco, por Sua Majestade Imperial, a quem Deus guarde etc.
Faço saber aos que o presente edital virem e dele notícia tiverem, que se acha vaga a serventia vitalícia de 1º tabelião público judicial e de notas, escrivão de órfãos, capelas e resíduos deste termo de São Bento, por falecimento do respectivo serventuário, e que em virtude do decreto de 30 de agosto de 1851, ponho m concurso ditos ofícios com o prazo de 60 dias a contar desta data, e convido os pretendentes a virem com seus documentos de habilitação a saber: folha corrida, certidão de idade, exame de suficiência e quaisquer documentos que tiverem em seu favor, devendo as petições virem datadas, assinadas e todos os papéis selados. Igual prazo terão os pretendentes na capital, remetendo-se cópia do presdente edital a S. Exciª, o Sr. presidente da Província.
Dado e passado nesta vila de São Bento, aos 5 dias de novembro de 1875.
Eu, José Antônio da Silva Lemos, escrivão, o escrevi.
O escrivão, José Antônio da Silva Lemos.
Aristarco Cavalcanti de Albuquerque.
V.S.S. ex-causa - Cavalcanti de Albuquerque.
Está conforme o original.
O escrivão, José Antônio da Silva Lemos.
(DP de 15.11.1875).

1876 – O município de S. Bento abrangia a vila de S. Bento, como 1° distrito; a povoação de Jupi, como 2º distrito, e a povoação de Canhotinho, como 3° distrito.

1876 – Nomeação, em 28 de junho, de Luiz Felipe Cavalcanti de Albuquerque, 1º tabelião, escrivão de órfãos e anexos, capelas e resíduos. (DP de 11 ou 12.03.1876,por ilegível).

1876 - Secretaria da presidência de Pernambuco, 13 de março de 1876.
Por esta secretaria se faz público, de conformidade com o artigo 11 do decreto nº 817, de 30 de agosto de 1851, o edital abaixo descrito, pondo em concurso com o prazo de 60 dias a serventia vitalícia dos oficios de partidores, distribuidor e contador do termo de São Bento.
O secretário, João Diniz Ribeiro da Cunha.
"Aristarco Cavalcanti de Albuquerque, bacharel formado em ciências sociais e jurídicas da faculdade de direito do Recife, juiz municipal e de órfãos do termo de São Bento, por S. M. o imperador a quem Deus guarde etc.
Faço saber aos que o presente edital virem e dele notícia tiverem, que acha-se em concurso, com o prazo de 60 dias, a contar desta data, os ofícios de contador, partidor e distribuidor, criados pela lei provincial nº 504, de 29 de maio de 1861, e que ainda não tinham sido preenchidos. Os pretendentes deverão dentro do referido prazo apresentar seus requerimentos, competentemente instruídos em conformidade do artigo 14 do decreto n° 817, de 30 de agosto de 1851, combinado com o decreto 4678, de 3 de janeiro de 1871.
E para que chegue ao conhecimento de todos, mandei passar o presente edital, que será afixado nos lugares mais públicos desta vila, sendo também publicado pela imprensa na capital, para o que remeteu-se cópia a sua Exciª o Sr. presidente da Província.
Vila de São Bento, 2 de março de 1876.Eu, José Antônio da Silva Lemos, escrivão, o escrevi.
Aristarco Cavalcanti de Albuquerque. Ao selo 300 réis. Valha sem selo ex-causa.
Cavalcanti de Albuquerque. Está conforme o original. Vila de São Bento, 2 de março de 1876, o escrivão, José Antônio da Silva Lemos.
(DP de 25.03.1876).

1876 - Publicações Solicitadas.
1 - Vila de São Bento.
Consta-nos que o "rato de gaveta" mais conhecido como "Quebra-Quilos" quer a todo transe ser empregado público!
Esse animalaço, roedor da reputação alheia, tem muita habilidade para "contar" e depois "partir" e repartir consigo o que é dos outros.
Seja o "castigo do vício", "o próprio vício".
Se o governo quiser remunerar os serviços que este homem prestou por ocasião da da revolta "Quebra-Quilos", mande-o para as - galés.
Brevemente serão publicadas as suas gentilezas sob a epígrafe: "Proezas num engenho" ou a "Biografia de um rato de gaveta".
D. Quixote de la Mancha
...
2 - Vila de São Bento.
Propôs-se aos ofícios de partidor e contador deste termo o Sr. João Marinho Cavalcanti de Albuquerque.
Preza a Deus que a escolha recaia em tão prestimoso cidadão.
O governo deve recompensar-lhe os serviços que prestou nos célebres tempos do "Quebra-Quilos".
João Gallinha
(Jornal do Recife de 06.06.1876).

1876 - Publicações solicitadas.
São Bento, 16 de junho de 1876.
Duas publicações solicitadas e com a epígrafe "São Bento" foram estampadas no "Jornal do Recife" de 6 do corrente ano, assinadas com o pseudônimo "D. Quixote de la Mancha" e "João Galinha".
O anônimo não é arma do homem de bem, foi e continua sendo a capa daqueles que fogem à responsabilidade para ferirem os homens honestos.
Nada tenho que ver com "D. Quixote" e "João Galinha"; tirem estes traficantes as vizeiras, assinem os seus nomes para terem a devida resposta. Enquanto assim não o fizerem, serão considerados como infames, bancarroteiros e detratores da honra e probidade alheia.
Os dois documentos que abaixo ofereço, atestados, um pelo fiscal e coletor deste termo e outro pelo negociante Lino Teixeira de Andrade, meu ex-patrão, de cuja casa saí em 1873,provam exuberantemente que nunca tive honras de "Quebra-quilos e muito menos de "rato de gaveta".
Podia também provar minha forma de procedimento, com os testemunhos dos habitantes deste lugar e dos da capital, onde sempre residi, porém, para isto espero que meu miserável antagonista desmascare-se.
Vila de São Bento, 16 de junho de 1876.
João Marinho Cavalcanti
Anexos:
Ilmºs Srs Fiscal e Coletor das rendas provinciais do termo de São Bento.
João Marinho Cavalcanti, a seu bem, precisa que V. Sas. se dignem de atestar que guardou os livros e mais papéis da coletoria desta vila, durante o movimento sedicioso denominado "Quebra-Quilos" no mês de dezembro de 1874, e bem assim qual o comportamento civil e moral do suplicante.
E assim pede a V.Sas. deferimento.
Vila de São Bento, 16 de junho 1876.
João Marinho Cavalcanti
...
Atesto ter sido o Sr. João Marinho Cavalcanti quem guardou os livros e mais papéis pertencentes a esta coletoria durante o movimento sedicioso "Quebra-Quilos".
E quanto ao procedimento civil e moral, ao meu conhecimento, é o mais exemplar possível.
O que digo o jurarei se necessário for.
Vila de São Bento, 17 de junho de 1876.
João da Porciúncula Valença
Fiscal
...

Refiro-me ao atestado retro por ter dele inteiro conhecimento, e ter sido eu o próprio que entreguei sob sua guarda.
Vila de São Bento, 17 de junho de 1876.
João Augusto Alves Maciel
Coletor
...
Ilmºs Srs. Lino Ribeiro de Andrade &C.
João Marinho Cavalcanti, a bem seu, precisa que vosmecês atestem o seguinte:
1º Se o suplicante esteve em sua casa e se durante o tempo que esteve portou-se com honradez.
2º Se tomou conta de seu estabelecimento por balanço e se entr5egou pelo mesmo e se nesta ocasião o senhor encontrou dprejuízo ou lucro.
3º Finalmente se houve alguma discordata entre ambos até aquela data e até esta ou coisa que pudesse manchar a reputação do suplicante.
De vossas senhorias atento, venerador e criado.
Vila de São Bento, 12 de março de 1876.
João Marinho Cavalcanti.
...
Atesto que o suplicante esteve em meu estabelecimento e sempre portou-se com honradez, entregando-me dito estabelecimento em ordem e lucro, e que até hoje nos conservamos em boa harmonia.
São Bento, 12 de março de 1876.
Lino Ribeiro de Andrade
(Estavam estampilhados e reconhecidos).
(Jornal do Recife de 28.06.1876).

1876 - Governo de Pernambuco. Expediente de 3 de julho de 1876.
Ao diretor do arsenal de guerra.
Para a guarda local da vila de São Bento, mande V.Sª fornecer ao comissário João Gonçalves de Araújo Lima 11 espingardas completas com seus acessórios, inclusive correiame, 2 maços de cartuchos embalados com espoletas em número suficiente e 22 pares de sapato fabricados no país.
(DP de 24.07.1876).

1876 - Governo da Província. Expediente de 12 de setembro de 1876.
Expediente do secretário.
Ao inspetor da tesouro provincial,
De ordem de sua Exciª, o Sr. presidente da Província, comunico a v. Sª que em data de 4 de agosto último ficou a guarda a guarda local da vila de São Bento completa com o número de 10 praças, inclusive o comissário e o sargento.
(DP de 02.10.1876).

1876 - Governo da Província. Expediente de 18 de setembro de 1876.
Ao comissário de polícia da vila de São Bento.
Declaro a vosmecê, em resposta a seu ofício de 4 do corrente, que não pode ser aprovado o orçamento de uma tarimba para o quartel dessa guarda, não só porque deve vosmecê preferir barras como também porque a quantia de 200 mil réis excede a do número correspondente de barras pelo preço de 12 mil réis cada uma, conforme está marcada na tabela do tesouro provincial aprovada por esta presidência.
(DP de 07.10.1876).
Nota: Tarimba: estrado mais alto na cabeceira em que dormem soldados em quartéis, postos de guarda.

1876 – Governo da Província. Expediente de 29 de setembro. Ofício do presidente da Província ao inspetor da tesouraria da fazenda: para os fins convenientes, transmito a v. senhoria os títulos de nomeação de Júlio Carneiro Pinto, partidor e contador do termo de S. Bento, e de Coriolano de Paiva e Melo, partidor e distribuidor do termo de S. Bento. Comunicou-se aos nomeados.
(DP de 19.10.1876).

1876 - Governo da Província. Expediente de 5 de outubro de 1876.
Ofício ao promotor público de Caruaru.
Constando-me, de comunicação do chefe de polícia, que na vila de São Bento teve lugar a 16 de setembro um conflito entre soldados e paisanos, do qual resultaram diversos ferimentos, recomendo a vosmecê que me informe como se passou esse fato, e que providências se tomaram para que fossem punidos seus autores.
(DP de 21.10.1876).

1876 - Governo da Província. Expediente de 4 de dezembro de 1876.
Ato. O presidente da Província, atendendo ao que requereu o sargento da guarda local, João Mario Cavalcanti, resolve conceder , com o respectivo soldo, um mês de licença para tratar de sua saúde onde lhe convier.
(DP de 22.12.1876).

1876 – Em 12 de dezembro, foi entregue pronto o açude do "Doutor" pelo empreiteiro Álvaro Esteves Braga. O terreno para a construção do próprio municipal, banhado pelo riacho Bela Vista, fora doado à municipalidade pelo antigo estudante de medicina Olavo Correia Crespo, que chegara a S. Bento para combater o cólera-morbo, daí o nome como ficaria conhecido o açude. A empreitada custou aos cofres da municipalidade a quantia de 799 mil réis.

1877 – Nesse ano, se deu a construção do açude provincial do Missionário pelo frade capuchinho italiano, frei Afonso Maria de Bolonha. Ele aproveitou as verbas para o socorro às vítimas da grande seca, por meio do trabalho, na edificação desse açude de água potável, cujo defeito, na época, era ser fora da vila. Trabalharam, diariamente, de 60 a 90 indigentes e seu custo pouco excedeu a dois contos de réis.

1877 - Governo da Província. Expediente de 18 de janeiro de 1877.
Portaria. Recomendo à câmara municipal da vila de São Bento que declare quais os motivos apresentados pelos cidadãos Joaquim Ferreira de Souza e Joaquim José Pacheco do Amaral Rego, para se excusarem os cargos de vereadores dessa câmara.
(DP de 11.02.1877).

1877 - Gazetilha. Vila de São Bento. Escrevem-nos dessa localidade em data de 10 do corrente:
1. Apresso-me em comunicar-lhe que o subdelegado suplente do 1º distrito desta vila, José da Silva Burgos, recolheu-se à prisão no dia 2 do corrente e do inquérito policial a que procedeu o respectivo delegado se evidencia que o infeliz Antônio Cordeiro de Melo provocou o mesmo subdelegado, desfechando-lhe um tiro de pistola e que este para defender-se, desfechou por sua vez outro tiro naquele.
2. A seca neste município está horrorosa. O prejuízo com gado vacum e cavalar é enorme.
Não há água potável para beber-se e a que se vende a 800 réis a carga de 18 canadas no dia seguinte torna-se putrefata. As moléstias de garganta e febres de mau caráter vão acometendo a população, que perecerá à fome se não chover daqui para o fim do corrente mês.
As notícias do alto sertão são desanimadoras, a emigração para os matos é em grande escala, e já se contam os emigrantes aos centos.
3. Não seria tempo de o governo acumular víveres para fazer face à fome que nos bate à porta? Ou esperará o governo que morram centenas de infelizes para então e quando não houver transporte mandar-nos os socorros precisos?
4. As autoridades policiais daqui emigrarão para Canhotinho se não chover até o fim do mês.
5. Lembro ao governo para recomendar às câmaras municipais que agenciem víveres e formem celeiros: quando não sirvam para os respectivos munícipes, servirão para os emigrantes que apenas transportam com suas pessoas a nudez e a miséria.
6. O povo destruíu o tronco ou prisão de Cachoeirinha no dia 8 do corrente mês.
Cachoeirinha é um povoado muito turbulento e distante desta vila cerca de 40 quilômetros. A feira que se faz ali nos dias de domingo é um foco de mal feitores e cachaceiros.
7. E mais nada há digno de menção.
(Jornal do Recife de 17.04.1877).

1877 -Gazetilha. Assembleia Provincial. EXpediente.
Petição de Joaquim de Holanda Cavalcanti, arrematante dos impostos municipais da vila de São Bento,pedindo um abate de 162$500 réis pelos prejuízos que sofreu.
(Jornal do Recife de 19.04.1877).

1877 - Crimes em Altinho e São Bento.
Já noticiamos, transcrevendo do "Jornal do Recife", o fato estupendo do subdelegado, José da Silva Burgos, que matou, com tiro pelas costas, a Antônio Cordeiro, filho do proprietário João Gomes de Melo. Agora, recebemos notícias diretas que confirmam as atroz façanha do subdelegado Burgos. Na administração imbecil e perversa do Sr. Manoel Clementino, não há agente policial que não se julgue autorizado a cometer impunemente o seu homicídio que lhe dê nome e fama de homem valente e de ação. (...). Mas há de pedir providências em vão: o Sr. Manoel Clementino regozijá-se com o sangue derramado. Em São Bento, o alferes Guimarães espanca com um sabre a Antônio Francisco de Macedo, estando preso num tronco, pessoa respeitável e filho do respeitável proprietário Francisco Simões de Macedo. Nade providências. O mesmo alferes Guimarães havia, pouco antes, mandado espancar a vários cidadãos, homens do povo, a pretexto de "policiar a feira". O proprietário Francisco Simões de Macedo pediu providências ao juiz municipal, ao juiz de direito e ao presidente da Província. Deste último, espera o pai da vítima providências enérgicas e urgentes. Mas nós cremos que esperará debalde: o Sr. Manoel Clementino regozijá-se com a crueza dos seus agentes e subordinados.
(A Província de 24.04.1877).
Nota: Manoel Clementino Carneiro da Cunha era o presidente da Província.

1877 - Assembleia Legislativa Provincial. Sessão de ontem. Expediente.
Petição de Francisco Alves Maciel, arrematante dos impostos municipais da vila de São Bento, solicitando abatimento da 3ª parte do preço porque foram arrematados os ditos impostos.
(Jornal do Recife de 08.05.1877).

1877 - Vila de São Bento. Escrevem-nos dessa localidade em data de 28 do mês de abril o seguinte:
Só tenho hoje notícias contristadoras para lhe dar.
1. Anteontem, 26 do corrente e às duas horas da madrugada, os soldados Ervarino Francisco Marques da Fonseca e Manoel dos Santos Fernandes, ambos do 2º batalhão de infantaria de linha, e destacados em Afogados da Ingazeira, travaram-se de razões a que seguiu um luta de armas brancas, acabando pela morte do segundo e ferimento gravíssimo do primeiro.
Estas duas praças vieram para aqui com mais cinco companheiros sob o comando do segundo sargento Antônio Mendes Tavares e desde que aqui chegaram, estavam continuamente embriagados e deram sempre provas da maior indisciplina, assim como os outros.
O pobre sargento, por cuja pele nada dou daqui até Palmares (eles regressam à cidade), pode, ajudado pelo alferes Pereira Guimarães, comandante do destacamento do corpo de polícia, desarmar a sua gente: mas não correu os dois acima mencionados, os quais ficaram armados de facas de ponta, de que tão sinistramente usaram depois.
O soldado morto foi sepultado com as honras militares que lhe mandou prestar o alferes Pereira Guimarães, pela gente do seu destacamento, qu acompanhou o féretro até o cemitério com as armas em funeral.
O ferido fica em trtamento.
2. No dia 23 e no lugar denominado Caracol, distrito de Cachoeirinha, foi Antônio José Martins assassinado por Antônio Joaquim de Almeida por causa de um meio de sola perdido no jogo.
Eis como me narraram o fato: Almeida jogava em casa de Martins e tendo perdido todo dinheiro que levava, parou um meio de sola (é curtidor), que também perdeu.Parou segundo, mas na ocasião de se darem as cartas, descobriu ele que Martins fazia uma trapaça. Exprobou-lhe tão infame proceder e a isso seguiu uma altercação que acabou por irem às do cabo, e Almeida, agarrando num pau de cangalha, que lhe estava próximo, deu-lhe tamanha cacetada na cabeça do seu adversário, que o extendeu no chão sem sentidos, vindo a morrer na manhã do dia 26, três dias depois do acontecimento.
O cadáver foi trazido para esta vila, onde o delegado procedeu a corpo de delito porque o não tinha feito o subdelegado de Cachoeirinha, e a mesma autoridade deu as precisas ordens para a captura do criminoso que se evadiu. Almeida, além deste crime, é réu de um outro, por ferimentos graves feitos em Angélica Maria da Conceição, que vai para alguns anos.
Este acontecimento, a morte de Martins, vem corroborar o que já lhe disse sobre o estado de segurança pública no distrito de Cachoeirinha. O fato passou-se na presença de cinco pessoas, que também jogavam na casa do falecido, e que viram impassíveis o que sucedeu.
3. Continua a seca a flagelar-nos. Os víveres cada dia escasseiam mais.O milho vende-se a 800 réis, a farinha por 720 réis e o feijão por 2 mil réis 10 litros, a carne verde a 480 réis e a seca, chamada do sertão, a 800 e 1.000 réis o quilograma. Um carga d´água, estagnada e péssima, custa 1.000 réis.
Se este estado de coisas continua, não sei o que será de nós.
4. Estive em Pesqueira, donde voltei a 25.
A população da vila está sobressaltada porque fala-se (e há fundamentos para isto) que um bando de malfeitores de Riacho do Navio e de Pajeú pretendem atacá-la. No entanto, ali mais de cinquenta emigrantes do alto sertão acharam trabalho, graças ao benfazejo comerciante José Martins Leitão, que condoendo-se deles, deu princípio, sem ter necessidade urgente, à edificação de um grande prédio e outras obras, em cujo serviço tem empregado os emigrantes, que ali chegam nus e famintos.
Louvores a tão prestimoso cidadão, que com seu proceder está dando uma lição ao governo, que bem podia fazer outro tanto, seguindo o exemplo do que se passou na província de Alagoas, em 1870, mandando prosseguir, desde já, em obras e estradas que estão paradas, e dando assim algum dinheiro a ganhar ao povo, que mais ou menos com ele se remediaria, pois mesmo da cidade viriam gêneros para aqui serem vendidos, já que não quer remeter estes para serem distribuidos pela pobreza faminta.
Mas, isto não é eleições e o dinheiro do Estado só chega para elas se fazerem.
5. Quando vejo tanta miséria em torno de mim e olho sem esperanças, por dizer assim, para o triste futuro que nos espera, não posso deixar de exclamar como o sábio Pascal:
"Todo o povo é digno do governo que tem".
Verdade incontestável, bem demonstrada no Brasil
(Jornal do Recife de 08.05.1877).

1877 - Criminoso de morte. Foi capturado e recolhido à cadeia de São Bento, José da Silva Burgos, autor da morte de Antônio Cordeiro de Melo.
(Jornal do Recife de 08.05.1877).

1877 - Milho arruinado. Segundo diz o nosso correspondente da vila de São Bento, o milho que ali chegou, remetido pela comissão central de socorros, estava arruinado.
É preciso toda a vigilância com a compra e recebimento dos gêneros. Nada de facilidade.
(Jornal do Recife de 02.06.1877).

1877 - Governo da Província. Expediente de 27 de abril de 1877.
Comissão Central de Socorros.
Ilmºs e Exmºs Srs.
A comissão de socorros de São Bento acusa o recebimento dos gêneros alimentícios enviados pela comissão central e tem a honra de lembrar que, a exemplos de outros lugares, seria mais conveniente e econômico que em vez de gêneros, a comissão central, de acordo com o governo da província, mandasse dinheiro para a construção de uma cadeia nesta vila, vindo o povo a ocupar-se num trabalho útil, recebendo seu salário; porquanto ainda aparecem gêneros da zona do agreste, e evitar-se-ão assim os fretes que são muito dispendiosos.
Se, porém, escasseassem as feiras, ou se encarecerem muito os gêneros, então denunciaríamos essa alternativa e pediríamos mantimentos.
Os cereais que vieram são poucos.
O terreno é populoso, a seca tem reduzido quase todos os habitantes à penúria, além disso os emigrantes do alto sertão são em extraordinária quantidade e vêm pedir a esta comissão o necessário fornecimento. Há também grande necessidade de carne e seria conveniente uma remessa de charque no caso de não proceder o nosso alvitre já indicado.
Esta comissão irá estudando as necessidades mais urgentes do município para ir expondo-as a essa digna comissão central.
Deus guarde a V. Excias.
Ilmºs. e Exmºs Srs. presidente e e mais membros da comissão central de socorros para o interior da província.
Vila de São Bento, 26 de maio de 1877.
Aristarco Cavalcanti de Albuquerque,
José Leonardo da Costa,
Francisco Alves Maciel.
(DP de 11.06.1877).

1877 - Gazetilha. Será assim? Procurou-nos ontem pessoas que têm relações comerciais para a vila de São Bento e nos mostrou duas cartas dali escritas, por diferentes indivíduos, nas quais se diz que grande parte dos socorros enviados para ali não tem tido a devida aplicação. Custa-nos a crer isto, mas, infelizmente, temos visto a fraude e a corrupção subir tão alto em nosso país, que não nos espanta coisa alguma.
Entretanto, sem tomar a responsabilidade de afirmar ou negar o fato, julgamos dever transcrever os trechos das cartas, que tal referem, a fim de que as autoridades competentes mandem sem detença sindicar do que se diz, para que, se for verdade, seja punido que tiver delinquido, e se for falso, não sofra na sombra os embates da calúnia, quem só merece louvar.
A sindicância será fácil de ser feita, porquanto na carta se especificam pessoas, uma das quais está nesta cidade, e pode desde já dizer o que sabe.
Diz uma das cartas:
"Lemos com surpresa um tópico da missiva de São Bento publicada na "Gazetilha" do Jornal do Recife de 31 de julho passado".
Diz o comunicante:
"Dessas 54 cargas, especialmente as de milho, chegaram dois terços, não sabemos como e onde foram dizimadas".
Ora, haverá em São Bento quem ignore que os víveres e mais objetos destinados às vítimas da seca, armazenados na casa da câmara, são ali mesmo dizimados, e por alta noite subtraídos pela parte do quintal da mesma casa?
Haverá em São Bento quem ignore que parte dos objetos subtraídos são depositados na casa de uma mulher que "benigna" e espontaneamente e isto se presta?
Faça o governo sacrifícios; trabalhe a comissão central; continue a pedir quem de tão bom grado tem dado o seu óbolo, e remetam para São Bento ambulâncias de víveres, porque lá se saberão dar o conveniente destino!
Não somos polícia, se o fôssemos levaríamos ao tronco da vila alguns figurões de "gravata lavada", e empregados públicos.
As 54 cargas foram justas a 12$000 réis cada uma e os almocreves só receberam 6$000 réis, havendo portanto um "pinto" de 324$000 réis.
O Dr. Aristarco, juiz municipal do termo, conhecendo a escandalosa defraudação feita nos víveres, abandonou a comissão de que fazia parte.
O alferes Franklin, comissário da guarda local, sendo sondado para a pilhagem repeliu energicamente a afronta.
O alferes Guimarães, comandante do destacamento de polícia e que hoje acha-se no Recife, sabe de tudo e mostra-se revoltado contra os roubadores dos desvalidos.
Diz a outra carta:
Por aqui não existe segurança individual! Cada um guarda-se a si como pode. Mata-se até a cacete e de público.
A nossa autoridade policial, justiça lhe seja feita, é um homem demasiado bom para o cargo que exerce e sobremodo ocupado.
Para que se faça uma ideia do seu excelente coração, basta o que dizem por aqui a respeito dele com relação a um assassinato havido há tempos:
Lamentando o acontecimento disse ele:
"Enfim, quem morreu, morreu. Agora só tenho pena de Fulano (assassino) que é um pai de família e vai ser obrigado a andar escondido no mato".
Nada mais característico.
Não há três semanas que "um onça" matou um pobre homem, que deixou viúva e nove filhos e até agora ainda nem se fingiu se quer uma diligência para se agarrar o "bicho".
Hoje andavam cinco almocreves a se queixarem que, tendo ajustado a 12$000 réis cada carga de gêneros remetidos pelo governo, só lhes haviam pago pela metade!
Pobres diabos, em proveito de que "santo" sofriam eles semelhante desconto?
A propósito de socorros remetidos pelo governo, se soubessem o que por aqui vai...
Aos moradores necessitados, não se dá a menor ração, porque os "gêneros do governo são somente para os retirantes", conforme respondem ao desgraçado que vai pedir um bocado para si, e os tais retirantes, embora tenham seis ou mais pessoas de família, só recebem uma tijela de arroz, uma de feijão, duas de milho e duas de farinha.
Pois bem, apesar de tamanha economia, cinquenta e duas cargas de gêneros, chegadas ultimamente, só duraram dois dias, conforme ouvi dizer.
Não há que duvidar, no armazém da câmara onde foram botados, há grandes "ratazanas", que devoram os cereais durante a noite, e se o governo não madar armar ali uma "possante ratoeira", é melhor não enviar mais gêneros, a menos que... "et coetera" e tal pontinhos.
(Jornal do Recife de 07.08.1877).

1877 - Lei nº 1293.
O bacharel Manoel Clementino Carneiro da Cunha, oficial da imperial ordem da Rosa, juiz de direito e presidente da província de Pernambuco. Faço saber a todos os seus habitantes que a assembleia legislativa provincial decretou e eu sancionei a resolução seguinte:
Artigo único. A câmara municipal da vila de São Bento fica autorizada a conceder um abate, que não poderá exceder da terça parte, a Francisco Alves Maciel, arrematante dos impostos municipais, como indenização pelos prejuízos que teve.
Revogadas as disposições em contrário.
(...)
Palácio da presidência de Pernambuco, 9 de julho de 1877.
56º da Independência e do Império.
(...)
(DP de 18.08.1877).

1877 - Secretaria da Presidência da Província. Parte do relatório de 16 de agosto de 1877, da Comissão Central de Socorros, ao presidente da Província Manoel Clemente Carneiro da Cunha, no tocante às denúncias de irregularidade contra a Comissão de Socorros da vila de São Bento:
(...) "Impondo-nos à espinhosa comissão de que estamos encarregados, o rigoroso dever de zelar pelos socorros públicos particulares, e cuidar de sua boa aplicação aos necessitados, não podemos ser indiferentes às arguições que no Jornal do Recife e na Província se fazem a alguns membros de comissões locais, especialmente aos da Vila de São Bento a respeito do cumprimento dos seus deveres. (...) Não podendo, pois, à primeira vista, dar como certos os fatos imputados nem também cerrar os ouvidos aos clamores da imprensa, fizemos o que nos pareceu conveniente para sermos esclarecidos: recorremos a V. Exciª solicitando uma sindicância por pessoa incapaz de alterar a verdade. Enquanto não obtivermos informações que nos habilitem a proferir um juízo seguro, não podemos ir além do que dito fica.
Notamos, porém, desde já, que o juiz de direito de Caruaru e o juiz municipal de São Bento, em seus ofícios de 1° do corrente, publicados no Diário de Pernambuco de 11, declaram, a respeito da distribuição dos socorros o contrário das aludidas arguições.
Aguardamos, contudo, as últimas informações para podermos emitir um juízo definitivo.
É o quanto nos cumpre levar ao conhecimento de V. Exciª com relação à primeira quinzena deste mês.
Deus guarde a V. Exciª.
Recife, 16 de agosto de 1877.
Os membros da Comissão Central de Socorros
Joaquim Gonçalves Lima
Visconde do Livramento
José Inácio de Medeiros Rego
(Jornal do Recife de 18.08.1877).

1877 - Leis Provinciais de 9 de julho de 1877. Lei n° 1.293 - Art. único - A câmara municipal da vila de São Bento fica autorizada a conceder um abate, que não poderá exceder aa terça parte, a Francisco Alves Maciel, arrematante dos impostos municipais, como indenização pelos prejuízos que teve.
(Jornal do Recife de 20.08.1877).

1877 - Gazetilha. Vila de São Bento. Escrevem-nos dessa localidade em data de 15 do corrente:
Já passou em julgado que não teremos, no presente ano, cereais e morreremos de fome quando se esgotarem os víveres da colheita deste ano se antes não perecermos de sede!
Continuam as chuvas, mas em tão "grande abundância", que às vezes chove a noite inteira, e no dia seguinte nenhuma gota d´água se encontra nos vasos destinados a recolher a água dos telhados!!!
Os víveres escasseiam e o pouco que vem ao mercado já não chega para o pobre, que é sustentado pela caridade particular.
Continua a emigração; famintos e cobertos de andrajos, os retirantes que buscam este termo "azucrinam" os seus habitantes pedindo pão para matarem a fome e roupas usadas para cobrirem os magros e macilentos corpos!
É bem certa a definição dada por A. Meira à fome: "Síntese de todos os males reunidos, para flagelo da humanidade".
Causa verdadeira dor no coração, presenciar-se a a decepção do pobre retirante, chegado a esta vila, esperando ser socorrido com os víveres do governo quando se diz que o governo não mandou mais socorros para matar a fome da população desvalida!...
O desânimo se apodera do miserável e muitos, derramando lágrimas, se dirigem à caridade particular e, em bandos, querem que se lhes matem a fome! É um verdadeiro martírio que foi imposto aos habitantes desta vila!
Às vezes é preciso dar-se, de uma vez, alimentos a dez e doze indivíduos que invadem a casa do cidadão!
E perdurará este estado de coisas nesta vila? Não se remeterá mais gêneros alimentícios para os pobres famintos?
Já estará esgotada a verba "socorros públicos".
O seguinte tópico da carta que lhe escrevi em 17 passado, e vem estampada no seu jornal de 31 de julho último: dessas cinquenta e quatro cargas, especialmente as de milho, chegaram dois terços, não se sabendo onde e como foram dizimadas, - foi mal interpretada pelas pessoas que escreveram daqui a pessoa conceituada e que tem relações comerciais para esta vila, dando lugar a mais negra e infame calúnia!
É inexato que os víveres remetidos para esta vila não têm tido a devida aplicação! e muito menos que tenham sido subraídos pelo quintal do Paço da Câmara, onde têm sido depositados e conduzidos para a casa de Benigno!
O "pinto" de 324$000 réis, produto do frete das últimas cinquenta e quatro cargas, justas a 12$000 réis e pagas a 6$000 réis é uma pilhéria, porque a comissão daqui nem recebeu dinheiro para pagamento de fretes nem para tal fim estava autorizada.
É uma infâmia revoltante ter sido como se diz, o comissário da guarda local, alferes Gusmão Uchoa, sondado para a pilhagem dos víveres destinados para socorrer os pobres famintos!
Enfim , os dois sujeitos que daqui escreveram a essa pessoa que tem relações comerciais na vila de São Bento, ou quiseram divertir a humanidade com fantasias, ou inventaram um enigma indecifrável, porque a comissão daqui é bem conhecida e seus membros são indignos de roubarem um pouco de farinha, milho e feijão.
A acusação é gravíssima e o tempo das ficções já passou. É uma baixeza inqualificável atirar-se baldões a quem procede honrosamente, como a comissão desta vila, servindo-se do anônimo.
É verdade incontestável que a fraude e a corrupção tem subido muito alto em nosso país; mas o sertão ainda não tem teatros, cassinos, charutos a 120$000 réis o cento, carruagens e todos os confortos da corte e das cidades civilizadas, onde o dinheiro, por mais avultada que seja a quantia não dá para viver comodamente.
A comissão daqui é composta do Dr. juiz municipal, Aristarco Cavalcanti de Albuquerque, do alferes João Augusto Alves Maciel, coletor das rendas gerais e provinciais, e de José Leonardo da Costa, pro-presidente da Câmara Municipal, fazendeiro e marchante.
Todos são bem conhecidos, tanto neste como nos municípios vizinhos e incapazes de roubarem o sustento que o governo mandou distribuir com os indigentes deste termo. Caracteres sisudos, cidadãos independentes e que para viverem não incomodam aos amigos, não é crível que a comissão de socorros públicos desta vila roubasse dos desvalidos um punhado de farinha e de milho quando é sabido que, esgotados os víveres remetidos pela comissão central, os membros da comissão não têm deixado de socorrer, de seus próprios recursos, aos desgraçados emigrantes que os procuram.
Nem pertenço à comissão de socorros desta vila nem sou o mais habilitado para defendê-la; mas revolta-se-me o coração quando vejo calúnias infames e infundadas.
A comissão defender-se-á e dará conta à comissão central do modo porque cumpriu seus deveres.
O Dr. juiz municipal, presidente da comissão, não abandonou esta como se diz e seria uma infâmia que ele, sabendo que o sustento dos pobres era dizimado, não desse, sem perda de tempo, as necessárias providências.
Entendo que os tópicos das cartas estampadas no "Jornal" do dia 7 do corrente, a que respondemos, são apócrifos e filhos do despeito: no entanto seria conveniente que os seus autores declinassem o nome do membro da comissão que sondou o alferes Franklin, comandante da guarda local, para pilhagem, bem como os nomes dos indivíduos mortos a cacete e de público!
Fomos o primeiro a lastimar a saída do destacamento quando escrevemos a 17 do passado - que um flagelo é sempre acompanhado de outro; que havia mais necessidade de salvaguardar-se a nossa propriedade, honra e vida, foi retirado o destacamento de 20 praças do corpo de polícia que aqui estacionava.
Pois bem,como poderá o delegado de polícia, major Maciel, com oito ou dez praças da guarda local, dar caça à malta de malfeitores e criminosos que infestam o termo?
Não é certo que o mesmo delegado pedia a mudança somente de comandante do destacamento e não a retirada deste?
O estado sanitário não é normal: nestes dias tem morrido muita gente.
O frio tem sido intenso e tem regulado 17° centigrados.
A segurança individual nada sofreu, mas não tem sucedido assim como a da propriedade, porque o furto de cavalos e especialmente de gados miúdos tem sido em grande escala.
Se o governo não mandar estacionar aqui um forte destacamento e outro na povoação de Canhotinho, pertencente a este termo, teremos de assistir a bem tristes cenas, porque o termo está cheio de "retirantes", e estes em Canhotinho já têm promovido tumultos bem desagradáveis.
Finalizando esta que já vai longa demais, esqueci-me de dizer-lhe que os dois fardos de fazenda remetidos para aqui, não foram, no meu fraco pensamento, bem distribuídos, porque entendo que o pensamento da comissão central, remetendo fazendas, é para que estas sejam distribuídas com os emigrantes que descem tão rotos e esfarrapados que não se animas a caminhar de dia, e quando são obrigados a sair em público, ao avistarem qualquer pessoa agacham-se para melhormente cobrir a nudez, máxime as mulheres.
Não sei se pensarei bem: entretanto a comissão distribuiu as fazendas com os moradores mais necessitados do termo quando é certo que estes estão em suas casas e se não podem aparecer na sala, poderão encobrir a nudez na cozinha ou no interior de suas habitações.
As cargas de milho vindas ultimamente não estavam os respectivos sacos cheios, faltavam-lhes um terço do mesmo milho e não um terço dos volumes.
O Dr. juiz municipal, escrupuloso como é, em todos os negócios que passam por ele, passou os recibos mencionando essa circunstância.
O desfalque seria da parte dos almocreves, ou já teriam eles recebido as mesmas sacas com a falta notada?
O mesmo se verificou nos volumes que foram para Pesqueira.
Até outra vez.
(Jornal do Recife de 22.08.1877).

1877 - Publicações a Pedido.
Maria Júlia Lins da Anunciação, moradora na vila de São Bento, declara a suas irmãs que se acham nesta capital Leonília Benjamim Lins da Anunciação e Maria da Conceição Lins da Anunciação que sendo falecida a nossa mãe Margarida Jácome Bezerra de Menezes, desde o dia 29 de julho do corrente ano, mulher de Manoel Vicente da Anunciação, morador em Lagoa de Cavalos, termo da vila de Cimbres, pede às mesmas que se apresentem quanto antes, para tratar-se do respectivo inventário.
(DP de 27.08.1877).

1877 - Publicações Solicitadas.
1. Vila de São Bento
Pede-se a S. Exciª o Sr. presidente da Província se digne sanar o mal que oprime esta infeliz vila, enviando para aqui um destacamento de tropa de linha, cujo comandante sirva de delegado.
São Bento, 6 de agosto de 1877.
"O Amigo da Paz"
2. Vila de São Bento
Desejamos saber qual o motivo porque o Sr. coletor de São Bento fornece bilhetes ou recibos manuscritos em vez de impressos.
Será porque não os tenha?
"O Dinheiro do Enxoval"
(Jornal do Recife de 28.08.1877).

1877 - Em 10 de setembro, a Câmara Municipal de S. Bento responde ofício da Câmara Municipal de S. Paulo, alegando "que em virtude do estado financeiro deste termo, em razão da grande seca que presentemente assola este termo, deixa de agenciar os donativos por meio de subscrição popular para um fim tão justo", tal seja a construção de um monumento às margens do arroio Ipiranga, na cidade de S. Paulo, que recordasse o glorioso 07 de setembro de 1822.

1877 - Publicações solicitadas.
Vila de São Bento, 10 de setembro de 1877.
As condições anormais deste infeliz termo continuam, e se temos, graças aos esforços de frei Afonso, mais alguma água, esta mesma pesada, como é, se extinguirá, visto que a fonte donde corre não é perene, e pouco dias "minará" da cacimba, já tantas vezes cavada!
Esgotada essa fonte, onde iremos buscar água para matarmos a sede?... ou beberemos água salgada e péssima do rio Una, ou então será necessário ir buscá-la em distância de quatro léguas!
Parece que têm havido algumas chuvas pelo alto sertão, porque a emigração depois da última que escrevi, tem diminuído sensivelmente, e o sertanejo não abandona seus lares quando chove.
A muito digna comissão não andou bem avisada, aceitando o alvitre de frei Afonso quando à localidade em que se deve construir o açude d´água potável nesta vila.
Pouco conhecedor do nosso termo, deveria o mesmo reverendo conferenciar e concordar com a comissão especial desta vila porque, se o governo houve por bem socorrer os indigentes daqui e das comarcas vizinhas por meio da feitura de um açude de água potável, e a digna comissão selando esse passo acertado do governo, deveria aprovar o parecer de frei Afonso, depois que este se tornasse solidário com os membros da comissão especial deste termo quanto ao lugar próprio para a construção do mesmo açude, e não ser este escolhido somente por sua reverendíssima, tanto mais quando as opiniões sobre o lugar próprio onde deve ser construído encontram-se.
O resultado do desacerto da digna comissão central é que não teremos água potável porque o riacho "José Bento", escolhido por frei Afonso para o açude, desemboca no riacho "Figueiredo", cujas águas são cem vezes mais salgadas do que as do rio Una; e sendo o açude projetado, edificado a poucos metros da foz do mesmo riacho, a água doce atrairá a água salgada, e dois ou três anos depois aquela será igual a esta.
Acresce mais que o riacho "Figueiredo" não tem quatro quilômetros de curso e o seu declive rápido acarretará para dentro do açude tanta areia que em dois ou três invernos fortes obstruirá o açude.
Acresce ainda que o lugar escolhido é deserto e muito longe da vila; e para chegar-se até lá é necessário atravessar-se o rio Una, e estando fora das vistas dos habitantes da vila, será necessário cercar-se de muro o mesmo açude e pôr-se um portão; do contrário servirá somente para os gaiatos tomarem seus banhos e as lavadeiras "baterem" roupa.
Tenho esperanças que o Exmº presidente da Província, em face de um abaixo-assinado, ido desta vila, mandará acabar o açude municipal, que é de água potável e poderá, enchendo, abastecer a vila por espaço de três anos, ou ordenará que o virtuoso missionário construa o açude no rio Una.
Preza a Deus que assim suceda, para deste modo não vermos ainda, como na questão religiosa, outro estado (a comissão central) no estado, sendo muito significativa a "ordem absoluta", emanada ultimamente da mesma comissão central às comissões especiais para estas "darem conta do modo porque e como distribuiram os socorros enviados"!
É muito desconsiderar da magistratura do país, pois que é sabido - que as comisssões especiais são compostas os juízes municipais e de direito das comarcas aos quais se ajunta o pároco da freguesia ou o cidadão mais graduado por sua posição e riqueza e com o último alvitre da comissão central, veremos a magistratura que tão altamente foi colocada pela legislação do país descer ao desgraçado mister de criado de rua, dando conta ao amo do modo porque fez no mercado as compras do dia.
É preciso que a comissão central compenetre-se de seus deveres e não queira rebaixar a magistratura do país, cuja missão é sublime e santa, para convertê-la em criados de servir.
Não temos a registrar, felizmente, nenhum ataque à propriedade, honra e vida do cidadão.
As feiras têm sido abastecidas de víveres, cujos preços vão, de mdo assustador, alteando. A vida para o pobre é penosa, e continuará porque as notícias que nos chegam dos matos são bem tristes!
O quartel de cavalaria de Santo Amaro, destinado para abrigo dos "retirantes", nessa cidade, é insifoiciente. O governo deverá preparar acomodações mais amplas e salutaris para tantos infelizes sem pão e sem abrigo.
(Jornal do Recife de 19.09.1877).

1877 - Avisos Diversos.
O abaixo-assinado, morador na vila de São Bento, faz ciente, ao público, que fica sem efeito a procuração bastante que em 8 de agosto do corrente ano passou aos Srs. Manoel Marques de Azevedo Galvão, Andrade Maia & C. e Domingos Alves Guimarães Cutia, para vender o seu escravo de nome José, matriculado na coletoria de Água Preta com o nº 3.458.
Vila de São Bento, 6 de setembro de 1877.
José Alves Maciel.
(DP de 21.09.1877).
Nota: Em razão da terrível seca de 1877, muitos proprietários de escravos tiveram que se desfazer deles, colocando-os à venda na praça do Recife e com isso preservando o capital empregado.

1877 - Gazetilha. Instrução Pública.
Foi removida, a seu pedido, a professora pública Maria Carolina Afonso Valença, da cadeira da povoação de Capoeiras para a da vila de São Bento.
(Jornal do Recife de 21.09.1877).

1877 - Pernambuco. Revista Diária. Comissão Central de Socorros.
Foi-nos remetido o seguinte para publicar:
Vila de São Bento, 1º de outubro de 1877.
Ilmºs e Exmºs. Srs.
Temos a honra de passar às mãos de V. Excias. a inclusa conta-corrente, historiando o movimento do dinheiro e gêneros recebidos, o destino que hão tidos, e os saldos existentes a conta de 11 a 30 de setembro último.
Rogamos a V. Excias. que se dignem de enviar o quarto fornecimento de víveres, antes que se acabem os existentes, visto que os retirantes afluem, e bem assim os retirantes do termo.
Sobem a 1.019 as pessoas socorridas desde 11 a 30 de setembro, sem falarmos dos trabalhadores da obra do açude.
Temos-nos esforçado em corresponder a confiança que V. Excias. se hão dignados de confiar em nós, e continuaremos firmes neste propósito.
A obra do açude vai em progresso graças à boa direção do distinto capuchinho, frei Afonso, e ocupa não pequeno número de trabalhadores, não podendo ocupar mais a falta de utensílios.
É o que presentemente se nos oferece a dizer. Deus guarde a V. Excias.
Ilmºs e Exmºs Srs. membros da Comissão Central de Socorros do Recife.
Aristarco Cavalcanti de Albuquerque,
Francisco Alves Maciel
José Leonardo da Costa
(DP de 20.10.1877).
Notas:
1. O bacharel em direito, Aristarco Cavalcanti de Albuquerque, era na época juiz municipal do termo, vila e município de São Bento.
2. Em São Bento havia muitos retirantes provindos dos sertões da Paraíba e do Ceará, principalmente via Pesqueira.
3. O açude em construção era o que seria conhecido simplesmente, mais adiante, como "Açude do Missionário". E o missionário era o capuchinho italiano, frei Afonso de Bolonha.
Anexo:
Conta-corrente do dinheiro e gêneros recebidos pela comissão especial de socorros de São Bento a contar de 1º a 30 de setembro deste ano e bem assim da aplicação e destino que tiveram.
Recebidos:
Dinheiro recebido...................................... 1:500$000
=========
Gêneros recebidos........................ 124 volumes
A saber:
Farinha.................................. 40 sacos
Milho.................................... 43 sacos
Feijão................................... 23 sacos
Carne.................................... 8 costais
Fazendas................................. 4 fardos
Sardinhas................................ 2 barricas
Ferragens................................ 4 volumes
===========
Total................................. 124 volumes

N.B. - As ferragens são:
Enxadas............. 50
Pás................. 25
Picaretas........... 20

Distribuídos
Dinheiro entregue a frei Afonso para a obra do açude.... 400$000
Saldo existente......................................... 1:100$000
Total................................................... 1:500$000

Gêneros entregues ao frei Afonso, a saber:
Farinha.......................................... 7 sacos
Milho............................................ 2 sacos
Feijão........................................... 2 sacos
Carne............................................ 2 costais
Fazendas......................................... 1 fardo
Sardinhas........................................ 1 barrica
Ferragens........................................ 4 volumes
==========
19 volumes
Gêneros distribuídos em esmolas:
Farinha......................................... 8 sacos
Milho........................................... 6 sacos
Feijão.......................................... 1 saco
Carne........................................... 1 costal
Fazendas......................................... 1 fardo
=========
Total........................................... 17 volumes

Gêneros existentes:
Farinha......................................... 25 sacos
Milho........................................... 35 sacos
Feijão.......................................... 20 sacos
Carne........................................... 5 costais
Fazendas........................................ 2 fardos
Sardinhas....................................... 1 barrica
===========
Total........................................... 88 volumes

Comissão especial de socorros de São Bento.
1º de outubro de 1877
Aristarco Cavalcanti de Albuquerque
Francisco Alves Maciel
José Leonardo da Costa

(DP de 20.10.1877).

1877 - Governo da Província. Expediente de 6 de novembro de 1877.
Ofício ao comissário de polícia da vila de São Bento.
Autorizo vosmecê a eliminar as praças da guarda local sob o seu comando Liberato Gabriel da Silva e Caetano Alves de Morais, por serem incorrigíveis.Assim, fica respondido seu ofício de 18 de outubro último.
Comunicou-se ao juiz municipal de São Bento.
(DP de 16.11.1877).

1877 - Gazetilha. Comissário de polícia.
Por ato da presidência da Província, datado de 14 do corrente, foi removido o comissário de polícia da vila de São Bento, Franklin Veloso de Gusmão Uchoa, para igual cargo na freguesia de Taquaritinga, e o desta, Luiz José da Silva, para igual cargo naquela vila.
(Jornal do Recife de 22.11.1877).

1877 - Gazetilha. São Bento. Escrevem-nos dessa localidade em data de 27 de novembro ultimo o seguinte:
Vamos de mal a pior relativamente à seca.
Os víveres subiram o duplo do preço que eram vendidos e poucos aparecem no mercado depois que a Câmara Municipal aumentou as medidas da feira.
Desde 5 do passado até hoje, não caíu mais uma gota de chuva e não tardará que nos falte a pouco e ruim água que nos resta!
A emigração continua, e aqui, por causa das obras do açude, há para mais de trezentos emigrantes que vão "azucrinando" o povo da vila porque os víveres do governo se extinguiram e não há esperanças de outra remessa.
No dia 20 do corrente, Francisco Antônio de Carvalho, deu liberdade aos seus dois escravos, Francisco de 19 e João de 31 anos de idade, sem condição alguma.
Também foram libertados Teodoro, de 50 anos, por sentença do juiz de órfãos e Lourença de 9 anos, por liberdade de seu senhor, José de Holanda Cavalcanti.
(Jornal do Recife de 04.12.1877).

1878 - Governo da Província. Expediente de 31 de dezembro de 1877.
Ofício ao comandante do corpo de polícia.
Mande vosmecê a destacar na vila de São Bento 12 praças a fim de renderem a respectiva guarda local.
O comandante dessa força deverá entregar o ofício incluso ao delegado de polícia daquele termo.
(DP de 06.02.1878).

1878 - Governo da Província. Expediente de 2 de maio de 1878.
Ofício ao inspetor da instrução pública.
Fica vosmecê autorizado, conforme solicita em ofício nº 111, de 30 de abril, a justificar as faltas do exercício escolar dadas de 28 de setembro a 22 de outubro de 1877 pela professora Maria Carolina Afonso Valença, removida da cadeira de ensino primário de Capoeiras para a vila de são Bento.
(DP de 29.05.1878).

1878 - Gazetilha. Agente do Correio.
Por ato da presidência da Província, de 20 do corrente, foi exonerado, a pedido, Luiz Apolinário da Silva Manso, de agente do correio da Vila de São Bento, e para o referido cargo foi nomeado Júlio Alves da Silva Valença.
(Jornal do Recife de 23.07.1878).

1879 - Gazetilha. Governo da Província.
1. Administração dos correios.
Foi nomeado Clementino José de Oliveira Valença, agente postal na vila de São Bento, por ter sido exonerado quem o exercia.
2. Autoridades policiais.
Foram exonerados a pedido Manoel Marques de Azevedo Galvão e Antônio Vitalino de Melo de 2º e 3º suplentes de delegado do termo de São Bento, e Manoel Raimundo Ferreira da Silva de subdelegado do 1º distrito.
(Jornal do Recife de 28.05.1879).

1879 – Parte Oficial. Ministério do Império. Por carta imperial de 18 do corrente mês, foram concedidas as honras de cônego: da Sé de Olinda, pároco colado da freguesia de Nossa Senhora da Luz, da comarca de Independência, da mesma província da Paraíba ao padre Antônio Alves de Carvalho.
(DP de 30.10.1879).
Nota:
1. O padre Antônio Alves de Carvalho foi o primeiro titular da paróquia do Bom Jesus de São Bento, hoje são Bento do Una e foi depois transferido para a vila de Independência em permuta com o padre João José do Espírito Santo, segundo titular da paróquia do Bom Jesus de São Bento.
2. Guarabira, cidade da Paraíba, é o atual nome da antiga vila de Independência.

1880 - Governo da Província. Por portaria de 23 do corrente, foi considerada sem efeito a portaria de 7 de maio de 1879 pela fora nomeado Clementino José de Oliveira Valença para o lugar de agente do correio da vila de São Bento, visto não ter tirado o título, e nomeado para o mesmo lugar Balbino Ribeiro da Silva Cavalcanti.
(Jornal do Recife de 30.01.1880).

1880 – Eleições. Conhecidos os resultados das seguintes freguesias para eleitores especiais. (...) Freguesia de S. Bento. A mesa paroquial ficou assim constituída: presidente, Luiz Paulino de Holanda Valença; substitutos: Manoel Batista Cabral, major Francisco Alves Maciel, e José Antônio da Silva Lemos; mesários; capitão Manoel Rodrigues dos Santos, Francisco Nogueira Pinto, Pedro Lins de Souza Fontes e Dionísio José Correia. Foram eleitos os seguintes eleitores especiais: 1 - vigário João José do Espírito Santo, 2 - capitão Manoel Rodrigues dos Santos, 3 - Francisco Nogueira Pinto, 4 - Manoel Batista Cabral, 5 - capitão Pedro Florentino de Andrade, 6 - João Correia Ferreira Calado, 7- Dionísio José Correia, 8 - Agripino de Lima Ferreira de Almeida, 9 - alferes Lino Ribeiro de Andrade, 10 - Jacinto Ferreira Calado (meu bisavô), 11 - Joaquim Soares da Rocha, 12 - Antônio Batista Cabral, 13 - capitão José Inácio da Silva Carneiro, 14 - José Antunes de Oliveira, 15 - José Francisco de Souza, 16 – Francisco Simões de Macedo, 17 – José Antônio da Silva Lemos, 18 – João Rodrigues Valença, 19 – José Tomé de Oliveira, 20 – Francisco Dias da Costa, 21 – Manoel de Holanda Cavalcanti, 22 – Alexandre Pereira da Costa, 23 – Joaquim Pedro Ferreira de Almeida, 24 – Joaquim Pinto Teixeira, 25 – Rufino Medeiros do Amaral, 26 – José Ferreira da Silva, 27 – José Domingos Rodrigues dos Santos, 28 – João Ferreira de Almeida, 29 – Antônio Francisco de Almeida Calado (meu avô) e 30 – Domingos Rodrigues de Andrade. (Jornal do Recife, de 09.05.1880).
Nota explicativa: No Império, as poucas pessoas consideradas aptas a exercer o voto não escolhiam diretamente os seus representantes. Os chamados cidadãos votantes eram divididos entre os eleitores da paróquia e os eleitores da província (ou especiais). Os eleitores de paróquia eram aqueles que comprovavam (perante uma comissão) uma renda anual mínima de 100 mil réis para votar nos eleitores de província. Os eleitores de província, por sua vez, deveriam comprovar uma renda anual mínima de 200 mil réis para votar nos candidatos à Assembleia Geral (deputados e senadores) e nos candidatos à Assembleia Legislativa Provincial (deputados). Os eleitores paroquias elegiam os vereadores e os juízes de paz.

1880 – Termo de S. Bento
- Câmara Municipal
Vereadores: Isidoro Alves de Melo Couto, Antônio Fernandes Xavier de Lima, João Francisco de Pontes, alferes Joaquim de Aguiar Conrado, Joaquim Jerônimo da Rocha Aragão, Manoel Francisco da Silva Rego e alferes Manoel Francisco da Silva Branco.
Juiz municipal: bacharel Aristarco Cavalcanti de Albuquerque.
Suplentes de juiz municipal: 1º João Florentino dos Santos, 2° Laurentino Ferreira Pimentel e 3° Leopoldino Teixeira de Aguiar Rego.
Tabeliães e escrivães:
1° tabelião e escrivão de órfãos, capelas e resíduos: Luiz Felipe Cavalcanti de Albuquerque.
2° tabelião e escrivão do cível, crime e execuções: José Antônio da Silva Lemos.
Partidor e distribuidor: Coriolano de Paiva e Melo.
Partidor e contador: vago.
- Freguesia de S. Bento
Igreja matriz sob a invocação do Senhor Bom Jesus dos Aflitos.
Vigário colado: padre João José do Espírito Santo.
(Almanak Administrativo, Mercantil, Industrial e Agrícola de Pernambuco para 1881)

1881 - Criação da comarca pela Lei Provincial n° 1.591, de 21/06/1881 – Artigo 1°: Fica criada a comarca de S. Bento que compreenderá o termo do mesmo nome. Esta lei foi sancionada por José Antônio de Souza Lima, presidente da província. No entanto, a instalação da comarca só aconteceria em 05 de janeiro de 1890 pelo Dr. Manoel Cabral de Melo, seu primeiro juiz de direito que ficaria no cargo por pouco tempo, sendo transferido, por permuta, para a comarca de Ingá, no então chamado Estado da Paraíba do Norte.

1881 - Partido Liberal. Recife, 10 de agosto de 1881.
"Plano Político".
Os negócios de São Bento merecem a particular atenção do honrado Dr. Demócrito Cavalcanti, e a sua louvável solicitude por eles é tão manifesta que não lhe permite suportar a demora de um dia, em que não aparece o seu jornal, e o força a ir alojar-se, mesmo em dia de guarda, nas "Solicitadas" do Diário de Pernambuco.
Se aplaudo cordialmente o interesse que o termo de São Bento, onde é juiz municipal o Dr. Aristarco Demócrito Cavalcanti, irmão do ilustre redator de "O Tempo", inspira a sua senhoria, não lhe posso, todavia, agradecer a exibição constante que faz do meu obscuro nome a propósito de tudo.
Que tenho eu de particular com a política de São Bento?
Não tenha o ilustre Dr. Demócrito o "plano político" de colocar-me em frente do seu irmão, juiz municipal, que é ali o "chefe dos conservadores".
Nem sua senhoria poderá, com razão, incomodar-se por eu dizer que seu irmão, juiz municipal, é ali o chefe dos conservadores, porque, além de ser esta a verdade incontestável, não há nada de estranhar em tal para os "conservadores" que ombram nesta província em envolver a magistratura na política encandescente dos partidos.
E, como prova,aí temos a comissão secreta dos dez com mais o presidente, por direito de chefia, que contém cinco magistrados.
Eu não tenho pela política do termo de São Bento nenhum interesse maior do que pela de qualquer outro termo desta província.
Declaro-o desde já como protesto contra o "plano político", denunciado pelo Dr. Demócrito e quererem me fazer "protagonista" de qualquer "hecatombe" que por ali preparem.
Se aparecer por ali alguma "hecatombe", com certeza o Dr. Demócrito e seu irmão, ali residente, terão maior responsabilidade do que eu, que, para ali, como para todos os pontos, aconselho hoje, como aconselhei sempre: moderação, moralidade e justiça, embora ao mesmo tempo aconselhe a todos os meus amigos daqui, dali, ou dacolá: firmeza e atividade, e enérgica prudência na defesa dos seus direitos.
Mas, o Dr. Demócrito fala irrisoriamente em "hecatombe" a propósito da ocorrência em São Bento; seu irmão lhe há de ter dado "informações reservadas" sobre ela...
"Plano Político" é o Dr. Demócrito em querer por meio de "trovoada" ao redor de São Bento indicar à administração superior da província o que deve para ali fazer!
Desista de tal presunção o Sr. Dr. Demócrito: a oposição tem o direito de fiscalizar, de criticar, de censurar os atos da presidência ou do governo, mas é extravagante presunção o querer indicar o caminho a quem não lhe pediu o roteiro, e de certo rejeitará o oferecido por não ter confiança no ofertante, só interessado em precipitar em abismos os timoneiros liberais.
Não entrarei, por ora, na discussão da ocorrência havida em São Bento. O Dr. Demócrito não fez ainda acusações, apenas deixou transparecer o seu desejo de querer entregar até a política liberal de São Bento a seu irmão, juiz municipal e chefe conservador dali.
"Plano político" terá o Dr. Demócrito, releve-me sua senhoria dizê-lo, visto que agrediu-me, e não eu, em promover "hecatombes" em São Bento, ou em qualquer outro ponto, visto que o "barulho das hecatombes" só aproveita à oposição, que as explora e as cerca das mais atordoadoras criações.
Não tenho o hábito de protestar contra o que os meus adversários costumam atribuir-me, visto que de ordinário as suas arguições por infundadas, destroiem-se por si próprias.
Isto, porém, não é uma regra absoluta, e protesto hoje contra a alegação do Dr. Demócrito de me "datar da minha chefatura de polícia o emprego do terror como arma política".
O Dr. Demócrito sabe bem que eu interrompi esse meio policial de fazer política, elemento constitutivo, essencial do sistema conservador.
Se o Dr. Demócrito tivesse ficado na "generalidade" em semelhante arguição, eu não protestaria contra ela, pura declamação em tal caso.
Sua senhoria, porém, repete uma "criação" não sei de quem, escrevendo o que se lhe afigura ouvir ainda as ordens imprudentes por mim dadas ao alferes Inocêncio, enviando-o a Bom Conselho para desfeitear o juiz de direito dessa comarca. E eu não posso tolerar que continue uma tal falsidade a mim atribuida.
O alferes Inocêncio foi comandar o destacamento de Bom Conselho sem que eu o conhecesse. É possível, é mesmo provável que tenha ido procurar-me antes de partir para ali, visto que, em regra, me procuravam, assim como fizeram sempre com os chefes de polícia conservadores, e o serviço público exige que o façam os oficiais de polícia que iam comandar destacamentos no interior.
Afirmo, porém, ao Dr. Demócrito que não guardo a menor recordação de ter conversado com Inocêncio antes de sua partida para Bom Conselho, o que por certo não acontecera se lhe tivesse dado "instruções", mesmo menos "importantes" do que me atribuem.
Quando tivesse querido contrariar, como chefe de polícia, a política apaixonadíssima do juiz de direito de Bom Conselho, que precisão tinha eu de eu de me entender com o alferes Inocêncio?
Não me bastaria fazê-lo com o ilustre e honrado Dr. Vicente Jansen de Castro e Albuquerque, que para ali foi como delegado de polícia mediante proposta minha?
Quem eu mandei para Bom Conselho foi o Dr. Jansen a fim de servir de garantia à ordem pública perturbada naquela importante comarca pelas violências sem nome que ao povos dela infligia e ainda inflige com criminosa ostentação o juiz de direito.
Eu só conheci Inocêncio depois que ele foi levado ao desespero pelo juiz de direito de Bom Conselho; saiba-o o Dr. Demócrito.
E se sua senhoria está ainda ouvindo minhas ordens a Inocêncio para desfeitear a quem quer que seja, é porque está dominado de algum encantamento, a que por sua honra, se deve subtrair, e pelo o qual eu não sou o responsável.
Sigismundo
(Jornal do Recife de 10.08.1881).

1881 - São Bento.
O nosso ilustre amigo, coronel Luiz Paulino de Holanda Valença, vítima das acusações caluniosas de seus adversários políticos, que não podendo quebrar a força e legítima influência de que dispõe, o querem comprometer para inutilizá-lo de modo a não tomar parte nas próximas eleições, enviou-nos o artigo que abaixo publicamos no qual narra, com fidelidade, os acontecimentos ultimamente havidos em São Bento e defende-se das falsas e malévolas imputações de seus perversos inimigos.
Certos do ódio que votam os nossos adversários ao nosso prestimoso amigo, não nos surpreendem as calúnias e perseguições que contra ele quiserem levantar, mas confiamos na vitória que há de alcançar tão prestante correligionário, confundindo seus perseguidores.
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Senhores Redatores,
Lendo hoje no jornal "Tempo" uma correspondência contra mim, assinada de São Bento, pelo capitão Luiz Felipe Cavalcanti de Albuquerque,em que me atribui um fato horroroso, cujas tristes impressões, ainda, lhe torturam o espírito, por amor ao público e ao partido, a que pertenço, e a quem nunca comprometi, vou responder, com minha consciência tranquila, e da forma porque posso fazer, sem pedir, como o capitão Luiz Felipe, ao juiz municipal de São Bento, uma resposta mais cabal e satisfatória.
Estava em minha casa, no dia 31 de julho próximo passado, com meus hóspedes, o major Luciano Nogueira e o subdelegado de Tacaité, pelas sete horas da noite, mais ou menos, quando ouvi perfeitamente um estalo, e depois um pequeno tiro, que me pareceram traques ou bombas que os meninos de rua costumavam soltar.
Ainda cheguei à porta e olhei para a rua, receando que os meus meninos estivessem na calçada, e não os vendo, sentei-me onde estavam meus referidos hóspedes.
Dez minutos depois, mais ou menos, chega à minha porta um meu afilhado com este recado: O capitão Luiz Felipe lhe manda dizer que deram um tiro na mulher e, quase ao mesmo tempo, vejo em minha porta o mesmo capitão, que assim me falou: "Coronel, acuda-me estou parvo, minha mulher e minha cunhada receberam um tiro, e só me queixo do capitão Antônio Bento e do meu colega José de Lemos, únicos inimigos que tenho nesta Vila".
Ainda, com o sangue frio do meu costume, lhe disse estas formais palavras:
"Não seja leviano e indiscreto! Antônio Bento, velho e nas portas da morte, não se lembra de você, quando em moço, nunca matou ninguém".
Nesta ocasião, gritei pelo alferes Paulino, comandante do destacamento,e corri para a casa do capitão Luiz Felipe, onde já o achei acusando, em altas vozes, com toda sua família, ao mesmo capitão Antônio Bento, presente o Dr. Aristarco, que o fez moderar um pouco, pedindo-lhe que, por ora, não encrespasse pessoa nenhuma e que suspendesse o seu juízo, confiando na polícia e principalmente em mim, o mais habilitado para descobrir o autor do crime, pois desde que eu prendi os verdadeiros assasinos do infeliz João de Deus, morto em lugar deserto, que para ele era eu o homem mais perspicaz, que ele conhecia. É verdade que o Dr. Aristarco precisava de mim, enquanto passava a noite, para durante ela melhor urdir o seu mesquinho parto na volumosa cabeça do Sr. capitão torturado.
Mil juízos e fizeram quer da parte dos amigos do Sr. Aristarco quer dos meus amigos da Vila que todos, surpreendidos, concorreram à casa onde se deu o decantado e horroroso fato.
Poucos ouviram o estampido do tiro que toodo nas duas senhorasse empregou em duas senhoras inocentes e bem educadas. O assassino acho a porta entreaberta, viu e conheceu as vítimas. O capitão Luiz Felipe e o Sr. Amador, seu parente, não estavam na direção do tiro, que todo se empregou nas duas senhoras, as quais receberam toda carga, constantes de três pbagos de chumbo fino, não se achando, nem dentro da casa, nem na porta ou paredes, nem um outro vestígio de chumbo ou bala. O Sr. capitão e seu parente são dois "santos", e não têm inimigos. Os meus dois parentes, dos quais o mesmo torturado por melhor juízo, que de mim, são seus amigos e não meus.
O capitão Antônio Bento não é mais assassino, nem o colega Lemos! A vítima correu para a casa do carrasco, e dele valeu-se! Eis a razão do mistério do semelhante crime e não os meus ardis e vilanias.
O delegado, nesta mesma noite, esteve em casa do capitão Luiz Felipe, com quem combinou as diligências que fez, prendendo quatro indivíduos que se justificaram, entre os quais Manoel Caboclo, cuja prisão se pedia com empenho, não podendo ser efetuada pelo ativo comandante do destacamento e sim pelo delegado, que andou para tal fim toda a noite.
O corpo de delito foi feito a contento, sendo os peritos dois amigos do peito, indicados pelas vítimas, e de tão almados que julgaram um dos ferimentos grave quando são levíssimos. Ainda precisavam do delegado, meu irmão!
Quando o delegado acabou o corpo de delito, chamou os senhores capitão Luiz Felipe e Amador para lhes fazer auto de perguntas; estes responderam que se achavam incomodados, porque ainda não tinham combinado ou concertado com o Dr. Aristarco as suas respostas. Depois mandou-os chamar para a casa do escrivão Lemos, ainda não quiseram lá ir! Queriam somente o delegado em suas casas e as suas descrições.
O delegado fez tudo que humanamente pôde para fazer desacobrir o autor do crime, e conhecendo depois do corpo de delito, que um plano infernal se preparava contra inocentes, reservou-se um pouco, sem poder continuar logo o inquérito em razão da falta dos autos de perguntas. O Sr. capitão só queria acusar-me em sua própria casa, e não tinha mais coragem de negar o que havia dito contra o capitão Antônio Bento e seu genro, e nem seria capaz de em minha presença sustentar a calúnia que tinha levantado contra mim, intrigando-me mais com os meus dois parentes democratas nos termos em que a urdiu.
O tiro disparado na cara do capitão Luiz Felipe, certeiro em duas mulheres, para mim é um mistério. O Sr. Capitão e o Sr. Amador não têm como dizem, inimigos particulares e sim políticos!
Agora me responda Sr. capitão Luiz Felipe, mesmo como político.
Que vultos são sua senhoria e seu cunhado, como políticos? Será sua senhoria ou o Dr. Aristarco o chefe do Partio Conservdor em São Bento? Será o major Maciel, o mais afamiliado, prudente, honesto e inteligente dentre os mesmos conservadores? Será o capitão Antônio Bento, com serviços reais a seu partido, com família, perseguido dos seus amigos políticos e mártir de sua própria política? Será o tenente Eduardo de Canhotinho, ex-presidente da Câmara, que dispõe da força bruta e gasta só o seu dinheiro? Será o Sr. Paizinho ativo e laborioso moço e que o conhece mais de perto? Será o major João Valença que gastou o que mais possuia, sacrificou seus dias de vida bem preciosos?
Creio e todos sabem que qualquer dos mencionados estão em melhores condições que sua senhoria, que não passa de escrivão de aldeia, que agrada o juiz a quem serve, máquina de escrever, ave de arribação, covarde como um veado, e que não passa na vila de São Bento de um pobre bobo, que tem a fraqueza de dizer que, com seu pirão compra amigos e faz política, mas de quem mais zombam os seus próprios amigos. Seu cunhado, se é valentão, ainda não é conhecido e se acha na Alagoa do Monteiro, na Paraíba, esperando o dia da morte da tísica que o consome.
Quer que lhe responda quem mandou espancar meu afilhado João Ferreira, Coriolano de Paiva e Melo, Francisco de Assis, Manoel Cândido, João Valeriano, Lourenço Bezerra da Costa, quem espalhou que havia de dar surras pelo Altinho, e finalmente quem soltou Joaquim Simões? Eu satisfarei completamente.
Foi, Sr. capitão Luiz Felipe, aquele mesmo que mandou espancar por Manoel Caboclo e Zeca, filho da Zeferina. Foi aquele que recebeu na rua de Baixo um empurrão de Vicente, filho de dona Maroca. Foi aquele que levando Vicente uma tremenda facada, alguns dias depois do empurrão foi visitar Vicente. Foi aquele que fez os peritos julgarem os ferimentos de Vicente leves, sendo gravíssimos, e dos quais ainda não ficou bom. Foi aquele escrivão que todas as noites vai cacetear-me em minha casa, procurando o escuro da noite para fingir aos amigos, que é meu inimigo, quando sempre me procurou importunamente. Foi o homem inimigo figadal do vigário, que não teve escrúpulos de entrar na casa de um padre inimigo, a quem tem feito todas as picardias, intrigas e calúnias as mais revoltantes. Foi aquele que veio no dia 13 de julho próximo passado, às 7 horas da noite, valer-se de mim seu "assassino", em minha própria casa, esperando que meu irmão, o delegado do termo, prendesse o capitão Antônio Bento e o colega José de Lemos. Foi aquele que entende que o meu parente democrata tem de fazer em mim o que fez no português Fraga e em mais alguém... Foi aquele que recebendo em sua casa um tiro que feriu sua mulher e uma cunhada, só dez minutos depois correu para a casa do seu "matador", depois de ter preparado o seu ardil bem caladinho, Deus sabe se esse não foi um sucesso que em toda casa pode dar-se, e que o perverso aproveitou para se livrar da pessoa que mais odeia, e a quem infelizmente frequentava, quase sempre com o escuro da noite.
Sr. Capitão Luiz Felipe, a arma do covarde, do pusilânime e traidor sempre é a calúnia.
Que mal lhe fiz para me considerar seu assassino? A quem eu já matei em meus dias? Quais os meus precedentes mais antigos, que o autorizaram para semelhante juízo? Venha com eles e então minha resposta será mais completa.
Quer processar-me porventura? Tem juiz de direito, promotor e juiz municipal amigos e corpo de delito a seu jeito? Quer a demissão do delegado para facilitar a candidatura de algum irmão ou amigo do Dr. Aristarco? Empregue os meios e prove suas queixas que o governo da província lhe fará justiça.
Que ser chefe e mártir do Partido Conservador? Procure meios mais decentes, porém desengane-se, que onde está não passará de um caluniador.
O fato que se deu em São Bento é todo misterioso, e quem sabe se não será uma pura invenção somente para prejudicar-me. Um dia, os fatos provarão.
Está na consciência de todos, em São Bento, até do mesmo Sr. Luiz Felipe, que o eleitorado, em sua maioria, está de meu lado, embora o mau resultado da qualificação. O chefe ostensivo do Partido Conservador ali é o Dr. Aristarco, este não pode negar que pelo meu lado, sempre foi e continua a seir muito acatado.
Meu irmão é o delegado do termo, as posições oficiais são do meu partido e que interesse quer político quer particular me obrigaria a cometer um crime? O resultado de tal crime, encarado, por todas as formas, não me pode aproveitar.
O Sr. capitão Luiz Felipe pede garantias ao governo, eu só responsabilizo ao Dr. Aristarco por qualquer coisa, que me aconteça, e, então, provarei a quem tanto bem me quer, que tenho recursos meus para me desafrontar sem medir a altura de ninguém, e sem os auxílios dos Antônios Lopes condenados à pena última e outros.
Desde a idade de 16 anos que dirijo política, onde moro, nunca comprometi aos meus amigos, e nunca lutando com outros inimigos mais cavalheiros, me imputaram crime de semelhante ordem, só as aves de arribação, que com as penas de pavão se querem enfeitar, me arguem de fatos, que só os comparsas e amigos de Antônio Lopes são capazes de praticar.
Já que o Sr. capitão Luiz Felipe, por seu agente, promete voltar-me à carga, eu deixarei para mais logo o que por certas conveniências, deixo de declarar!...
Por ora, limito-me a pedir ao público, a quem somente respeito, que me julgue depois.
Recife, 9 de agosto de 1871
Luiz Paulino de Holanda Valença
(Jornal do Recife de 10.08.1881).

1881 - Ainda o "Plano Político".
O Sr. Dr. Demócrito não deixa São Bento, e nem a mim.
Agradeço-lhe a simpatia que retribuo.
A sua solicitude pelos negócios políticos de São Bento deve ser agradecida pelo ilustre Sr. Dr. Alcoforado Filho, que, segundo é fama, é o candidato preferido pela comissão "secreta dos dez" e mais o presidente por direito.
O Sr. Dr. Demócrito escreveu que "eu não duvidei fazer eco de uma falsidade proposital, qual é inculcar que o juiz municipal de São Bento, Dr. Aristarco Cavalcanti de Albuquerque, é o chefe dos conservadores dali".
(O parágrafo seguinte está dilacerado e portanto incompreensível).
Anteontem respondi ao ilustrado Sr. Dr. Demócrito, mas a minha resposta foi tarde para a tipografia e por isso sairá ao mesmo tempo que esta.
Naquela alguma coisa escrevi sobre a recondução do Sr. Dr. Aristarco e não sinto precisão de demorar-me mais sobre este assunto delicado por personalissimo.
Com o honrado Sr. Dr. Alcoforado Júnior que aparece em segundo plano nesta questão, "apenas acompanhando a palácio o Sr. Dr. Demócrito", eu me sentiria mais a gosto neste debate, visto que para com o Dr. Alcoforado eu não sentiria o constrangimento que sinto quando com o Sr. Dr. Demócrito tenho de me referir ao juiz municipal, chefe verdadeiro, visível e ativo dos conservadores de São Bento. E a circunstância de ser o Dr. Aristarco Cavalcanti esse chefe e a cadeia inquebrantável que traz preso o Sr. Dr. Demócrito a São Bento.
Não tem o ilustrado redator chefe de o "Tempo" razão de voltar sobre nós a arguição que fiezemos aos conservadores "de timbrarem nesta província em envolver a magistratura na política encanescente dos partidos".
Jornal do Recife de 13.08.1881).

1882 – Em comunicado ao comércio, Rodolfo Monteiro de Paiva participou que, nesta data, se retirava da casa comercial de João José Ferreira, em S. Bento, sem que houvesse nenhuma desarmonia entre ambos. S. Bento, 12 de abril de 1882. (DP de 23.04.1882).

1882 - Pela Lei Provincial nº 1706, de 1º de julho foi criada a freguesia (distrito) de Canhotinho, subordinado ao município de São Bento.

1882 - No dia 09 de julho, foi instalado o Clube Literário de S. Bento, sendo o ato feito com toda a solenidade.
(Jornal do Recife de 23.08.1882).

1882 – Abaixo-assinados de representantes do Clube Literário da Vila de S. Bento, dirigido ao presidente da Assembleia Legislativa Provincial, pede a criação de uma sala de latim e francês. O documento é despachado à Comissão de Instrução Pública.
(Jornal do Recife, de 3.10.1882).

1882 – Clube Literário de S. Bento: instalou-se na noite de 17 de setembro, neste clube, a sessão de júri histórico que foi muito concorrida. Foi submetido a julgamento João de Souto Maior, tendo como acusador Luiz Aurélio de Godói e Vasconcelos e por defensor João de Oliveira Valença. Depois de porfiado debate, João de Souto Maior foi absolvido por unanimidade de votos. (DP 27.09.1882).
Nota: João de Souto Maior e mais três irmãos participaram da Revolução de 1817 e foram presos, sendo que dois deles morreram na prisão, na Bahia, este após cumprir pena voltou, com seu irmão, a seu lugar de origem, Tejucupapo. Em razão de perseguições políticas comandadas pelo pároco local, seu irmão Manoel foi assassinado e João de Souto Maior vingou a morte o mano, matando o padre, mandante do crime, e seus capangas.

1883 - Seção: Gazetilha. Emancipação de Escravos no interior da Província.
Escreveram da vila de São Bento para o "Diário de Pernambuco" dizendo que, após a sessão ordinária do clube literário que ali existe, teve lugar a segunda conferência abolicionista.
Ao abrir-se a sessão, diz o correspondente, o Sr. José Pereira Leite, que nesse dia entrou como associado do "Clube Literário", pedindo a palavra, pela ordem, disse que tendo sido encarregado por dona Rosa Maria do Amaral da honrosa incumbência de declarar livres os seus escravos Joaquim, Damiana, Francisco e Joana, vinha cumprir tão grato dever, apresentando a autorização de tão distinta abolicionista na qual comunicava tão auspiciooso acontecimento.
Após esse incidente que despertou vívido entusiasmo entre os circunstantes, por tão incentivo prestado à causa emancipadora, pediu a palavra o Sr. Rufino Matos desenvolvendo o assunto da segunda conferência.
Depois de congratular-se com a marcha pela marcha que ia tendo entre nós a causa da emancipação, começando com a libertação espontânea de quatro escravos, ati filho de um coração magnânimo, tanto mais digno de encômios, por partir de uma senhora que não dispunha de recursos pecuniários, o orador passou a ocupar-se de sua tese que desenvolveu em duas partes - necessidade de prosseguir no movimento abolicionista e dos meios a empregar para conseguir-se tão nobre desideratum, lembrando diversas medidas a pôr em execução no município, quer pela iniciativa de nossa Assembleia Provincial, quer pelos esforços de nossos munícipes, identificados pela mesma causa.
Em seguida, oraram os Srs. João de Oliveira e Francisco de Oliveira Valença, congratulando-se com o município de São Bento pelo brilhante passo que acabava de ser dado no caminho da emancipação e demonstrando a necessidade da extirpação do cancro social que nos corrói e nos inabilita de assumirmos a nossa verdadeira posição perante os povos civilizados.
(Jornal do Recife de 29.03.1883).

1883 – Governo da Província da Paraíba. Portaria. O presidente da Província, atendendo ao que requereu o reverendíssimo pároco colado da freguesia de Nossa Senhora da Luz, de Independência (atualmente Guarabira), cônego Antônio Alves de Carvalho, resolve conceder-lhe permissão para percepção da respectiva côngrua, durante a licença de três meses que obteve do prelado diocesano para tratar de sua saúde.
(O Liberal Paraibano, de 31.03.1883).

1883 - Gazetilha. Assembleia Provincial. Expediente da sessão de ontem: Foi a imprimir o projeto de n° 32, criando na vila de São Bento um cadeira para o ensino de latim e francês.
(Jornal do Recife de 14.04.1883).

1883 - Gazetilha. Desastre e morte. Noticiou o "Diário de Pernambuco", de ontem, o seguinte: Em dia deste mês, na vila de São Bento, o indivíduo de nome Cândido Figueiredo foi vítima de uma casualidade funesta. Conduzia ele uma arma que disparou inesperadamente, empregando-se-lhe a carga num dos braços e feriu-o tão desastradamente que dias depois faleceu.
(Jornal do Recife de 29.04.1883).

1883 - Gazetilha. Assembleia Legislativa Provincial. Na sessão de ontem, foi aprovado em 1ª discussão, sendo dispensado do interstício a requerimento do deputado Alfredo Correia, o projeto de lei n° 32, deste ano, criando uma cadeira para ensino de latim e francês na vila de São Bento.
(Jornal do Recife de 17.05.1883).

1883 – Na Assembleia Legislativa Provincial, o deputado Barão de Nazaré apresentou projeto de lei que tomou o nº 89 autorizando a modificação do contrato com os concessionários da Estrada de Ferro do Bonito a Pesqueira a passar pela vila de S. Bento.
(Jornal do Recife, de 07.06.1883).

1883 - Na sessão de ontem da Assembleia Legislativa Provincial, foi aprovado em 1ª discussão, sendo dispensado do interstício a requerimento do deputado Moreira Alves, o projeto de lei nº 89, deste ano, modificando o contrato de construção da estrada de ferro Bonito a Pesqueira, de modo a passar a dita estrada pela vila de São Bento.
(Jornal do Recife de 10.06.1883).

1884 - Telegramas. Serviço Particular do Diário.
Rio de Janeiro, 18 de março.
Foi nomeado juiz de municipal e de órfãos do termo de São Bento o bacharel Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti. Ministério da Justiça, Decreto de 15.03-1884.
(DP 19.03.1884 e DP de 27.03.1884).

1884 - Neste ano, em data não precisa, foram criadas pelo presidente da Província de Pernambuco as primeiras escolas primárias do município de São Bento.

1884 – A comarca de Caruaru estava constituída por três municípios: Caruaru, S. Bento e Altinho e de quatro freguesias: Caruaru, com 11.706 habitantes; S. Bento, com 12.332 habitantes; Altinho, com 13.032 habitantes e S. Caetano, com 5.244 habitantes. Sobre a vila e
município de S. Bento é dito: A vila de S. Bento está situada a 211 quilômetros do Recife, em terreno plano à margem direita do rio Una. 630 acima do nível do mar, possui 150 prédios alguns assobradados e elegantes, igreja matriz, cemitério, escolas públicas e particulares, biblioteca, agência do correio. O clima é salubre, a água sofrível e fornecida por açudes, 150 fazendas de criação e cultura de algodão. Principais gêneros de cultura e de comércio: cana, mandioca, milho, feijão, queijo, rapadura, redes, cordas, obras de couro e outros gêneros. O comércio de gado é feito nas feiras de Vitória, Palmares, Caruaru, Alagoas e outros lugares. O termo de S. Bento é essencialmente pastoril e muito vantajoso à cultura do algodão e dividido em três zonas distintas: a da caatinga ou seca, ao poente; do agreste,
no centro e da mata, ao nascente. As povoações do município de S. Bento eram: Canhotinho com 120 casas e comércio animado, escolas, agência do correio, capela, estação telegráfica; Cachoeirinha a 36 quilômetros ao leste da vila, banhada pelo rio Una, Jupi com bela igreja dedicada à senhora do Rosário; Lajeiro (hoje Lajedo) a 30 quilômetros da vila; Calçado a 45 quilômetros e à margem esquerda do riacho Chata.
(DP de 27.05.1884).

1884 - Em 29 de maio, nasce em Paudalho, o Dr. Manoel Cândido Carneiro da Silva que entre 1939 e 1941 desempenharia as funções de prefeito municipal de São Bento e dava início ao processo de urbanização do centro da cidade.

1884 – No município de S. Bento eram membros do Partido Liberal: Clementino José de Oliveira Valença, João de Oliveira Valença, Manoel Batista Cabral, Antônio Gonçalves Tristão, André Batista Cabral, João Vítor Xavier, Olavo Correia Crespo, Joaquim Félix da Silva Burgo, Manoel Marques de Azevedo Galvão, Honório Bento da Silva Valença, Joaquim
Ferreira de Souza, Francisco Ferreira de Souza, Antônio Virgulino da Silva Manso, Antônio Vítor da Silva Viana, Antônio Vitalino de Melo, José Felipe da Silva, José da Silva Burgo, José Gonçalves da Silva Viana, Antônio da Silva Burgo, José Cordeiro de Melo, Manoel Raimundo
Ferreira da Silva, Félix de Barros Pinto, João Ferreira de Morais, Antônio da Silva Cardoso, Antônio Florentino da Silva, Francisco Isidro da Silva Júnior, Francisco da Silva Isidro, Francisco Dias da Costa, José Antônio da Silva Lemos, José Antunes de Oliveira, Antônio Alves de Oliveira, José Muniz de Almeida, Cláudio Calumby de Azevedo, José Tomé de Oliveira, Pedro Leitão de Almeida, João Câncio Ferreira Calado, João Ferreira de Almeida,
Joaquim Pedro Ferreira de Almeida e Agripino de Lima e Almeida que assinaram um abaixo-assinado de 1º de agosto ao presidente do diretório liberal da província de Pernambuco, apresentando a candidatura José Leandro Godói e Vasconcelos como candidato a deputado à Assembleia Geral pelo nono distrito.
(Jornal do Recife, de 31.08.1884).

1885 – Relatório de Manoel Ventura de Barros Leite Sampaio, chefe de polícia, ao presidente da província de Pernambuco, Sancho de Barros Pimentel, sobre a eleição na vila de S. Bento, realizada em 08 de janeiro e que contou com a presença da autoridade policial maior. Diz ele que, no fim da coleta de votos, o escrivão José Antônio da Silva Lemos tenta se apoderar da urna a qual foi defendida pelo mesário Júlio Valença e pelo presidente da seção eleitoral, mas, na confusão gerada, Lemos tenta derrubá-la foi quando o subdelegado Francisco Valença a apanha, a joga no chão arrebentando-a e espalhando as cédulas que continha. Havia pessoas exaltadas e indignadas entre as quais o mesário Júlio Valença. O chefe de Polícia recomendou as pessoas moderação e quando tudo parecia serenado, Júlio que cai sem vida vítima de uma apoplexia fulminante. O chefe de Polícia de imediato instaurou inquérito, fazendo corpo de delito em Benício Ferreira Calado que recebera pequeno ferimento nas costas e exame no cadáver de Júlio Valença, fazendo também auto de perguntas a dois mesários. O resultado de tão criminoso como audaz atentado foi não haver eleição no colégio de S. Bento. Testemunhas arroladas disseram que Júlio Valença havia lutado contra Francisco e Clementino de Oliveira Valença, seus primos, para acalmar o primeiro e desarmar o segundo que estava com uma faca nua na mão.
(Jornal do Recife, de 13.01.1885).

1885 - Secretaria da Polícia de Pernambuco, 12 de janeiro de 1885.
Ilmº e Exmº Sr.
Em cumprimento da ordem verbal de V. Exciª. segui no dia 6 do corrente com destino à vila de São Bento parta prevenir qualquer alteração na ordem pública na eleição que devia ter lugar no dia 8.
Parti da estação de São Benedito e pousei na vila de Panelas, onde cheguei alta noite e passei algumas horas do dia 7. Aí entendi-me com o Dr. juiz de direito da comarca, com as autoridades policiais e com o comandante do destacamento, pedindo ao primeiro e recomendando aos últimos os esforços precisos para que a eleição corresse livre e pacificamente. Todos me garantiram empregar os meios para esse "desideratum".
Fui também procurado por uma comissão de Conservadores, que veio pedir-me providências para não haver perturbação no pleito eleitoral, declarando-me, porém, o seu chefe, que nada receava da parte do chefe do grupo democrata, o Sr. Gonçalves, por ser homem bom e moderado.
Respondi que havia feito as mais terminantes recomendações naquele sentido e que em todo caso nada receassem da força pública.
De Panelas segui para São Bento onde cheguei às 5 horas da manhã, depois de 13 horas de viagem, por caminhos onde não encontrei nem água capaz de ser bebida.
Ali chegando, procurei inteirar-me do que havia e verifiquei existirem sérios receios de ser inutilizada a eleição daquele colégio, por amigos do candidato, Exmº Sr. Dr. José Leandro de Godói e Vasconcelos.
Entendi-me com eles e demonstrei-lhes que isso seria um crime e um erro que altamente reprovariam aquele distinto brasileiro e os amigos da capital que se interessavam por sua eleição.
Conversando com o juiz municipal, Dr. Joaquim Homem Siqueira Cavalcanti, este garantiu-me que nenhum distúrbio haveria na eleição e a mesma garantia deram-me as autoridades policiais e o advogado Luiz Cáudio de Godói e Vasconcelos.
Minutos antes de começarem os trabalhos eleitorais, recomendei de novo ao delegado e subdelegado toda moderação e estes me disseram que nenhuma desordem haveria, porque só faziam o que determinasse o Dr. juiz muncipal e este lhes havia ordenado paz e ordem.
Seguro por este lado e tendo a garantia dos Srs. Drs. Miguel Pernambuco e Moreira Alves, de que da parte dos Conservadores nada havia de recear, , quanto a garantia da ordem e regularidade do pleito, deixei de comparecer na casa da Câmara, durante o processo eleitoral, apesar de ser requisitada a minha presença pelo 1º juiz de paz, presidente da mesa, por me parecer desnecessária.
De mais, encontrei em São Bento o alferes do corpo de polícia, Paulino Aires, que ali fora votar. Sendo ele conhecido da localidade e do seu pessoal, e me havendo garantido que os ânimos estavam serenados e nenhuma desordem era de se recear, incumbi-o de assistir aos trabalhos eleitorais, e comunicar-me qualquer ocorrência que fizesse necessária a minha presença. A votação correu placidamente.
Quando se lavrava o termo de encerramento respectivo, entrou na casa da Câmara Municipal o subdelegado Francisco de Oliveira Valença, de chapéu na cabeça e charuto aceso, e, a uma observação que lhe fez um irmão, pôs-se a declamar que os capangas conservadores o queriam assassinar.
Vieram acomodá-lo diversas pessoas, entre as quais o Dr.Gaspar Drummond, o mesário Júlio Valença e o advogado Luiz de Godói, dizendo-lhe que ali não havia capangas nem armas. Luiz de Godói não podendo acomodá-lo, retirou-se da sala dos trabalhos. Neste interim, salta para dentro do recinto onde funcionava a mesa eleitoral o escrivão José Antônio da Silva Lemos, e tanta apoderar-se da urna, que é defendida pelo mencionado Júlio Valença e o presidente da mesa.
Não conseguindo apoderar-se dela, empurra-a e vai ela ao chão. Nesta ocasião, o subdelegado Francisco Valença que, com muitos outros, se achavam dentro do recinto, apanha a urna e joga-a com tanta força no chão que arrebentou-a, espalhando-se as cédulas que continha.
Apenas começou o conflito, o tenente Paulino Aires, cujo procedimento foi digno de louvor apitou e sendo eu avisado disto, segui para a casa da Câmara, encontrando ao sair o Dr. Moreira Alves que vinha chamar-me. Ali chegando, estava terminado o crime.
Havia algumas pessoas exaltadas pela indignação, entre as quais o mesário Júlio Valença: recomendei-lhe moderação e quando tudo estava serenado, cai este morto por uma apoplexia fulminante.
Disseram-me que havia lutado com Francisco Clemente de Oliveira Valença, seus primos, para acalmar o primeiro e desarmar o segundo que estava com uma faca nua na mão, segundo constou-me.
Imediatamente comecei o inquérito, fazendo corpo de delito em Benício Ferreira Calado que recebera um ligeiro ferimento nas costas, e exame no cadáver de Júlio Valença, fazendo também autos de perguntas a dois mesários.
Interrompi o trabalho por já ser tarde e no dia seguinte concluí o inquérito, ouvindo quatro testemunhas e fazendo mais dois autos de perguntas. Antes de retirar-me, ordenei ao alferes Paulino que ficasse comandando o destacamento e incumbi-o de policiar a vila e manter a ordem que poderia ser alterada à vista da exaltação dos ânimos e continuarem ali as autoridades policiais do lugar.
O resultado de tão criminoso como audaz atentado foi não haver eleição no colégio de São Bento.
Deus guarde V. Exciª.
Ilmº e Exmº Sr. Dr. Sancho de Barros Pimentel,
mui digno presidente da Província.
Manoel Ventura de Barros Leite Sampaio
Chefe de Polícia
(DP de 13.01.1885).
Nota: Receando-se alteração da ordem em São Bento, o presidente da Província, Sancho de Barros Pimentel fez para ali seguir o Dr. chefe de polícia para acompanhar a eleição, cujo relatório se vê acima. O presidente da Província, em vista do procedimento criminoso do subdelegado Francisco Valença, demitiu-o "a bem damoralidade pública".

1885 - Em 15 de janeiro, com muita festa é inaugurada a estação ferroviária de Canhotinho, distrito subordinado à vila e município de S. Bento. A ferrovia tinha a denominação de Estrada de Ferro Sul de Pernambuco.

1885 - O deputado Gaspar Drummond discursa na Assembleia Legislativa Provincial condenando a quebra da urna eleição de 08 de janeiro deste ano, além de lamentar a morte do mesário Júlio Valença.
(DP de 17.07.1885).

1885 - Em 1° de outubro, a municipalidade contrata com João José Ferreira, de nacionalidade portuguesa, a edificação da casa de mercado da vila de S. Bento. A obra tinha quase mil metros quadrados de área construída na Rua do Comércio. O construtor ficaria no gozo da percepção dos rendimentos do Mercado, por 15 anos, caso fosse restabelecido o imposto de 320 réis sobre carga de rapadura e de 18 anos em caso contrário.

1885 - Em 25 de dezembro, nasce em São Bento Adalberto de Oliveira Paiva,filho de Rodolfo Monteiro de Paiva e de Joana de Oliveira Valença. Adalberto Paiva foi oficial da Guarda Nacional no posto de tenente-coronel. que por duas vezes ocuparia o cargo de prefeito municipal.

1886 - Crimes e mais crimes. Escreveram da vila de São Bento ao "Diário de Pernambuco" dizendo:
"No dia 17, à meia-noite, no lugr Camelo, distante desta vila duas léguas, um grupo de malfeitores cercou a casa de uma mulher, derribou as portas, espancou-a barbaramente, cortando-lhe os cabelos, e não satisfeitos com isso cercaram a casa de um honrado e pacífico cidadão de nome de João de Viveiros, arrombando-lhe as portas a golpes de machado e deixam-no espancado e ferido mortalmente com uma facada na região hepática.
Os malvados que eram em número superior a cinco, abandonaram por esquecimento um facão.
Só hoje seguiu o subdelegado com a força para proceder aos corpos de delito, quando, pela natureza desse crime, que se envolve em profundo mistério, as providências deviam ser imediatas".
(Jornal do Recife de 06.05.1886).

1886 - Em 27 de junho, a Câmara Municipal, respondendo ofício do presidente da Província, informou existir no município seis escolas públicas: duas na vila de São Bento, duas no povoado de Canhotinho, uma mista em Lajedo e outra no quarteirão do Calçado. A escola do sexo masculino da vila não estava funcionando em virtude da demissão do professor Luiz Paulino de Holanda Valença. A professora da vila, Júlia Freire Caldas Rocha, tinha sua aula frequentada por 25 alunas, sendo que a do sexo masculino tinha a mesma frequência. No mesmo ofício era pedida a criação de uma escola mista no povoado de Cachoeirinha.

1886 – Termo de S. Bento. Ao Dr. José Bernardo Galvão Alcoforado Júnior, representante do 9º distrito eleitoral da Província de Pernambuco. Os abaixo-assinados, eleitores do município de S. Bento, comarca de Caruaru, desta Província, apreciando as inestimáveis qualidades cívicas e militares do atual comandante do destacamento desta vila, Augusto José de Morais, sargento-brigada do corpo de polícia desta mesma província ousam pedir a V. Excia. se digne de, na atual promoção do referido corpo pela vaga do respectivo comandante, ou em qualquer ocasião oportuna, interpor os seus bons e valiosos serviços, a fim de que o mesmo sargento-brigada seja promovido a alfares, e essa promoção tem razão de ser nos serviços prestados pelo mesmo sargento, tanto no comando dos destacamento de Correntes e Palmeira, de Garanhuns, e outros como o destacamento desta vila onde o referido sargento estabeleceu o império da lei e da disciplina militar aos seus comandados e à população da vila que se acha desassombrada, o que não sucedia anteriormente antes da chegada do mesmo sargento-brigada Augusto de Morais. Vila de S. Bento 2 de agosto de 1886. Alferes Francisco Inácio de Paiva, major Francisco Alves Maciel, alferes Luiz Apolinário da Silva Manso, Coriolano de Paiva e Melo, Manoel Gonçalves de Siqueira, Isidoro Firmo Leal, Antônio Francisco Xavier, João Bispo de Araújo, Manoel Vicente da Silva, alferes João Augusto Alves Maciel, Francisco Alves dos Santos, Porfírio José dos Santos, Agostinho Rodrigues de Vasconcelos, João Avelino Rodrigues dos Santos, José Leonardo da Costa, Francisco Manso da Silva, Felipe Manso de Santiago, major João da Porciúncula Valença, Leandro Gonçalves de Souza, Joaquim Ferreira Calado, Manoel Ramos dos Santos, João Vítor Xavier, alferes Lino Ribeiro de Andrade, Domingos Ribeiro de Andrade, José Francisco de Souza Paizinho, Gregório Simões de Macedo, Joaquim José de Santana (Negra Velha), Manoel de Melo Leitão de Almeida, João de Oliveira Cintra, Joaquim de Almeida Valença, José Rodrigues Jacobina, Francisco Xavier de Andrade, Américo Vespúcio de Andrade, Joaquim Manso da Silva, José Joaquim de Almeida, Luiz Ribeiro Guerra, Pedro Guedes de Souza e José Tenório de Albuquerque.
(DP de 11.08.1886).

1886 - Termo de São Bento.
Com a maior surpresa para o público sensato, o jornal "A Província", do 1º do corrente, publicou uma correspondência desta localidade, na qual só teve em vista desmerecer o conceito e a reputação já firmada do sargento-ajudante, Augusto de Morais.
Essa intempestível hostilidade deve realmente ter sido estranha a todos os habitantes desta vila que têm visto no Sr. Augusto de Morais uma garantia para a segurança pública e particular neste termo.
Não está muito longe o tempo em que a vila de São Bento gozava de má fama pelos constantes distúrbios que aqui se davam; e todos hoje testemunham a tranquilidade que por aqui se goza; o que é sem dúvida o influxo do prestígio da autoridade circunspecta e moralizada.
O Sr. Augusto de Morais com louvável zelo e inexcedível atividade tem desempenhado cabalmente as obrigações do seu cargo, merecendo elogios de todos os bons cidadãos.
Pessoalmente o Sr. Augusto de Morais justifica esta posição, membro de uma família importante da comarca de Garanhuns é aqui bem conhecido e goza de estima geral e bom conceito.
A correspondência de São Bento não pode deixar de ser oriunda de alguém, segundo dizemos, convive com os ladrões de cavalos e não justifica meio de vida honesto e decente; e o Sr. Augusto de Morais tem sido embaraço insuperável a esse gênero de industriosos.
Prossiga o Sr. Augusto de Morais no plano que tem adotado que, prestando relevantes serviços aos bons habitantes de São Bento, receberá deles a estima e consideração, o tributo a que tem incontestável direito.
Vila de São Bento, 7 de setembro de 1886.
Justus
(Jornal do Recife de 15.09.1886).

1886 – Governo da Província. Relatório do 1º vice-presidente, Inácio Joaquim de Souza Leão ao entregar a administração da Província, em 10 de novembro, ao presidente, Pedro Vicente de Azevedo. Repartição de obras públicas: Açude de S. Bento – Aprovado em 09 de julho o orçamento de reparos e melhoramento desse açude na importância de 2:243$868, sendo contratado Rodolfo Monteiro de Paiva com abate de 5%. (DP de 04.12.1886).

1887 - Falecimento. Da vila de São Bento, chega-nos a infausta notícia do falecimento do capitão Manoel Rodrigues dos Santos. Esse lamentável acontecimento encheu de profunda mágoa todos quantos conheciam o finado e apreciavam os belos dotes de sua alma aberta sempre às grandes demonstrações da caridade cristã. Como amigo, cidadão e chefe de família era o finado um exemplo digno de ser imitado. O Partido Liberal contou sempre nas ocasiões mais críticas com toda a sua dedicação e esforço, merecendo por isso ter exercido por várias vezes cargos por eleição, como os de vereador e juiz de paz. Durante o domínio liberal, foi delegado de polícia do termo de3 São Bento, cargo que exerceu sempre com grande atividade e zelo, correspondendo à confiança da administração da província.Lamentando tão fatal golpe desfechado na família do capitão Manoel Rodrigues dos Santos e nos seus parentes, enviamos-lhes nossas condolências.
(Jornal do Recife de 15.07.1887).

1887 – Governo da Província. Expediente de 22 de agosto. O presidente da Província, tendo em vista a proposta do inspetor do Tesouro Provincial, resolveu exonerar Quintino Alves da Silva Valença do cargo de escrivão da coletoria de S. Bento e nomear o cidadão Coriolano de Paiva e Melo para substitui-lo. (DP de 17.09.1887).

1887 - Em 26 de setembro é inaugurado o Mercado Municipal da vila de São Bento construído por João José Ferreira. Após a inspeção da obra, a Câmara Municipal se deu por satisfeita, fazendo consignar um voto de louvor ao construtor.

1888 – Carta de 27 de maio vinda de S. Bento fala das manifestações de júbilo quando o povo da vila tomou conhecimento da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravatura e descreveu as comemorações. “Hosana ao Gabinete de 10 de março de 1888, presidido por João Alfredo
Correia de Oliveira”. “Houve uma delirante passeata na vila. O Juiz Municipal, o delegado Isidoro Firme Leal e muitos outros cidadãos precedidos da Banda Musical da vila, com
foguetes atroaram os ares e vivas ao Gabinete de 10 de Março de 1888 e à princesa Isabel e a todos os obreiros da redenção dos escravos. Discursos foram proferidos pelo Dr. Joaquim
Homem Cavalcanti, alferes Inácio Vespasiano, Augusto Ferreira. Os novos cidadãos festejaram no dia 21 de maio a sua emancipação para o que se cotizaram, sendo uma missa ao
Bom Jesus da Redenção e uma ladainha a Nossa Senhora do Bom Conselho, passeatas e marchas, acompanhadas da música”.
(DP de 06.06.1888).

1888 - Em 15 de outubro, foi criado o Cartório do Registro Civil do 1º distrito, sendo o seu primeiro oficial José Domingos Rodrigues dos Santos. O primeiro registro de nascimento foi processado em 13 de janeiro e o primeiro enlace matrimonial realizado no dia 18 de janeiro de 1889.

1888 – O correspondente de S. Bento, em carta, informa que “continuam, com grande atividade, os preparativos para as inaugurações do Hipódromo da Bela Vista e do prado são-bentista. Contando ambos com grande número de sócios, e estes dispondo de recursos e gosto, muito prometem as inaugurações definitivas desses dois prados”.
(DP de 16.11.1888).
Nota: O hipódromo Bela Vista foi, realmente, inaugurado e várias corridas com quatro páreos e cada páreo com quatro cavalos foram realizadas em 1889. No entanto, não conseguimos descobrir a data exata da inauguração do hipódromo.

1889 – Nos estertores do Império do Brasil, correspondência vinda da vila de S. Bento, datada de 10 de março, informa a criação de um diretório conservador que ficou assim constituído: presidente, major Francisco Alves Maciel; vice-presidente, Felipe Manso de Santiago; 1º secretário, Coriolano de Paiva Melo; 2º secretário, Francisco Alves dos Santos. Conselheiros ordinários: capitão Belmiro Guilherme de Azevedo, José Bento de Oliveira, João de Oliveira
Cintra, João Vítor Xavier e Lino Ribeiro de Andrade. Conselheiros extraordinários: Leandro Gonçalves de Souza, Eugênio Simões de Macedo, José Francisco de Souza Paizinho, José Rodrigues Jacobina, Francisco Teixeira de Paula, José Manoel Pacheco e João Gonçalves de Souza Viana. O município era composto de três colégios eleitorais: S. Bento, Canhotinho e Jupi. A escolha do diretório não comtemplou eleitores de Canhotinho e Jupi. De notar que as normas da época repeliam a criação de diretórios do partido que estivesse no poder, no caso os conservadores. O missivista acentua que é o “primeiro e único diretório conservador do Império, o diretório da vila de S. Bento”. A criação de diretória seria possível se houvesse “dissidência”, fato que o missivista não via em S. Bento. Nessa mesma missiva, o correspondente discorre sobre a segunda corrida realizada no dia 03 de março no Hipódromo da Bela Vista que constou de quatro páreos, três dos quais com quatro cavalos em cada um e um com cinco animais. O corresponde discorre, também, sobre o estado lastimável dos móveis das escolas públicas onde os alunos têm que levar o seu assento para não assistir às aulas em pé das 9 às 14 horas. Registre-se o falecimento, em 1º de março, Joaquim Basílio de Barros, na idade de 68 anos, sendo sepultado na capela de Jupi. Seus filhos mais conhecidos foram Coriolano de Paiva e Melo e Francisco Inácio de Paiva, este agente da estação ferroviária de Canhotinho. (DP de 15.03.1889).

1889 - Em março, a torre da matriz do Bom Jesus tem seus trabalhos concluídos. A obra deu muito realce à igreja. É digno de encômios o pároco, padre João José do Espírito Santo, cujos esforços e com o auxílio do povo e do seu próprio bolso, levou avante a monumental torre que fora principiada há mais de vinte anos.
(DP de 24.03.1889).

1889 - Gazetilha. Sessão de ontem da Assembleia Legislativa Provincial. Foram enviados para a impressão os seguintes projetos de lei:
Nº 28 - Autorizando mandar reconstruir o antigo açude chamado "Nação" na vila de São Bento, tirando a despesa da verba de 100 contos de réis.(a) José Eustáquio Ferreira Jacobina, (a) Julião Tenório.
Nº 29 - Ficam criadas duas cadeiras mistas de instrução pública, sendo uma povoação de Jupi e a outra na de Canhotinho, no termo de São Bento. (a) José Eustáquio Ferreira Jacobina. (a) Julião Tenório.
Nº 30 - Fica criado um distrito de paz denominado Cachoeirinha, compreendendo o atual distrito policial de Cachoeirinha, no termo de São Bento, incluindo as fazendas "Primavera", propriedade de Gregório Teixeira de Macedo, "Gado Brabo", de Lino Ribeiro de Andrade e "Cabimbas", de Cláudio Cornélio de Azevedo. (a) José Eustáquio Ferreira Jacobina. (a) Julião Tenório.
(Jornal do Recife de 09.04.1889).

1889 - Assembleia Legislativa Provincial. Na sessão de 08 de abril, foram lidas e apoiadas as seguintes emandas:
Projeto Nº 30 - Autoriza o presidente da Província a mandar construir um pontilhão no sangradouro do açude provincial da vila de São Bento para dar lugar à passagem de moradores e transeuntes ao norte do açude. (Jacobina e Tenório).
Projeto N° 32 - Verba de um conto de réis para continuar na construção de açude de água potável existente no riacho Bela Vista a poucos passos da vila de São Bento.
(Jornal do Recife de 26.04.1889).

1889 - Correspondência.
São Bento, 19 de maio de 1889.
1. Dissiparam-se as esperanças de inverno neste e nos termos circunvizinhos.
As lavouras estão quase totalmente perdidas e o desânimo apoderou-se da população, a qual, com o tino peculiar do sertanejo, acostumado às grandes secas e mesmo a lembrança da grande e horrorosa calamidade de 1790, espera calamidade ainda maior do que a de 1877.E o povo tem razão de temer a crise que nos aguarda neste e no seguinte ano, porque em 77 falharam as colheitas no sertão, as matas estavam muito bem providas de mantimentos, e as províncias do sul exportaram legumes para esta e províncias do norte; agora, porém, não somente as matas, estão desprovidas, tanto assim que estão importando os legumes do sertão, como as províncias do sul lutam com calamidade senão igual, ao menos pior, visto que se acham a braços com o terrível flagelo da febre amarela! Depois do aguaceiro de 3 de maio do corrente ano, um Sol mais do que abrasador tem-nos visitado diariamente; as pastagens desapareceram crestadas pelo Sol e um péssimo sinal se tem mostrado todas as manhãs: uma neblina tão tênue que não dá para apagar poeira! O calor é tão asfixiante que o termômetro, à sombra, tem marcado 31° centígrados!
Já vão aparecendo alguns casos de febres malignas e a "gripe" é geral nas crianças. Felizmente não tem havido vítimas, devido certamente à salubridade e a pureza do ar que se respira neste sertão.
2. No dia 15 de maio, pelas 9 horas da manhã, o soldado do corpo de polícia, aqui destacado, José Ferreira da Cruz, desfechou um tiro na praça de polícia, também aqui destacada, Antônio Raimundo da Silva, a qual não morreu por milagre da Divina Providência.O fato deu-se à porta da cadeia e do quartel, indo as balas e bagos de chumbo empregar-se na porta do Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, o qual, por um triz, não morreu; porquanto, logo que Antônio Raimundo teve certeza de que José Ferreira tentara assassiná-lo, pede socorro ao Dr. Homem de Siqueira, que mora em uma casa contígua ao quartel, e chega à janela quando José Ferreira disparou a carabina, empregando-se as balas e chumbo no portal, tendo antes atravessado a gola da farda e o colarinho da camisa de Antônio Raimundo e assado o pescoço do mesmo. Quatro praças do destacamento que guarneciam a cadeia não se moveram para prender a José da Cruz, ao qual o Dr. Siqueira dera voz de prisão e mandara que prendessem o assassino! E este encaminhou-se a passo lento, para a sua casa; carregou de novo a arma e fugiu, vindo entregar-se com padrinho, no dia seguinte, e se acha recolhido na sala livre! O delegado de polícia procedeu ao inquérito e corpo de delito, estando provado que o móvel do crime foi ter Antônio Raimundo posto de ladrão a José Ferreira, injuriando-o atrozmente na frente da cadeia quando este fazia guarda. Houve premeditação porque as armas do corpo de polícia tem carga certa e a carabina de José da Cruz, além das balas, estava carregada com bagos de chumbo.
3. A popular devoção do mês de Maria vai sendo muito festejada no município.
Além de se rezar na Matriz e em muitas casas particulares desta vila, não há fazenda e sítio onde, no mês presente, não se entoem hinos à Virgem Santíssima. O mês mariano aqui é a festa mais popular que temos, findando-se sempre com missa cantada e ladainha no último dia.
Foi preso no dia 14 do corrente e se acha recolhido à cadeia o preto velho Isidro o qual, em companhia de Ciríaco, foram à casa de Elias Coelho Cintra e tiraram contra a vontade deste, três ingênuos, dos quais o mesmo Cintra é tutor.
4. Isidro e Ciríaco acham-se condenados a três meses de prisão, máximo do artigo 210 do Código Penal, a requerimento do tutor o qual deu queixa contra os mesmos.
5. As escolas públicas do município continuam nuas dos móveis indispensáveis para os exercícios escolares. Neste sentido, carece-se de providência.
6. A desgraça vai sendo desapiedada para os pobres do alto sertão oqual, sem dívida, ficará despovoado no corrente ano. A emigração é espantosa e esta vila já conta número extraordinário de famintos, os quais imploram a caridade pública. É tempo de o governo sanar tanta miséria, ordenando obras públicas nas quais o retirante em vez de esmola receba a retribuição do trabalho adequado às suas forças. Há obras decretadas para este município: um açude em Canhotinho, outro na povoação do Lajeiro (Lajedo) e outro no riacho da Chata, e nenhuma ocasião mais asada se apresenta para, com muito pouco dinheiro, se construir esses três açudes, cuja utilidade é sobremodo imperiosa.
7. Houve hoje a sexta corrida no Hipódromo Bela Vista. A concorrência foi extraordinária assim como o movimento das apostas e venda de "poules", podendo-se, sem exageração, afirmar-se que ainda não houve corrida tão animada como a de hoje.
8. Os gêneros de primeira necessidade estão se vendendo por preços fabulosos, vendendo-se a farinha a 1$000 (um mil réis), o milho a 1$200 (um mil e duzentos réis) e o feijão a 2$400 (dois mil e quatrocentos réis) a cuia e o mercado não tem sido abastecido convenientemente.
Até outra vez. .
(DP de 01.06.1889).

1889 – Governo da Província. Expediente de 1° de julho. O vice-presidente da Província exonerou Antônio Bento de Oliveira e Coriolano de Paiva e Melo dos cargos de coletor e escrivão, respectivamente, da coletoria provincial de S. Bento. Para os referidos cargos, de coletor e escrivão da mesma coletoria, foram nomeados, respectivamente, Francisco de Holanda Valença e Antônio Cândido de Araújo.
(DP de 20.08.1889).

1889 - Publicaçõe Solicitadas. Gratidão.
Acometido de uma terrível bronquite, fui aconselhado pelos médicos desta cidade para ir ao sertão, a fim melhorar os meus sofrimentos.
Assim o fiz. Guiado pela Providência, procurei a vila de São Bento e nela encontrei um protetor, um homem que, sem me conhecer, prodigalizou-me todos os recursos em sua própria casa, cercou-me de todos os cuidados e, posso dizer, restituiu-me a saúde perdida.
Esse cavalheiro, símbolo do bem, é o Ilmº Sr. Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, distinto advogado naquela vila, a quem publicamente declaro, sou tão grato, devo tantas finezas, que não tenho expressões para agradecer o quanto ele fez por mim.
Quatro meses estive fora de minha família mas, em compensação achei na casa do Dr. Siqueira todos os desvelos que poderia ter na casa dos meus pais.
Sou um artista pobre, sem nome que achei no lar de um homem de posição firmada, de um cavalheiro todo distinto, todos os recursos para meu restabelecimento!
Certas dívidas não se pagam; só a gratidão eterna de quem as contrai, pode em parte minorá-las.
Aceite, portanto, o Ilmº Sr. Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, minha eterna gratidão, e fique certo de que, se com esta declaração sincera, ofendo-o em sua modéstia, fui sem dúvida dominado por um sentimento - o reconhecimento.
Recife, 12 de setembro de 1889.
Adolfo João de Almeida
(Jornal do Recife de 13.09.1889).

1889 – Em carta de 29 de setembro, o correspondente da vila de S. Bento discorre sobre “a paz e a tranquilidade” reinante no município, mas ressalva “o furto de bodes que ultimamente tomaram proporções assustadoras, devido ser um crime particular e nada ter a polícia que intervir. Os larápios campeiam impunes, porque o processo se inicia com queixa em tais crimes, importa o valor de cem bodes”. O correspondente fala sobre as animadas corridas realizadas no Hipódromo Bela Vista e de violentas e destruidoras chuvas de granizo, ocorridas no município, em 26 de setembro, levando à morte de gado, aves, destruição de árvores e casas.
(DP de 04.10.1889).

1889 - Proclamação da República. O coronel José de Cerqueira Aguiar Lima, comandante das armas de Pernambuco, vai ao palácio do Campo das Princesas e depõe o presidente da Província, Segismundo Antônio Gonçalves. Interessante notar que a deposição de Segismundo Gonçalves foi provocada por ele que em papel timbrado e de próprio punho chama a palácio o coronel Aguiar Lima para entregar o governo.

1889 - Declaração de entrância judicial: pelo Decreto n° 49, de 07/12/1889, do Governo Provisório da República, a comarca de S. Bento foi declarada de 1ª entrância. O ato é assinado
pelo marechal Manoel Deodoro da Fonseca, chefe do governo, e pelo ministro da Justiça, Manoel Ferraz de Campos Sales.

1889 - Governo do Estado. Repartição de Polícia.
Entrou em exercício do cargo de delegado do termo de São Bento o Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti.
(DP de 07.12.1889).

1889 - Gazetilha - Às 7 horas da noite de 20 do corrente, no lugar denominado Queimada Grande, distante de 3 léguas da vila de São Bento, foi barbaramente assassinado o abastado fazendeiro Virgulino da Silva e mortalmente ferida a sua mulher.
Tendo àquela hora batido à porta de sua casa dois indivíduos, que pediam agasalho, Virgolino foi abrir a janela para reconhecê-los quando recebeu à queima roupa um tiro de pistola que o matou instantaneamente, sendo ao mesmo tempo também ferida mortalmente sua mulher.
Motivou estes crimes o roubo porque os assassinos tentaram em seguida saquear a casa, o que não levaram a efeito por se lhes ter oposto João Manso da Silva, cunhado de Virgulino, o qual, apesar de sua avançada idade, lutou e conseguiur ferir um deles com uma foice de que estava armado.
Evadiram-se ambos criminosos,um dos quais chamava-se Manoel Frederico Frutuoso que é conhecido como Manoel Galão, e foi há tempos morador de Virgulino.
(Jornal do Recife de 29.12.1889).

1890 – São dissolvidas as câmaras municipais do Estado de Pernambuco em vista da autorização contida no Decreto 107, de 30 de dezembro de 1889. Em seu lugar foram instituídos os Conselhos de Intendência.
(Relatório do governo do Estado de Pernambuco de 10.08.1891 ao Congresso Legislativo formado pelo Senado Estadual e Câmara dos Deputados).

1890 - No dia 11 de janeiro,foi instalada a comarca de São Bento. O ato teve lugar no Paço da Câmara Municipal, às 10 horas da manhã em presença de grande número de pessoas e do respectivo juiz de direito, Dr. Manoel Cabral de Melo, que na ocasião tomou posse do seu cargo. Foi motivo de grande satisfação para os habitantes de São Bento.
(Jornal do Recife de 22.01.1890).

1890 – Em 1° de fevereiro, o marechal José Simeão, governador do Estado, dissolveu várias Câmaras de Vereadores, entre elas, a de S. Bento, nomeando para compor o Conselho de Intendência Municipal de S. Bento, os seguintes cidadãos: Francisco Alves dos Santos (presidente), Joaquim Ferreira de Souza, Joaquim Soares da Rocha.
(DP de 08.02.1890).
Nota: Mais adiante seriam nomeados Esperidião Guilherme de Azevedo e Manoel de Medeiros Tavares, totalizando cinco membros o Conselho de Intendência da Vila de São Bento.

1890 - Entre os passsageiros embarcados no porto do Recife com destino a portos do Norte do Brasil, pelo vapor nacional "Pará", consta o nome de Manoel Cabral de Melo, juiz de direito recém-empossado na comarca de São Bento.
(Jornal do Recife de 20.02.1890).

1890 - Secretaria de Polícia do Estado de Pernambuco.
No dia 9 do corrente,o cidadão João de Oliveira Cintra assumiu,na qualidade de 1º suplente, o exercício da delegacia do termo de São Bento.
(DP de 15.03.1890).

1890 - Clube Republicano da Vila de São Bento. Comunicam-nos:
No dia 6 do fluente mês de abril, efetou-se nesta vila a instalação de um Clube Republicano, filiado ao diretório central do partido.
Comparecendo grande número de cidadãos, convidados previamente pela comissão encarregada da fundação do clube, um dos membros dela, o Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, tomando a palavra expôs o motivo da reunião e convidou para presidi-la o cidadão João José Ferreira que por sua vez convidou para secretários o Dr. Felipe Augusto Carneiro Camelo, promotor público,eo professor Francisco Alexandrino Paula Rocha.
Tomando de novo a palavra, o Dr. Joaquim Homem de Siqueira, num bem elaborado discurso, vigorosamente verberou os erros do passado, mostrou a necessidade de erguer os municípios, provou que o Governo Provisório da República fez mais em quatro meses do que a Monarquia em cinquenta anos, depois de previnir o auditório contra os exploradores que há pouco tempo ajoelhavam à passagem do Conde D'Eu, mostrou que belos eram os princípios do Manifesto de 1888, alguns dos quais já realizados.
Desenvolveu as ideias contidas no mesmo Manifesto, analisou e explicou as reformas decretadas pelo primeiro ministério republicano,o que fez brilhantemente, além de outrs consideraçõesde muito interesse.
Depois apresentou os estatutos que foram aprovados, sendo pelo cidadão Francisco da Cunha Rabelo oferecida uma emenda criando um conselho, encarregado de auxiliar a diretoria e substituir a Assembleia Geral quando esta duas vezes convocada não se reunisse, o que foi aprovado depois de posta em discussão a referida emenda.
Tomou a palavra o cidadão Francisco Alves dos Santos que se desempenhou perfeitamente num belo discurso, ocupando-se da forma republicana como a melhor de todas as formas de governo.
Em seguida, ocupou a tribuna o Dr. Felipe Augusto Crneiro Campelo que, começando por saudar e congratular-se com os cidadãos presentes por ver que não foram indiferentes ao grande movimento patriótico que anima todos os corações brasileiros, falou sobre a significação que tinha a criação do clube republicano nas emergências atuais de nossa política.
Mostrou o dever que todos tinham em levar o contingente ao serviço da consolidação da grande obra do 15 de Novembro para que possamos legar uma pátria que seja digna de receber uma geração forte e livre,filha do abençoado solo americano.
Depois de apreciar o 15 de Novembro, mostrou que só pode haver a verdadeira liberdade no campo da verdadeira república. Depois de lembrar a todos quanto devem fazer pelo bem da pátria, finalizou dizendo que seguros e firmes haveremos de conseguir o engrandecimento do Brasil e o seu fulgor e glória no concerto das nações maericanas.
Desembaraçada a sessão das questões puramente de ordem, entrou-se na parte ansiosamente esperada, a conferência do ilustre e infatigável propagandista republicano, Dr. Amaro Rabelo Júnior, que apesar de doente não se poupa ao serviço da grande causa que foi sempre a aspiração de sua fecunda mocidade,o sonho dileto de sua nobre alma.
Prendendo o auditório por quase uma hora, teve momentos felicíssimos, arrancando frenéticos aplausos. Como é impossível esculpir um palácio na pedra de um anel, assim também é resumir o seu discurso na estreiteza deste artigo. Bastante conhecido neste Estado, dispensa elogios da humilde pena que traça estas linhas, com o fim de narrar o ocorrido, ficando o seu nome gravado indelevelmente no coração de todos os são-bentistas que tiveram a felicidade de ouvi-lo.
Terminada a conferência, foram distribuídos diversos exemplares de umaoutra conferência proferida pelo Dr. Amaro na cidade de Goiana em maio do ano passado.
Ao encerrar-se a sessão, sairam todos incorporados, com a música à frente e foram acompanhar o Dr. Amaro Rabelo, à sua residência, seguindo-se estrepitosos vivas ao eloquente conferencista, ao Dr. Siqueira, ao Partido Republicano e ao Governo Provisório.
Foi uma festa esplêndida cuja lembrança se guardará viva nocoração de todos que a presenciaram.
O Clube ficou assim constituído:
Presidente honorário: Dr. Amaro Rabelo Júnior
Assembleia Geral
Presidente: Felipe Manso de Santiago,
1° Vice-presidente: Antônio Alves de Oliveira,
2° Vice-presidente: Francisco Alves dos Santos,
1º Secretário: Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo,
2° Secretário: Francisco Alexandrino de Paiva Rocha,
Substitutos: Manoel de Medeiros Tavares e Olavo Correia Crespo.
Comissão Executiva:
João de Oliveira Cintra, Coriolano de Paiva e Melo, Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, Rodolfo Monteiro de Paiva, e major Francisco Alves Maciel.
Conselho de 10:
Antônio Possidônio de Oliveira Santos, capitão Manoel Marques de Azevedo Galvão, José da Silva Burgos, Gregório Simões de Macedo, Luiz Salustiano dos Santos, João Câncio Ferreira Calado, Manoel Raimundo Ferreira da Silva, Leandro Gonçalves de Souza, Francisco Pacífico Bezerra e Antônio da Graça Belo.
(DP de 15.04.1890).

1890 - Correspondente de Canhotinho.Transcreve-se, apenas, parte da epístola que tem relação com a sede municipal de São Bento:
O presidente da Intendência, Francisco Alves dos Santos, sem o menor escrúpulo, na sessão de 31 de janeiro passado, apenas presente o intendente Joaquim Ferreira de Souza, requereu verbalmente a si e aquele membro a fim de obter uma gratificação de 60$000 (sessenta mil réis), em paga dos serviços que já tinham prestados à mesma intendência, e tinha ainda de prestar com os orçamentos dos açudes de São Bento, Lajedo e aqui em Canhotinho o que imediatamente foi deferido a "requerimento" do presidente. Ora, se a intendência deste município acha-se em péssimas finanças (como diz o mesmo presidente) e tanto é assim que o procurador da mesma, tio do referido presidente, paga aos empregados mediante um desconto dos mesquinhos ordenados; e como é que esse presidente pede para si 60$000 (sessenta mil réis) em paga dos serviços prestados e os que ainda tinha de prestar?! Depois disso acresce ainda mais que não há verba destinada para ser aplicada ao presidente da intendência em paga de serviços. Em vista do exposto, pergunta-se ao ilustre governador se criou a verba de 60 mil réis destinada parao presidente da intendência deste município?! Agora mesmo acabo de receber cartas da vila de São Bento, de pessoas insuspeitas, nas quais afirmam-me que os 60 mil réis de que já falei, "gratificação" ao presidente é para facilitar o seu transporte à capital deste Estado, a fim de tratar de sua nomeação para coletor deste município com os "amigos" de que tanto "dispõe". (...)
(DP de 10.06.1890).

1890 - Publicações Diversas. São Bento. Carta de Joaquim de Almeida Valença.
Ao ilustrado e distinto cidadão a quem está confiada a administração do Estado de Pernambuco, venho do alto da imprensa pedir providências contra a vexação insólita e desumana do Dr. Ajudante do Procurador dos Feitos neste município.
O Dr. Felipe Augusto Campelo, feito Advogado da Fazenda, mal compreendendo os deveres do cargo, assim como desconhece, como promotor público, a regra mais comezinha do processo criminal, entendeu vingar sua cegueira intelectual com prejuízo, se não o extermínio do pobre sertanejo.
No começo do ano próximo passado, tomando dinheiros a juros,porque sou pobre e sobrecarregado de família, dirigi-me ao alto sertão para fazer uma compra de gado de solta, e efetivamente comprei no Estado da Paraíba, uma partida de garrotes em número de duzentos e cinquenta que já vinham do Piauí, os quais trouxe para este município, depois de ter ali pago o imposto de 1$000 (um mil rís) por cabeça. Aqui chegando no fim de maio daquele ano, sendo então coletor de rendas do Estado o capitão Antônio Bento de Oliveira, estenenhuma cobrança de imposto me fez de sorte que eu nem ao menos sonhava de ser devedor da Fazenda.
Feito a solta referida pelo meio do ano, quando já declinava a pastagem, tendo mais todos os garrotes emagrecidos consideravelmente em consequência da castração, aconteceu que com a horrível seca, de que tem morridos dois terços dos gados deste município, nenhum só dos garrotes escapou.
Além disso perdi mais o pouco que tinha de criação, porque como é geralmente sabido, não era somente a fome que os matava, já ultimamente apareceu uma doença nos gados que matava indistintamente gordos e magros, tanto que extinguiu a maior parte de reses numas fazendas, noutras quase todas.
Fiquei,pois,em vista de tamanha perda sem tercom que pagar se quer o dinheiro tomado a juros para tão infeliz negócio; mas, esperava que com mais algum tempo e trabalho rigoroso fosse saldando as minhas dívidas.
Quando assim estava em minha paz e sossego, embora tivesse quea lamentar a perda quase total dos meus gados, o capitão Antônio Bento,que tinha sido demitido de coletor em agosto do ano próximo findo e que agora com a República pretendia ser reintegrado no lugar,não obstante ter feito na coletoria a sua gorda pepineira, e achar-se em grande decrepitude, agravada pela tísica, mandou fazer no "Diário de Pernambuco" perguntando se o atual coletor havia recolhido ao tesouro o imposto correspondente a 602 cabeças de gado que eu trouxera do sertão!
A calúnia do ex-coletor está provada desde quando se atender a que eu cheguei do sertão com a solta dos garrotes em maio e que ele foi demitido em agosto, sendo ainda coletor dois meses depois de minha chegada sem que me tivesse cobrado o imposto!
Ora, militando eu no então Partido Liberal e sendo o ex-coletor Conservador, meu desafeto, é incrível que, se eu tivesse importado de outro Estado para este município 602 cabeças de gado, ele não cuidasse de cobrar o imposto, não só porque não tinha motivos para ser condescendente comigo,como para perder asua percentagem.
Logo vê o público e principalmente as autoridades, às quais compete o conhecimento da questão que o ex-coletor Antônio Bento, mandando dizer para o "Diário" que eu havia trazido do sertão 602 cabeçasde gado, só teve em mente intrigar o atual coletor com o fim de ser reintegrado, não se lembrando da "mão de seda" que fez no tempo em que foi coletor.
Em consequência de tão torpe intriga, de tão torpe calúnia, oriunda da estragada cabeço do ex-coletor Antônio Bento, e abraçada pelo não menos afamado Dr. José Maurício Borges, contra quem deve existir na Secretaria do Governo uma denúncia por vinte e três crimes, denúncia que foi apresentada pelo cidadão João de Oliveira Valença ao bondoso marechal José Simeão de Oliveira, e que ainda dorme o sono do esquecimento,em consequência de tão torpe intriga, digo, o Dr. Felipe Campelo entendeu de propor-me ação para cobrar o excessivo e injusto imposto de 3 mil réis para cada rês, adicional e multa de 9% sobre 602 cabeças de gado!!!
Justifiquei perante o Juiz Municipal com testemunhas e com recibo do arrematante do imposto na Paraíba que apenas importei 250 reses, mas esse gado extinguiu-se pela seca e pela doença. Com estes documentos, fiz uma reclamação ao distinto Governador, mas o Dr. Campelo a nada disso se move, atiçado pelo seu mentor, o Dr. Borges, só procura vingança, sem atender a que com esse seu procedimento não só comete uma injustiça, como empurra ao abismo da miséria e da desgraça uma família inteira.
Ao atual Governador deste Estado peço que, em face das provas que exibi, faça cessar a atroz perseguição que se move contra mim para reduzir-me à miséria.
Vila de São Bento, 10 de maio de 1890.
Joaquim de Almeida Valença.
(A Província de 14.06.1890) Ed. 134.

1890 - Publicações Diversas. Ao público sensato.
Lendo o número de "A Província" de 14 de junho do corrente ano, deparei-me com um artigo de Joaquim de Almeida Valença, dirigindo-se ao ilustre cidadão Dr. Governador do Estado, pedindo providências contra uma suposta "vexação insólita e desumana" de minha parte.
A minha primeira impressão, ao ler o insultuoso artigo, foi a que deve sentir o viajante, tranquilo e honesto, que vê-se bruscamente atacado por um audacioso saltimbanco.
No exercício de meu direito e no restrito cumprimento do meu dever, como Ajudante do Procurador dos Feitos, tive a infelicidade de encontrar um desarrazoado que, não se conformando com a aplicação da lei, e não podendo contra esta reagir, procurou-se desabafar-se contra mim, pretendendo enlamear minha reputação de funcionário público.
Caluniador e audaz!
Caluniador, sim, porque o cidadão Joaquim de Almeida não conseguirá, por mais que se esforce, provar qualquer dos pontos que contra mim aventou, a não ser com a calúnia, que é bem digna de si.
Audaz, porque a simples leitura de seu artigo revela o despeitado e manhoso desrespeitador da lei, que, apesar de não cumprir o preceito desta, assalta a reputação alheia e, debaixo da capa de arteira inocência, finge-se vítima de perseguição, com o fim de embair a boa fé do ilustre Dr. Governador, de quem, parece, quis conseguir a compaixão para de melhor modo, isentar-se de um ônus, a que todos estão sujeitos.
É assim que diz ele que "nem ao menos sonhava que era devedor à Fazenda"! Que inocência!
O cidadão Joaquim de Almeida, que já em 1878 importara uma partida de gado, pagando o referido imposto na coletoria de Pesqueira, ignoraria que era devedor à Fazenda do imposto relativo à importação que fez de gado em maio do ano passado?
Diz ele que é incrível que se houvesse importado de outro Estado para este município 602 cabeças de gado, o então coletor, seu desafeto, não cuidasse de cobrar o imposto. A conclusão lógica seria que se o coletor, seu desafeto, não cobrou o imposto, era porque ele, Almeida, não havia importado gado algum.Entretanto, é o próprio Joaquim de Almeida quem confessa ter importado 250 reses; estando o coletor em todo caso com o direito de cobrar-lhe o imposto.
Se o cidadão Joaquim de Almeida julgava-se com algum direito de isentar-se do imposto, apresentasse a seu favor provas, alegando o que bem entendesse, mas não como fez atacando-me, por despeito, pelo simples fato de pretender eu fazê-lo pagar aquilo que mui legalmente deve à Fazenda.
De sorte que no danoso entender daquele cidadão, o dever que eu cumpria tornou-se criminoso, porque, embora de acordo com a lei, ia contrariar o seu sórdido interesse.
Em maio do ano próximo passado, o cidadão Almeida trouxe da Paraíba seiscentas e tantas cabeças de gado vacum para refazer neste município.Isto é sabido por quase todos os habitantes deste vila. Adiante se verá de diversos documentos que apresento, de cidadãos que, em acatamento à verdade, o declararam.
Entretanto, contra isso apresenta o cidadão Almeida uma justificação, dada por testemunhas graciosas, e um recibo do arrematante do imposto do Estado da Paraíba, recibo insuficiente porque o cidadão Almeida declarou ao Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, digno advogado deste foro e insuspeito, que tinha trazido seiscentas e sessenta e sete reses, particularizando que "havia iludido o arrematante do imposto,do somente a taxa sobre duzentas e cinquenta reses"! Adiante se verá a carta do Dr. Siqueira, cuja declaração foi motivada pelo amor à verdade.
Sendo eu nomeado ajudante do Procurador dos Feitos, cargo que assumi em princípios de março deste ano, fiz ver ao coletor o dever em que estávamos a fazer cobrança aos devedores da Fazenda, em atraso, acrescentando que em caso de omissão dos mesmos devedores, teria eu de proceder executivamente, como faculta a lei.
Tornando-se saliente a dívida do cidadão Almeida, não só pela importância da quantia, como por uma denúncia dada pelo "Diário", acrescendo notar a minha recomendação ao coletor, daí o receio do cidadão Almeida de se ver executado a pagar, pois achava "suave" lesar a Fazenda em quantia tão pequena.
Daí o despeito e a agressão do cidadão Almeida que, não tendo o direito a seu lado, fez como fazem os desesperados, - atacou para salvar-se.
No seu despeito, procurou ofender-me mesmo como promotor público; tendo a audácia de dizer que não cumpro com os meus deveres, como advogado da Fazenda, ainda disse que, como promotor público, "desconheço a regra a mais comesinha do processo criminal"!
"Risum teneatis!".
Um criador de gado, que poderá entender, quando muito de sua profissão, que poderá entender o melhor modo de castrar os seus garrotes, que ignora o que seja processo criminal, a querer julgar-me neste ponto!
O cidadão Joaquim de Almeida quis injuriar-mepor qualquer modo possível e, não encontrando fato algum meu menos digno, atacou a esmo, com a cegueira intelectual que o caracteriza.
Teve a inconsciência de dizer que não cumpro com meus deveres, como advogado da Fazenda, não tendo o bom senso de ver que do cumprimento restrito do meu dever é que exatamente nasceu a sua agressão.
Atacou-me como promotor público.
Nunca tive pretensão de ser jurisconsulto, mas tenho-a de entender alguma coisa para o bom desempenho do meu cargo.
Como promotor público tenho um juiz de direito para julgar dos meus atos, e o cidadão Almeida, me parece, não ousará ter a pretensão de ser mais autorizado do que ele, para julgar-me.
Pois bem, exibirei adiante um atestado do Dr. juiz de direito, crendo sinceramente que o público sensato acreditará antes neste documento, do que na despeitada e triste palavra do cidadão Almeida.
Quanto a dizer este que o meu amigo Dr. Maurício Borges é "meu mentor", é simplesmente ridículo.
O simples fato de entreter eu amizade com o Dr. Maurício, juiz municipal, é a única base talvez em que se funda o cidadão Almeida para chegar a dizer que é ele "meu mentor". E quem se livrará, em caso idêntico, de semelhante calúnia? Numa pequena vila, como esta, não se pode tomar amizade e frequentar a casa dum colega, sem que passe por tê-lo como "mentor" na opinião do cidadão Almeida.
Ou talvez para o acanhado cérebro do cidadão Almeida figure-se impossível que um moço, que apenas enceta a sua carreira, possa ter autonomia e independência, guiando-se por si.
Neste ponto o cidadão Joaquim de Almeida não foi só caluniador, foi cínico também.
Homem incapaz de ligar duas palavras, faladas ou escritas, aquele cidadão não teve escrúpulos, em atirar em outro a justa bitola que lhe quadrara perfeitamente.
O próprio artigo, de que se trata, o qual ele assinou, creio que inconscientemente, mas em todo caso assumindo a responsabilidade, foi escrito por um indivíduo, abaixo de toda a esfera moral e cuja crônica, a ser desvendada, deixaria ver um passado e mesmo um presente cheio de manchas.
Indivíduo sem fé, afeito à baixa intriga, desrespeitador da autoridade, chafurdado no lodaçal de um vício repugnante, o mentor do cidadão Joaquim de Almeida fica fora de toda e qualquer apreciação, porque é indigno.
Toda esta vila o conhece e invoco o testemunho dos homens criteriosos.
O público que aprecie a fonte do insultuoso artigo e aquilate o peso que poderão ter suas asserções, oriundas de um espírito enfermo e viciado e cuja paternidade o cidadão Almeida não hesitou em assumir.
É o que julgo dizer suficientemente, em abono de minha reputação que muito prezo e que não posso nem poderei ver arrastada pelo pó das estradas e atada ao poste da calúnia.
Apelo para as autoridades judiciárias e policiais desta comarca, para os dignos advogados deste foro, para os cidadãos honrados e criteriosos, para o meu passado sem mancha, para os meus atos, e digo por último ao cidadão Joaquim de Almeida que tenho um futuro a seguir e no caminhar, que levo, não me intimidam os obstáculos vilmente levantados e que no exercício de meus atos, estribado na lei, não me demoverá receio de desagradar quem quer que seja.
O público faça justiça e aprecie os documentos que se seguem, comprobatórios do que afirmei em destruição do artigo do despeitado "cidadão Joaquim de Almeida".
São Bento, 24 de junho de 1890.
Felipe Augusto Carneiro Campelo
Anexos:
Ilustre cidadão Dr. Juiz de Direito da comarca de São Bento
O abaixo-assinado, a bem de seu direito e da justiça, requer-vos que atesteis, sob a fé do seu honroso cargo, se o suplicante tem retamente promovido os interesses da justiça pública e cumprido fielmente os seus deveres, como Promotor público desta comarca.
Pede-vos deferimento e E. R. M.
São Bento, 20 de junho de 1890
Felipe Augusto Carneiro Campelo
Resposta:
Atesto que o peticionário tem exercido com muita independência e honestidade o cargo de Promotor Público desta comarca, e que tem uma conduta civil e moral irreprensível.
São Bento, 21 de junho de 1890.
Manoel Cabral de Melo
Juiz de Direito
...

Vila de São Bento, 21 de junho de 1890.
Ilustre cidadão Manoel Gonçalves de Siqueira
Peço-vos que me respondais, a bem da verdade e sob a fé do vosso ofício, sobre mos seguintes itens:
1º Se sabeis o número de reses importadas para este município por Joaquim de Almeida Valença.
2º Se aquele cidadão tinha ciência, antes da minha nomeação como Ajudante do Procurador dos Feitos, de que era devedor à Fazenda do imposto de importação das referidas reses em maio do ano próximo findo (1889).
3º O que julgais, como escrivão do júri, sobre o desempenho que tenho dado ao cargo de Promotor Público desta comarca, e sobre o cumprimento dos meus deveres como funcionário público.
4º Se vos consta no exercício dos meus atos, como Promotor Público ou como Ajudante do Procurador dos Feitos, me tenha deixado levar por influência de terceiros, como aleivosamente me caluniam.
Esperando a vossa resposta, pela qual me confesso grato, peço-vos que me concedais fazer dela o uso que me convier.
Protesto-vos minha estima e consideração por ser vosso atencioso credor e obrigado.
Felipe Augusto Carneiro Campelo
Resposta:
Ilustre cidadão, Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo
Em resposta à vossa carta que me dirigistes e sob a fé do meu cargo, tenho a responder-vos o seguinte:
Ao 1º item, sei por pessoa fidedigna desta localidade ter-me dito que o número de reses importadas para este município, dos Estados vizinhos, por Joaquim de Almeida Valença, foram seiscentas e tantas, não me recordando presentemente da fração.
Ao segundo dito, que o mesmo cidadão Joaquim de Almeida Valença tinha ciência de que era devedor à Fazenda do imposto de importação, visto como já pagou dito imposto de outra ocasião, tudo isto antes de vossa nomeação como Ajudante do Procurador de Feitos.
Ao terceiro dito, que na qualidade de escrivão do júri desta comarca, julgo que tendes desempenhado bem o honroso cargo para o qual acertadamente fostes nomeado e que bem tendes cumprido com vosso dever.
Ao quarto dito, que no exercício de vosso cargo como Promotor Público e como Ajudante do Procurador de Feitos, tendes sempre com grande critério e alta sabedoria sabido desenvolver-vos perfeitamente nestes cargos que ocupais, e estais acima de todas as calúnias.
Julgo ter-vos informado com a verdade, podendo vós fazer da presente o uso que convierdes.
É de vosso respeitador e criado.
Manoel Gonçalves de Siqueira
...
Vila de São Bento, 21 de junho de 1890.
Ilustre cidadão João Antônio da Silva Lemos,
Peço-vos que me respondais, a bem da verdade e sob a fé do vosso ofício, sobre os seguintes pontos:
1º Se sabeis aproximadamente o número de reses importadas para este Município por Joaquim de Almeida Valença.
2º Se aquele cidadão tinha ciência, antes de minha nomeação como Ajudante do Procurador de Feitos, de que era devedor à Gazenda do imposto de importação das referidas reses.
3º O que declarou aquele cidadão perante vós e o juiz municipal, por ocasião de dar uma justificação sobre o número de reses importadas.
4º O que vos consta, como escrivão do crime, sobre o desempenho que tenho dado ao cargo de promotor público desta comarca, , e sobre o cumprimento dos meus deveres como funcionário público.
Aguardo a vossa resposta pela qual serei sumamente grato, pedindo que me concedais fazer dela o uso que me convier.
Aceitai meus protestos de estima e consideração, por ser vosso atento, respeitador e criado, obrigado.
Felipe Augusto Carneiro Campelo
Resposta:
Vila de São Bento, 23 de junho de 1890.
Ilustre ciddão, Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo
Respondendo aos pontos de vossa carta, tenho a dizer-vos o seguinte:
Ao 1º ponto sei por ouvir dizer e ser público e notório neste município que Joaquim de Almeida Valença importou para este município, da Paraíba do Norte, o ano passado seiscentas e cinquenta e tantas reses.
Ao 2° que o referido Almeida, antes de vossa nomeação de Ajudante do Procurador dos Feitos, tinha ciência de que era devedor à Fazenda do imposto de importação das referidas reses, tanto porque, em 1878, pagou dito imposto de gados importados daquele Estado para este, como também por me dizer o ex-coletor Francisco de Holanda Valença, parente e vizinho do referido Almeida, que este tinha de recolher ao cofre municipal, a quantia de dois contos e tantos mil réis, e que ele coletor tinha uma boa porcentagem.
Ao 3º que na ocasião em que o referido Almeida justificava perante o Dr. João Manoel sobtre o número das reses importadas, declarou, por ter sido interpelado, que havia dito ter importado seiscentos e tantas reses era para fazer pirraça ao coletor.
Ao 4º, me consta que vós tendes desempenhado com aptidão o cargo de promotor público desta comarca e zeloso no cumprimento de vossos deveres como funcionário público.
É o que tinha a responder-vos em fé do meu cargo, podendo de minha resposta fazer-vos o uso que vos convier.
Vosso atento venerador e criado.
José Antônio da Silva Lemos
...
Vila de São Bento, 20 de junho de 1890.
Ilustre cidadão Dr. Henrique Homem de Siqueira Cavalcanti
Peço-vos que me respondais, a bem da verdade e sob a fé de cavalheiro, o que sabeis sobre o número de reses importadas em maio do ano próximo findo, pelo cidadão Joaquim de Almeida Valença, e o mais que a respeito vos constr.
Por sua resposta que peço-vos seja ao pé desta, muito grato me confesso e espero que me concedais fazer dela o uso que me convier.
Dispondo do vosso colega, amigo e criado obrigado.
Felipe Augusto Carneiro Campelo.
Resposta:
Vila de São Bento, 20 de junho de 1890.
Ilustre cidadão, Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo.
Em resposta à vossa carta, cumpre-me dizer-vos que em maio do ano passado Joaquim de Almeida Valença fez solta, neste município, de seiscentas e sessenta sete cabeças de gado vacum, destinadas à venda depois de refeitas em nossos campos, gado este trazido das vizinhas Províncias, hoje Estados onde foi tudo comprado.
Isto sei por me ter dito diversos cidadãos que na estrada encontraram o gado, dividido em diversos lotes para melhor facilidade de sua condução.
Disto sei por diversos parentes do cidadão Joaquim de Almeida Valença, que por sua vez mo confessou, particularizando que havia iludido o cobrador do imposto na Paraíba, fazendo-o receber somente a taxa correspondente a duzentas e cinquenta reses.
Creio ter respondido completamente a vossa carta, deixando de mencionar outras circunstâncias por julgar suficiente o que já vai dito.
Sendo estas linhas a expressão fiel da verdade, declarada sobre a cláusula por vós imposta, só me restar autorizar-vos a fazer delas o uso do vosso agrado.
Mais uma vez, protesto-vos minha estima e consideração.
Colega e amigo obrigado.
Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti.
...
Vila de São Bento, 21 de junho de 1890.
Ilustre cidadão Antônio Bento do Oliveira,
Peço-vos que me respondais ao pé desta, a bem da verdade e sob a fé de cavalheiro, sobre o seguinte:
Qual o número de reses importadas em maio do ano próximo findo por Joaquim de Almeida Valença, e se este cidadão ignorava, antes de minha nomeação como Ajudante do Procurador de Feitos, que era devedor à Fazenda do imposto relativo à importação das reses; finalmente se, como coletor que éreis naquele tempo, fizestes ver àquele cidadão que devia pagar o imposto?
Ficarei grato por vossa resposta, pedindo-vos que concedais fazer dela o uso que me convier.
Vosso atencioso, venerador e obrigado
Felipe Augusto Carneiro Campelo
Resposta:
Vila de São Bento, 23 de junho de 1890.
Ilustre cidadão Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo
Recebi a vossa carta a qual respondo:
Que é sabido por todos deste município que Joaquim de Almeida Valença, em maio do ano próximo passado, soltou neste município 650 reses importadas do Estado da Paraíba do Norte; que o mesmo Almeida não ignorava antes da vossa nomeação de Ajudante do Procurador dos Feitos que era devedor à Fazenda do imposto relativo à importação das referidas reses, porque, em 1878, importando o mesmo Almeida gado de solta daquele Estado para este município não me quis pagar, no caráter de coletor, dito imposto, pagando na coletoria de Pesqueira em número inferior do da solta, razão pela qual lhe propus uma ação, e não lhe fiz ver que devia pagar o imposto de que se trata porque ele não ignorava, e ter naquele tempo subido o Partido Liberal, razão pela qual fui demitido, não havendo tempo de proceder à cobrança.
É o que tenho a responder-vos, podendo de minha resposta fazer o uso que vos convier.
Vosso atento, venerador e criado.
Antônio Bento de Oliveira
...
Vila de São Bento, 21 de junho de 1890.
Cidadão João de Oliveira Cintra
Peço-vos que me respondais, ao pé desta, a bem da verdade e sob a fé de cavalheiro, sobre o seguinte:
O que sabeis em relação ao número de reses importadas em maio do ano próximo findo por Joaquim de Almeida Valença e se este cidadão tinha ou não ciência de que era devedor à Fazendo do respectivo imposto.
O que vos consta, como delegado de polícia 1º suplente, sobre o desempenho que tenho dado ao cargo de promotor público desta comarca.
Se tenho deixado me influenciar por terceiros, no exercício dos meus atos, como funcionário público.
Grato pela vossa resposta, espero que me concedais fazer dela o uso que me convier.
Vosso atento criado.
Felipe Augusto Carneiro Campelo
Resposta:
Vila de São Bento, 12 de junho de 1890.
Ilustre cidadão Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo
Em resposta à vossa carta, cumpre-me dizer-vos quanto ao primeiro ponto que sei ter Joaquim de Almeida Valença importado em maio do ano próximo findo seiscentas e sessenta e sete (667) reses das viisinhas Províncias hoje Estados, e isto por ser público e notório, por ter como criador, que era apreciado o volume e dito gado em nossas pastagens e por mo haver dito, também, Antõnio Camilo que em companhia do mesmo Joaquim de Almeida conduziu as ditas rezes para este município; sendo que também tenho certeza de que o referido cidadão Almeida tanto se reconhece a devedor à Fazenda que ameaça o coletor de então com, ir pagar o imposto na coletoria de Pesqueira, como fizera de outra vez, só calando esta ameaça ao ser demitido aquele coletor.
Quanto ao segundo, só tenho louvores a tecer-vos por vossa atividade, zelo e dedicação ao serviço público.
Quanto ao terceiro e último ponto, que o vosso caráter e nobre altivez são absolutamente são incompatíveis com a mais leve influição por parte do terceiro no desempenho de vossas funções públicas.
Eis, sob palavra de honra, o que tenho a responder-vos, para fazerdes de minha resposta o uso que quiserdes.
Saúde e Fraternidade.
Vosso patrício amigo.
João de Oliveira Cintra
(A Província de 02.07.1890). Ed. 148.

1890 – No segundo recenseamento geral do Brasil, a população da vila e município de São Bento era de 7.880 habitantes. Esse decréscimo, em relação ao censo de 1872, deve ter ocorrido em razão da terrível seca de 1877, 1878 e 1879 e também da constituição do município de Panelas que incorporou à sua base territorial os distritos de Quipapá e S. Benedito e os povoados de Jurema e Pau Ferro.

1890 - Municípios. Vila de São Bento. Escrevem-nos em 15 do corrente: Convém dar publicidade do que mais importa a esta localidade, desfavorecida dos recursos necessários para socorrer-se a tantas vítimas que ainda se acham de braços com o flagelo da fome, consequente da longa seca que acabamos de atravessar, a qual apenas interrompida por limitadas chuvas, não nos deixará com certeza uma lembrança de vermos tantos de nossos irmãos saciados de suas penosas necessidades, porque a nossa agricultura, além de extraordinariamente diminuída, a falta de sementes nos tempos de plantação, foi perseguida por muito sol, e grande quantidade de lagartas, quando a sua vegetação mais necessitava de desenvolvimento.
A minguada parte que chegou a ponto de lucrar-se, está sendo devorada pelos ladrões, de uma maneira inqualificável, é o que dizem todos os plantadores.
Esse mal estende-se ainda sobre a criação, restante também da seca em suas diversas espécies, agora mesmo estando a escrever estas linhas fomos interrompidos por uma pequena agitação nos habitantes desta vila, porque entravam em procura do delegado diversos cidadãos, que vinham em diligência atrás de um ladrão que, audaciosamente, fora esta noite ao sítio Capoeiras, e do chiqueiro do fazendeiro Antônio Ferreira de Morais,tirara uma bonita cabra; fez a condução deste animal até sua casa, com diversos sócio se empregou todos os meios para que não fosse descoberto;porém Antônio de Morais,homem feito ao campo, conhecedor do seu ofício, tomando-lhe o rastro não o perdeu mais, e foi com toda certeza encontrar às 11 e 1/2 horas da manhã o seu animal já morto e esbandalhado na casa do verdadeiro ladrão, o que justificou plenamente com o sinal existente do respectivo couro, trazendo para esta vila a carne e o dito couro, não tendo sido encontrado na casa do ladrão que morando a poucas braças da vila disse à mulher que havia saído para trabalhar fora da vila; é horrorosa a situação dos cidadãos que ainda vão dispondo de algum recurso nesta terra, e não sabemos onde se irá parar com semelhante cataclisma.
O nosso inverso já se considera quase terminado, tanto porque o tempo de seu curso vai-nos deixando, como porque a raridade no aparecimento das chuvas nos vai disso dando certeza.
Não obstante todos estes inconveninetes por demais poderosos para um completo desânimo popular, chegamos ontem à data gloriosa da Revolução Francesa, o que não passou despercebido nesta vila,porque o cidadão Francisco Alves dos Santos,presidente da Intendência Municipal, compenetrando-se como sempre do cumprimento de seus deveres, ao amanhecer daquele dia, mandou não só preparar o pátio do paço municipal como toda a rua onde se acha edificado aquele prédio e, em seguida, de acordo com as possibilidades da terra em que habitamos,providenciou uma artística iluminação no mesmo prédio, embandeirando-o internamente.
Foi colocado acima da cadeira presidencial naquele dia, para brilhantismo do nosso festim,um quadro do primeiro ministério republicano do Brasil, cuja estampa ofereceu o Dr. Manoel Cabral de Melo,digno juiz de direito desta comarca.
Às 7 horas da noite, a Banda Musical são-bentense saiu em passeatapelas principais ruas, e visitou o paço municipal onde executou lindas e variadas peças do seu repertório.
Foi ainda o mesmo paço visitado pelo Dr.juiz de direito, Dr.promotor,professor público, e outros diversos cidadãos da nossa melhor sociedade, entre eles outros dignos cidadãos da capital deste Estado aqui residentes, e de diversas comarcas nossas vizinhas que por acaso se achavam nesta vila.
Contudo notava-se que não havia todo o calor que justamente exigia uma data tão gloriosa, quanto é o dia 14 de Julho, entre povos cuja civilização o faz compreender este iresistível dever.
Em vista do que, usando da sua eloquente palavra,o juiz de direito fez demonstrar a razão daquela tão justa reunião,mostrando igualmente quanto era louvável o procedimento dos cidadãos, que se não negavam em bem procurar a elevação de nossa Pátria, deixando de lado todos os ódios mal entendidos; por conseguinte bem dizia atodos que assim pensavam, e especialmente aos que ali se dignaram comparecer. Concluindo pediu que em outras ocasiões daquela natureza,todos se coligassem para solenizá-las,uma vez que só assim poderíamos ter o progresso que almejamos e a nossa civilização, o meritoso desenvolvimento de que tanto precisa.
Em seguida usou também da palavra o Dr. Felipe Augusto Carneiro Campelo,digno promotor público desta comarca, o qual sobreos mesmos princípios, arrimando em sólidas bases um importante discurso, mostrou quanto era louvável o procedimento dos habitantes de São Bento naquela ocoasião ali reunidos, satisfazendo inteiramente, como seu antecessor de tribuna, a geral espectativa.
Usou igualmente da palavra o cidadão Francisco Alves dos Santos, presidente da Intendência, e disse que sentia não ter as precisas habilitações para desempenhar a missão que lhe competia naquela ocasião, em vista do cargo de que se acha revestido; mas que se achava cheio de completo júbilo porque tinham satisfeito e preenchido esta lacuna os seus predecessores, se bem que de lado estava ao seu alcance ver que sendo o dia 14 de Julho, um dia de comemoração quase universal para os povos cultos, via que o paço municipal, naquele momento, não envolvia muitos outros cidadãos, que o dever lhes impunha a sua presença, o que demonstra não haver legítimo interesse da parte desses para o engrandecimento de nossa localidade e nem do país.
Entretanto, este motivo não lhe roubava o seu júbilo,porque via que almas cândidas, espíritos desapaixonados e cabeças pensantes, que se não deixam levar pelas pequenas tricas de aldeia estavam presentes; por conseguinte era aquela a sociedade de que se ressentiam todas as localidades e devia ser o exemplo a seguir-se em São Bento, em todas as ocasiões que fosse mister representar-se a nossa localidade.
Todos estes cidadãos ao concluirem os seus discursos ergueram diversos brindes à República Francesa, aos Estados Unidos do Brasil, ao chefe do Governo Provisório, ao governador do Estado e ao ilustre cidadão Dr. Martins Júnior.
Dissolvida a reunião às 10 horas da noite, saíu a nossa Banda Marcial em passeata ainda pelas ruas, dando-se diversos vivas até que às 11 horas da noite dissolveu-se na melhor ordem possível.
À última hora, estando a concluir a presente missiva, sou informado que entrou na cadeia desta vila o ladrão que foi essa noite à casa do nosso fazendeiro Antônio de Morais roubar-lhe suas criações e que não fora encontrado em casa, como disse no começo desta. Morais não descansou indo incontinenti ao lugar onde disse a mulher que estava o seu marido a título de trabalhar. Ele,porém, ausentou-se para não lhe ser atribuído o furto que praticara.
Se tivéssemos muitos Antônio de Morais, talvez o furto não fosse tão escandaloso neste município,já que os recursos policiais não nos satisfazem como devem.
(Jornal do Recife de 20.07.1890).

1890 - Edital. Secretaria do Governo do Estado de Pernambuco em 18 de agosto. De ordem do desembargador Barão de Lucena, governador do Estado, faço público o edital pondo em concurso o provimento dos ofícios de contador e partidor do termo de Canhotinho.
O edital é assinado pelo Dr. José Maurício Borges, juiz municipal e de órfãos dos termos reunidos de São Bento e Canhotinho. O lugar de contador e partidor do termo de Canhotinho foi criado por ato do governador do Estado datado de 16 de julho. Dado e passado nesta vila de São Bento em 24 de julho de 1890. O escrivão, José Antônio da Silva Lemos.
(Jornal do Recife de 19.08.1890).

1890 – Requerimento da Intendência Municipal de S. Bento e de diversos munícipes, datado de 15 de agosto, dirigido ao Barão de Lucena, governador do Estado de Pernambuco, tendo em vista que o Governo da República mandou proceder a estudos de prolongamento da estrada de ferro de Caruaru a Pesqueira, reivindicando que no traçado do referido prolongamento fosse incluída a vila de S. Bento, em razão de não encontrar obstáculos a transpor. Aduz, também, que a vila de S. Bento, "pela salubridade do ar que lhe concedeu a natureza, é um ponto de apoio para todos os cidadãos adoecidos dessa Capital e de muitos outros pontos a conselho dosmédicos", em resultando daí o restabelecimento de um grande número de pessoas que para aqui se refugiam. E finda acrescentando que "desta vila para a cidade de Pesqueira nenhum obstáculo se encontrará porque o terreno é ótimo para o fim desejado". O requerimento seguiu assinado por Francisco Alves dos Santos (presidente do Conselho da Intendência), Joaquim Ferreira de Souza (intendente), Joaquim Soares da Rocha (intendente), Pedro Pacífico Pulez (secretário da Intendência) e os cidadãos: Vicente Rodrigues de Paula, Manoel Domingos dos Santos, Manoel do Carmo Almeida, Augusto José Quirino Correia de Oliveira, Manoel Alves Enes, João Avelino dos Santos, Antônio Ferreira de Morais Filho, Antônio Correia de Brito, Manoel Alves dos Santos, Antônio de Almeida Calado, Manoel Moreira de Melo, José Pinheiro de Andrade, Felipe Manso de Santiago, José Soares do Amaral Júnior, José Joaquim de Farias, Lúcio José Correia, Antônio Severino do Amaral, Francisco Severino do Amaral, José Rodrigues Jacobina, José Muniz de Melo, Joaquim Francisco Xavier, Francisco Alves Maciel, Ricardo Francisco Teixeira de Paula, Joaquim José de Matos, João Barbosa dos Santos, Bruno José Correia, Odilon Claudino de Almeida, José Correia de Melo, Miguel Arcanjo da Fonseca Valença, José Marcelino Rocha, João Ferreira de Bento, José Ferreira de Morais, Tomás Antônio de Andrade, João Ladislau Correia Rego, José da Silva Burgos, José de Paula Vilela Caju, José Vitalino de Souza, Francisco Alves da Costa, Manoel Lauriano de Souza, Agostinho Rodrigues de Vasconcelos, Joaquim Vitalino de Melo, Herculano Barbosa Monteiro, João Barbosa Monteiro, Francisco Gomes de Melo, Luiz Salustiano de dos Santos, João Florentino de Oliveira, Honório Bento da Silva Valença, José Hemetério do Nascimento, Liberato Augusto de Siqueira, Porfírio José dos Santos, Zacarias José de Oliveira, Manoel de Medeiros Tavares e José Guilherme de Azevedo. Fizemos questão de, em homenagem a esses são-bentenses sonhadores, transcrevemos todos os nomes que assinaram o requerimento pedindo que, no prolongamento da estrada de ferro de Caruaru a Pesqueira, os trilhos passassem por S. Bento, fato que ensejaria um maior progresso para o nosso município que já era grande produtor agrícola e dono de considerável produção leiteira.

1890 – O Club Republicano da Comarca de S. Bento, por sua comissão executiva, resolveu sufragar e oferecer aos sufrágios do eleitorado deste Estado a seguinte chapa para o pleito de 15 de setembro próximo: Para senadores - Dr. Ambrósio Machado da Cunha Cavalcanti,
Conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira e Manoel do Nascimento Machado Portela. Para deputados: Dr. José Isidoro Martins Júnior, Conselheiro Joaquim Correia de Araújo, Dr. João de Siqueira Cavalcanti, Dr. José Bernardo Galvão Alcoforado, Dr. Antônio de Souza Pinto, Luiz de Andrade, Belarmino Carneiro, Dr. Joaquim José de Almeida Pernambuco, Dr. Aníbal Falcão, Dr. Albino Gonçalves Meira de Vasconcelos, Dr. Francisco de Assis Rosa e Silva,
Conselheiro Antônio Gonçalves Ferreira, Dr. Raimundo Bandeira, Dr. Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo, Dr. Antônio Alves Pereira de Lira, Dr. João Barbalho Uchoa Cavalcanti e Dr. Francisco do Rego Barros de Lacerda. Neste momento de reconstrução da Pátria, que precisa de todo vigor dos seus filhos para desbravar o caminho que a tem de levarão porvir, a Comissão Executiva, com a face voltada apenas para o Oriente sem prendimentos pessoais consultou apenas o vigor dos seus candidatos, um só dos quais não se gastou nas estéreis lutas do pretérito nem na malícia da corte. Aceitando muitos nomes da chapa dita oficial, a Comissão não podia ir ao fanatismo de abdicar o direito de escolher, numa quadra em que qualquer exemplo de servilismo pode ser fatal para o futuro da República. Sustentando com entusiasmo a chapa de membros ao Congresso Constituinte que apresenta, a Comissão espera que os pernambucanos votem nela sem perder um só nome para que seja completa a vitória. Viva a República! Vila de S. Bento, 29 de agosto de 1890. Rodolfo Monteiro de Paiva, Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, José Soares do Amaral Júnior, João de Oliveira Cintra, Coriolano de Paiva e Melo.
(A Época e Jornal do Recife ambos de 04.09.1890).

1890 - Pelo Decreto Estadual n° 21, de 02 de outubro, a povoação de Canhotinho é elevada à categoria de vila e município, sendo desmembrada da vila e município de São Bento.

1890 - Por ato de 7 de outubro, o governador, desembargador Barão de Lucena, nomeou, para coletor de São Bento, Antônio Possidônio dos Santos em substituição de Francisco Alves dos Santos que optou pelo cargo de presidente da Intendência Municipal de São Bento.
(DP de 06.01.1891).

1890 - Governo do Estado. Despachos governo do Estado de 6 de outubro de 1890.
- Foi nomeado o bacharel José de Castro Sá Barreto juiz de direito da comarca de São Bento, ficando sem efeito a anterior nomeação para a de Ingá, na Paraíba.
- Foi removido, a pedido, o juiz de direito Manoel Cabral de Melo da comarca de 1ª instância de São Bento, no Estado de Pernambuco, para a de Ingá,de igual instância no Estado da Paraíba.
(Jornal do Recife de 08.10.1890).

1890 - Publicações a Pedido. São Bento. Continua o prejuízo nos gados devido à grande seca e não terem os criaadores recursos para subsistência.
A Intendência daqui vai perfeitamente mal.
O presidente, "Chico Bordado", seguiu para essa Capital em procura de um lugar de comissário, não obstante já ter mandado adiante um abaixo-assinados a fim de ser demitido o atual para ele ser nomeado!
Faziam parte das assinaturas diversos filhos-famílias.
Que é da força deste "chefe que tanto se arroga"?
Um chefe político como "Chico Bordado" limpa-se mão à parede.
A este propósito perguntamos se é possível mandar 200 mil réis ao presidente da Intendência, Francisco Alves,para serem distribuídos pelos pobres, para a compra de sementes, e nesta vila não houve um só mendigo que recebesse um só caroço de milho ou feijão, fornecido pelo presidente, sendo verdade que veio o dinheiro pelo correio, não os 200 mil réis mas os 150 mil réis, destinados à Intendência, e como não estando o presidente, recebeu aquela quantia o seu primo Antônio Possidônio, dizendo que parte da mesma quantia lhe pertencia!!!
Em vista do exposto, será possível que deixe de tomar conhecimento de semelhante fato?
Os cofres públicos estão tão repletos que sejam esbanjados os dinheiros na barriga dos Bordados e outros de igual jaez?!
Este termo acha-se fora da lei.
O subdelegado suplente em exercício, Isidro de Barros, acaba de proceder uma diligência no sítio Poço Doce, deste termo, distante desta vila 13 quilômetros a pretexto de furto de bode, aconselhado pelo presidente da Intendência, sendo que a força era capitaneada pelo famigerado cabo de polícia, Manoel Felipe, dirigiram-se para aquele lugar, derrubaram portas, espancaram os cidadãos, amarraram em número de 9, conduzindo consigo rendas etc e botaram toda essa gente na cadeia.
No dia seguinte, prenderam mais outros cidadãos como França, João Três por Dois, etc, estes porque não votaram com o presidente da Intendência.
Ainda não é tudo.
Eram 11 horas da manhã, o presidente ordenou ao subdelegado que mandasse todos aqueles cidadãos limparem a rua, carregando pedras, etc, até 4 horas da tarde.
As reclamações que apareciam perante o subdelegado sobre os objetos carregados, respondia não o subdelegado,porque era mudo, mas o presidente da Intendência, que quem furtava de um ladrão tinha cem anos de perdão.
Quais os crimes que cometeram esses cidadãos?
A República não admite isto.
Portanto, esperamos que o ilustre governador deste Estado e o Dr. chefe de polícia providenciem a respeito, a fim de que não se reproduza uma cena semelhante, a que os habitantes desta vila não vejam mais quadro igual.
O governo da República não deve exagerar a ponto de fazer saudades da monarquia.
Isto sucederá, sempre que tenhamos autoridades do quilate de "Chico Bordado" e queijandas.
Aguardemos os fatos e esperemos...
"O Vigilante".
(DP de 19.11.1890).

1890-Publicações a Pedido.
Sr. Redator do Diário.
Com a epígrafe acima, e sob o pseudônimo "O Vigilante",li no vosso conceituado jornal de 19 do corrente mês,um imbroglio, no qual o seu mascarado autor só prima pelo desaforo e pela mentira.
É assim que esse ignorantaço missivista, habituado à mentira e à calúnia na ausência de um defeito a profligar de meu primo, Francisco Alves dos Santos, o apelido tolamente de - "Chico Bordado", como se esta denominação pudesse depor contra o seu caráter e dignidade.
Mas não satisfeito com esse gravíssimo apelido, o bobo missivista atira-se, como sempre costuma, na calúnia, e de sua cabeça "escaldada" inventa uma história de 200 mil réis, que diz ter eu recebido do agente do correio, declarando eu ao mesmo tempo pertencer-me parte dessa quantia!
Sou bem conhecido nesta terra para não precisar defender-me de acusações dessa ordem, todavia para que o público, estranho ao procedimento correto do meu primo Francisco Alves, não sequer de leve em suspeitas de nossa conduta, venho do alto da imprensa proclamar solenemente a mentira de "O Vigilante".
Em tempo algum eu recebi do agente do correio a quantia de que fala o mentiroso missivista "declarando que parte dela me pertencia".
Lembro-me apenas que pelo mês de setembro do fluente ano tirei do correio 150 mil réis que eram remetidos ao meu primo Francisco Alves, sem saber eu qual o destino desse dinheiro e pontualmente lhes o entreguei.
Não responderei mais nada a "O Vigilante" porque ao levantar-lhe a máscara ficará o público sensato envergonhado de o ter lido, talé sua cataduram moral.
São Bento, 26 de novembro de 1890.
Antônio Possidônio de Oliveira Santos.
(Estava selada e reconhecida a firma).
(DP de 30.11.1890).

1890 - Em 3 de dezembro, toma posse como segundo juiz de direito da comarca de São Bento, o bacharel José de Castro Sá Barreto.

1890 - Publicações a Pedido. São Bento.
No dia 2 do corrente, teve lugar a sessão do júri deste termo, presidida pelo Dr. juiz municipal, Dr. Miguel dos Anjos. Entrou em julgamento o menor João de Tal, surdo-mudo, pronunciado no artigo 193 por ter assassinado no ano próximo passado (1889), no sítio "Cipriano" deste termo, e distante desta vila 12 quilômetros, uma criança de 7 anos, pouco mais ou menos, sendo nomeado curador do dito menor para defesa, o Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti.
Foi unanimente absolvido.
Neste mesmo dia, fol encerrada a sessão,por ser o único réu que se achava presente, para ser submetido a julgamento.
No dia 5 do corrente, chegou a esta vila, vindo de viagem da capital destem, Estado, o presidente da Intendência desta vila, Francisco Alves dos Santos.
A chegada deste cidadão não aumentou nada, porquanto, tendo ido àquela capital a fim de obter a nomeação de um seu irmão para subcomissário da Guarda Local desta vila, foi impossível conseguir tal nomeação!!!
Não obstante o referido presidente não ter podido obter aquela nomeação para seu irmão, contudo continua a fazer promessas aos habitantes deste município que daqui para o fim do corrente mês, temos um ramal de estrada de ferro, de Paquinim, passando nesta vila, indo fazer ponto em Pesqueira; o que duvidamos, mas, em vista da grande influência deque dispõe o nosso presidente, pode ser que os são-bentenses tenham este prazer.
Tendo sido publicado um artigo no "Diário" de 19 de novembro próximo passado, no qual levava ao conhecimento do ilustre governador deste Estado, (e com o título de "Vigilante") que o presidente da Intendência deste município, Francisco Alves dos Santos, não havia distribuido ou comprado os cereais, com os 200 mil réis que haviam sido entregues a ele para ser distribuído entre os pobres, apareceu no Diário" de 21 também de novembro, com o título de "Um Amigo", dizendo que cumpria ao correspondenteprovar sua aleivosa acusação, sob pena de sertido como falsário, que entretanto suspendesse o respeitável público o seu juízo a respeito, até que fosse ele, em breve, cabalmente desmentido!
"O Vigilante", por sua vez, esperou que fosse desmentida a sua denúncia perante o ilustre governador do Estado, contra o presidente desta Intendência.
Eis quando não esperava apareceu no "Diário" de 30 daquele mês um aranzel com o título de artigo, assinado por Antônio Possidônio, primo do dito presidente.
Dizia o missivista que era bem conhecido nesta terra,para não precisar de acusação daquela ordem.
Diz o Sr. Possidônio que em tempo algum recebeu do agente do correio, desta vila, a quantia de que falava o mentiroso missivista (na frase do Sr. Possidônio) de declarar que parte daquela quantia lhe pertencia.
Depois diz mais abaixo do seu artigo, "lembrava-se apenas" que pelo mês de setembro do fluente ano tirou do correio 150 mil reís que era remetido ao seu primo Francisco Alves; "e sem saber qual o destino daquele dinheiro"; e que o havia entregado ao seu primo, Francisco Alves.
Vejamos em que ficamos; porquanto diz o Sr. Possidônio, 1º que não recebeu o dinheiro, e que era calúnia do "Vigilante", e mais abaixo declara que recebeu.
Portanto, daí se deduz duas hipóteses: ou o Sr. Possidônio não tem conhecimento do que diz, e que portanto o "Vigilante" o perdoa ou está de má fé.
Mas quer saber o Sr. Possidônio que é verdade o que o "Vigilante" disse que os 200 mil réis não foram aplicados em benefício dos mendigos conforme a ordem do ilustre governador? (E ninguém sabe melhor do que o Sr. Possidônio).
Desde já, diz o "Vigilante", que se o senhor ou alguém voltar à imprensa, defendendo o Sr. Francisco Alves da acusação justa que lhe foi imputada, o "Vigilante" volta a provar (com documentos) a sua séria acusação.
Não estamos em terra de beócio e nem o Governo da República deve servir de arranjo para qualquer "Chico Alves".
Até breve.
"O Vigilante".
(DP de 20.12.1890).

1890 - Governo do Estado.
Atos do desembargador governador do Estado removendo a pedido o juiz municipal e de órfãos, bacharel José Maurício Borges, do termo de São Bento para o de Bom Conselho e removendo o juiz municipal e de órfãos do termo de Bom Conselho para o de São Bento.
Expediente do Secretário de Governo do dia 17 de novembro. Ao juiz de direito interino da comarca de São Bento: informar a data em que o cidadão João de Oliveira Cintra assumiu o exercício interino do cargo de promotor público dessa comarca.
(DP de 25.11.1890).

1890 – Governo do Estado. Expediente de 21.12.1890: ofício ao chefe de Polícia. “Fica à vossa disposição o major Pedro Velho de Sá Barreto a fim de que façais seguir, sem perda de tempo, para a vila de S. Bento, no intuito de restabelecer a ordem pública, que se acha ali alterada, devendo, de passagem por Palmares e Canhotinho, requisitar dos respectivos comissários a força que julgar precisa e proceder de acordo com o delegado do termo de S. Bento a todas as
diligências legais para o descobrimento dos autores da perturbação da ordem”. (DP de 31.12.1890).

1891 - Publicações a Pedido. Correspondência de São Bento.
No dia 3 de dezembro, tomou posse de juiz de direito da comarca desta comarca o Dr. José de Castro Sá Barreto.
Está sendo organizada a Guarda Local desta vila pelo delegado, 1° suplente em exercício, Leandro Gonçalves de Souza, e consta por ordem do ulustre governador; e tanta é assim que o mesmo delegado assina os "prets", fazendo as vezes do comissário, para poder ser apresentado ao coletor interino deste município, Coriolano de Paiva e Melo, para este fazer os pagamentos das referidas praças, como já tem feito por duas vezes aquele referido coletor.
É mesmo impossível a Coletoria deste município satisfazer o pagamento da força local quando não há rendimento suficiente para tal.
Verifica-se que dos paisanos que foram alistados na Guarda Local deste município existem cidadãos que não estão nas condições de serem alistados, a não ser o patronato dos mandões desdtainfeliz terra.
O presidente da Intendência, Francisco Alves dos Santos, por sua vez, se encarregou de fazer as petições dos referidos guardas locais, e presumimos que aquele cidadão não só estava prestando aquele serviço ao município, mas também à República, de quem ele é "muito amante".
Depois de feito o srviço, e entregues aqueles documento ao Dr. juiz municipal, (pelo mesmo presidente da Intendência), para aquele doutor dar o seu despacho, de incluir, ou mandar incluir ou excluir, o referido presidente exigiu daquelas praças, de cada uma, a quantia de cinco mil réis, sendo três mil réis pelo trabalho de fazer as petições e dois mil réis, dele presidente, tomar o juramento das referidas praças!
Não se conformando as praças com a exigência que fazia aquele presidente, hesitaram em não pagar.
Já não falamos que o Sr. Francisco Alves, presidente, quisesse receber das praças o trabalho que teve das petições; mas o juramento?
Qual a lei que autorizou os presidente de Intendências tomarem juramento de soldados? Parece que o nosso Regulamento não autoriza. Admitamos mesmo que o dito Regulamento autorizasse os presidentes de Intendência tomar juramento de soldados; mas qual o Regimento de custas que lhe dá poderes para tal?
Salvo se existe uma lei que abriu uma exceção para o presidente da Intendência deste município, Francisco Alves dos Santos.
Sr. Alves dos Santos, quem quer se banhar nas águas da República não faz assim. Parece ser mais certo que sua senhoria querer pescar nas águas turvas. Pode ser que sim e pode ser que não.
Não éassim, Sr. Alves dos Santos?
"O Imparcial".
(DP de 01.01.1891).

1891 - Telegramas. Serviço Particular do "Diário".
Rio de Janeiro, 3 de fevereiro, às 9 horas e 45 minutos da manhã.
- Foi nomeado juiz de direito da comarca de São Bento, em Pernambuco, Dr. Antônio de Melo Peixoto.
- Foi removido o Dr. José de Castro Sá Barreto da comarca de São Bento para a de Cimbres, ambas em Pernambuco.
(DP de 04.02.1891).

1891 - Carta de Canhotinho do juiz interino da Comarca, Dr. Miguel dos Anjos Barros, substituindo o efetivo, Dr. José de Castro Sá Barreto, em licença, sobre a nomeação do ex-italiano, Pedro Pacifico Pulez, para prefeito interino de Canhotinho sendo ele secretário da intendência de S. Bento.
(DP 22.02.1891).

1891 - Correspondência. São Bento, 23 de março de 1891.
Esta vila como todas as mais do interior deste Estado são fornecidas d'água quer potável, quer para animais, por meio de açudes; nós os tínhamos bem sofríveis e compatíveis com as necessidades de nossa população, quer para uma coisa, quer para outra.
Quanto ao d'água potável, acham-se tão arruinadas as cercas que o guardam dos animais que, anão ser o espantoso decrescimento da criação pelas repetidas secas, e os cuidados de um cidadão que mora ao pé dele, talvez já não tivéssemos água para mitigar a sede, necessitando de um bom conserto devido à minação que filtra por baixo da respectiva parede,o que muito concorre parao desaparecimento rápido das águas ali depositadas quando há inverno.
Quanto ao de serventia pública para a criação, banho e lavagem de roupa, estamos vendo a cada momento desaparecer, e ficamos expostos à maior das calamidades! porque as cheias passadas deixaram-no em estado que, qualquer pequena enchente pela qual esperamos todos os dias com o aparecimento do inverno futuro,irá embora toda água ali depositada.
Era justo e mais do que justo que o excelentíssimo cidadão governador providenciasse no sentido de não só salvar esta população, mandando consertá-lo como salvar os oito ou nove contos de réis que ali foram despendidos com tão justo fim.
A nossa municipalidade se tivesse recursos, temos certeza, os seus dignos membros cogitariam fazê-lo, porém coitada, está completamente depauperada de recursos.
Depois de longo tempo, afinal chegaram-nos o promotor público, Dr.Henrique Martins, e depois o juiz de direito, Dr. Antônio Batista de Melo Peixoto, ficando, assim, composta a trindade jurídica desta comarca; não nos enganamos em pensar que teríamos de então para cá melhores garantias nesta comarca, tanto mais quanto já havia entre nós o tenente Walfrido Carneiro da Cunha Miranda, como comissário e delegado deste termo,cujos sentimentos satisfazia a expectativa da sociedade ordeira deste termo no cumprimento dos seus deveres, tratando a todos com exemplar acatamento, e repelindo com energia,ao mesmo tempo, suplime àqueles que o procuram afrontar ou agitar a ordem pública.
Nestas condições, foi aberta a 1ª sessão de júri deste ano no dia 16 do corente mês, pelo ilustre Dr. Peixoto; foram submetidos a julgamento quatro réus nas seguintes condições: havendo casa no dia 17, ocupando a cadeira da promotoria pública o Dr. Henrique Martins e da defesa o cidadão João de Oliveira Cintra, foi condenado Vicente Ferreira de Paula no médio da pena estabelecida pelo art. 303 do novo código criminal; no dia seguinte(18) foi absolvido o menor de 14 anos, Salvino Simões de Morais que se achavapronunciado no art. 201 do velho código criminal; ocupou a cadeira da defesa o cidadão Francisco Alves dos Santos, presidente da Intendência Municipal e da promotoria o mesmo Dr. Martins; no dia 19 foi também absolvido o réu Pedro Lopes da Silva,pronunciado no art. 132 do novo código criminal, ocupou adefesa o Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti; no dia 20 finalmente foi absolvido o réu José Simões de Macedo que também se achava incurso por pronúncia no art.201 do velho código criminal; foi ainda ocupada a cadeira da defesa pelo presidente da Intendência, Alves dos Santos.
Daqui seguiu dia 19 para a Capital o tenente Walfrido Carneiro da Cunha Miranda.
Até outra vez.
(DP de 07.04.1891).

1891 – Pelo Decreto nº 239, de 02 de maio, é criado um comando superior de Guardas Nacionais na comarca de S. Bento, no Estado de Pernambuco, composto de três batalhões de infantaria do serviço ativo com quatro companhias cada um e as designações de 93º, 94º e 95º e dois batalhões do serviço de reserva, também com quatro companhias cada um e as designações de 58º e 59º. Os referidos corpos serão organizados nas freguesias de que se compõe a mesma comarca. Manoel Deodoro da Fonseca, presidente da República. Barão de Lucena, ministro da Justiça.

1891 - Em 17 de junho é solenemente promulgada a Constituição política do Estado de Pernambuco.

1891 - Em 21 de agosto é nomeada nova intendência composta por: Antônio Claudino Ferreira da Costa (presidente), Manoel Raimundo Ferreira da Silva e Alexandre Pereira da Costa.

1891 - É publicada a chapa combinada para a eleição do município de S. Bento: prefeito, capitão Joaquim Soares da Rocha e subprefeito, Francisco Alves dos Santos. Conselho Municipal: Manoel de Medeiros Tavares, Manoel Raimundo Ferreira da Silva, Leandro Gonçalves de Souza, Felipe Manso de Santiago e João de Oliveira Cintra (DP de 26.09.1891).

1891 - Em 30 de setembro são realizadas eleições municipais em todas as vilas e cidades de Pernambuco. Na vila de São Bento são eleitos: Luiz Paulino, prefeito e Joaquim Soares da Rocha, subprefeito. Conselho Municipal: Manoel Raimundo Ferreira da Silva, Gregório Simões de Macedo, Vicente Rodrigues de Paula, Antônio de Almeida Calado e Joaquim de Almeida Valença. Devido aos acontecimentos que culminou com a renúncia do marechal Manoel Deodoro da Fonseca em 23 de novembro de 1891, de modo que os eleitos não foram empossados.

1891 – Em 03 de novembro, aborrecido com a tenaz oposição no Congresso ao Ministério, devido à falta de experiência na administração democrática do país, o presidente Deodoro dissolve o Senado e a Câmara dos Deputados, gerando grave crise política de vez que a Constituição recém-promulgada não lhe dava esse poder.

1891 - Governo do Estado de Pernambuco. Expediente de 19 de outubro de 1891. O desembargador governador do Estado, José Antônio Correia da Silva, tendo em vista proposta do inspetor geral da instrução pública, resolveu nomear Joaquim de Almeida Valença para exercer o cargo de delegado do distrito literário de São Bento em substituição do atual que fica exonerado.
(DP de 10.11.1891).

1891 - Em 23 de novembro, o presidente Deodoro da Fonseca, aconselhado, renuncia, alegando "o desejo de não deixar atear a guerra civil em minha cara pátria". Neste mesmo dia, o vice-presidente Floriano Peixoto assume a presidência da República, dando prosseguimento ao que se convencionou chamar de "República da Espada".

1891 – Exames Primários. No dia 1º de dezembro, na Escola do Sexo Masculino da Vila de S. Bento, regida pelo professor Rutílio José de Oliveira e Silva, tiveram lugar os exames dos alunos da referida escola, sendo este o resultado: 3° grau - José Veloso de Azevedo e José Elísio de Medeiros Tavares, distinção; 2º grau – Joaquim Xavier da Silva e José Eugênio de Toledo Barros, muito adiantados e 1º grau – Joaquim Afonso da Silva, Manoel Joaquim de Santana e Salustiano Veríssimo de Souza Branco muito adiantados e João Bernardo das Chagas, Afonso Ramos dos Santos e Esperidião Vítor Xavier, adiantados. O ato foi presidido pelo delegado
literário, servindo de examinadores o cidadão João de Oliveira Cintra e o professor da cadeira.
(DP de 13.12.1891).

1891 - Em 18 de dezembro após intenso tiroteio entre as forças estaduais e federais que resultou mortes de lado a lado, além de populares, o governador Barão de Contendas foi deposto. Uma Junta Governativa liderada pelo general Joaquim Mendes Ourique Jaques, comandante do Distrito Militar assume o governo do Estado. Neste mesmo dia, a Junta Governativa dissolve o Congresso de Pernambuco, formado pelo Senado Estadual e pela Câmara dos Deputados.

1891 - Em 23 de dezembro, a Junta Governativa dissolve todos os Conselhos Municipais das vilas e cidades de Pernambuco.

1891 - Em 24 de dezembro, a Junta Governativa do Estado de Pernambuco cassa os mandatos dos prefeitos e subprefeitos das vilas e cidades de Pernambuco.

1891 - Em 26 de dezembro, a Junta Governativa do Estado de Pernambuco designa o dia 21 de fevereiro de 1892 para a eleição dos prefeitos, subprefeitos e conselheiros municipais.

1892 - Em 1º de janeiro, diante do vácuo de poder uma junta de governo foi aclamada: Felipe Manso de Santiago, presidente, Gregório Simões de Macedo e João de Oliveira Cintra, membros.

1892 - Por ato da Junta Governativa do Estado de Pernambuco, de 2 dejaneiro, o cidadão Francisco Alves dos Santos (ex-presidente da Intendência Municipal de São Bento) foi nomeado delegado do termo de Correntes,vila pertencente ao município de Garanhuns.
(DP de 06.01.1892).
Nota: Francisco Alves dos Santos, em 4 de agosto de 1892, foi nomeado pelo Governador do Estado, presidente do Conselho de Intendência de Correntes,sua terra natal.

1892 - Por ato de 16 de janeiro, a Junta Governativa do Estado de Pernambuco nomeou Rodolfo Monteiro de Paiva e Manoel Alves dos Santos para os cargos de membros da Intendência Municipal de S. Bento.
(DP de 25.02.1892).

1892 - Em 20 de janeiro a Junta Governativa demite todos os membros dos conselhos municipais das vilas e cidades de Pernambuco.

1892 - Governo do Estado de Pernambuco. A Junta Governativa do Estado resolveu nomear as seguinte autoridades policiais para o termo de São Bento: delegado,João de Oliveira Cintra; 1° suplente, Manoel de Medeiros Tavares; 2° suplente, José da Silva Burgos; 3° suplente, Félix de Barros Pinto; 1° suplente de subdelegado do 1º distrito, Manoel Alves dos Santos e 3° suplente do subdelegado do 1ºdistrito, Francisco da Cruz Vilela.
(DP de 26.01.1892).

1892 - Em 29 de janeiro, a Junta Governativa do Estado de Pernambuco resolveu nomear o major Francisco Alves Maciel para exercer, na qualidade de presidente, o cargo de membro da Intendência Municipal de S. Bento em substituição de Felipe Manso de Santiago que foi exonerado a pedido. (DP de 10.03.1892).

1892 - Em 10 de fevereiro é nomeada a seguinte intendência: Francisco Alves dos Santos (presidente), Rodolfo Monteiro de Paiva, João de Oliveira Cintra, Gregório Simões de Macedo, Joaquim Soares da Rocha e Manoel de Medeiros Tavares, membros.

1892 - Em 18 de fevereiro a Junta Governativa estabelece o dia 25 de março para a posse geral dos prefeitos, subprefeitos e conselheiros municipais.

1892 - Em 21 de fevereiro realizam-se as eleições. Joaquim Soares da Rocha é eleito prefeito e Felipe Manso de Santiago, subprefeito. Para o Conselho Municipal foram eleitos: Rodolfo Monteiro Paiva, João de Oliveira Cintra, Gregório Simões de Macedo, Leandro Gonçalves de Souza e José Manoel Pacheco. Os eleitos exerceram seus mandatos de 25 de março a 30 de setembro de 1892.

1892 - Excursão política à vila de São Bento.
Não posso deixar de descrever pelo entusiasmo, a impressão agradável, indescritível quase, que me causou a excursão que fizemos àquela vila, principalmente quando nela entramos, acompanhando o Dr. Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti, que soube, com a energia de seu caráter, com o sentimento do verdadeiro republicanismo e com o seu talento, formar ali naquele pedaço de nosso Pernambuco um verdadeiro partido, educado em uma verdadeira doutrina.
Sim, descrever a nossa viagem desde esta cidade até aquela vila, o tratamento daqueles que iam nos encontrando e iam nos encontrar pela notícia que tinham de nossa passagem, somente uma pena de mestre poderia fazê-lo.
Quase em todos os pontos de parada à margem da estrada de São Francisco, o Dr. Martins Júnior era alvo de manifestações. Pelos pontos de parada à margem da estrada de Una a Canhotinho estas manifestações se duplicaram, nos entusiasmando e nos cativando a alma e o coração. Em Quipapá, o Dr. Martins foi alvo de bonita recepção, pois o povo daquela vila foi esperá-lo com música, foguetes e vivas. Foi aí no trem abraçado o Dr. Martins por muitas pessoas. Em Canhotinho também foi esperado o Dr. Martins por grande concurso de povo, saudado entre a harmonia da música desta vila e abraçado por muitos cidadãos de fino trato. Aí nos demoramos sempre acompanhado por muitos do povo o Dr. Martins, até o outro dia em que partimos para São Bento. com um acompanhamento de 30 cavalheiros.
Quando chegamos a um lugar distante de São Bento 5 léguas, lugar denominado Lajedo, o nosso acompanhamento já era de 40 cavalheiros. Aí um nosso amigo e correligionário Firmino nos ofereceu um almoço onde se ergueram alguns vivas e algumas saúdes ao nosso chefe Martins Júnior. Partimos dali, sempre em grande entusiasmo e alegria à vila de São Bento, já indo acompanhando o Dr. Martins Júnior por um número superior a 40 cavalheiros.
Duas léguas distante de São Bento, foi-nos esperar no caminho um nosso amigo, o capitão Belmiro, que, conduzindo-nos à sua casa, nos ofereceu um "lunch", partindo depois conosco à vila de São Bento. À meia légua de São Bento, encontrmos o povo daquela vila, o povo todo em massa, posso dizer, porque aí subiu o número de cavalheiros a 168. Não trato já do povo que vinha a pé, assim como daquele que nos esperava.
Descrever o entusiasmo desta ocasião, é-me verdadeiramente impossível. Descrever a entrada em São Bento pelo Dr. Martins, o delírio do povo em recebê-lo, ainda me é impossível. A este acompanhamento enorme seguia à frente a música de São Bento, e muitos foguetes foram soltos até a casa em que nos hospedamos.
O Dr. Martins Júnior deve ter ficado de certo penhoradíssimo pela manifestação que teve daquele povo que mostrou adorá-lo, admirá-lo pelo vivas que lhe erguiam, continuado pelo delírio com o qual recebiam.
O Dr. Joaquim Homem que não deixou de ser saudado por aquele povo bom e grandioso, que o estima religiosamente, jamais deverá esquecê-lo, trabalhando sempre, como tem trabalhado para seu levantamento e progresso. Estou certo e digo sem errar: se tivéssemos em todas as partes, em todas as vilas, cidades, aldeias, capitais, povo tão dedicado, como aquele, tão republicano, não teríamos medo da tirania, porque esta seria esmagada ao primeiro brado.
Ao Sr. Homem de Siqueira e ao Dr. Martins Júnior eu peço, como amigo, não esqueçais o povo de São Bento, que tantas provas souberam dar de patriotismo e dedicação.
SS
(Jornal do Recife de 18.03.1892). Ed. 063

1892 – Em 25 de março, Joaquim Soares da Rocha assume como prefeito eleito da vila de S. Bento, tendo como subprefeito Felipe Manso de Santiago.

1892 - Comunicado de Felipe Manso de Santiago informando ter prestado o juramento ou promessa de que trata o art. 124 da Constituição Estadual do cargo de subprefeito da vila de S. Bento para o qual fora eleito em 21.02.1892. S. Bento, 25.03.1892 à Junta Governativa formada por Joaquim Mendes Ourique Jacques, Ambrósio Machado da Cunha Cavalcanti e José Vicente Meira de Vasconcelos.
(DP 03.04.1892).

1892 - Em 07 de abril, Alexandre José Barbosa Lima é escolhido governador constitucional pelo Congresso Estadual de Pernambuco. Foram recolhidos 35 votos dos senadores e deputados, assim distribuídos: Barbosa Lima, 32 votos; José Vicente Meira de Vasconcelos, 1 voto; Manoel da Trindade Peretti, 1 voto e José Higino Duarte Pereira. A seguir, procedeu-se a votação para escolha do vice-governador quando também foram recolhidos 35 votos, assim distribuído: Ambrósio Machado da Cunha Cavalcanti, 30 votos e José Isidoro Martins Júnior, 5 votos. Como o titular se achava no Rio de Janeiro, o vice-governador Ambrósio Machado nesse mesmo dia assumiu as rédeas do poder executivo pernambucano, passando-o em 20 de abril ao titular Barbosa Lima.
(DP de 08.04.1890).

1892 – Câmara dos Deputados de Pernambuco. Na sessão de ontem, foi lido e aprovado o seguinte parecer: Nº 18 - Da comissão de contas e despesas sobre o requerimento da Francisca Leopoldina dos Santos e outros, solicitando consignação de verba no pagamento de aluguel do prédio que serve de cadeia na vila de São Bento, oferecendo o mesmo por compra ao Estado, para continuar a prestar-se ao mesmo fim.
(Jornal do Recife de 27.04.1892).

1892 – Em carta assinada pelos “Criadores de S. Bento”, datada de 28 de abril, informam a chegada a S. Bento do tenente Manoel João de Souza, novo delegado, para tranquilizar a população vítima de furtos de animais. (DP 11.05.1892).

1892 - Descrença dos Homens.
Cada vez mais, ilustres senhores colegas do "Diário de Pernambuco", descreio dos homens políticos do meu país.
No Congresso deste Estado, um ilustre deputado, suponho que o Sr. Dr. Esmeraldino Bandeira, apresentou um projeto para ser o ensino obrigatório e esse projeto tem sido atacado pela imprensa da oposição, salientando-se o "Estado de Pernambuco" pela pessoa de um dos seus redatores, o Sr. Dr. Gonçalves Maia.
Atacar-se um projeto tão útil ao País e à República e na verdade um insensatez.
Como pode ser consolidada a República no meio de um povo quase em sua totalidade analfabeto?
O ilustre deputado com esse projeto subiu muito no conceito dos homens bem intencionados e merece os aplausos e os louvores da humanidade em geral e não será essa mesquinha oposição que se levanta hoje contra o seu projeto que fará ele baquear.
O ilustre deputado Esmeraldino Bandeira cumpriu o seu dever. Antes de apresentar o seu projeto ele teve em vista um fim e esse fim e esse fim não podia deixar de ser a consolidação da República por meio da instrução.
A massa do nosso povo, ninguém de boa-fé pode negar, é "ignorante", no lugar de procurar as escolas noturnas ocupa-se em andar pelas tavernas, em completa orgia, bebendo e proferindo obscenidades, ofendendo a moral e o decoro das famílias e nas serenatas abusivas, ao toque de harmônios, violões e guitarras debaixo de um medonho berreiro, incomodando o sossego público.
Se o ensino fosse obrigatório, em lugar de termos povo para essas orgias, teríamos povo para os estudos e por conseguinte um povo bem preparado para gozar das regalias prodigalizadas pela excelência do governo Republicano.
A decrépita monarquia que se extinguiu de uma vez para sempre na América conservava o povo nessa estupidez para as suas conveniências e a República não deve de forma nenhuma seguir pelo mesmo caminho bem fatal.
À imprensa, que é a alavanca mais poderosa, compete defender tão humanitário e civilizador projeto.
Nós, por nossa parte, saudamos o ilustre deputado pernambucano e fazemos os mais ardentes votos para que o seu projeto triunfe para enriquecer a administração do Exmº Sr. Dr. Barbosa Lima.
São esses os meus desejos e de todo homem sensato e criterioso.
Recife, 9 de junho de 1892.
Fortunato Pinheiro
(DP de 11.06.1892).
Nota: O deputado ao Congresso Estadual de Pernambuco, Esmeraldino Olímpio Torres Bandeira (1865-1928), foi o autor do projeto de Lei n° 21, elevando a vila de São Bento à categoria de cidade. Por isso, temos por esse estadista que foi prefeito do Recife, procurador-geral da República, ministro da Justiça do governo do vice-presidente Nilo Peçanha, professor de direito e autor de obras de direito, um enorme apreço e admiração. E esse projeto tornando o ensino primário obrigatório em Pernambuco sintetiza de maneira indelével o seu compromisso de republicano de primeiras águas.

1892 - Em 03 de agosto, o Congresso Estadual de Pernambuco aprova a Lei nº 52 que trata da autonomia dos municípios, estabelecendo a duração do mandato do prefeito, subprefeito e conselho municipal em três anos.

1892 – Em 15 de agosto, o governador Alexandre José Barbosa Lima dissolve todos os Conselhos Municipais, cassando os mandatos dos prefeitos e subprefeitos, designando o dia 30 de setembro para, nos termos da Lei Estadual 52, de 03/08/1892, procederem em todo o Estado às eleições livres e democráticas para prefeito, subprefeito e conselho municipal.

1892 - O governador Barbosa Lima nomeia, em 17 de agosto, a seguinte intendência até a posse dos eleitos no pleito que se realizaria em 30 de setembro: João de Oliveira Cintra (presidente), Felipe Manso de Santiago, Antônio Possidônio de Oliveira Santos, Gregório Simões de Macedo e José Manoel Pacheco (membros).

1892-Governo do Estado. Despacho de 25 de agosto:
- João de Oliveira Cintra,presidente da Intendência Municipal de São Bento e encarregado das obras do açude da mesma localidade, pedindo para ser-lhe entregue a quantia de 1:500$000 (um conto e quinhentos mil réis), destinada àquelas obras.
- Deferido com ofício desta data ao inspetor do Tesouro do Estado.
(DP de 27.08.1892).
Nota: Lei Estadual n° 40, de 25 de junho de 1892.

1892 - Em 30 de setembro são eleitos: Felipe Manso de Santiago (prefeito), Joaquim Gregório Simões de Macedo (subprefeito), João de Oliveira Cintra (presidente do Conselho Municipal), Antônio Francisco Xavier (vice-presidente do Conselho Municipal), Antônio José Pacheco, Manoel Raimundo Ferreira da Silva e Antônio Possidônio de Oliveira Santos (vogais).

1892 - A Lei Municipal n° 15, de 21 de novembro, cria o distrito de Cachoeirinha.

1893 - Em 5 de janeiro, constituição do município republicano, de acordo com o artigo 2° das disposições gerais da Lei Estadual n° 52, de 03/08/1892, conforme ofício assinado pelo subprefeito de S. Bento,Joaquim Gregório Simões de Macedo, no exercício da Prefeitura, ao governador do Estado de Pernambuco, Alexandre José Barbosa Lima, com data de 06/01/1893, "comunicando haver sido constituído o município em 05/01/1893 quando o prefeito Felipe Manso de Santiago declarou que o município estava dentro dos parâmetros da lei, ou seja, ‘autônomo e não pendente’ de irregularidades".

1893 - Publicações a Pedido. São Bento.
Para o Exm° Sr. Governador do Estado ver e providenciar.
Como cidadão, como habitante desta terra, digna de melhor sorte, e como prejudicado, devo levar aos conhecimento do governo e do público o reprovado e criminoso procedimento do Conselho deste município.
Esta corporação, constituída, em sua maioria, de homens inconscientes e malévolos, procura atirar este município no abismo, sobrecarregá-lo de dívidas e sugar-lhe a última seiva, ofendendo aos direitos mais sagrados dos munícipes.
Aos fatos.
O governo do Estado prestou ao município 2:300$000 (dois contos e trezentos mil réis) para as obras do açude grande, que estava arruinado, mas o Conselho, ou antes o seu presidente recebeu essa quantia, e apenas fez uma parede de terra, cuja despesanão pode exceder de 500$000 (quinhentos mil réis), ficando com 1:800$000 (um conto e oitocentos mil réis) de lucro.
O que deu lugar a ter arrombado o açude na primeira enchente, e ficarmos a morrer de sede.
É assim que, tendo eu um contrato com a antiga Câmara Municipal, aprovado por lei da Assembleia do ano de 1886, lei que foi sancionada pelo presidente de então, para uso e gozo do Mercado Público desta vila pelo tempo de 18 anos, o pseudo Conselho não sei com que direito, não trepidou em fazer figurar no seu orçamento a verba anual de 1:000$000 (um conto de réis),como receita do município sobre o referido Mercado.
Por cúmulo de depravação moral, o presidente do Conselho contratou a casa, que serve de cadeia, por um conto de réis (documento infra) e fez votar uma lei, autorizando a si mesmo, a comprá-la por 6:000$000 (seis contos de réis),lei que já está aprovada pelo Exm.° Sr. Governador, que certamente está sendo iludido.
Isto não se comenta:
É o caso de gritar: Aqui d'El Rei...
A seguir.
São Bento, 5 de janeiro de 1893.
João José Ferreira.
(Selada e reconhecida a firma).
(DP de 19.01.1893).

1893 - Publicações a Pedido. São Bento.
Ao Público.
Em atenção e somente em atenção ao público que me não conhece, desço daminha dignidade para responder ao aranzel publicado no "Diário de Pernambuico" n° 15, de 19 de janeiro corrente, e assinado por João José Ferreira, conhecido por João Catolé.
Tal aranzel cheio de insultos, calúnia, não só a mim como também aos sensatos e distintos membros do Conselho Municipal.
Por mais de uma ocasião, eu e os mais honrados e honestos habitantes deste município temos sido atacados em nossas reputações pelo desprezível João Ferreira, que faz do balcão, onde mercadeja o seu sabão, o pelourinho da honra daqueles que a si não se subordinam.
Enquanto eu era atassalhado em seu balcão, nenhuma importância ligara ao detrator, mas levando esta sua audácia a vir pela imprensa dar expansão à sua venenosa bílis, responder-lhe-ei de uma vez por todas, com os negros fatos de sua vida, que lhe tem merecido o desprezo público.
Despeitado João José Ferreira pela pouca importância de que goza,e vendo não poder conseguir pôr em execução os rendosos cálculosque sua imaginação cria, atira-se contra tudo e todos, como a fera atira-se contra sua presa.
Por faltas semelhantes já respondeu o malsinado "Dario" perante a negra Rita Fuzil que lhe deu uma surra que o fez andar por muitos dias com o braço na tipoia.
Narrando este acontecimento, não quero dizer que desço a ombrear-me com aquela negra e nem manchar com semelhante identidade o tacão de minhas botas, se por acaso elas lhe tocasse.
O Sr. Catolé acusa-me e chama atenção do governador do Estado por ter sido arrombado o açude grande deste município que se achava em conserto doqual fui encarregado, dizendo ainda mais que da verba de 2:300$000 (dois contos e trezentos mil réis), criada pelo Congresso do Estado, para aqueles consertos, eu pretendia apossar-me.
Acusação tão banal e tão insensata não merece a menor resposta. À primeira vista e com a simples leitura daquele tópico do artigo, vê-se que nenhuma responsabilidade pode caber-me, dos estragos feitos por uma enchente d'água num açude em conserto. Como prevenir semelhante eventualidade?
Mas, não obstante as despesas já feitas,é público e sabido por declarações minhas que logo ao terminar o inverno, farei o serviço de que fui encarregado para fielmente desempenhar-me do compromisso de que me acho para com o Estado.
Sei prezar minha palavra de homem de bem,e jamais me deixarei iludir por lucros que depois tragam a menor dúvidaà minha reputação, que prezo sobre tudo.
Não descerei a nivelar-me com esses lázaros que, sem o brilho de uma moeda de ouro, mercadejam a própria honra.
Sei colocar-me acima destas misérias, e este meu procedimento me tem feito conquistar a amizade dos homens de bem que me fazem verdadeira justiça. Outro tanto não pode dizer o meu detrator que, como eu, não pode falar de fronte erguida sem corar.
Se tivesse o Sr. Catolé o meu procedimento não teria passado pela dura e cruel decepção de João Vítor Xavier no ano de 1886 ou 87 tomar-lhe uma sua vaca contraferrada com o ferro de Catolé que depois mandou comprá-la pela quantia que fosse pedida pelo dono.
Não sei qual o qualificativo que semelhante procedimento tem; o que sei e afirmo é que o fato se deu e meu detrator foi o próprio autor.
Quem tão negramente procede, não pode manchar a reputação alheia.
Acusações feitas por um Catolé honram quem quer que seja atacado por ser uma prova de que tem sabido evitar o contato virulento.
Não tem sido só uma vez que Catolé tem procedido pela forma narrada.
Conseguiu ilaquear a boa fé dos incautos, e com as cotas destes fez um prado que lhe foi uma verdadeira mina de ouro.
Assim foi que havendo no referido prazo muitas corridas, nunca prestou conta delas a seus associados e depois de conseguidos os seus fins acabou o mesmo prado sem a menor satisfação àqueles que entraram com seus capitais e que ainda se acham no desembolso.
Quem procede desta maneira, é que é capaz,pela fama que Catolé me empresta no seu aranzel e não quem, respeitando todas as regras do honesto, tem procedido para com todos com cavalheirismo.
Catolé, pelo fogo do dinheiro que diz, atira-se contra aqueles que de si não se lembram, esquecendo-se de que seu dinheiro ainda é pouco para fazer-lhe os vergões das chibatadas que em plena rua deu-lhe João de Oliveira Valença e Joaquim de Almeida Valença.
Quanto o que diz o artigo que respondo, referente ao açude grande, o mesmo deu-se com seu signatário que, recebendo 2:100$000 (dois contos e cem mil réis), de então presidente da Província, fez um pequeno reparo que com as primeiras chuvas a água carregou.
Diz o articulista que eu pretendia comprar por 6:000$000 (seis contos de réis) e como para mim, a casa que serve de cadeia nesta vila para o que foi criada e sancionada uma lei?
Se semelhante lei fosse criada e sancionada, estaria publicada.
Provoco meu detrator a fazer publicar o número da lei a que se refere, e se não o fizer ficará como um vil caluniador.
Foi móvel do artigo assinado por João José Ferreira e despeito sobre o imposto criado sobre a casa do Mercado Público,do qual é o meu detrator concessionário.
No lesivo contrato, pelo qual a casa do mercado ainda se acha em poder do Catolé, todos os impotos municipais sobre os objetos expostos à venda lhe foram dados sem atender-se aos interesses do município,que ficou sem osmeios para subsistir.
Nestas emergências, facultando a constituição do Estado e a lei orgânica municipal a criação de impostos para a sustentação dos municípios, os honrados conselheiros, usando das atribuições que lhes foram conferidas, criaram sobre aquela casa o imposto de 1:000$000 (um conto de réis), que não está em proporção com o avultado rendimento que tem o cessionário.
Se todas as casas de negócio pagam imposto para continuarem abertas, é claro que, sendo o mercado onde se negocia, seja também sujeita a impostos.
Sujeitar a impostos todos os mais comerciantes e evitar a casa de mercado, seria odiosidade de consequências desastrosas.
A continuação do privilégio feito a João José Ferreira não tem raqzão de ser e assim é que do contrato se vê cláusulas lesivas para o município, pelas quais o Exmº Sr. Governador, atendendo os interesses do município, poderia rescindir aquele odioso contrato.
Fica respondido o artigo assinado por João José Ferreira que devia já ter esquecido as palavras que empregou quando sofreu as surras mencionadas aqui d' El Rei.
São Bento, 24 de janeiro de 1893.
João de Oliveira Cintra.
(DP de 02.02.1893).

1893 - Publicações a Pedido. São Bento.
Nós, abaixo-assinados, habitantes deste município, indignados com uma verrina, assinada pelo Sr. João de Oliveira Cintra, e publicada no "Diário" de 2 do corrente, na qual o "simples" signatário vomita as fezes de suas alma danada contra o honrado e pacífico negociante João José Ferreira, vimos do alto da imprensa protestar contra as inverdades, injúrias e calúnias ali contidas,filhas somente da sentina que lhe deu origem.
O honrado cidadão João José Ferreira quer como homem particular quer como negociante sua conduta é exemplar, o que o tem feito adquirir muitos amigos sérios e dedicados neste e em outros municípios do Estado.
A diatribe, pois, inventada pelo bobo do "Recanto" não lhe pode atingir com certeza.
Apesar de ter esse Cintra descido do sétimo céu, - "como ao sair de certa latrina" - nem mesmo assim abala as acusações que lhe são feitas.
É certo que existe o contrto da cadeia no cartório do tabelião Lemos,prova de que o mesmo Cintra comprou essa casa por 1:000$00 (um conto de réis).
É certo que ele presidente do Conselho votou uma lei autorizando o empréstimo de 6:000$000 (seis contos de réis),para a compra da dita casa,lei que foi publicadapelo prefeito e aprovada pelo governador.
Não é menos exato que esse presidente de Conselho "modelo" recebeu do governo 2:300$000 (dois contos e trezentos mil réis) para as obras do açude e não recolheu esse dinheiro aos cofres do Conselho, e o gastou em parte, e parte deu ao seu irmão Caetano que fez uma parede de terra na qual não empregou mais de 500$000 (quinhentos mil réis), e que arrombou mesmo sem chuva, e apenas com as águas de cima.
As surras que diz o Quaresmas do Conselho ter levado a vítima de suas calúnias, só têm explicação na sua quaresmática afirmativa.
Quanto, porém, ao fato de ter a vítima contraferrado uma garrota e João Vítor Xavier, já existe queixa no foro contra o caluniador, esperemos a decisão dos juízes.
No artigo citado, do "Diário" de 2 do corrente, o Cintra "d'água doce" eleva-se ao sétimo firmamento, qual segundo Ícaro não receia que derretam ao calor do Sol as suas asas de cera, com a diferença que esta, diz amitologia, caíu no oceano e esta pode cair em outra latrina, "certa e determinada", donde ainda se enxota a pontapés: os Arcanos da Providência são impenetráveis.
Desta forma entendemos ter respondido ao Quaresma de cá.
São Bento,4 de fevereiro de 1893.
Joaquim Soares da Rocha, Joaquim Gaudêncio de Carvalho, Francisco Correia de Oliveira, Manoel Carneiro de Morais, Antônio Correia de Brito, Honorato Soares da Rocha, Antônio Ferreira de Morais, Antônio Ferreira de Morais Filho,
Leandro Gonçalves de Souza, Luiz de Holanda Valença, Miguel Arcanjo da Fonseca Valença, Miguel Correia Vilela, Quirino Correia de Oliveira, Francisco Tiu da Cruz Vilela, Vicente Ferreira Vilela, Francisco José Ferreira, João Gonçalves da Silva Viana, Vicente Rodrigues de Paula, Alexandre Pereira da Costa, Nemério Francisco da Silva,Luiz Salustiano dos Santos, José Rodrigues dos Santos, Henrique Vilela da Costa, João Leonardo da Costa, Isidro de Barros Correia, Francisco de Barros Correia, Francisco Cândido da Silva, João Gomes da Silva Quincas, José Tomé de Oliveira, Aureliano Correia de Oliveira, Manoel Ramos dos Santos, José Muniz de Almeida, Belmiro Guilherme de Azevedo, Liberato Augusto de Siqueira, João Antônio de Albuquerquer Barros, Olinto José de Oliveira, Antônio Sebastião de Almeida Rosa, Joaquim José de Barros, Antônio Vitalino de Melo, Firmino José Correia, Joaquim Gonçalves de Souza.
(DP de 18.02.1893).

1893 - Publicações a Pedido. São Bento.
Admirado de ler no "Diário" de 2 do corrente um artigo assinado pelo Sr. João de Oliveira Cintra, no qual procura macular a reputação do meu sócio eamigo, o Sr. João José Ferreira, com a presente peço ao respeitável público e muito especialmente ao corpo comercial, para que suspenda qualquer juízo, desde que por crime de injúria o Sr.João José Ferreira trata de responsabilizar perante o juiz competente o referido Sr. João Cintra.
No dito artigo, compreende-se perfeitamente o ódio que dedica o signatário á vítima, porém persuado-me que muito papalvelmente se conhece que semelhante linguagem não é própria de homens que presumem ter alguma reputação.
Recife, 15de fevereiro de 1893.
Rodolfo Monteiro de Paiva.
(DP de 18.02.1892).

1893 – O juiz de direito da comarca de S. Bento é o Dr. Manoel Estelita Cavalcanti Pessoa (DP de 10.03.1893).

1893 - Em 14 de julho, o prefeito Felipe Manso de Santiago, por motivos de saúde, passa o exercício do seu cargo ao subprefeito Joaquim Gregório Simões de Macedo.

1893 – O Almanak Administrativo, Mercantil, Agrícola e Industrial do Estado de Pernambuco para o ano de 1894 traz as seguintes informações sobre o município de S. Bento - Administração municipal: Felipe Manso de Santiago, prefeito e Gregório Simões de Macedo, subprefeito. Conselho Municipal: João de Oliveira Cintra, Manoel Raimundo Ferreira da Silva, Antônio Francisco Xavier, Antônio José Pacheco. Justiça e Ministério Público: juiz de direito, bacharel Manoel Estelita Cavalcanti Pessoa; promotor, bacharel Eduardo Agapito da Silva Ferreira. Coletoria: João Vítor Xavier.

1894 - O DP de 27 de fevereiro publica carta de Felipe Manso de Santiago datada do dia 18 ao governador do Estado, Barbosa Lima, dizendo que desde 14.07.1893 passara o exercício da prefeitura ao subprefeito Gregório Simões de Macedo e acrescentando que até esta data não pôde reassumir o exercício do cargo por força maior (incômodos de saúde e vexações grandes na vida privada) o que de acordo com a lei estadual 52 perdera o direito de prefeito do município. Em consequência, Joaquim Gregório Simões de Macedo é efetivado no cargo de prefeito.

1894 - Organização do Partido Republicano Federal, ocorrida em 15 de julho com a eleição do diretório que foi constituído por João de Oliveira Cintra, Gregório Simões de Macedo, Felipe Manso de Santiago, José Manoel Pacheco, Félix de Barros Pinto, Belmiro Guilherme de
Azevedo, Manoel Gonçalves de Siqueira, Miguel Correia Vital e Antônio Lopes de Araújo. Seguem várias assinaturas. (DP de 09.08.1894).

1895 - Assassinato de Joaquim de Almeida Valença apunhalado pelo Dr. Joaquim Homem de Siqueira quando ambos estavam na casa do juiz municipal.
(DP 13.06.1895, edição 134).
Nota: Este assassinato não consta do livro “Inocentes e Culpados no Tribunal do Júri de São Bento”, de Sebastião Soares Cintra. (Não se tem notícia se o assassino foi julgado por outro tribunal do júri).

1895 – São realizadas missões evangelizadoras em S. Bento e outras localidades pelos capuchinhos, frei Caetano de Messina e frei Cassiano de Camachio. (DP de 22.10.1895).

1895 – Em 30 de dezembro, o coronel da Guarda Nacional, João de Oliveira Cintra, assume como prefeito eleito.

1896 - Governo do Estado. Expediente de 13 de abril.
Feliciana Eduviges da Costa Gama, professora nomeada para a cadeira da vila de São Bento, pedindo passagem para si e sua família.
Sim, com exclusão da sobrinha nos termos do regulamento de 123 de janeiro deste ano.
(Jornal do Recife de 15.04.1896).

1896 – Constituição de três batalhões de infantaria da Guarda Nacional, sendo dois do serviço ativo, o 93° e o 94º, e um de reserva, o 58°, com a convocação nominal dos oficiais nomeados à Alfândega de Pernambuco, através de edital de 27.07.1896, "a virem satisfazer nesta Repartição os direitos de suas patentes". Cada batalhão era composto por quatro companhias, totalizando os três batalhões 81 oficiais com as patentes de capitão-ajudante, tenente-
secretário, tenente-quartel-mestre, capitães comandantes de companhia, tenentes e alferes. Interessante notar que o Decreto nº 239, de 02/05/1891, assinado por Manoel Deodoro da Fonseca, presidente da República e pelo Barão de Lucena, ministro da Justiça, autorizou a criação de um comando superior de Guardas Nacionais na comarca de S. Bento composto de três batalhões de infantaria do serviço ativo, n°s 93°, 94° e 95° e dois batalhões de infantaria do serviço de reserva, n°s 58° e 59°.

1897 – Manifestação de solidariedade ao senador federal Francisco de Assis Rosa e Silva assinada pelo prefeito João de Oliveira Cintra e pelo Conselho Municipal formado por: Gregório Simões de Macedo, presidente, Félix de Barros Pinto e Francisco Antônio de Oliveira, membros. (DP de 08.08.1897).

1897 – Exames primários realizados em 02 de dezembro na Escola Pública do Sexo Feminino da vila de S. Bento, regida pela professora Feliciana Eduwiges da Costa Gama, sob a presidência do Dr. Augusto Silvio Barreto, delegado de ensino, sendo examinadores o professor José Calazans Rufo Duarte e a professora da cadeira. 1° grau: Quitéria Leopoldina da Silva, aprovada com distinção; Amélia Francisca de Santana, idem; Maria Godoi de Vasconcelos, aprovada plenamente; Camila Maria da Conceição, aprovada. 2º grau: Adalgisa Maria Gama de Castro, aprovada com distinção; Auta Cordeiro da Silva, idem; Olívia Ernestina da Silva, idem; Emília Nunes Jassé, idem; e Adelina Maria de Oliveira Idem.
(DP de 16.12.1897).
Nota: 1, 2° e 3º graus correspondiam ao 1°, 2° e 3° anos do curso primário.


1897 – Exames primários realizados em 1° de dezembro na Escola Pública do Sexo Masculino da vila de S. Bento, regida pelo professor José de Calazans Rufo Duarte, presidindo o ato o Dr. Augusto Sílvio Barreto, delegado de ensino, servindo de examinadores a professora Feliciana Eduwiges da Costa Gama e o professor da cadeira. O resultado foi o seguinte: 1° grau: Adalberto de Oliveira Paiva, aprovado com distinção; Virgílio de Oliveira Paiva, idem; Manoel Estelita Cavalcanti Pessoa Júnior, idem. Romeu Estelita Cavalcanti Pessoa, idem. (DP de 16.12.1897).

1897 – Exames primários realizado em 7 de dezembro servindo de examinador o professor Rodolfo Jovino de Santa realizaram-se os exames das alunas da escola pública estadual da vila de Canhotinho, regida pela professora Ester Crespo Manso. Foi o seguinte o resultado: 1º grau: Waldetrudes do Nascimento Wanderlei, aprovada com distinção; Donatília Carmelitana Moreira, idem; Doroteia Corrêa Crespo, aprovada plenamente; Dipna Corrêa Crespo, idem; Joana Umbelina de Moura, idem; e Maria Francisca dos Santos, idem. 2° grau: Adelina Landelina Acioli, aprovada com distinção; Quitéria Felismina de Azevedo, idem; e Honorina Cordeiro de Oliveira, idem.
(DP de 16.12.1897).

1898 - Bárbaro Assassinato.
Recife, 19 de fevereiro de 1898.
Excelentíssimo Sr. Governador do Estado e Dr. Questor
Venho cientificar-vos de uma das barbaridades que se costuma praticar em nome da religião católica romana, no Estado de Pernambuco, cujo governo acha-se em vossas mãos.
Tendo recebido um convite de uma família evangelista, residente nas vizinhanças de São Bento, para lá me dirigi no dia do corrente, acompanhado dos seguinte evangelistas e fazendeiros: Francisco Peixoto, residente em Cachoeirinha; capitão Joel, do Burgo; Manoel Correia Vilela, Genipapeiro; Manoel Santiago, de Catonho; Miguel Vilela e Joaquim Vitalino, de São Bento. Durante a visita estivemos também na vila de São Bento no sábado 5, e segunda-feira 7, onde fizemos duas conferências religiosas, na residência do Sr. Manoel Vilela, e onde receitei um número considerável de doentes da vila. A última conferência terminou às 2 da tarde do dia 7, e daí a pouco tempo montamos a cavalo no intuito de nos retirar cada um para sua residência.
Três vezes, na rua, veio-me o agente do correio contar-me uma história de cilada contra minha vida, mas como achava-se muito ébrio falava de um modo que ninguém podia entendê-lo, até que aproximou-se de mim uma quarta vez, no momento em que ia montar a cavalo, e agarrando nas crinas de meu cavalo disse: "Não tenho coragem de fazer o que me pediram, vá-se embora".
Montados todos nós, e quando saíamos pelo portão de um quintal que dá para a venda de um tal "Negra Velha", vimos sair da venda e caminhar para nós, um indivíduo, que era estafeta, armado de um grosso cacete e com os olhos fixos em mim; meu companheiro da direita, o Sr. Manoel Correia Vilela interpõe entre mim e o indivíduo, e com as mãos apara uma cacetada que fora descarregada, e apeando-se ao mesmo tempo, segura o cacete para impedir que o malvado continue a barbaridade. Vendo-se privado do uso do cacete, o estafeta puxa um punhal, então gritamos pela polícia, mas ouvimos uma voz que partia da venda do tal "Negra Velha" que dizia:
"Solte o homem, não está fazendo nada".
Solto o assassino, atirou-me uma pedra, mas tendo errado o alvo puxa outra vez do punhal e arremessa furioso contra nós, tentando apunhalar-nos todos, mas só pôde atingir ao Sr. Manoel Correia Vilela no pulmão direito entre a 5ª e a 6ª costelas. Este honrado cidadão apenas disse: "Ele me furou" e, ajoelhando-se morreu imediatamente.
O promotor e seus soldados prenderam o assassino, pelo que merece ser muito louvado.
Entretanto, compete às autoridades superiores castigar ao criminoso ou aos criminosos. Na Bíblia Sagrada diz Deus: "O trono deestabelece na Justiça".
Saiba o povo brasileiro que não se trata meramente do assassinato de um simples seguidor do Evangelho de Cristo que deixa viúva e cinco filhos órfãos e seus velhos pais que o choram, mas trata-se dos princípios básicos de uma república americana, livre e constitucional.
Saibam todos os brasileiros desde o Governo até o mais simples cidadão que, o que se fez a um pobre evangelista, sem causa e sem ofensa, se fará a vossos filhos, chegando o tempo quando tais assassinos e seus mestres não possam conseguir os seus desígnios por outros meios menos violentos.
Saiba Exmº Sr. Governador que o vigário que inculca tais meios de mantar a sua religião, ensinando ódio em vez de amor, matança em lugar de salvação, não é de Deus, não tem o Evangelho de seu bendito Filho, mas o tal é do credo cruel de Caim que matou o seu justo irmão Abel, e deste modo trabalha para despedaçar e anarquizar esta já infeliz pátria.
Vá ver um tal vigário, vá ver na praça pública da vila de São Bento o sangue ainda quente do evangelista que morreu por amor de Jesus Cristo, e estremeça ao pensar no dia do juízo que há de realizar-se só nas audiências de Jesus Cristo.
"Porque o Pai a ninguém julga, mas todo juízo deu ao Filho, e lhe deu o poder de exercitar o juízo porque é Filho do homem". (S.João V, 22 e 27).
Recife, 17 de fevereiro de 1898.
George W. Butler
(Jornal do Recife de 19.02.1898).

1898 – Em 30 de junho, Joaquim Gregório Simões de Macedo, assume o cargo de prefeito municipal.

1898 - Governo do Estado. Despachos do governador do Estado em 15 de dezembro:
1. Luiz Nunes de Castro, professor interino da cadeira do sexo masculino da vila de São Bento pedindo que se lhe mande pagar a quantia de 20$000 (vinte mil réis) que dispendeu com o asseio e limpeza do prédio estadual onde funciona a escola, por falta de um zelador a contar de 1º de maio a 30 de junho do corrente ano.
- Escriture-se.
2. Feliciana Eduviges da Costa Gama, professora efetiva da cadeira do sexo feminino da vila de São Bento pedindo que se lhe mande pagar a quantia de 100$000 (cem mil réis) que dispendeu com asseio e limpeza do predio onde funciona a sua escola, por falta de um zelador, a contar de 1º de setembro de 1897 até junho do corrente ano.
- Escriture-se.
(Jornal do Recife de 17.12.1898).

1898 – Exames primários realizados em 06 de dezembro na Escola Pública Estadual do Sexo Feminino da vila de S. Bento, regida pela professora Feliciana Eduwiges da Costa Gama, sob a presidência do coronel João de Oliveira Cintra, delegado do ensino, sendo examinadores o Dr. Augusto Silvio Barreto, juiz municipal e a professora da cadeira. O resultado foi o seguinte: 1º grau: Albertina do Carmo Gama de Castro e Etelvina Gomes de Melo, aprovadas com distinção. Anita Maria da Conceição e Adélia Ferreira de Lima, aprovadas plenamente. 2º grau: Amélia Francisca de Santana, aprovada com distinção. Exames realizados em 05 de dezembro na Escola Pública do Sexo Masculino da vila de S. Bento, regida pelo professor interino Luiz Nunes de Castro, sob a presidência do coronel João de Oliveira Cintra, delegado de ensino, sendo examinadores o Dr. Augusto Sílvio Barreto e o professor da cadeira. O
Resultado foi: 1º grau – Artur Bartô Pereira Ramos, Feliciano de Paiva e Melo e Durval Paulo Gama de Castro, aprovados plenamente. (DP de 22.12.1898).

1899 - Governo do Estado. Despacho de 7 de fevereiro do Governador do Estado.
Comingos Eusébio dos Santos, carcereiro da cadeia da vila de São Bento, pedindo para que seja autorizada a coletoria daquele município a pagar-lhe os vencimentos do cargo que exerce.,
- Informe o Sr. Diretor Geral da Secretaria da Fazenda.
(Jornal do Recife de 09.02.1899).

1899 - Em sessão especial Conselho Municipal, realizada no dia 12 de outubro, com a presença de cidadãos de todas as classes, foi declarada instalada a iluminação, fornecida por seis lampiões a querosene. Para enaltecer o feito, usaram a palavra o Dr. Augusto Sílvio Barreto,
promotor público; Rodolfo Jovino de Santana, professor de matemáticas e o Dr. Eduardo Correia da Silva, juiz de direito da Comarca.

1899 – Exames primários. No dia 1° do corrente, efetuaram-se os exames dos alunos da escola estadual do sexo masculino, em S. Bento, regida pelo professor Rodolfo Jovino de Santana. A comissão presidida pelo delegado de ensino, coronel João de Oliveira Cintra, tendo como examinadores a professora estadual d. Feliciana Gama e o professor da referida escola. O resultado foi o seguinte: 3ª classe: Federalino da Silva Lemos e José de Oliveira Paiva, aprovados com distinção; Eutrópio Guilherme de Azevedo e José da Silva Lemos, aprovados plenamente. 4ª classe: Adalberto de Oliveira Paiva, Virgílio de Oliveira Paiva, José de Oliveira Paiva e Feliciano de Paiva e Melo, aprovados com distinção e Durval Paulo de Castro, aprovado plenamente. (Jornal do Recife de 14.12.1899).

1900 - Escrevem-nos de S. Bento: “Fundou-se, nesta cidade, uma associação sob o título ‘Sociedade 21 de Março’, tendo por fim propagar a instrução popular, proporcionando, ao mesmo tempo, diversões lícitas e promovendo o engrandecimento deste município. Assim, mantém a futurosa sociedade, organizada com os melhores elementos de vida., uma banda marcial infantil, curso de ensino, aulas noturnas, além da criação de um jornal (graças à valiosa oferta do prelo por um distinto cavalheiro), da biblioteca e conferências públicas, havendo já levantado capital para a edificação de um teatro e iniciada a construção de um hipódromo. Bem aceita e, geralmente, bem aplaudida, a sociedade elegeu sua diretoria provisória, que é a seguinte: presidente, coronel João de Oliveira Cintra; secretário, Rodolfo Jovino de Santana; Adjunto, João José de Santana; tesoureiro, Rodolfo Monteiro de Paiva; orador, Dr. Ildefonso Rodrigues Esteves; diretor da seção musical, pároco Joaquim Alfredo da Costa Pereira; diretor da seção literária, Dr. Eduardo Corrêa da Silva; diretor de teatro, Luiz de Castro; diretor do hipódromo, Jerônimo Tertuliano Morais”.
(A Província, de 18.01.1900).

1900 - Exames Primários. Realizaram-se no dia 5 de dezembro de 1899 os exames da Escola Pública do sexo feminino da vila de São Bento regida pela professora Feliciana Eduwiges Costa Gama.
A comissão foi composta do delegado do ensino, coronel João de Oliveira Cintra; do examinador, professor Rodolfo Jovino de Santana e da professora da cadeira.
O resultado foi o seguinte:
1º grau
Vitória de Oliveira Paiva, Maria da Conceição Correia da Silva, Maria Guilhermina de Azevedo e Emília Augusta de Siqueira: Aprovadas com distinção.
Secundina Hemetéria do Nascimento e Ester Joana de Farias:Aprovadas plenamente.
2º grau
Quitéria Leopoldina da Silva e Etelvina Gomes de Melo: Aprovadas com distinção.
3º grau
Adalgisa Maria Gama de Castro, Auta Cordeiro da Silva, Adelina Maria de Oliveira e Amélia Francisca de Santana: Aprovadas com distinção.
Findo o ato, ao qual compareceram as principais autoridades, foi entregue pelo mesmo delegado os certificados de estudos primários às alunas do 3º grau e às demais a habilitação para o grau imediato.
(Jornal do Recife de 16.2.1900).
Notas:
1 - Conclui-se que a Escola tinha 10 alunas e que pelo menos 3 eram de fora: a filha do juiz Eduardo Correia da Silva, a filha da professora da cadeira do sexo feminino e a filha do professor da cadeira do sexo masculino.
2 - Vitória era filha de Rodolfo Paiva; Maria Emília era filha de Liberato e Maria Guilhermina de Azevedo pode ser Mariá irmã de ´Eutrópio Guilherme de Azevedo e que foi casada com Virgílio (Nô) Paiva, filho de Adalberto Paiva.
3 - Como se deduz, o curso primário na época em São Bento era de instância inferior e os "graus" correspondiam a "anos" ou mais modernamente a "séries".
Apenas em 1952 foi inaugurada a 4ª série primária ainda nas Escolas Reunidas Dom Moura que em 1953/54 seria sucedida pelo Grupo Escolar Rural Rodolfo Monteiro de Paiva.

1900 - Fundação da Sociedade 21 de Março, ocasião em que circula a edição n° 1 da "Gazeta de S. Bento", composto e impresso em tipografia própria da vila. O primeiro presidente foi o juiz de direito Eduardo Correia da Silva. O clube possuía seções literária, musical, dramática,
biblioteca e a continuação das atividades do Hipódromo Bela Vista que já existia desde o início do ano de 1889.

1900 - Gazeta de S. Bento – “Na cidade de S. Bento, deste Estado, acaba de ser iniciada a publicação de um jornal de um jornal de formato regular e que deve visitar os leitores duas vezes por mês. Está nitidamente impressa e contém artigos bem escritos. Agradecemos pela remessa de um exemplar, desejamos que a “Gazeta de S. Bento” tenha vida feliz e longa e que saiba levar avante o seu programa que é o de cuidar dos interesses do município. A nova folha é dirigida pela “Sociedade 21 de Março”.
(Jornal Pequeno de 26.03.1900).

1900 - Revista Diária - Senado Estadual de Pernambuco – Efetuou-se ontem, 29.05.1900, a 43ª sessão ordinária sob a presidência do desembargador Antônio Pedro da Silva Morais. Ofício do 1° secretário da Câmara dos Deputados, remetendo a seguinte resolução iniciada pelo Projeto de Lei nº 21- elevando à categoria de cidade a vila de S. Bento.
(DP de 30.05.1900).

1900 - “Aulas a cargo da Sociedade 21 de Março” – “Sendo um dos fins desta sociedade defender a instrução, promovendo aulas noturnas, foram criadas as seguintes cadeiras: Português, Francês, Latim, Inglês, Matemáticas, Geografia, História Geral e História Natural. Estas cadeiras foram providas com os seguintes professores: Dr. Augusto Barreto, Português e Francês; Dr. Eduardo Correia da Silva, Inglês e História Natural; padre Joaquim Alfredo, Latim e Geografia; Dr. Ildefonso Esteves, História Geral e Rodolfo Jovino de Santana, Matemáticas. Estas aulas funcionarão alternadamente de conformidade com as necessidades de ensino”.
(Gazeta de S. Bento n° 5, de 30.05.1900).


1900 - Elevação da vila de S. Bento à graduação e categoria de cidade por proposta apresentada na primeira legislatura estadual republicana (1893-1895) pelo então deputado Esmeraldino Olímpio de Torres Bandeira (projeto n° 21), transformada na Lei n° 440, de 08.06.1900, sancionada por Antônio Gonçalves Ferreira, governador do Estado. A histórica notícia foi recebida em S. Bento com as mais expressivas demonstrações de prazer. Foram improvisados diversos festejos públicos, com o fim de solenizar o acontecimento que marcaria para S. Bento uma era de prosperidade, como o baile realizado no Mercado Público, por ser o mais amplo salão, onde todos, sem distinção, dançaram até o dia seguinte. As festas duraram da noite de sexta-feira, 08 de junho até o domingo, dia 10 de junho. Do pátio da Matriz, partiu organizada passeata que, depois de percorrer a cidade, estacionou na sede da "Sociedade 21 de Março" e tendo cumprimentado em suas residências todas as autoridades, dissolveu-se em frente à casa do pároco Joaquim Alfredo da Costa Pereira. Houve discursos: Dr. Ildefonso Xavier Rodrigues Esteves, Dr. Augusto Sílvio Barreto e major Quintino Alves da Silva Valença. O presidente do Conselho Municipal propôs que ficasse registrado, em ata, um voto de agradecimento ao Dr. Eduardo Correia da Silva, juiz de direito da comarca, pelos esforços empregados para a concretização dessa aspiração do povo de São Bento. A nossa Banda Santa Cecília marcou presença sob a batuta do mestre Liberato Augusto de Siqueira.
(Gazeta de S. Bento).

1900 - Senado do Estado de Pernambuco. Sessão de 5 de junho. Foi lido e mandado imprimir o seguinte parecer de n° 63 sobre o projeto da Câmara dos Deputados de nº 9 do ano de 1900.
A 4ª comissão, tendo presente um abaixo-assinado de representantes do município de São Bento, em que solicitam a construção de um ramal que ligue a vila de São Bento à rede telegráfica do Estado, é de parecer que sejam deferidos no que requerem, para o que apresenta o seguinte projeto:
O Congresso Legislativo do Estado de Pernambuco resolve:
Art. 1º - O governador do Estado fica autorizado a dispender até a quantia de 6:000$000 (seis contos de réis) para auxiliar a construção de um ramal que ligue a vila de São Bento à rede telegráfica do Estado.
Art. 2º - O ponto de junção do referido ramal poderá ser em Belo Jardim.
Art. 3º - Revogam as disposições em contrário.
Sala das Comissões do Senado, em 5 de junho de 1900.
Albino José da Silva
Francisco Tibúrcio
(Jornal do Recife de 09.06.1900).


1900 – “Bonita festa. O Conselho Municipal, em sua sessão extraordinária, tomou conhecimento da lei que elevou esta vila à categoria de cidade e fê-lo de modo solene e brilhante. A sede do Conselho, bem ornamentada e completamente cheia de cavalheiros e senhoras, era de lindo aspecto. A filarmônica tocou antes e depois da sessão bonitas peças, tendo usado a palavra o coronel João Cintra, digno presidente da Municipalidade e seu secretário, major Quintino Valença. Finda a sessão, seguiu-se numerosa passeata que
percorreu toda a cidade em meio do mais justo entusiasmo”.
(Gazeta de S. Bento n° 9, de 30.07.1900).

1900 ¬- Expediente de 30 de agosto: o governador do Estado, tendo em vista a Lei 440, de 08 de junho, pela qual foi elevada a cidade a vila de S. Bento, resolve designar o dia 27 de setembro a fim de procederem no município à eleição de quatro conselheiros municipais que têm de completar a representação municipal.
(DP de 15.11.1900).

1900 – A Lei Estadual nº 480, de 02 de julho, divide o Estado de Pernambuco em municípios e revoga a Lei Estadual nº 52, de 03.08.1892.

1900 – Em cumprimento à determinação do governador, datada de 30.08.1900, foram realizadas eleições para completar a representação municipal, porque enquanto vila S. Bento tinha apenas cinco conselheiros municipais e com a passagem a cidade teve que proceder a escolha de mais quatro cidadãos pelo voto majoritário e popular. O resultado da eleição foi o seguinte, sendo que os quatro primeiro colocados foram eleitos para o Conselho Municipal da cidade de S. Bento: 1º) professor Rodolfo Jovino de Santana, 324 votos; 2º) Ricardo Cardim, 315 votos; 3º) capitão Francisco de Almeida Calado, 240 votos; 4º) Pedro Soares da Rocha, 235
votos. Suplentes: Sebastião Bento Cintra, 67 votos; Elias Cintra Valença, 57 votos; Antônio do Couto, 40 votos; Antônio Simão, 38 votos e Lúcio de Lira, 32 votos.
(Gazeta de S. Bento n° 15, de 25.11.1900).

1901 – O Dário de Pernambuco informa o recebimento da “Gazeta de S. Bento”, órgão da “Sociedade 21 de Março” nº 2, Ano II, de 21 de fevereiro de 1901. “É um jornal interessante e muito variado”.
(DP de 08.05.1901).

1901 - A Lei Municipal n° 31, de 24 de dezembro, eleva à categoria de distrito (vila) a povoação de Capoeiras.

1902 – Faleceu, no Recife, em 13 de janeiro, d. Joana de Oliveira Valença, depois Joana de Oliveira Paiva, casada com Rodolfo Monteiro de Paiva. A extinta deixou os filhos: Adalberto, Virgílio, José, Leonor e Vitória, a sogra Cordulina Monteiro de Paiva e o cunhado Samuel Monteiro de Paiva.
(A Província de 18.01.1902).

1902 - Atos Oficiais. Palácio do Governo do Estado de Pernambuco. Por portaria de 21 de fevereiro de 1902, foram nomeados João Batista da Costa e Luiz Salustiano dos Santos, para exercerem, na ordem que estão colocados, os cargos de 2º e 3º suplentes do juiz municipal de São Bento em substituição de Pedro Correia de Oliveira e Elias Cintra Valença que não prestaram o compromisso legal no prazo que foi marcado. Os nomeados têm o prazo de 30 dias para prestarem o compromissso.
(DP de 23.02.1902).

1902 - Municípios.
São Bento, 14 de novembro
Sob a mais viva dor, foi recebida nesta cidade a notícia do falecimento do coronel Francisco Inácio de Paiva, a quem o Partido Republicano havia confiado a chefia política do município de Canhotinho, onde gozava de estima e respeito dos munícipes plo caráter e sinceridade.
Não era um desses chefes políticos que se impõem pelo elemento oficial. Não.
O coronel Paiva tinha real influência e a sua palavra entre os amigos era recebida com acatamento.
O coronel Francisco Inácio de Paiva, filho legítimo do capitão Joaquim Basílio de Barros e de dona Rosa de Paiva, nasceu em Altinho, tinha 58 anos e era casado com dona Maria de Paiva.
Militou durante o tempo do regime decaído nas fileiras do Partido Conservador, prestando relevantes serviços.
Proclamada a República, deixou de tomar parte nos destinos deste município, por ter-se encarregado do de Canhotinho, desmembrado pouco depois pelo decreto de 2 de outubro de 1890.
O Conselho Municipal, atendendo ao merecimento pessoal e ao concurso prestado pelo coronel Paiva, para o engrandecimento do município, deliberou, por iniciava do seu digno prefeito, coronel João de Oliveira Cintra, mandar celebrar uma missa de "requiem" no trigésimo dia de seu falecimento.
Teve lugar esse ato no dia 10 do corrente, na igreja-matriz,que apresentava lúgubre aspecto, sobressaindo no corpo da mesma uma eça, onde se lia ao entrar o nome do ilustre morto e que estava rodeada de luz ardente.
Número superior a 300 pessoas compareceram ao ato, e entre estas viam-se os Drs. Eduardo Correia da Silva, juiz de direito; Bernardino de Sena Ferreira Cabral, promotor público; coronel João de Oliveira Cintra, prefeito; professor Rodolfo Jovino de Santana e o capitão Abílio Gomes de Sá Novais, que, acedendo ao pedido de algumas praças, amigas do finado, consentiu que se postasse uma em cada uma das extremidades daquela eça.
Ao ato também compareceu, representada pela sua digna diretoria, a "Sociedade 21 de Março", que mandou lavrar na ata dos seus trabalhos um voto de pesar pelo falecimento, tomando luto por oito dias.
Terminada a missa ao som de marchas fúnebres executadas pela Filarmônica, foram distribuidos barandões a todos que se achavam presentes, cantando o mmento o digno vigário, padre Joaquim Alfredo.
À uma hora da tarde, reuniu-se o Conselho Municipal, e pelo conselheiro Luiz Salustiano dos Santos foi proposto que se suspendesse a sessão em sinal de pesar e que se inserisse na ata a seguinte moção que foi aprovada:
"O Conselho Municipal de São Bento reunido em sessão de hoje, 10 de novembro de 1902, trigésimo dia do falecimento do coronel Francisco Inácio de Paiva,atendendo e reconhecendo os serviços por ele prestados ao município, no tempo de sua colaboração política, resolve inserir em ata a presente moção, como preito à sua memória".
(DP de 27.11.1902). Ed. 270


1904 – Por portaria de 16.05.1904, o governador do Estado, atendendo ao que representaram os juízes de direito, bacharéis Francisco Xavier de Lima Borges e Eduardo Corrêa da Silva, das comarcas de Itambé e S. Bento, e tendo em vista o parecer do Superior Tribunal de Justiça, que consentiu que os referidos juízes permutassem os respectivos municípios, marcando-lhes o prazo de 30 dias para assumirem o exercício de suas funções.
(Jornal do Recife de 18.05.1904).

1904 – A comarca de S. Bento é formada por dois termos: S. Bento cabeça da comarca e Canhotinho.
(Jornal do Recife de 18.05.1904).

1904 - Eleições Municipais. Foi o seguinte o resultado das eleições municipais de São Bento a que se procedeu no dia 10 do corrente para prefeito, subprefeito e conselheiros municipais:
- Para prefeito
Capitão Francisco de Almeida Calado......................... 751 votos
Capitão Luiz Salustiano dos Santos.......................... 1 voto
- Para subprefeito
Capitão Joaquim Camelo Lins................................. 751 votos
Capitão José Inácio Carneiro................................ 1 voto
- Para conselheiros municipais:
Coronel João de Oliveira Cintra............................. 641 votos
Major Joaquim Gaudêncio de Carvalho......................... 611 votos
Tito de Barros Correia...................................... 611 votos
Manoel Tavares de Lira...................................... 574 votos
Capitão Luiz Salustiano dos Santos.......................... 509 votos
Manoel Alves dos Santos..................................... 404 votos
Tenente José Armando da Cunha............................... 401 votos
Tenente Joaquim Manso da Silva Sobrinho..................... 335 votos
Capítão Ricardo Teixeira Jardim............................. 303 votos
E mais 13 cidadãos menos votados que ficaram como suplentes.
(DP de 27.07.1904).

1904 - Município. São Bento. Escrevem-nos dessa localidade.
No dia 1º do corrente, pelas 10 horas da manhã, no edifício do Tribunal do Júri, foi instalado o Tribunal Correcional deste município, sob a presidência do juiz municipal, Dr. Agripino T. Moreira Lima, ocupando a tribuna da acusação o Dr. Bernardino Cabral e servindo de escrivão o capitão José Antônio da Silva Lemos.
O presidente do Tribunal, depois de uma ligeira alocução, mostrando as vantagens do tribuinal criado pela Lei n° 697, declarou aberta a sessão, à qual compareceram sete vogais.
Foram submetidos a julgamento os réus Manoel Dantas do Nascimento e Luiz Vicente da Silva, processados por crime de furto e Manoel José da Silva,por crime de ferimentos, sendo os dois primeiros condenados no grau médio do art. 360 § 1º e o último absolvido, apelando o presidente para o Dr. juiz de direito da comarca, visto tratar-se da hipótese do art. 15,nº 8, da citada lei. Os réus tiveram por patronos o major Francisco Cavalcanti e o vigário Joaquim Alfredo(da Costa Pereira).
Ao edifício do Tribunal compareceram os coronéis João Cabral; João de Oliveira Cintra,prefeito municipal; e Gregório Simões de Macedo; capitães Antônio Tritão e Joaquim Soares da Rocha, juiz do 1° distrito, e outras pessoas qualificadas.
A data brilhante de nossa Independência nacional não passou despercebida à "Sociedade 21 de Março" que tem sua sede nesta cidade.
Foi assim que, para comemorar o glorioso feito de 7 de Setembro de 1822, a referida Sociedade realizou uma bela festa que atraíu numerosa concorrência.
No dia 7 do corrente no elegante teatrinho da "21 de Março", por volta de 8 e 1/2 horas da noite, teve lugar uma sessão magna, presidida pelo vigário Joaquim Alfredo.
Aberta a sessão usaram da palavra, além do Sr.Abílio Lemos,orador oficial, as senhoritas Albertina Castro, Santina Galindo e Maria do Patrocínio Castro, bem assim o presidente que encerrou a sessão.
Em seguida, foi levada à cena o drama "Amor e Pátria", do insigne romancista brasileiro, Dr.Joaquim Manoel de Macedo.
Nesse drama, que se refere ao fato histórico de nossa independência, tomaram parte os inteligentes amadores Virgílio Paiva, José Paiva, Abílio Lemos, Miguel Costa, Antônio Cajazeira,José Lemos e Federalino Lemos,os quais se exibiram de modo satisfatório.
Depois do intervalo de 10 minutos, representou-se a espirituosa comédia "Uma Lição aos Maridos" que agradou sumamente à plateia.
Terminada a comédia, recitou uma belíssima poesia o ditinto moço Sr. José de Oliveira Paiva.
Uma orquestra executou escolhidos escolhidos trechos musicais.
O teatrinho, que regorgitava de espectadores, achava-se embandeirado e
ostentava profusa iluminação.
Foi uma bonita Festa a da "21 de Março", que faz jus aos mais francos aplausos pelo desenvolvimento que tem dado a este município.
O ilustre Dr. Lima Borges, juiz de direito desta comarca, convocou o júri para o dia 26 do corrente, devendo ser submetidos a julgamento cerca de seis processos.
Em 10 de setembro de 1904.
(Jornal do Recife de 18.09.1904).

1904 – Jerônimo Tertuliano de Morais, comerciante estabelecido na cidade de S. Bento, deu conhecimento à praça do Recife e do interior do Estado que, em 14 de setembro, constituiu sociedade comercial com seu antigo sócio, Rodolfo Monteiro de Paiva, sob a firma Jerônimo Tertuliano & Cia., continuando estabelecidos na Rua do Comércio nº 31.
(A Província de 21.09.1904).

1904 - “Na cidade de S. Bento, faleceu em 15 de outubro, o conhecido rábula, major Olavo Correia Crespo. Pessoa muito estimada naquela localidade, o extinto gozava de muitas simpatias e deixa imensas saudades aos seus parentes e amigos”. (Jornal Pequeno, de 25.10.1904).

1905 - Em 14 de janeiro, o capitão Francisco de Almeida Calado assume o cargo de prefeito municipal de São Bento, tendo como subprefeito Joaquim Camelo Lins.

1905 - São Bento.
No "Diário de Pernambuco" de 1º de julho, li um artigo que, referindo-se a mim, obriga-me, em bem da verdade a responder.
O missivista recebendo as notas vituperiosas que mandou o Sr. Cintra, sem conhecimento do que se passa por esta infeliz terra, no propósito de ser agradável ao patrão e receber a remuneração pecuniária do aluguel de sua pena hostil a diversas pessoas, e a mim, refere-se a um artigo saído no "Correio" atribuindo-o a mim.
Não sou oposicionista, acompanho o Exm° Sr.Governador do Estado cujo desempenho em seu alto cargo encheu-me de consideração,fazendo-me alistar em seu partido.
O escrevente do "Diário" em vez de assinar-se "Justus" como sacrilegamente fez, deve assinar-se - "Injusto".
1° porque ataca de anônimo o artigo do "Correio", e escreve em pseudônimo.
2º porque atribui o mesmo artigo a mim quando é falso.
3° porque é inverídico tudo que escreveu.
Vejamos. Há dez anos que aqui exerço as funções de pároco, epor todos tenho sido considerado e cercado de respeito, a não ser pelo Sr. João Cintra que levado de ciúmes, da bem estimada estima que este nobre povo me tem,e da influência que sobre ele exerço, que já não a primeira e a terceira vez que tem-se desgostado comigo,dizendo querer eu tomar a chefia política.
Sr.Cintra, mais de uma vez lhe disse que, se quisesse atender às súplicas do povo nesse sentido, já de longe nada era mais o senhor.
Chefia não se homologa com a Igreja.
As funções de pároco exigem que seja para todos, gregose troianos, quer políticos quer não.
A grita que levanta contra mim é verme sempre cercado por todos.
Em tempos, escrevi um artigo que assinei, tratando das injustiças praticadas neste infeliz município, e escrevendo este artigo assino também, pois tenho o preciso critério de sustentar os meus atos.
La Chaussé disse: o anonimato é a arma dos infames.
Senhor "injusto", para que envolveu minha pobrepessoa em seu artigo?
Não desejava entrar em polêmicas, pois o tempo precioso não dá lugar a descuidar dos muitos afazeres.
Não desejo desgostar ninguém.
O senhor fala em alistamento eleitoral, pois bem. A vontade e mira do Sr. Cintra era fazer número de eleitores fosse quem fosse, e assim muitos que estão alistados não são capazes, pois nem sabem ler nem escrever, acomeçar pelo mesmo Sr. Cintra. As assinaturas são mais ilegíveis do que uma barata que saindo de um tinteiro passa sobre o branco do papel.
Para que exige, que fale a verdade?
Apelo para todo este nobre povo de São Bento que é testemunha ocular do que se passou e estou escrevendo.
Qual foi a assiduidade do juiz de direito?
Quem presidiu o alistamento eleitoral senão o juiz municipal?
De uma feita saiu o juiz de direito a 14 de maio, chegando em 2 de junho!
Que diga o povo!
Quando me alistei e mais alguns amigos, era presidente o Dr.Juiz Municipal.
Sr. Cintra, por não gostar do Joaquim Martins, não queria que ele fosse alistado, dizendo ser criminoso.
Nunca exige certidões, - para nenhum efeito; o que se deu foi o seguinte: o Sr. Cintra mandou tirar algumas certidões em o arquivo paroquial enão pagou-as.
Foram portadores o Elói Neves,João Leonardo, Olavo Costa, etc, etc.
Sr.Joaquim Vitalino requereu uma certidão a fim de provar a menoridade de um alistando, cuja deficiência era de cinco meses, o que provo com a mesma certidão.
Mania politiqueira é do Sr. Injusto e do Sr. Cintra que quer ser chefe, seja qual for o governo.
De minha viagem ao Recife nada transudou aqui.
Falei ao Exm.º Sr. Bispo a quem expus a pretenção de ausentar-me, deixando o campo ao Sr. Cintra e Injusto e com o Exm.º Governador a quem expus a infelicidade desta terra, cujos bons cidadãos são dignos de melhor sorte e extorcem-se nas infernais maquinações do chefe.
O partido precisa de chefe para boa ordem pública e direção local, mas não para perseguições e arranjos.
O Exm.º Sr. Dr. Rosa e Silva, que tão bem dirige a política geral de Pernambuco precisa de imitadores e fiéis representates seus.
Quem tem telhado de vidro não atira pedra no alheio.
Apelo para todo este povo nobre da freguesia (que é maior que o pobre município) que ponha na balança o procedimento do Vigário e do "chefe".
Sim, para este tão bom povo, que tem suportado com a maior resignação o azorrague do Cintra, que diga quem é o representante do finado rei de Portugal, e irmão do Deus mitológico, Baco.
Depois do Sr. Injusto vomitar tantas fezes sobre mim e querer atirar no lodaçal em que se charfurdam os maus, faz como o notívago, suga e sopra.
Agradeço os conselhos, tenhomais critérios para lhos dar.
É muito devoto e submisso às prescrições da Igreja,o Sr. Injusto, mas se esqueceu que todos têm direito à fama que custa muito a se possuir e cujo ataque à mesma è pior que o furto.
"Nulius est nomen bonum quam divitiae multae" dizem os Provérbios.
Ainda foi injusto o escritor do artigo dizendo o Cintra estimar esta terracomo o seio de Abraão - "risum beneatis".
O chefe deste infeliz lugar, verdadeiro filho de Epicuro, é como carcinoma que gerando-se na pessoa, esconde-se nas rugas do tegumento, aumenta, deteriora a saúde e produz a morte. Vejamos.
O jogo de "caipira" que tão severamente é vedado em todos os lugares,foi arrematado ao Sr. Tristão o ano passado por 500$000 e este ano ao irmão do Sr. Cintra por 300$000. Bem disse a ilustre "Gazeta de Pesqueira" - "Em São Bento, foi inaugurada a luz a álcool, e o jogo de 'caipira' arrematado por 300$000. Tanta luz para um jogo proibido".
O jogo de bichos, verdadeira praga o Egito, foi onerado do imposto de 300$000 a cada banqueiro; isto devido a Sociedade 21 de Março receber dos mesmos banqueiros mil réis diários para ela; cresceu tanto o dinheiro aos olhos do Cintra, que mandou proibir o jogo, ou então dar-se o dinheiro a ele.
Tamanho é o lucro que foi aceito dos banqueiros.
O Dr. Barbosa Lima que fez do Cintra do Sapo Queimado o mandão de São Bento, deu-lhe 36:000$000 (trinta e seis contos de réis) para o açude (sangradouro), cadeia, escola e ponte (sobre um rio seco); no serviço pode ter sido gasto, quanto muito 16:000$000 (dezesseis contos de réis) e o açude é uma urupema, a escola já de um lado não funciona, está a desabar, a cadeia já foi preciso ser toda reconstruída e a ponte de nada serve.
Quando o Dr. Misael aqui esteve para consertar a urupema (açude), lembrei fazer-se uma cisterna junto ao Mercado, mas o Sr. Cintra disse: "não se ganha dinheiro".
Eis como se deseja o bem do lugar - "Quorosni deus venter est".
O Sr. injusto, pois, deve ver três vezes e falar depois "nem tudo que reluz é ouro".
A vaidade do Sr. Cintra é querer ser o maior do lugar; quer ser um juiz, promotor, médico, vigário, lei, tudo - nem o Czar, pois este já está fazendo concessões aos "zemstvos".
Quando trata-se de júri, quer ser ele ouvido e consultado a fim de decidar da sorte do mísero preso, se falar francês de gaveta está absolvido, saírá custe o que custar, se não ficará: justiça de Marrocos.
Sai o chefe a pedir aos jurados os votos, fazendo-os perjuros.
Veja-se o que sucedeu no processo do infeliz Manoel Costa, - Sr. Cintra pediu a todos os vogais contra o Costa e na ocasião, advoquei a causa, triunfando, - mau grado seu que, zangado, fez como os judeus: sacudiu a poeira dos sapatos em casa do Dr promotor e saíu - dizendo ser o promotor advogado.
O Dr. promotor cumpriu sua missão, acusando, mas em tratar-se bem o advogado não é defender o réu! Sr. Cintra protegeu o Sr. Macário quando este dilapidava a fazenda do sogro, a ponto de aconselhar a aumentar o número de reses para comprá-las por qualquer preço; não o prendeu nem prendia quando com ele se encontrava, agora por dizer ser ele protegido meu, mandou trancafiá-lo; saiu-lhe o ano bissexto e está o Macário no corpo da guarda, e é pronunciado, artigo 257 do Código Criminal.
Foi denunciado o contrabando de compra de couro e algodão, o coletor exige o talão ou multa; o fuão vale-se do chefe que com toda plenitude de seu poder fez mais barato - 50$000 réis e uma garrota.
João Italiano está a ver navios à espera de 12 reses do inventário - que só recebeu - 50$000 réis.
O filho de Pompeu tentou contra a vida de Cajazeiras, disparando-lhe uma pistola d emboscada e crime premeditado; - nada sofreu, apenas fez brinde do cavalinho.
Isto diz o próprio pai que sem o último recurso ficou.
A perseguição é contra os Costa.Martins Ferreira, etc, etc, pessoas estas inofensivas e que só cuidam do trabalho.
Em véspera de São João, o Martins aparta uma disputa onde umn "quidam" açoitava outro de cinturão, o "quidam" ficou passeando na rua e o Martins é que tomou processo.
Ainda não terminam aqui as grandes obras do adorador do seio de Abraão.
Sr. Injusto, continue na sua tarefa de alugar a pena mercenária - que ficarei a responder - certo de que assino-me.
E de ora em diante tomo cautela e responsabilizo o Sr. Injusto e a Sr. Cintra por tudo que contra mim aparecer possa; pedindo ao mesmo tempo ao Ilmº Sr. Governador do Estado que tão sabiamente dirige este Estado, que lance suas vistas para São Bento.
São Bento, 8 de julho de 1905.
Vigário, Joaquim Alfredo (da Costa Pereira)
(Jornal do Recife de 12.07.1905).

1905 - Publicações Solicitadas. São Bento.
O vigário, Joaquim Alfredo, inseriu no "Jornal do Recife", de 12 de julho, um artigo recheado de solecismos, de sandices e de acerbas injúrias procurando destarte vulnerar e ferir a minha reputação de homem de bem que tem resisitido e há de resistir a todas as investidas traiçoeiras e a todos os ataques insidiosos da calúnia e da difamação.
Parece incrível, porém, é incontestável, que certas figuras aparecem na face da terra sem ter no estreito limite do coração - um verdadeiro charco de lama infecta e venenosa, senão infindas maldades, ilimitadas baixezas e torpes vilanias.
O nome abjecto do vigário de São Bento serve para ilustrar a irrefutável asserção que acabei de fazer.
O reverendo pastor de nossas almas sente um satânico prazer de colocar num posto deapodos e ignomínias asmais indiscutíveis honorabilidades, e muitas vezes entrando pelo atalho das invenções procura denegrir e macular a vida privada das pessoas sérias e honestas, imputando falsamente ações desonrosas. A inominada malvadez desse padre que ainda não compreendeu os ensinamentos da moral cristã - a grande e fecunda educadora da alma humana, pode ser atribuída a uma turbação do espírito, a agitação cerebral denominada "epilepsia alcoólica", que o tem arrastado à prática de atos que a razão condena e a consciência reprova.
Entretanto, não posso deixar sem resposta os aleives e as ferinas insinuações do vigário Joaquim Alfredo que na sua vilania de agredir a quem incorre nas suas iras não poupa nem mesmo as qualidades mais sólidas do caráter dos cavalheiros a quem ultraja.
O aranzel que esse pároco publicou no "Jornal do Recife" contém muitas mentiras e muitos embustes que precisam ser refutados e pulverizados,porque ofendem à minha dignidade,ao meu pundonor e eao meu brio.
"A calúnia turba até o ânimo do sábio e abate a firmeza do seu coração".
Além disso é muito difícil muitas vezes quando se examina um tipo degenerado, saber onde acaba a sua maluquice e onde começa a sua esperteza.
O ridículo, o hilariante padre Joaquim Alfredo deixou transparecer no seu alambicado, afetado e pretencioso artigo a vaidade doentia que o domina, de par com a refinada hipocrisia que caracteriza.
A sua estultice corre parelhas com sua perversidade.
É uma criatura pérfida e refalsada que finge seriedade por conveniência, mansuetude e cordura por arte, mas quando sente magoados os calos da presunção sacode a albarda pelos ares, escoicea e mostra o ruim estofo de que é feita.
Há muito tempo o hilariante padre de quem me ocupo, neste momento, - com visível repugnância, pretendia e desejada o bastão de chefe político daqui.
Começou apregoando, por toda parte, as suas crenças monarquistas que certamente se "homologavam com a Igreja".
Foi, porém, pouco a pouco modificando as suas ideias e, talvez pelos efeitos da volta que o mundo dá, o reverendo Joaquim Alfredo se passou com armas e... batina para o grupo oposicionista deste município.
Exultaram os pascásios que obedecem aos acenos do Dr. Neto Campelo, com a entrada do vigário para o arraial dos "lorotas".
Elevado à posição que ambicionava,proclamado chefe,o padre não tem poupado esforços para corresponder a confiança dos seus raros e bravos correligionários. E como os "revisionistas" colaboram harmonicamente com os "lucenistas", - dos quais se distinguem por uma pequena diferença de rótulo, foi sua reverendíssima aclamado o mentor e o assessor dos partidos oposicionistas de São Bento.
O major Vitalino considerava o padre uma preciosidade, um tesouro inexaurível, um filão, um mimo do céu...
O vigário é quase onisciente tem revelado muito talento na arte de escrever verrinas numa massologia rebarbativa, pontilhadas de desaforos, estreladas de erros de gramática.
É verdade que o signatário destas linhas não entende absolutamente nada do que escreve o reverendo Joaquim Alfredo, mas isso não prova qualquer inferioridade dos arranzéis desse jornalista de roupeta. A inferioridade é de quem não sabe elevar-se até as regiões do... "sublime".
Fiquei, pois, desmandibulado de espanto quando li a declaração que sua reverendíssima, "Jornal do Recife" publicou "não sou oposicionista e sim filiado ao partido do Exmº Governador".
Da viagem que o vigário fez ao Recife, e dasconferências que teve com o Sr. Bispo e o Exmº Governador, "só transudou aqui" a notícia de que sua reverendíssima é "cercada de consideração e respeito, gozando da bem dispensada estima deste bom povo sobreo qual exerce influência".
Reconheço a legítima influência do padre, porque sei que ele tem muitos admiradores nos lugares de sua habitual frequência.
Os rufiões, os vagabundos, os jogadores formam a claque desse vigário levado (...) que nunca fez,como São Luiz Gonzaga o voto de perpétua castidade e nem submete a sua folgada existência "a uma progressão contínua e vasta de jejuns e de torturas". Ele prefere a isso as delícias da vida e as delícias do... amor.
O que ninguém pode acreditar é que esse "morigerado pastor" merece o "respeito" e a "consideração" dos habitantes de São Bento.
O sacerdote que quiser conquistar a estima e a veneração dos seus paroquianos deve seguir à risca os preceitos da doutrina de Cristo: "Ama o teu Deus sobre todas as coisas e opróximo como a ti mesmo".
Não é intrigando, mentindo e cantando modinhas ao som do "bronze" que se adquire consideração, Sr.vigário...
É tão grande a desmoralização do padre Joaquim Alfredo e tão pequeno o seu prestígio que não pôde manter uma sociedade musical que havia fundado; e se não fosse o auxílio que implorou a alguns cavalheiros não existiria mais aqui a banda de música.
Pois bem, esse reverendo impostor teve o descaramento, a desfaçatez, o despudor de afirmar no artigo que publicou no "Jornaldo Recife" que "se quisesse de há muito eu não seria mais coisa alguma nesta terra".
A empáfia e as desarrozoadas pretenções de sua reverendíssima começaram quando ele deu para fazer uso imoderado do álcool que considera hoje um excelente "tônico" "de uma ação favorável sobre a força muscular e sobre o cérebro".
O meu coração propende mais para a bondade do que para a crueza, e por isso sinto alguma compaixão do vigário Joaquim Alfredo.
Se sua reverendíssima fizesse o que aconselhou o bispo D. Luiz, e não aparecesse na imprensa para me injuriar, para atassalhar a minha honra,eu deixaria em paz para que pudesse como os animais imundos se rebalsar nas próprias podridões.
Ofendido nos meus melindres,na minha dignidade, sou forçado a repelir as agressões que me tem feito aquele vigário e rebater os seus botes.
Agora vou refutar de um modo cabal o libelo que contra mim estampou, sua reverendíssima, no "Jornal do Recife" no dia 12 de julho.
O padreco começou me censurando por tolerar neste município os jogos de "caipira" e de "bichos".
E, no entanto, é o venerando quem se encarrega de minha defesa, dizendo algumas linhas mais abaixo que esses "jogos" tinham sido proibidos por mim. Esse padre é do céu, não se cria...
Condena a multa imposta aos transgresores e lastima que assim se tivesse procedido,privando a Sociedade 21 de Março, da qual era presidente, de receber aimportância de 1:000$000 (um conto de réis) diário com que contribuiam os "banqueiros de bichos" para aquela associação.
Ninguém entende o imbróglio do vigário. Ou sua reverendíssima é idiota ou supõe que todos são da "força" do cura de São Bento.
Do que escreveu esse representante do clero se depreende o seguinte: Se os "banqueiros" dos jogos que condena e denomina pragas do Egito, continuasse a pagar à Sociedade recreativa de que era presidente, sua reverendíssima dez tostões por dia, - os jogos deviam continuar; mas, como cessou a receita para tal Sociedade e foi criada uma multa como sanção, - o meu ato merece séria reprovação.
... Sua reverendíssima vale o que pesa...
Diz esse padre que eu fui um dos políticos inventados pelo Dr. Barbosa Lima.É mentira, reverendo.
Há muitos anos milito em política e graças a minha lealdade e correção, fui escolhido pelos meus dedicados amigos para dirigir os negócios políticos deste município.
Nos seus articulados, afirma sua reverendíssima que eu recebi avultada quantia para diversas obras públicas e me locupletei desse dinheiro.
É simplesmente uma infâmia do vigário Joaquim Alfredo.
As obras a que alude,foram feitas mediante um contrato com o governo do Estado, e depois de concluídas,foram examinadas por um profissional que as considerou de acordo com as cláusulas do contrato.
Eu tenho-me conservado até hoje conservado probo e honesto, porque nunca quis imitar a esperteza do padre que tão vilmente me caluniou.
Ainda disse sua reverendíssima no artigo a que respondo que eu intervenho nos negócios forenses e policiais deste município e que sou aindamais poderoso do que o Czar.
Essa história é mais uma patranha do padre.
Confio assaz nas autoridades que se acham à frente desses ramos de serviço público e têm bastante critério para não se sujeitarem a insinuações de quem quer que seja.
Elas giram na esfera de ação própria e ampla.
Quanto à proteção de criminosos, de que me acusa também é uma falsidade.
A punição dos verdadeiros criminosos nesta localidade tem sido uma realidade.
O júri de São Bento não se compõe de homens corruptos e venais, como pensa sua reverendíssima.
A prova é que os fatos delituosos têm diminuído de um modo sensível, sendo digno de nota, que no decurso de seis meses últimos não tivemos um só fato criminoso a lastimar.
O crime praticado por Manoel Costa se não teve punição foi porque sua reverendíssima desenvolveu a maior e a mais escandalosa proteção em favor do acusado a ponto de se malquistar com as autoridades que fizeram justiça.
É bastante edificante ver o nosso pároco convertido em defensor e protetor dos assassinos, dos ladrões e dos raptores.
É triste e deprimente ouvir o vigário Joaquim Alfredo vociferar porque Macário Correia foi preso, visto estar pronunciado em crime de furto; blasfemar porque o seu querido Joaquim Martins está sendo processado como autor de um rapto e de ferimentos leves e se queixar por ter gasto perto de 3 contos de réis para obter a despronúncia de José Pinheiro aqui processado por crime de furto de cavalos na judicatura do Dr. Eduardo Correia.
Decididamente sua reverendíssima não tem os delicados escrúpulos de Santo Ivo, o meigo advogado das almas.
A questão do contrabando com que procura aviltar-me pode ser considerado um conto do... vigário.
Não tenho intervenção alguma nos negócios da Fazenda Estadual.
O coletor, major João Vitor, é um cidadão honesto e um funcionário probo e portanto não se prestaria a falcatruas e atos indecentes.
Acresce que a multa a que se refere sua reverendíssima é cobrada por meio de talão e a taxa é fixada por lei.
Quem será a pessoa favorecida pelos escândalos da coletoria?
Publique o nome, padre.
A história do crime do filho do Pompeu é ainda uma inverdade de sua reverendíssima. Semelhante delito nunca se deu. Nenhum procedimento policial ou judicial se verificou. Já se deixa ver que não se tornava necessária minha intervenção para acabar com aquilo que não existia.
Para mais patentes se tornarem as calúnias que sua reverendíssima me assacou com relação ao fato a que venho de aludir e a prisão de Macário, faço publicar as cartas que a tal respeito me foram dirigidas.
Eis outra "peta" do fecundo mentiroso que se assina - vigário Joaquim Alfredo.
É a história das doze reses do João Italiano.
No cartório do escrivão Ovídio Wanderley, em Canhotinho, existe o inventário a que judicialmente se procedeu pormorte de Maria de Tal, filha natural, segundo se diz do referido João Italiano, sendo aí considerados herdeiros os irmãos da falecida, como era de direito e por estes foram divididas as tais reses que não podiam competir àquele.
O patusco e ridículo padre depois de vomitar muitos insultos e de procurar destruir minha reputação de homem de bem, termino me responsabilizando "por tudo que contra ele aparecer possa".
Eu tinha sua reverendíssima na conta de um homem destemido,um Hércules, um Sansão, e agora estou vendo que é um covarde que tem medo até da própria sombra.
Nada receie de mim, Sr. Vigário.
Não esmago répteis nojentos e venenos como vossa reverendíssima pelo terror higiênico do jato consequente das vurmas (pus) comprimidas.
Pode viver tranquilo, porque eu não procurarei nunca aguar os prazeres da sua venturosa existência.
Para a tranquilidade do meu espírito e segurança da vida de vossa reverendíssima, vou-lhe dar um conselho.
Quando tiver de fazer viagens paroquias a cavalo não "desnortei-se".
Pode-lhe suceder cair do cavalo,(..........) e rachar a cabeça,como já lhe aconteceu,quando vossa reverendíssima ia do povoado do Calçado para o de Lajedo,onde tinha de celebrar o santo sacrifício da missa.
Termino fazendo uma promessa ao vigário Joaquim Alfredo:
Se ainda vier à imprensa para me insultar,eu responderei escarrando em todo o seu horror as mazelas e as pústulas do indigno pároco de São Bento.Verá.
São Bento, 2 de agosto de 1905.
João de Oliveira Cintra
Anexos:
Ilmº Sr. coronel Cintra.
Meus respeitos.
Tendo sabido que o Sr. Vigário escreveu no "Jornal do Recife", dizendo que V. Sª era meu protetor com o fim de comprar gado barato que tirava do meu sogro, e que agora trata de me perseguir e até procura me prender por constar que sou protegido do Sr. Vigário, venho declarar por meio desta para o fim que V. Sª entender conveniente, que nada tem de verdade o que diz o Sr. Padre, e nunca tive transações com V. Sª de venda de gado.
Nada valho, mas quero dar provas que sei sustentar a verdade.
De V. Sª credor e venerador.
Macário Correia de Oliveira.
...
Ilmº Sr. coronel João Cintra
Saúde,
Já estava pronto para ir a casa de V. Sª saber se queria desse em público o testemunho de que é mentiroso o fato que a respeito do meu filho narra o Sr. Vigário na publicação que fez no "Jornal do Recife". Passo a responder a carta de V. Sª.
Declaro e juro se necessário for que não só é falso o acontecimento a que se refere o Vigário, como é uma calúnia revoltante a acusação que faz ele a V. Sª de ter dado eu um cavalo para não se proceder contra meu filho.
Admiro-me como um padre tem a coragem de levantar um falso dessa ordem.
Sou um pobre homem que nada possuo e de V. Sª só tem recebido benefícios e me ajuda a viver.
Declaro em tempo que nunca me entendi com o Vigário e respeito dessa questão a que ele alude no "Jornal do Recife".
Pode fazer desta o uso que lhe convier.
De V. Sª atento, amigo e credor.
Pompeu de Holanda.
(Jornal do Recife de 06.08.1905).
Nota: Pelo estilo, é de concluir que as duas cartas acima foram redigidas pelo coronel João Cintra, um homem poderoso, e que exerceu todos os cargos possíveis na administração municipal, judicial e policial.

1905 - São Bento. Solene Protesto.
A Dom Luiz Raimundo da Silva Brito, bispo de Olinda.
Ao Dr. Sigismundo Antônio Gonçalves, governador do Estado.
Os católicos: da cidade de São Bento e dos povoados de Cachoeirinha, Lajedo, Calçado e Jupi, povoados que constituem com a referida cidade de São Bento a freguesia do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, da qual é é seu digno pároco o padre Joaquim Alfredo da Costa Pereira, dirigem mui respeitosamente às duas primeiras autoridades, eclesiástica e civil de Pernambuco, e ao respeitável público um abaixo-assinado contendo em de número mil oitocentos e doze (1812) suas assinaturas, como solene e valioso protesto contra os erros, calúnias, doestos etc, etc, etc infâmias que têm sido publicados nos jornais contra o seu já referido, e muti querido Pastor, cumprindo a todos os signatários afirmarem como prova de "verdade verdadeira", que nem com a mais leve aparência encontra-se pecha que possa manchar a reputação ilibada do seu querido vigário, quer como Cura das almas, quer como particular, porque em tudo é o reverendíssimo Joaquim Alfredo correto, generoso, caridoso, rrespeitador, zeloso, humilde e bondoso; e é com todas essas exemplares qualidades que tem sabido conduzir suas ovelhas ao Reino de Deus, desviando-as do mal. Já uma vez o povo católico desta freguesia solicitou ao saudoso bispo D. Manoel dos Santos Pereira a permanência do amado vigário Joaquim Alfredo em um abaixo-assinado.
Dez anos que entre nós vive não pôde fazer fortuna.
A caridade, abnegação, o desapego das paixões e o desprendimento da riqueza tem sido o seu fim.
Todos quer ricos, quer pobres encontram o mesmo amparo no seu leal e bondoso coração, como verdadeiro cura das almas que ele sói sempre ser.
Assim, nós, seus paroquianos, como católicos e signatários do abaixo-assinado, em número de 1812 protestamos, "um por todos e todos por um", pernte quem de direito for contra tudo (que se disse), e se publicou nos jornais contra o nosso vigário, o reverendíssimo Joaquim Alfredo da Costa Pereira, tornano extensivo nosso justo protesto perante as duas primeiras autoridades da Igreja e do Estado, de Pernambuco.
Seguem-se 1812 assinaturas,
Cidade de São Bento............... 906
Povoado de Cachoeirinha........... 192
Povoado de Lajedo................. 160
Povoado de Calçado................ 424
Povoado de Jupi................... 130
São Bento, 14 de setembro de 1905.
Os signatários: Um por todos e todos por um.
(Jornal do Recife de 19.09.1905).

1905 - Seguem mais, os três atestados passados ao pé das três seguintes petições.

Ilmº Sr. Dr. juiz municipal de São Bento.
O padre Joaquim Alfredo da Costa Pereira, vigário desta freguesia há dez anos, precisa, em bem da verdade, que vossa senhoria ateste o seguinte:
1 - Se durante o tempo em vossa senhoria o conhece tem ou não o suplicante cumprido suas obrigações;
2 - Se é dado ao vício da embriaguês e se vive imorlamente;
3 - Se em suas prédicas tem concitado o povo à rebelião.
Neste termos, pede deferimento.
São Bento, 21 de agosto de 1905.
(a) Joaquim Alfredo da Costa Pereira
(Pagou 400 réis de selo de verba)

Atesto quanto ao 1º item afirmativamente; quanto ao 2º, negativamente e quanto ao 3° deixo de atestar por falta de informações exatas a respeito.
São Bento, 22 de agosto de 1905.
Agripino Tirso Nogueira Lima
...
Ilmº Sr. capitão Joaquim Soares da Rocha, digno juiz distrital de São Bento.
O vigário Joaquim Alfredo da Costa Pereira, a bem dos seus direitos, requer a vossa senhoria que se digne de atestar qual tem sido seu comportamento, durante dez anos de residência nesta freguesia; se tem ou não cumprido os seus deveres; se tem ou não concitado o povo à rebelião e discórdia; se tem ou não amizade com todos os cidadãos residentes nesta cidade e freguesia.
Neste termos, pede deferimento.
São Bento, 19 de agosto de 1905.
O vigário Joaquim Alfredo da Costa Pereira
(Pagou o selo de verba).
...
Atesto que o peticionário na qualidade de vigário desta freguesia tem sido bom pastor e gozado de boa amizade com a maior parte dos habitantes da freguesia.
São Bento, 21 de agosto de 1905.
(a) Joaquim Soares da Rocha
...
Ilmºs Srs. Jerônimo Tertuliano e C.
O padre Joaquim Alfredo da Costa Pereira, vigário desta freguesia há dez anos, precisa que vosssas senhorias atestem em bem da verdade e como comerciantes mais antigos deste lugar o seguinte:
1. Se o suplicante cumpre ou não suas obrigações.
2. Se é dado ao vício da embriaguês, jogo, crápula etc.?
3. Se tem concitado o povo à desordem e desobediências às autoridades?
4. Se tem ou não ótimas relações de amizade com todos os paroquianos?
Assim, pede deferimento.
São Bento, 21 de agosto de 1905.
O vigário Joaquim Alfredo da Costa Pereira.
(Pagou o selo de 400 réis)
...
Os abaixo-assinados, conhecedores da conduta civil e moral do padre Joaquim Alfredo da Costa Pereira, desde que aqui chegou como vigário, passam a responder em fé da verdade aos seguintes itens:
Ao primeiro respondem que o suplicante é cumpridor dos deveres a seu cargo; ao segundo e terceiro respondem negativamente, ao quarto respondem que o suplicante mantém boas relações de amizade com a quase totalidade de seus paroquianos.
São Bento, 22 de agosto de 1905.
(a) Jerônimo Tertuliano & C.
(Jornal do Recife de 19.09.1905).

1906 – Falecimento, na fazenda Riachão, em 19 de fevereiro, do tenente-coronel da Guarda Nacional, Felipe Manso de Santiago, político municipal de grande envergadura e ex-prefeito de São Bento, hoje São Bento do Una.

1906 – Os comerciantes Rodolfo Monteiro de Paiva e Jerônimo Tertuliano de Morais, negociantes em S. Bento, participaram a dissolução amigável da sociedade comercial que girava sob a firma Jerônimo Tertuliano & Cia, retirando-se o primeiro pago e satisfeito do seu capital e lucros e ficando responsável pelo ativo e passivo o senhor Rodolfo Paiva, que continuará com os mesmos ramos de negócio, sob sua responsabilidade.
(A Província de 06.11.1906 e DP de 06.11.1906).

1907 - Publicações Solicitadas. Ao Exm° Governador do Estado e ao público
Venho pelas presente linhas relatar ligeiramente alguns dos fatos que deram lugar ao rompimento entre mim e o chefe político, coronel Cintra, por não querer sujeitar-me ao conclavos imorais que ele está acostumado praticar durante o seu pernicioso domínio político.
Tendo assumido o exercício do cargo de prefeito deste município, em data de 8 de fevereiro, tive que mandar proceder no dia 12 do mesmo as arrematações que achavam-se designadas para este dia.
Antes de começar os trabalhos, apresentou-se o coronel Cintra, opondo-se para eu não fazer figurar em hasta pública os impostos da feira de Cachoeirinha, alegando que já tinha clandestinamente vendido a José Cavalcanti de Albuquerque, faltando simplesmente lavrar o termo de contrto particular, pois havia recebido por conta da referida venda a importância de 235$000 réis, ficando o comprador restando 315$000 réis! Respondi-lhe que não podia satisfazer a sua vontade, porquanto todos os impostos haviam de ir em hasta pública para quem quisesse concorrer aos mesmos.Foi isso suficiente para o prepotente chefe político zangar-se comigo, declarando-se em franca oposição a todos os meus atos, chegando ao ponto de ofender-me, obrigando-me, em desempenho do cargo de prefeito, a repeli-lo energicamente.
Terminado este incidente, mandei começar os trabalhos das arrematações, sendo todas apregoadas e arrematadas por diversos, cabendo a arrematação da feira de Cachoeirinha ao tenente-coronel Jerônimo Tertuliano de Morais, negociante nesta cidade, pela impotância de 600$000 réis, cujo imposto não queria o coronel Cintra que fosse à hasta pública segundo a venda particularmente feita!
Por ocasião das entradas das prestações em dinheiro, correspondentes às arrematações feitas, deixei de recolher em poder do tesoureiro, Sebastião Bento Cintra, sobrinho do chefe, por não ter ainda prestado a fiança legal, o que forçou a entregar os produtos das arrecadações ao major Esperidião Guilherme de Azevedo, comerciante estabelecido nesta cidade, mediante recibo, e ao qual nomearia tesoureiro interino até que o outro prestasse a fiança devida.
Concluídos os trabalhos, chamei o referido coronel a uma declaração pública, a qual foi a seguinte: Se efetivamente era ele devedor da quantia de 1:000$000 (um conto de réis), proveniente de rendas municipais, sem que existisse documento algum no arquivo da Prefeitura que provasse o débito. Respondeu que devia a referida importância a qual pagaria logo que fosse efetuada a compra de um prédio destinado ao Conselho Municipal, confissão esta feita em presença de diversos cavalheiros entre estes o major Esperidião Guilherme de Azevedo, capitão André Alves de Espíndola, major Joaquim Gaudêncio de Carvalho, tenente-coronel Jerônimo Tertuliano de Morais, capitão Francisco de Almeida Calado e outros.
Tendo chegado ao meu conhecimento que o Conselho Municipal no dia 16 do corrente ia realizar uma sessão extemporânea e desconhecendo o fim da mesma, dirigi-me ao Paço do mesmo Conselho em companhia do conselheiro Joaquim Gaudêncio de Carvalho, do suplente de juiz municipal capitão Misael Cordeiro Vilela e meu filho João Camelo de Freitas. Ao chegarmos à sala do referido Conselho, veio ao nosso encontro o conselheiro coronel Cintra, dizendo bruscamente que a sessão era secreta e que nos retirássemos, marchando para pegar-me, tendo sido eu logo pegado por diversos dos seus capangas, havendo o mais audacioso de nome Alexandre Bezerra, desfechado traiçoeiramente uma tapa, a qual atingiu-me no ombro.
Nesta emergência, meu filho João Camelo, julgando-me assassinado, lançou mão de uma pequena faca que trazia, a fim de acudir-me, nada podendo conseguir, porque foi pegado por diversos.
Depois de terminado este incidente, compareceu o alferes Antônio Luiz da Serra Cavalcanti e levando-se pela cavilosa invenção do prepotente Cintra que vociferava furibundo que prendesse meu filho João Camelo, pois este tinha querido assassiná-lo, o mesmo alferes pôs em efetividade a prisão, deixando os agressores em completa impunidade, os quais ostentavam o furor das perversidades do seu chefe.
Acresce que o de nome Bento Correia Crespo, promotor interino da comarca, como mais fiel ao seu patrão, queria que o delegado Serra efetuasse a minha prisão. no que foi repelido pelo mesmo delegado.
A fim de que o público e o Exmº Sr. desembargador governador do Estado, mais uma vez fiquem conhecedores das misérias e falcatruas postas em prática pelo "grande sanguesuga" das rendas deste pobre e infeliz município, o "heró" levantador dos 4:400$000 (quatro contos e quatrocentos mil réis) da Caixa Econômica, passo a expor mais um fruto dele o qual é o seguinte:
O prefeito deste município, capitão Francisco de Almeida Calado, tendo mandado pelo referido "herói" o orçamento municipal para ser publicado no "Diário de Pernambuco", volta ele de Caruaru dizendo que tendo mostrado o referido orçamento ao senador Manoel Rodrigues Porto, dissera este que o orçamento não prestava e era uma grande porcaria, tornando-se preciso fazer outro, incumbindo sem demora a uma pessoa de toda confiança para realizar dito fim; o que provava com um que exibiu na ocasião e este acha-se no arquivo da Prefeitura.
Na ocasião exigiu que lhe fosse dada a insignificante quantia de 200$000 (duzentos mil réis) como pequena remuneração ao confeccionador do "bom Orçamento" no que não foi atendido pelo prefeito por ter impugnado semelhante aberração e julgar incapaz de semelhante ato o senador Porto, pois os seus precedentes se opunham a tamanho disparate.
O que acabo de relatar afirmo, juro em fé de verdade se preciso for e de hora por diante responsabilizo o Sr. coronel João de Oliveira Cintra por qualquer ofensa que possa sofrer.
São Bento, 23 de fevereiro de 1907.
Joaquim Camelo Lins.
(Jornal do Recife de 02.03.1907).


1907 - Publicações Solicitadas.
Ao Exmº Sr. Governador do Estado.
O coronel Cintra tem-se deixado levar pelo desespero nestes dias, e se V. Excia. não der um paradeiro, o povo ver-se-á obrigado a defender-se.
Vendo ele que o eleitorado não o reconhece, ameaça-o.
Inventa processos procurando testemunhas falsas e ineptas, pois são compadres e cunhados.
Não satisfeito de deixar o município na miséria, quer também reduzir à miséira o povo.
Exmº Sr., compadeça-se do povo de São Bento,por Deus, compadeça-se de um povo que sofre.
A política estragada que tem ele feito, obriga-nos a acompanhar somente a V. Excia., ou outro representante, menos ele.
Município de São Bento, 24 de fevereiro de 1907
"Os Eleitores".
(Jornal do Recife de 12.03.1907).

1907 - Publicações Solicitadas. Política de São Bento.
Nós, abaixo-assinados, constituindo em maioria, os poderes executivo e legislativo do município de São Bento, como prefeito, subprefeito e conselheiros municipais; e, formando o seu comércio etc, declaramos que aceitamos unanimemente a sábia orientação governamental do Exmº Sr. desembargador Sigismundo Antônio Gonçalves à qual nos submetemos completamente.
Declarando mais que não aceitamos e nem reconhecemos, como nosso correligionário, o Sr. coronel João Cintra em quem não destacamos e nem reconhecemos prestígio algum oficial ou político.
Isto somos obrigados a declarar em vista do procedimento incorreto "de lesa política local e moral" do referido Sr. coronel.
Município de São Bento, 24 de fevereiro de 1907.
Vigário Joaquim Alfredo
Francisco de Almeida Calado, prefeito
Joaquim Camelo Lins, subprefeito
Joaquim Gaudêncio de Carvalho, conselheiro
Esperidião Guilherme de Azevedo, comerciante
Antônio Sabino de Oliveira,
Raimundo Cavalcanti Guimarães,
(Seguem-se 300 assinaturas).
(Jornal do Recife de 12.03.1907)

1907 - Publicações Solicitadas. São Bento.
Ilmºs Srs. Redatores do "Jornal do Recife"
Lendo nas solicitadas do vosso conceituado jornal de 2 do corrente, um artigo assinado pelo subprefeito deste município, Sr. Joaquim Camelo Lins, no qual diz o mesmo ter eu solicitado da Prefeitura a "quantia de 200$000 réis, como pequena remuneração ao confeccionar do bom orçamento", em Caruaru; em abono à verdade, venho dizer o que se passou a respeito.
Em dias de janeiro deste ano, de passagem para a capital, mostrei em Caruaru ao meu amigo senador Rodrigues Porto, a cópia da lei do orçamento que conduzia para ser publicada no Recife, pedindo ao mesmo senador que a examinasse e a respeito desse sua opinião. Este, atendendo o meu pedido, verificou achar-se ela viciada e borrada de modo a não poder ser publicada; então pedi que me apresentasse uma pessoa habilitada para passar a limpo no que fui atendido, me sendo apresentado o empregado municipal de Caruaru, o Sr. Antônio Augusto de Oliveira, a quem gratifiquei com a insignificante quantia de 15$000 réis que junta a de 45$000 réis, paga por mim pela publicação do citado orçamento no "Diário de Pernambuco".perfez a de 60$000 réis, e como tivesse o mesmo subprefeito achado excessiva esta quantia, disse-lhe eu que a publicação do orçamento do município de Caruaru havia custado 230$000 réis no "Jornal do Recife".
Eis o que se passou.
Quanto as outras referências feitas à minha pessoa pelo Sr. Camelo, portunamente responderei com documentos, pois deve estar lembrado dos garrotes e vacas de José Carlos de Lira, de Serra Grande e de Rufino da Jurema, etc, etc.
São Bento, 8 de março de 1907.
João de Oliveira Cintra.
(Jornal do Recife de 13.03.1907).

1907 - Publicações a Pedido. Política de São Bento.
Esta terra sempre tão pacífica, pela índole ordeira do povo, de política moderada e bem arregimentada, como tem dado provas cabais nos mais empenhados preitos; aqui, onde os adversários gozam do mesmos direitos e favores, concedidos aos correligionários; neste torrão sertanejo, onde os impostos são excessivamente módicos e arrecadados independente de intervenção judicial; este lugar onde o recurso do "habeas corpus" há muito tempo não tem se tornado necessário, é agora caluniado por indivíduos que procuram persuadir ao público acharmo-nos em situação anômala.
Felizmente, os meios postos em campo pelos amigos de ontem e inimigos de hoje na faina inglória de afastarem-me da gestão política deste município somente impulsionados pela vaidade de uns, presunção de outros e imbecilidade de alguns, não medrarão.
As fantasiadas perseguições, o imaginado extravio dos dinheiros muncipais, a pretensa revolta do eleitorado, desaparecem ante à verdade dos fatos.
Sou bem conhecido nesta localidade, minha residência desde a mocidade e os dignos diretores da política situacionista sabem que não sou militante de ontem, nem um especulador, tanto que são de longa data o prestígio e a confiança dispensados a mim.
Os signatários do espalhafatoso artigo inserto no "Jornal do Recife" de 12 do corrente, acusaram-me, sem apontarem os fatos causadores do "reclame" e sem lembrarem-se que, há poucos dias, como amigos de ontem aplaudiam a minha orientação e direção política, colaborando comigo na administração do governo municipal, e a prova está no manifesto que recentemente firmaram aderindo à minha chefia e contra o vigário Joaquim Alfredo, a cujo lado se acham atualmente.
Eles têm de certo dois pesos e duas medidas. A atitude que vêm de tomar revela a deslealdade que os caracteriza. Imbuídos, sem dúvida, pelo reverendíssimo pároco a que aludo e fascinados pelos produtos dos impostos obtidos em arrematação, estando três dos ditos signatários a terminar o mandato, tomaram o pouco honroso convite de se revoltarem.
Quem não compreende neste proceder, uma especulação torpe?
Quem não vê que eles exclusivamente são arrastados pela vaidade e pela ambição?
Durante longos anos, os cavalheiros, signatários do artiguete, sempre foram coerentes e firmes à minha orientação política, jamais ergueram queixas e censuras, e como se explica essa metamorfose rápida, sendo eu hoje tido como um perigoso e prejudicial aos interesses do município?
O que tem de graça é eles não nomearem os fatos, não especificarem a natureza das perseguições e das ameaças, nem indicarem as vítimas!
A calúnia, a mentira diz-se, mas não se prova.
Hei de destruir esse edifício amalgamado de falsidades e aleivosias.
Para triunfo da justiça e da verdade, acha-se à frente do governo do Estado um magistrado de elevado critério e ilustração, prático na gestão dos públicos negócios, que não se deixará impressionar por súplicas manhosas e especulativas, e arguições banais.
Ele, com a costumada sabedoria, saberá agir, separando o joio do trigo.
O plano do reverendíssimo vigário não é ignorado. É a terceira investida a que se atira, objetivando empolgar a direção política deste município. Os contos forgicados e revestidos de vestes espaventosas pelo reverendo Joaquim Alfredo - são "uns verdadeiros contos de vigário".
Ciente disso já está sua Excelência.
Os conspícuos diretores da política conhecem perfeitamente esses pescadores de águas turvas.
O eleitorado de São Bento, independente e brioso como é, - que de eras remotas, tem militado comigo, sob o auspicioso pavilhão do Partido Republicano, chefiado pelo preclaro conselheiro Rosa e Silva, é depositário de minha confiança e saberá ainda patentear a sua lealdade e dedicação jamais desmentidas.
Espero que os meus recém-desafetos-aliados, como se acham aos adversários políticos de todos os tempos, não entoarão vitória nas urnas.
Os meus amigos sinceros, e verdadeiros correligionários não temem as artimanhas empregadas e hão de esmagar aqueles que desejam galgar posições por meios tortuosos e com a suposta capa de defensores dos direitos de um povo.
Hei de analisar o valor das assinaturas do artiguete a que me refiro e "pretensos salvadores de São Bento".
Mostrarei, outrossim, quem praticou atos merecedores de censura e punição.
Voltarei.
São Bento, 21 de março de 1907
João de Oliveira Cintra
(DP de 28.03.1907).

1907 – A Junta Comercial de Pernambuco registra a marca “Sertaneja” de Rodolfo Monteiro de Paiva, sob o n° 417, de 18 de abril de 1907.
(DP de 28.04.1907).

1907 - São Bento.
O Partido Republicano deste município que segue a criteriosa orientação política do Exmº Sr. conselheiro Rosa e Silva e ao benemérito governo do Exmº Sr. desembargador Sigismundo Gonçalves, apresenta e recomenda ao sufrágio do corpo eleitoral em o próximo pleito de 10 do corrente, a chapa infra:
- Prefeito
Coronel João de Oliveira Cintra
- Subprefeito
Manoel Nicoláu Ferreira de Morais
- Conselheiros Municipais:
Vigário Joaquim Alfredo da Costa Pereira,
José Fernandes Xavier Lima,
José Claudino de Almeida,
Odilon Cordeiro de Farias,
Joaquim Manso da Silva Sobrinho,
Luiz Salustiano dos Santos,
Manoel Tavares de Lira,
Bento Correia Crespo,
Abílio da Mota Valença.
São Bento, 1º de julho de 1907.
João de Oliveira Cintra
Francisco Xavier de Lima Borges
Vigário João Alfredo da Costa Pereira
Elias Coelho Cintra
José Carlos Cavalcanti Borges
Joaquim Soares da Rocha
(DP de 07.07.1907).

1907 - Eleições Municipais. O Governador recebeu o seguinte telegrama de São Bento:
"Eleição correu em paz, obtendo chapa governista maioria. Cintra".
(DP de 13.07.1907).

1907 - Eleições Municipais, São Bento.
Resultado geral da eleição a que se procedeu em 10 de julho.
- Para prefeito
coronel João de Oliveira Cintra, 310 votos
coronel Jerônimo Tertuliano de Morais, 237 votos.
- Para subprefeito
Manoel Nicoláu Ferreira de Morais, 311 votos
José Camelo Lins, 235 votos.
- Para conselheiros municipais
Bento Correia Crespo, 310 votos,
Odilon Cordeiro de Farias, 309 votos,
Luiz Salustiano dos Santos, 310 votos,
Joaquim Manso da Silva Sobrinho, 310 votos,
José Claudino de Almeida Valença, 311 votos,
Manoel Tavares de Lira, 309 votos,
José Fernandes Xavier Lima, 310 votos,
Esperidião Guilherme de Azevedo, 234 votos,
Antônio Ferreira de Morais Filho, 237 votos,
Leandro Gonçalves de Souza, 237 votos,
José Inácio Carneiro, 237 votos,
Miguel Correia Vilela, 236 votos,
Manoel Simões de Macedo, 236 votos,
Jacinto de Almeida Calado, 235 votos.
Outros menos votados.
(DP de 25.07.1907).

1907 – Recebeu o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, pela Faculdade de Direito do Recife, Manoel Cândido Carneiro da Silva, nascido em Paudalho (PE), em 02.02.1885, filho do coronel Joaquim Cândido Carneiro da Silva e de Maria do Carmo Carneiro da Silva. Manoel
Cândido foi estudante de Humanidades nos colégios Salesiano e Diocesano, de Olinda, e prestou exames para o Ginásio Pernambucano. Foi delegado d polícia do 1º distrito da capital pernambucana e promotor de justiça e prefeito de S. Bento e Limoeiro. Na vida particular, exerceu a agricultura, sendo proprietário do Engenho Camila, de Paudalho, no seu município de nascimento.
(DP de 14.12.1917, em convite para a festa de 10 anos de formados dos bacharéis da Faculdade do Recife).

1907 – Rodolfo Monteiro de Paiva e Esperidião Guilherme de Azevedo, procuradores de diversas firmas credoras do espólio do coronel Jerônimo Tertuliano de Morais na quantia de 30:908$ 210 réis, cientes de que o atual procurador e advogado da inventariante, Coriolano de Paiva e Melo, procura por todos os meios estorvar e impedir o pagamento do aludido débito, desviando até bens, vêm protestar desde logo contra as vendas, hipotecas, ou transações comerciais que o mesmo procurador e advogado faça, e para tal fim, usarão todas as medidas garantidoras de seus direitos por lei, nulificando qualquer daqueles atos.
S. Bento, 17 de dezembro de 1907.
(DP de 22.12.1907).

1908 – Carta de Rodolfo Paiva: Ao público e especialmente. Surgiu no “Jornal do Recife” de 31 do andante o pronunciado artigo do Sr. Coriolano de Paiva e Melo, vulgo “Pitão”, atualmente procurador de d. Joaquina Maria da Conceição, mãe e herdeira do falecido coronel Jerônimo Tertuliano de Morais, contendo uma inverídica narrativa dos acontecimentos ocorridos na marcha processual do inventário do espólio do de cujus. Antes de tudo, e posso dizer que, exclusivamente, o articulista buscou ferir a minha reputação e a do Sr. Esperidião Guilherme de Azevedo, atribuindo-me e a este um procedimento próprio de quem se mede pela craveira tacanha do Sr. “Pitão”, deixando, aliás, de relatar as apregoadas “heresias jurídicas”. Mas, a verrina vomitada não atingirá ao alvo, que está muito além das investidas de semelhante ululador. Quase que desde o início da vida comercial o finado coronel Jerônimo, tornei-me seu protetor e mais tarde nos associamos, sendo sempre depositário de toda a sua confiança, o que é sabido e notório nesta localidade e por isso mesmo fui solicitado fui solicitado insistentemente pela d. Joaquina, para ser seu procurador e advogado. Relutante a princípio, acedi depois ao convite do difícil encargo que se me oferecia e tratei logo de curar dos interesses da inventariante visando desonerar da melhor forma o acervo, não trepidando até em assumir a responsabilidade perante todos os credores, pelos débitos existes, permanecendo na administração do estabelecimento comercial em nome da inventariante, ficando desobrigado os demais bens semoventes e imóveis, representativos da quantia de 18:000$000 (dezoito contos de réis). Quando o inventário já se achava prestes do seu término, estando os bens encabeçados à herdeira e aceita a minha responsabilidade pelos credores do Recife, o atual procurador e alguns apaniguados seus entrevistaram-se com a inventariante, e pro meio de uma intriga baixa e vil, peculiar a pessoas pouco escrupulosas, levaram aquela a chamar-me, a fim de narrar o que se passava, revelando uma certa desconfiança e foi bastante para com hombridade declarar-lhe que a minha reputação era superior a tais enredos e que melhor seria ela buscar outro procurador. Quem é ganancioso, quem tem perversos intuitos, não procede de semelhante maneira, bem ao contrário é de quem a troco de intrigas e enredos
procura se constituir gestor dos negócios de uma mulher maior de 60 anos, analfabeta e inexperiente em excesso, obtendo procuração com poderes amplíssimos até mesmo para dispor de bens. Vencida a batalha, o Sr. “Pitão” quis no começo entrar em acordo com os credores, apresentado a estes as mercadorias e depois ficando com as mesmas e responsável pelo passivo da casa de importância superior a 35:000$000. Não aceitando o signatário do presente e o major Esperidião Guilherme de Azevedo, como procuradores da quase totalidade dos credores, tão “engenhosa” proposta, irritou-se o patrono da inventariante e manifestou-se em hostilidade. Mostrando zelo “excessivo e desinteressado”, requereu um segundo balanço, no que foi atendido pelo Dr. Juiz municipal, o qual se realizou com toda ostentação de despesas, nomeando-se seis peritos, auxiliares etc., consumindo-se quase quinze dias e elevando-se as custas a dois contos de réis aproximadamente. O confronto com o célebre “Pitão” pretendeu estabelecer do primitivo balanço com o segundo, espetaculosamente procedido, não tem valor algum para os conhecedores da matéria. Faltou com a verdade quando afirmou que pelo primeiro as mercadorias foram balanceadas por 28:000$000, existindo entre este e o segundo uma diferença de 13:000$000. Aquele, já aceito pela inventariante e sancionado com o criterioso parecer do Dr. ajudante procurador dos feitos, apresentou um ativo bruto de 34:000$000 e o outro balanço ou o do sr. “Pitão” deu um resultado bruto de 39:000$000, mais ou menos, e por consequência a diferença que houve foi de 5:000$000 e jamais 13:000$000. O primitivo balanço, feito o desconto de 15% sobre as mercadorias, conforme é estabelecido pela praxe comercial, realizou, então, um ativo de vinte e oito contos e tanto, completamente líquidos e fazendo-se o mesmo com o segundo balanço, ficará este reduzido a trinta e três contos e tanto, permanecendo sempre a mesma diferença de 5:000$000 e jamais de 13:000$000 como disse o tal articulador. É de ponderar que a mudança de resultados foi devida exclusivamente não t erem os peritos se cingido ao preço das faturas e nem levado em linha de conta o mau estado e depreciação de algumas mercadorias, como ordinariamente se pratica no comércio e, sim, deixado se levar pelos preços marcados ou indicados por um caixeiro da casa que se achava despeitado comigo e com o major Esperidião, porque não acedemos ao seu pedido de elevação superior no seu ordenado, ao que sempre tinha ou percebia. Nestas condições, não sendo obrigado a receber mercadorias em pagamento, máxime não sendo pelo seu justo valor, e receosos de que estando tal procurador na gestão dos bens do acervo, não os desviassem para prejudicar os credores, com francamente patenteava, requerendo levantamento de dinheiros em depósito, venda de algodão, entrega da chave do estabelecimento, pretendendo novas avaliações, querendo hipotecar bens, etc., tomou-se o alvitre, desde que iam entrar as férias forenses e o período destas era suficiente para a dilapidação dos bens do monte, de, como medida urgente e assecuratória dos nossos direitos e dos demais credores, representados por mim e pelo major Esperidião, pedir o depósito somente das mercadorias, uma vez que estas representavam o capital dos credores, ficando todos os bens móveis restantes, semoventes e de raiz sob a posse e administração do Sr. Coriolano, vulgo “Pitão”. Tratando-se de dívidas líquidas e certas, pois foram reconhecidas pelos interessados e o seu pagamento determinado pelo juiz do inventário, praticando o procurador atos bastante significativos, conforme disse acima, como em tal emergência, não buscar o meio de garantir, pelo menos em parte, a elevada soma que pesa sobre o ativo da herança em questão. A apreensão na espécie, é uma medida de simples jurisdição voluntária e administrativa, sem outro efeito além da segurança e manutenção de diretos, é ato judicial preventivo e assecuratório destes, não resolvendo as contestações sobre os mesmos. E de tal recurso me utilizei ao ver tudo perdido, porque até um protesto, apresentado por mim e pelo Sr. Esperidião foi negado pelo juiz! Onde a “heresia jurídica e o desvio da diretriz dos interesses da Justiça?!”. Concedido o sequestro, indignou-se o advogado “Pitão” e apresentou estapafúrdio agravo, digno de figurar nos contos de almanak. Para aquilatar-se do “critério” e “competência do ilustrado” patrono, faço inserir alguns trechos do mesmo recurso sem comentários. Para v. Exc. ª agravou d. Joaquina Maria da Conceição por seu procurador do despacho do Sr. Dr. Juiz municipal, pelo qual concedeu mandado de sequestro na casa comercial que era pertencente a seu filho tenente-coronel Jerônimo Tertuliano de Morais a requerimento de diversos acredores do espólio, moradores e comerciantes na cidade do Recife, contra expressa o artigo 669 § 15 do regulamento comercial de 25 de novembro de 1850, conforme passa a expor. O presente sequestro não é mais do que uma manifestação do mal que a outrem causa a propriedade alheia. Os procuradores dos acredores agravados discorrem sobre a varoa bem patenteia quanto custa que outrem possua, a custa de trabalhos e sacrifícios mais meia dúzia de contos de réis. O presente agravo somente deu lugar por ter agravante por seu procurador requerido a juiz a quo a entrega das chaves do estabelecimento comercial, ora pertencente agravante uma vez que estas se achavam em poder de terceiros sem a devida autorização da agravante, contra a expressa proibição do artigo 210 do reg. do Estado”. “Os procuradores dos acredores agravados, tem se desviado do caminho do direito, procurando interromper a marcha do inventário para satisfazerem os seus desejos malévolos e mal intencionados devido tão somente à ganância em que vivem, atropelaram por meios indecentes
os direitos da agravante”...!?
Do exposto se infere a improcedência das arguições cavilosamente feitas pelo tal Sr. “Pitão”. Somos bastante conhecidos nesta terra. Tenho vida laboriosa e honesta, gozando felizmente de bastante crédito e consideração na praça do Recife e de Alagoas, onde já exercia a profissão comercial, ao passo que sua senhoria vive da verba “eventuais”, sem escrúpulo e dignidade, carecendo muitas vezes usar do expediente de bilhetes e contas para manter-se e o seu estado habitual é a completa perturbação cerebral. Creio que me compreende. Não careço de provas, pois, em abono dessa asserção, tenho a população em peso de S. Bento. Não costume, como sua senhoria estar de binóculo em punho “para ver estrelas ao meio-dia”. Por enquanto, é o que basta. S. Bento, 02.01.1908. Rodolfo Monteiro de Paiva.
(DP de 04.01.1908).

1908 - O "Diário de Pernambuco" do sábado, 1° de fevereiro, publicou o seguinte: "O Sr. Superintendente da Great Western respondeu ontem o ofício que lhe remeteu o Dr. Sigismundo Gonçalves, acompanhando um memorial firmado por muitos habitantes de São Bento e referente ao prolongamento da estrada de ferro do mandando estudar brevemente em seus detalhes a construção do novo ramal, a partir da estação de Angelim, situada no município de Garanhuns". Este fato foi a segunda tentativa de idealistas são-bentenses em trazer o caminho de ferro para nossa cidade, como prolongamento da Estrada de Ferro Sul de Pernambuco. Em 1890, já tinha havido uma tentativa de se passar os trilhos da estrada de
ferro central de Pernambuco quando dos estudos do prolongamento ferroviário de Caruaru a Pesqueira.

1908 – “Está sobremodo estragado o prédio estadual onde funcionam as escolas públicas da cidade de S. Bento” afirmou o delegado de ensino dali, Bento Correia Crespo, em ofício ao Dr. Elpídio Figueiredo, ao tempo em que solicitou urgentes providências e também algumas peças do mobiliário, pois o que existe é insuficiente para a grande frequência de alunos.
(DP de 06.03.1908).

1908 – Por ato de 27 de agosto, foi nomeado promotor público, na comarca de Bom Jardim, o bacharel Manoel Cândido Carneiro da Silva.
(Jornal do Recife de 28.08.1908).

1908 - Portaria do secretário geral do Estado nomeou o padre Augusto Berenguer Alcoforado, delegado de ensino da cidade de S. Bento em substituição ao cidadão Bento Correia Crespo que fora dispensado.
(DP de 20.12.1908).

1909 - Carta de Francisco Xavier Lima Borges, datada de S. Bento em 02.05.1909 em que o epistolista narra a agressão sofrida em sua residência em 27.04.1909. Não cita o nome do indivíduo que atentou contra sua vida. E por fim agradece a solidariedade de muitas pessoas de S. Bento e Canhotinho entre as quais o ex-prefeito de S. Bento, Francisco de Almeida Calado.
(DP de 06.05.1909, edição 101).

1909 - Câmara dos Deputados de Pernambuco. “Realizou-se ontem, à hora legal, a 49ª sessão ordinária sob a presidência do deputado Severino Montenegro”. “O primeiro secretário procede à leitura do seguinte expediente: (...) Ofício do Conselho Municipal de Canhotinho solicitando a transferência da comarca da cidade de S. Bento para a de Canhotinho”.
(DP de 11.05.1911).

1909 - Tiro São-Bentense.
Devido à iniciava do 2° tenente Armando Silva, fundou-se em São Bento uma sociedade de tiro que tomou o nome de "Sociedade de Tiro São-Bentense", cuja inauguração teve lugar no dia 1º de novembro.
É presidente da novel associação o coronel João de Oliveira Cintra, chefe político e prefeito do referido município.
O 2º tenente Armando Silva que também pertence ao "Tiro Pernambucano" faz parte, como instrutor, do "Tiro São-Bentense".
(Jornal do Recife de 12.11.1909).
Nota: Tempos depois, em data ainda não conhecida, já sob a administração do Exército, o "Tiro São-Bentense" passou a ter a denominação de "Tiro de Guerra n° 44".

1909 – Festa do Bom Jesus. Eleição das pessoas que têm de concorrer para o maior brilhantismo da Festa do Bom Jesus dos Aflitos em S. Bento no ano de 1911. Juíza da bandeira, d. Francisca, esposa do tenente-coronel Esperidião Guilherme de Azevedo; juiz da festa, major Moisés de Azevedo Leite; juízes por devoção: Abílio Mota, Amaro Melitino de Barros Correia, Rodolfo Monteiro de Paiva, Eutrópio Guilherme de Azevedo, Balbino Guilherme de Azevedo, Dr. Francisco Xavier de L. Borges, Emílio Tavares de G. Barreto, coronel João de Oliveira Cintra, José Tomás Pinto Lapa, Francisco Pinto & Cia., Joaquim Manso da Silva Sobrinho, tenente Armando Silva, Nunes Fonseca & Cia., Fonseca Nunes & Cia., Manoel Gonçalves de Siqueira. Juízas por devoção: d. Antônia Maria de Jesus, d. Amélia Josefina Neri da Fonseca; d. Cordulina, esposa do major Claudino de Almeida Valença; dona Maria, esposa do major Odilon Claudino de Almeida; d. Afra, esposa do professor João H. de Borges Lira; d. Emília Augusta de Siqueira, d. Luiza, esposa de Antônio Gonçalves Tristão; d. Umbelina, esposa de Elias Cintra Valença; d. Rosalina, esposa de José Bento de Oliveira; d. Flora, esposa do major Júlio Bezerra da Silva, d. Maria Augusta Silva, d. Maria, esposa de Feliciano de Paiva e Melo; d. Santina, esposa de Artur Correia de Araújo; d. Tereza, esposa do major Leandro Gonçalves de Souza e d. Benvinda, esposa de Odilon Cordeiro de Farias. Procurador e tesoureiro: Virgílio de Oliveira Paiva.
(DP de 30.11.1909).

1910 - Em 10 de julho, Luiz Salustiano dos Santos assume como prefeito municipal.

1910 – Por portaria de 16 de agosto, o governador do Estado nomeou José Fernandes Xavier Lima, Eutrópio Guilherme de Azevedo e Manuel Lins Cintra 1º. 2° e 3º suplentes de juiz municipal de S. Bento, na ordem aqui colocada e para servirem no biênio de 1910 a 1912.
(DP de 17.08.1910, DP de 21.08.1910 e DP de 01.09.1910).

1911- Publicado o demonstrativo de despesa e receita de S. Bento referente ao período de Francisco Dias da Costa interino; João de Oliveira Cintra, prefeito e Francisco Dias da Costa, secretário.

1911 – Exposição Municipal do Recife. Na relação dos premiados com medalha de prata figuraram, entre outros, Domingos Ferreira de Morais e Rodolfo Monteiro de Paiva.
(DP de 08.03.1911).

1911 - Notícias militares. Atingindo a sessenta o número de sócios do Tiro n° 44, da Confederação Brasileira, o 2º tenente Francisco das Chagas Ferreira, seu instrutor, fez as seguintes nomeações para o corpo de atiradores: capitão, Virgílio de Oliveira Paiva; 1° tenente, Adalberto de Oliveira Paiva; 2ºs tenentes, Antônio Presciliano Chagas e João Hermínio Borges Lira; 1° sargento, Abílio da Silva Costa; 2°s sargentos, Liberato Augusto de Siqueira, Feliciano de Paiva e Melo e Sátiro de Aguiar Ferrão; 3°s sargentos, Sérgio Gonçalves de Souza, Manoel Cintra Valença e José Correia Vilela; cabos de esquadra, Teodoro Bezerra da Silva, Sebastião Gonçalves de Souza e Eufrásio Guilherme de Azevedo; anspeçadas, Ermírio Guilherme de Azevedo, Pedro Gonçalves de Souza e Antônio Camelo.
(DP de 21.04.1911)

1911 – Gazetilha. Reforma do ensino. O bacharel Manoel Cândido Carneiro da Silva, formado em 10.12.1907, tira carta na Faculdade de Direito do Recife. (Jornal do Recife de 24.04.1911).

1911- Publicado o demonstrativo de despesa e receita de S. Bento referente ao primeiro trimestre deste ano (1911). O documento é assinado por Francisco Dias da Costa, secretário;
Antônio Cintra Valença, tesoureiro; Luiz Salustiano dos Santos, prefeito. Pelo Conselho Municipal, assinam: João de Oliveira Cintra, presidente; Manoel Tavares de Lira, Antônio
Carlos de Queiroz Barros, Wenceslau de Carvalho Cavalcanti e Joaquim Manso da Silva Sobrinho.
(DP de 03.08.1911).

1911 – Fundação do Sindicato Pastoril. “No dia 17 de setembro, reunidos nesta cidade, em casa do coronel João de Oliveira Valença; o padre Joaquim de Albuquerque Carvalho Melo, pároco da freguesia; coronel Antônio Cordeiro da Fonseca; tenentes-coronéis Esperidião Guilherme de Azevedo e Gregório Simões de Macedo; majores Domingos Ferreira de Morais, Caetano Soares dos Santos, Caetano de Oliveira Cintra, Rodolfo Monteiro de Paiva, Miguel David Madeira e Félix de Barros Pinto; capitães Balbino Guilherme de Azevedo, Francisco de Almeida Calado, Odilon Claudino de Almeida Valença e José Claudino de Almeida Valença; senhores José Bento de Oliveira, Adalberto de Oliveira Paiva, Bento Corrêa Crespo, José Fernandes Xavier de Lima, Cirilo Veloso da Silva, Eutrópio Guilherme de Azevedo, Virgílio de Oliveira Paiva, Antônio Carlos de Queiroz Barros, Antônio Muniz de Melo, Ernesto Alves da Silva Valença e Odilon Barbosa Maciel, todos residentes no município, assumiu a presidente o coronel João Valença que convidou para secretário Adalberto de Oliveira Paiva. Expostos pelo presidente os fins da reunião, foram submetidos à discussão e aprovados os estatutos do sindicato. Em seguida, procedeu à eleição da diretoria, cujo resultado foi o seguinte: presidente, major Domingos Ferreira de Morais; 1º e 2º vice-presidentes, Odilon Claudino de Almeida Valença e Antônio Carlos de Queiroz Barros; secretário-geral, Adalberto de Oliveira Paiva; adjuntos do secretário, Virgílio de Oliveira Paiva e Balbino Guilherme de Azevedo; tesoureiro, tenente-coronel Esperidião Guilherme de Azevedo os quais tomaram posse dos cargos, assumindo, então, a presidência da reunião o major Domingos Ferreira de Morais, que agradeceu a confiança com que o distinguiram, congratulando-se pela criação de tão futurosa instituição, qual a do Sindicato Pastoril de S. Bento, que iniciará uma era de prosperidade para este município e seus habitantes. O Sindicato constituiu-se com o capital de 50 contos de réis em ações de 100 réis, das quais já foram tomadas cem. A propriedade para o estabelecimento dos mesmos está contratada e demora a duas léguas ao nascente desta cidade, entre o rio Una e o riacho do Gado Bravo, nas quais o Sindicato construirá dois açudes. Além disso, projetam-se as obras e construções necessárias a uma fazenda-modelo de criação de gado. É de se esperar que venham em auxílio desta instituição os governos federal e estadual. 19.09.1911. Um são-bentense. (A Província de 22.09.1911).

1911 – Estatutos do “Syndicato Pastoril de S. Bento”.
Art. 1º - Os cidadãos abaixo-assinados, negociantes, criadores, agricultores e de outras classes sociais, residentes neste município, resolveram criar uma associação que denomina-se - Sindicato Pastoril de S. Bento – conforme os decretos federais de 06 de janeiro de 1903 e 21 de outubro de 1909, com a lei estadual n° 940, de 08 de janeiro de 1908, decreto de 11 de março do corrente ano e de acordo com as disposições dos presentes estatutos.
§ Único. – O Sindicato é de natureza prática e econômica, tem e reconhece, para todos os efeitos de direito, a sua sede neste município.
Art. 2º- É construído com o capital de cinquenta contos de réis em ações de cem mil réis.
Art. 3° - Funcionará por tempo indeterminado.
§ Único. – Só poderá ser dissolvido por unanimidade dos sócios, ou quando o número destes fique reduzido a menos de dez por espaço de um ano, sendo em face deste artigo a sua liquidação regida pela lei comum das sociedades civis.
Art. 4º - É constituído na forma dos presentes estatutos e observada a disposição do art. 2° do citado decreto n° 979.
Art. 5º - Para a execução dos seus fins, o Sindicato obriga-se:
§ 1º. – a adquirir terrenos de pelo menos de uma légua em quadro, situados neste município.
§ 2º. – neles edificar prédios suficientes para seu funcionamento.
§ 3º. – construir cercados com a precisa extensão e largura para refrigério do gado.
§ 4º. – construir dois açudes na propriedade de conformidade com o art. 36 do decreto citado de 21 de outubro de 1909.
§ 5º. – cultivar plantas forrageiras em quantidade bastante para o sustento do gado nas estações de estio.
§ 6º. – obter reprodutores de raça de gado vacum, cavalar e muar que melhor se possam aclimar nesta zona sertaneja, podendo, para este fim, solicitar do governo estadual a promessa contida no art. 85 do decreto citado de 11 de março do corrente ano.
Nº 1 – obter gado lanígero e cabrum de boas raças e de melhor interesse econômico.
§ 7º. –a promover o aperfeiçoamento das raças de animais por meio de cruzamento do gado estrangeiro com o crioulo.
§ 8º. – a criar e manter no estabelecimento o fabrico de queijo e manteiga pelos métodos modernos.
§ 9°. – a fazer junto aos açudes da propriedade plantações e conservá-las por espaço de tempo superior a três anos e em área não inferior a dois hectares nos termos do art. 42do decreto do decreto cita de 21 de outubro de 1909.
§ 10º- a manter uma biblioteca de obras concernentes à agricultura e à indústria pastoril.
§ 11.- a contratar um veterinário e um pecuário para servirem no estabelecimento.
§ 12.- a adquirir mecanismos (ilegível) e próprios ao fabrico de queijo, manteiga e outros trabalhos de laticínios.
Art. 6º. – O Sindicato será administrado por uma diretoria, eleita na sessão de sua instalação e composta de um presidente, 1º e 21º vice-presidentes, um secretário-geral, 1° e 2° ajudantes do secretário e de um tesoureiro.
Art. 7º. – Há três categorias de sócios: sócios fundadores, sócios adesistas e sócios honorários.
§ 1°. – são sócios fundadores os que assistiram à sessão de instalação e tomaram pelo menos uma ação do Sindicato.
§ 2°. – são sócios adesistas os que, não assistindo à sessão de instalação, tomarem posteriormente pelo menos uma ação do Sindicato.
§ 3°. – são considerados sócios honorários sócios honorários quaisquer pessoas que doarem ao Sindicato com a quantia de quinhentos mil réis a mais, ou com objeto de valor equivalente a essa quantia a mais.
Art.8º - São direitos dos sócios fundadores:
§ Único. – votarem e serem votados para os cargos da diretoria.
Art. 9°. – São direitos dos sócios fundadores e adesistas.
§ 1º. – participarem das vantagens e interesses resultantes do Sindicato.
§ 2°. – tomarem parte nas discussões e deliberações da assembleia geral.
Art.10. – São deveres de cada sócio fundador:
§ Único. – exercer fielmente o cargo da diretoria para o qual foi eleito.
Art. 11. – São deveres dos sócios fundadores e adesistas:
§ 1º. – esforçarem-se pelo progresso do sindicato.
§ 2º. – respeitarem as deliberações da diretoria.
§ 3º. – comparecerem às sessões da assembleia geral.
Art. 12. – Podem os sócios transferir as suas ações, perdendo os direitos de acionista e de sócio caso as transfiram todas, direitos que passarão para o transferido logo que da transferência tiver conhecimento a diretoria por comunicação daqueles ou apresentação por este das ações transferidas.
Art. 13. – O mandato da diretoria é por três anos, devendo-se proceder à eleição de nova um mês antes do termo do mesmo mandato.
Art.14. – A diretoria fará uma sessão ordinária por mês em dia previamente designado para tratar dos interesses do Sindicato.
Art. 15. – O presidente da diretoria superintende todos os serviços do Sindicato, nomeia e demite os empregados, admite nos trabalhos sociais operários e diaristas, arbitrando a todos ordenados, salários ou diárias e contratará um advogado para a defesa dosinteresses e direitos do Sindicato.
§ Único. – Compete-lhe:
Nº 1 – presidir as reuniões da diretoria e da assembleia geral.
Nº 2 – ordenar o pagamento das despesas ordinárias e extraordinárias.
Nº 3 – representar o Sindicato ativa e passivamente em juízo ou fora dele, passar procurações e aceitar escrituras públicas ou particulares de quaisquer contratos.
Nº 4 – convocar sessões ordinárias e extraordinárias da assembleia geral.
Nº 5 – abrir, numerar e rubricar os livros necessários ao expediente social.
Nº 6 – assinar com o secretário as atas das sessões e as resoluções da diretoria.
Nº 7 – organizar um relatório anual com o balanço o movimento social.
Art. 16. – Ao secretário geral incumbe:
§ 1º. – redigir e ler as atas das sessões.
§ 2º. – escrever a correspondência do Sindicato.
§ 3º. – manter em boa ordem o arquivo, registrando os ofícios recebidos e deixando cópia da correspondência expedida.
Art. 17. – Os vice-presidentes substituem o presidente em suas faltas e impedimentos.
Art. 18. – Os adjuntos do secretário-geral o substituem em seus impedimentos.
Art. 19. - Ao tesoureiro incumbe:
§ 1º. – ter sob a sua guarda e responsabilidade os valores do Sindicato.
§ 2º. – pagar as despesas ordenadas pelo presidente.
Art. 20. – A assembleia-geral reunir-se-á no primeiro domingo de janeiro de cada ano para tomar conhecimento do relatório e das contas do ano findo e funcionará com o número de sócios que comparecer.

Art. 21. – As sessões serão convocadas pela imprensa e com antecedência de pelo menos quinze dias.
Art. 22. – Estes estatutos devem ser submetidos às formalidades legais para que o Sindicato adquira personalidade jurídica.
Art. 23. – O presidente do Sindicato pode manter uma seção agrícola e um barracão para o custeio do mesmo.
Aprovados na sessão de instalação em 17 de setembro de 1911.
Diretoria:
Major Domingos Ferreira de Morais, fazendeiro, Timorante, presidente
Capitão Odilon Claudino de Almeida Valença, fazendeiro, Velha Ana, 1º vice-presidente.
Antônio Carlos de Queiroz Barros, fazendeiro, Caracol, 2° vice-presidente.
Adalberto de Oliveira Paiva, negociante, nesta cidade, secretário-geral.
Virgílio de Oliveira Paiva, negociante, cidade, 1° adjunto do secretário-geral.
Capitão Balbino Guilherme de Azevedo, negociante, cidade, 2º adjunto do secretário-geral.
Tenente-coronel Esperidião Guilherme de Azevedo, negociante, cidade, tesoureiro.
Lista dos sócios:
01 - major Domingos Ferreira de Morais.
02 - capitão Odilon Claudino de Almeida Valença.
03 - Antônio Carlos de Queiroz Barros.
04 - Adalberto de Oliveira Paiva.
05 – Virgílio de Oliveira Paiva.
06 – capitão Balbino Guilherme de Azevedo.
07 – tenente-coronel Esperidião Guilherme de Azevedo.
08 – coronel João de Oliveira Valença.
09 – José Bento de Oliveira.
10 - major Caetano Soares dos Santos.
11 – padre Joaquim de Albuquerque Carvalho Melo.
12 – capitão Francisco de Almeida Calado.
13 – Caetano de Oliveira Cintra.
14 – Bento Correia Crespo.
15 – José Fernandes Xavier de Lima.
16 – Cirilo Veloso da Silva.
17 – Eutrópio Guilherme de Azevedo.
18 – Rodolfo Monteiro de Paiva.
19 – coronel Antônio Cordeiro da Fonseca.
20 - Antônio Muniz de Melo.
21 – Ernesto Alves da Silva Valença.
22 – major Félix de Barros Pinto.
23 – tenente-coronel Gregório Simões de Macedo.
24 – capitão José Claudino de Almeida Valença.
25 – major Miguel A. David Madeira.
26 – Odilon Barbosa Maciel.
27 - Joaquim Manso da Silva Sobrinho.
São Bento, 20 de setembro de 1911.
O secretário-geral
Adalberto de Oliveira Paiva

CERTIDÃO:
Certifico que nesta data, de acordo com o art. 2° do decreto nº 979, de 06 de janeiro de 1903, foram depositados no meu cartório com as assinaturas e responsabilidades dos diretores dois exemplares dos estatutos, da ata de instalação e da lista dos sócios fundadores do Sindicato Pastoril de S. Bento; bem como remete um deles à junta comercial do Recife. Dou fé.
S. Bento, 20 de setembro de 1911.
Oficial do registro geral de hipotecas,
Antônio Soares da Rocha.

1911 - Na cidade de São Bento, faleceu ontem o coronel João de Oliveira Valença, pai dos Drs. João de Oliveira Valença Júnior e Joaquim de Oliveira Valença. Era natural do Estado de Sergipe, contava 61 anos e gozava de prestígio naquela cidade, sendo sua morte bastante sentida. Era presidente da "Junta Pró-Dantas" de São Bento e prestou relevantes serviços ao Partido Conservador.
(Jornal Pequeno de 21.12.1911).

1912 – Morte súbita do Dr. João Valença Júnior, primeiro bacharel, nascido em S. Bento, formado em 1906 pela Faculdade do Recife. Ele faleceu nas escadarias do Palácio do Campo das Princesas quando se dirigia para uma visita de cortesia ao governador Emídio Dantas Barreto. Na ocasião era prefeito do município de Panelas onde foi sepultado.
(Jornal do Recife, de 18.08.1912).

1912 – Na eleição de 15 de dezembro, o bacharel Manoel Cândido Carneiro da Silva foi candidato a deputado estadual.
(Jornal do Recife de 16.12.1912).

1913 – O bacharel Manoel Cândido Carneiro da Silva foi eleito secretário do Comitê Civilista do Estado de Pernambuco.
(DP de 24.06.1913).

1913 - Em 28 de novembro, Domingos Ferreira de Morais assume como prefeito municipal.

1915 – “Governo do Arcebispado” – Provisões. Provisão do vigário de Belém de Maria, em favor do padre João Firmino Cabral de Andrade. (Jornal do Recife de 27.02.1915).

1915 –“Sobre Belém de Maria”. Do ilustre padre João Firmino Cabral de Andrade, recebemos a carta abaixo:
Catende, 04 de julho de 1915.
Senhores redatores de “A Província”.
Cordiais saudações.
Amigo que me ufano de ser da “Província”, devo dar-lhe algumas informações sobre o selvático atentado de que fui vítima. A consumação da perversidade de três feras racionais teve por origem não poderem estes três indivíduos continuar as suas práticas escandalosas e deprimentes pelo fato de estar levantada a opinião pública de quatro municípios, Bonito, Palmares, Altinho e Panelas em favor dos meus princípios de justiça. Tenho a glória de ter constituído estes três inimigos, por estar ao lado dos infelizes e do pobre povo explorado, que tinha por seu defensor a mim. Pelo que, apelando para a sociedade pernambucana,, entrego a minha causa ao seu criterioso juízo e chamo a atenção de todos os leitores da Província para as minhas cartas ultimamente publicadas em favor de uma população miserável. Do meu leito de desventura, agradeço a todos quantos num deslumbramento de apoteose, tem patenteado a sua solidariedade comigo, neste momento de provação. Servo em Jesus Cristo.
Padre João Firmino Cabral de Andrade.
(A Província de 07.07.1915).

1915 – Visita. Tivemos ontem a visita do reverendíssimo padre João Firmino Cabral de Andrade, vigário de Belém de Maria, paróquia do município do Bonito. O digno sacerdote foi, há pouco tempo, vítima de um covarde atentado naquela localidade para onde regressa a 21 do corrente. O vigário João Firmino veio agradecer-nos as referências que lhe fizemos e a nossa atitude em face do perverso crime cometido. Registramos a atenção do estimado sacerdote.
(Jornal do Recife de 07.08.1915).

1916 – Governo Estadual. O Dr. Manoel Borba, governador do Estado, nomeou em 29 de janeiro, Virgílio de Oliveira Paiva, delegado de polícia do município de S. Bento.
(Jornal do Recife de 30.01.1916).

1916 –“O Diário nos Municípios”. Bonito “O crime contra o padre João Firmino Cabral de Andrade, vigário de Belém de Maria”. Alguns trechos da carta do advogado do padre João Firmino, Hermino Aroucha, provinda de Bonito e datada de 1º de janeiro: De Belém de Maria, nasceu a célebre empreitada, organizada pelos inimigos do Padre, e estes são Manoel Carício, José Gouveia e Antônio Cordeiro e toda essa intriga devido à grita do Padre contra as violências, as espoliações, as extorsões. Antes do crime, recrudescera devido à cobrança indevida e exagerada que o ex-subdelegado, Antônio Cordeira, vinha procedendo por ordem do prefeito, Dr (Alexandrino da) Rocha, aos pobres matutos, referentes nas terras devolutas pertencentes ao Estado, conhecida por Terras do Rei, no lugar Barra do Riachão, deste município. Antônio Cordeiro procedia em nome do Dr. Rocha. O padre João Firmino muito estimado e querido naquela zona de sua freguesia, opunha-se a certa prática do procurador e subdelegado, Antônio Cordeiro, que intimava o pobre diabo para pagar o imposto, sob pena de deixar a sua posse às vezes de infinidade de anos. Ainda se discutiu isso na imprensa. O Cordeiro pedia providência ao chefe e, um dia, o padre caía atravessado pelas balas dos rifles dos três facínoras. Isto se deu em junho e a denúncia teve lugar em 27 de dezembro, devido a toda sorte de embaraços criados pelos chefes quando deviam ter uma atitude mais nobre, procedendo como o caso exigia, procurando processar os responsáveis pelo crime fossem eles seus mais íntimos amigos. Pelo promotor público foram denunciados: Manoel Antônio Carício, José de Gouveia, Antônio Cordeiro, Fraterno do Monte Cabral e Firmino Ferreira de Morais como mandantes e Severino de Gouveia, João Moura e Antônio Flor como mandatários.
(DP de 06.01.1916).

1916 –Revista Forense – Processo-Crime – Publicaremos em nossa edição de amanhã a defesa dos sumariados no processo crime sob o atentado de que foi vítima o vigário de Belém de Maria, em Bonito, padre João Firmino Cabral de Andrade. Serviu como formador de culpa nesse processo o Dr. Lupicínio Domingos Lins, juiz municipal de Água Preta e substituto do de Bonito que jurara suspeição, sendo a justiça pública representada pelo promotor local, Dr. Eduardo de Carvalho. A defesa dos denunciados foi escrita pelo seu advogado, Dr. Fernando Barroca. Para a extensa defesa jurídica, chamamos a atenção dos leitores. (Jornal do Recife, 30 de março de 1916).
Nota: Trata-se de uma longa defesa que preferimos não publicar por não ter conexão com o município de S. Bento.

1916 - O cirurgião-dentista Moacir Cordeiro Fonseca de Medeiros foi comissionado comandante do Tiro de Guerra 44 (na época, denominado “Sociedade de Tiro 44”), de S. Bento, no posto de 1º tenente.
(DP de 08.11.1981).

1916 – O Partido Republicano Conservador (PRC), de Paudalho (PE), pleiteou a eleição municipal com a seguinte chapa: prefeito, Dr. Manoel Cândido Carneiro da Silva e subprefeito, coronel Raul Bandeira de Melo. (DP de 21.06.1916).

1916 – O presidente do Sindicato Pastoril do Município de S. Bento, Domingos Ferreira de Morais, convida os sócios da organização a se reunirem no prazo de 30 dias da publicação deste a fim de se resolver assuntos do interesse da sociedade. S. Bento, 20 de julho de 1916.
(Diário de Pernambuco de 06.08.1916).

1916 - Em 15 de novembro, Rodolfo Monteiro de Paiva assume como prefeito municipal, tendo como subprefeito Francisco de Almeida Calado (seu Chiquinho Cadete).

1917 – Com toda pompa, teve lugar no dia 21 de março a Festa de S. Bento, constando de missa realizada às 8 horas e às 11 horas missa cantada pelo padre Luna, sendo acompanhado pela grande orquestra regida pelo professor Asdrúbal Lima. Ao evangelho assomou ao púlpito frei Matias Tevs e por trinta minutos prendeu a atenção dos fiéis. Às 16 horas, saíram, em bem organizada procissão, a imagem do sagrado coração de Jesus, conduzida pelas zeladoras de São Bento e pelos irmãos de São Vicente e a imagem de São Sebastião conduzida pelos atiradores da Sociedade de Tiro 44. Às 19 horas foi entoado um Te Deum, terminando com a bênção do santíssimo sacramento. A todos os atos compareceu a banda musical “São-bentense”. A matriz e principais ruas foram iluminadas a eletricidade. À tarde e à noite funcionaram o “cinema popular” e um carrossel, havendo à tarde cavalhadas e outras atrações. No largo da Matriz, foram queimadas várias girândolas e peças de fogos artificiais. Reinou a mais perfeita ordem apesar de haver comparecido umas quatro mil pessoas. O encarregado da festa, Dr. Luiz Avelino ficou muitos satisfeito por ter seus esforços coroados de feliz êxito, pois muito trabalhou em companhia do pároco, padre Luna, que não poupou esforços em benefício de sua freguesia.
(DP de 12.04.1917).

1917 - Em S. Bento, no dia 16 de julho, nasceu Clóvis de Azevedo Paiva, filho de Virgílio de Oliveira Paiva, que se destacaria no campo da medicina cirúrgica oftalmológica, sendo um dos pioneiros do transplante de córnea (1947) e pioneiro na cirurgia de catarata (1952) com implante de lente intraocular no Brasil.
(Clóvis Paiva, um médico sem fronteiras, Editora da Universidade de Pernambuco, Recife, 2004)

1917 – Seção: O Diário nos Municípios – S. Bento. Correspondência de 11.08.1917 diz que “seguiu para a capital a fim de trazer munição de guerra para os exercícios de tiro, o instrutor da Sociedade Tiro 44 desta cidade”.
(DP de 16.08.1917).

1917 - Em 7 de setembro, é solenemente inaugurada, pelo prefeito Rodolfo Monteiro de Paiva, a estação telegráfica do município de São Bento.

1918 - Seção: O Diário nos Municípios - S. Bento. Correspondência de 01.06.1918 diz que “regressou para a capital, conduzindo o armamento da Sociedade de Tiro 44, o segundo sargento do Exército, Vicente Cícero de Melo”.
(DP de 04.06.1918).

1918 – No dia 09 de junho, o Grupo Dramático levou à cena o drama “Sede de Ouro” e a comédia “Um professor no sertão”. Todos os amadores saíram-se bem José Siqueira, Alfredo Amaral e Nô Paiva.
(DP de 18.06.1918).

1918 - Falecimento. João de Oliveira Cintra.
Em Belo Jardim, faleceu em 25 de julho,às 23 hoas, o coronel João de Oliveira Cintra. O finado contava 64 anos de idade e era casado em segundas núpcias com Maria Augusta de Barros Correia, de cujo consórcio deixou 6 filhos menores. João Cintra era natural de São Bento onde, por muitos anos, teve influência política, tendo sido por algumas vezes prefeito do mesmo município e ainda erao chefe o chefe do P.R.C (Partido Republicano Conservador) ali. Vitimou-o cruel enfermidade que zombou dos recursos médicos e carinhos da família.
(A Província de 28.07.1918).

1919 - Em 15 de novembro, Adalberto de Oliveira Paiva assume como prefeito municipal, tendo como subprefeito Sebastião Gonçalves de Souza.

1919 – o Dr. José Rufino Bezerra Cavalcanti, secretário geral do Estado, nomeou, ontem, Manoel Cândido Carneiro da Silva para exercer o cargo de delegado de polícia do 1° distrito policial da Capital.
(DP de 25.12.1919).

1920 – (Jornal Pequeno de 29.03.1920) Governo do Estado. O Dr. José Rufino, governador do Estado assinou, hoje, o seguinte ato: nomeando os cidadãos, capitão Virgílio de Oliveira Paiva e Severino Muniz de Melo, para exercerem respectivamente, por tempo de dois anos, na forma da lei, os cargos de 1 / e 2° suplentes do juiz municipal de S. Bento. (Jornal Pequeno de 29.03.1920).

1920 – Pelo telégrafo nacional. Junta de Povoamento do Solo. “Rio, 20 – Foram nomeados para a Junta do serviço de povoamento do solo, em S. Bento, os cidadãos: capitão Virgílio de Oliveira Paiva, presidente; capitão Francisco de Almeida Calado, vice-presidente e José Augusto de Siqueira, secretário”. (A Província de 21.06.1920).

1920 – O recenseamento do ano registrou uma população de 20.700 habitantes, sendo 11.000 em S. Bento, 4.799 em Cachoeirinha e 4.901 em Capoeiras.

1921 – Crônica social. Aniversários. “A data assinala o aniversário natalício do Dr. Manoel Cândido Carneiro da Silva, delegado do 1° distrito policial da Capital. Autoridade honesta e criteriosa, o aniversariante tem merecido os aplausos de toda a imprensa da Capital. O Jornal do Recife fazendo justiça ao mérito saúda o ilustre doutor pelo feliz aniversário”.
(Jornal do Recife de 01.02.1921).

1922 – O presidente da República assinou decreto, em 29 de janeiro, nomeando ajudantes do procurador da República na seção de Pernambuco: primeiro e segundo no município de S. Bento, Francisco de Almeida Calado e Torquato Augusto de Siqueira.
(Jornal do Recife de 31.01.1922).

1922 – “Diário nos Municípios”. S. Bento. Para o grande leilão do dia 30 de abril de 1922, em benefício da Matriz de S. Bento, deram setenta e quatro reses os seguintes senhores: Adalberto Paiva; Cristóvão de Carvalho; Manoel José Filho, três reses a 120$000 réis cada; Abílio Costa, João Caracol e Leandro de Souza três reses a 105$00 réis cada; Eutrópio Azevedo, uma no valor de 100$000 réis; José Demétrio; Vital Cavalcanti; Francisco de Almeida Calado; Caetano Cintra, Joaquim Florentino de Lima; Antônio Leandro, seis reses a 90$000 réis cada; Pedro Demétrio; Isidoro Teixeira; Arlindo Valença; Odilon Claudino; Tiburtino Valença; Joaquim Muniz; Ernesto Valença; Francisco Isidoro; Pedro Tavares; Cirilo Veloso; Eneias Valença; Estevão Riachão; Luciano Ferreira; Wenceslau Cavalcanti; Pedro Chico; Teodo Bezerra; Olímpio de Almeida; Lúcio Tavares e Júlio Nicodemos dezenove a 75$000 réis cada; Jacinto Cadete; Gabriel Cadete; Vítor Calado; Jacinto Calado; Henrique de Almeida Calado; Antônio Cadete; Manoel Alves Claudino; Francisco Claudino; Joaquim Bulu; Joventino Valença; Joaquim Alves Valença; Misael Vilela; Érico Azevedo; Joaquim Honorato; Balbino Caracol; Joaquim Caracol; Antônio Carlos; José Xavier Lima; Antero Mota; Antônio Correia; Manoel Morais; Vitalino Silva; Patrício Simões; Epaminondas de Almeida; Isidoro Ferreira; Augusto Correia; Virgílio Paiva; Elias Cintra; Joaquim Manso; Neco Ferreira; José Odilon de Almeida; vigário Joaquim Pininga; Luiz de França Azevedo e Maria Francisca de Almeida 35$000 a 60$00 réis cada; Luiz Honorato, José de Holanda e Luiz Cadete; quatro a 45$000 réis cada; Joaquim Nemésio, Aristides Santos e João Cadete, três a 40$00 réis cada. Os carneiros no valor de 386$000 réis foram dados pelos senhores: Pedro Alexandre, José Manoel do Nascimento, Eronides Pacheco, João Oliveira, Ricardo Protásio, Antônio Bezerra Filho, Tomás de Andrade, Alfredo Muniz, Luiz Enes, Manoel Porfírio, Antônio Tito, Sebastião Leandro, José Cintra, Flávio Valença, João de Melo, Honório Santos, Antônio Vicente, Antônio Trindade, Anísio de Andrade, Pedro Pinto, Zacarias Soares, José Matias, Manoel Avelino, Antônio Avelino, Manoel Macedo, Manoel Cazuza, Antônio Ferreira, José Leôncio, Sinésio Veloso, Severino Silva, Manoel Bernardino, Manoel Zacarias, Zacarias de Oliveira, Zeca Valença, Joaquim Ferreira, Bernardino Ferreira, João Morais, Luiz Gonçalves de Souza, Antônio Soares, Sebastião Cirilo, Abílio Braga, Tonico Oliveira, José Santos, Francisco Cintra, Napoleão Raimundo, José de Azevedo, Júlio Salgado e as digníssimas Teresa Santos e Ulcessina Lima. Outras prendas no valor de 530$700 réis foram dadas pelas senhoras digníssimas Ana Xavier, Maria Luzinete, Letícia Almeida, Antônia Cordeiro, Antônia Conceição, Maria Zeferino, Umbelina Pontes, Maria Xavier, Maria da Anunciação, Idalina de Andrade, Auta Cordeiro, Cecília Leandro, Teresa Silva, Maria Preta, Delfina Serra Negra, Amélia Manso, Leopoldina Vilela, Adelaide Silva, Rita Silva, Ana Bezerra, Geralda Silva, Georgina Embirassu, Maria Cordeiro, Maria Lima, Cândida Silva, Rita Carvalho, Maria Simplícia, Bernardina Melo, Maria Carvalho, Arcanja Leite, Emília Hemetério, Alzira Costa e os senhores: Elias Cordeiro, Firmino Caracol, José Coriolano, João Mota, José Tito, José Cadete, Esperidião Ferreira, Hermógenes Galvão, Olímpio Camilo, José dos Santos, Antônio Ferreira, Gustavo Cordeiro, José Isídio, Sebastião Gomes, Antônio Lins, Diógenes Valença, Antônio Camilo, Joaquim Ezequiel, Neco Tito, Antônio Sinésia, Floriano Gordo, Manoel Silva, Joaquim de Holanda, Pedro Pinote, Josefa Morais, Elias Cordeiro e Mariano Tito.
Dona Zulmira Paiva, esposa do coronel Adalberto Paiva arrecadou prendas no valor de um conto novecentos e oitenta e um mil réis (1:981$000 réis); dona Leonor Paiva no valor de um conto cento e oito mil réis (1:108$000 réis); dona Cecília Queiroz Caracol seiscentos e oitenta e cinco mil réis (685$000 réis); dona Mariá Paiva quinhentos e cinco mil réis (505$000 réis); Elias Cintra trezentos e sessenta mil réis (360$000 réis); Odilon Cordeiro trezentos e trinta e cinco mil réis (335$000 réis); José Augusto de Siqueira trezentos e trinta mil réis (330$000 réis); dona Genê Azevedo duzentos e oitenta e quatro mil réis (284$000 réis); Aristides Santos duzentos e trinta e sete mil réis (237$000 réis); d. Ana Xavier cento e oitenta e cinco mil réis (185$000 réis); d. Ester Siqueira cento e quatorze mil réis (114$000 réis); Tereza Lemos de cem mil réis (100$000 réis) e José Raimundo de vinte e seis mil réis (26$000 réis).
Cerca de 50 fazendeiros a quem a comissão não se dirigiu estão tristes por não terem feito parte desse grande movimento e generosidade e constam que estão dispostos a suplantar o leilão do dia 30 de abril passado na primeira oportunidade com dádivas de maior valor em benefício de nossa Matriz. Para todos, minha alma agradecida pede as melhores bênçãos da Providência. Servo em Jesus Cristo.
Padre João Firmino Cabral de Andrade.
(DP de 12 de maio de 1922).

1922 – Notícias militares. Do boletim de ontem da 6ª Região Militar. Em virtude da proposta da chefia do Serviço de Recrutamento, o comandante da 6ª R.M. exonerou, a pedido, dos membros da junta permanente de alistamento militar do município de S. Bento, os capitães da antiga Guarda Nacional Abílio da Silva Costa e Virgílio de Oliveira Paiva e nomeando para a dita junta o capitão Francisco de Almeida Calado e o tenente José Holanda Cavalcanti, ambos da mesma milícia.
(Jornal do Recife de 26.08.1922).


1922 – As Festas do Centenário da Independência do Brasil. Na cidade de S. Bento, o brilhante feito terá, também, condigna comemoração. Uma comissão composta pelo Dr. Manoel Cirilo Wanderley, juiz de direito; padre João Firmino Cabral de Andrade, pároco; Dr. Efrem Embirassu, juiz municipal; tenente-coronel Adalberto Paiva, professor Napoleão Evaristo da Cunha, capitão Virgílio Paiva, major Caetano Soares, capitão Francisco de Almeida Calado, José Raimundo da Silva, Luiz Pereira, Alfredo Amaral, Joaquim José da Rocha e Silva, Petrônio Valença, major Eutrópio Guilherme de Azevedo, tenente Liberato Augusto de Siqueira, José Augusto de Siqueira e José Luiz de Souza encarregou-se dos festejos, organizando o programa seguinte: Às 5 horas, alvorada, com salva de 21 tiros; bênção do santíssimo sacramento e, depois, hasteamento da bandeira nacional. Às 10 horas, missa campal do modo da primeira que se celebrou no Brasil. Será ereta uma cruz em um campo existente ao lado da cidade. Girândolas de foguetes e música. Às 12 horas passeio pelas principais ruas da cidade, música e fogos. Às 16 horas grande passeata cívica, hinos etc. Falarão durante o trajeto Joaquim José da Rocha e Silva, adjunto do promotor público e outros oradores. Em seguida, arriamento da bandeira, ladainha à virgem da Conceição e bênção do santíssimo sacramento. No “Teatro Paroquial”, se realizará às 20 horas a sessão cívica. Fará conferência sobre o glorioso feito Carlos Barreto de Siqueira e Melo. Discursarão, também, o capitão Virgílio de Oliveira Paiva e o professor Napoleão Evaristo da Cunha. Será depois levada à cena um interessante drama histórico. O espetáculo terminará om hinos e apoteose ao Brasil.
(DP de 03.09.1922).

1922 – Em 15 de novembro, assume José Tiburtino Pacheco assume como prefeito municipal.

1923 - Em 25 de abril, esteve em S. Bento, o governador Fernandes Lima, do vizinho Estado de Alagoas, em visita ao amigo de bancos universitários, Manoel Cirilo Wanderley, juiz de direito da Comarca.
(A Província, de 26.04.1923).

1924 – Delegados de estatística da Associação Comercial de Pernambuco. Para o município de S. Bento foi escolhido Eutrópio Guilherme de Azevedo.
(A Província de 25.04.1924).

1925 - O prefeito do município de S. Bento foi autorizado a contratar o serviço de iluminação elétrica, podendo despender até 60 contos de réis por ano.
(DP de 04.03.1925).

1925 - Para as eleições de 12 de julho, o diretório partido que apoiava o governador Sérgio Loreto, em S. Bento, apresentou a seguinte chapa: prefeito, Joaquim Manso da Silva Sobrinho; subprefeito, Liberato Augusto de Siqueira. Para o Conselho Municipal: Cirilo Veloso da Silva, Aristides José dos Santos, Odilon Cordeiro de Farias, Olímpio Tenório de Almeida, José Joaquim de Oliveira, Wenceslau de Carvalho Cavalcanti e Luiz de Almeida Callado (meu pai). Pelo diretório assinaram o Manifesto de 10.05.1925: Elias Cintra Valença, Liberato Augusto de Siqueira, Olavo de Souza Costa, Antônio Epaminondas de Almeida e Balbino de Cerqueira.
(DP de 06.06.1925).

1925 - A junta de recursos das eleições municipais resolveu negar provimento ao recurso impetrado pelo candidato derrota a prefeito, Joaquim Manso da Silva Sobrinho, Liberato Augusto de Siqueira e Olavo de Souza Costa. E declara eleito para o cargo de prefeito,
Euclides da Mota Valença; para subprefeito, Pedro Soares da Rocha e para os cargos de conselheiros municipais e suplentes, na ordem em que vão colocados: Misael Correia Vilela,
Manoel Inocêncio de Carvalho Cavalcanti, Luiz Gonzaga de Souza, José de Almeida Callado, José Belarmino Teixeira, Olavo de Souza Costa, Pedro Calumby de Azevedo, Tomás Elias de Mello, Cirilo Veloso de Mello, Olímpio Tenório de Almeida, Wenceslau de Carvalho Cavalcanti, Luiz de Almeida Callado (meu pai), Juventino César Valença, Antônio Camillo Valença, Aristides José dos Santos e Odilon Cordeiro de Farias.

1925 - Inauguração do primeiro motor elétrico de fabricação inglesa, na época chamado de "usina", graças ao espírito empreendedor de João Gomes da Silva, cidadão de Belo Jardim, que também construiu o primeiro cinema mudo, cujo nome era Cine Paraíso. Foi João Gomes da Silva quem trouxe o eletricista prático, João Virães de Oliveira, de São Caetano, para administrar o motor e a casa cinematográfica. Depois, João Gomes vendeu a usina elétrica, inclusive o cinema mudo, a Eutrópio Guilherme de Azevedo. Financiada pelo tio Henrique Marques de Holanda Cavalcanti, 2º Barão de Suassuna, que nessa época tinha fazenda no município de S. Bento, dona Pânfila Cavalcanti de
Queiroz Monteiro comprou de Eutrópio Guilherme de Azevedo a usina elétrica e implantou o cinema dito falado na cidade (Cine Eldorado). Houve um incêndio na máquina de projeção e o Cine Eldorado ficou fechado por muito tempo. Mais tarde, dona Pânfila vendeu o motor elétrico ao dentista, Dr. Severiano Jatobá, natural de Pesqueira. Por fim, o Dr. Severiano transferiu o motor para a Municipalidade são-bentense. Esse velho motor teve uma vida útil de mais de 25 anos, só em S. Bento, graças ao empenho de João Virães de Oliveira e seu fiel escudeiro Margareto que o lubrificava todas as tardes.

1925 - O empresário João Gomes da Silva, em carta de Belo Jardim, datada de 10 de julho, apresenta solene protesto contra publicação do Jornal do Comércio, do dia 08 de julho, cujo correspondente em S. Bento o acusara de ter feito um empréstimo de 100 contos de réis junto ao Barão de Suassuna para fazer a montagem da empresa. O empresário reafirmou que montou a empresa de luz, cinema e máquinas de beneficiar algodão na cidade de S. Bento e que, para tanto, não foi preciso levantar empréstimo de importância alguma a cidadão nenhum. (Jornal do Recife, de 14.07.1925).

1925 - Em data não precisa, Euclides da Mota Valença assumiu como prefeito municipal, tendo como subprefeito Pedro Soares da Rocha, filho de Joaquim Soares da Rocha.

1927 – Nesse ano, Eutrópio Guilherme de Azevedo figura, numa petição para recolhimento do imposto de energia elétrica, como proprietário da Empresa de Energia Elétrica do Município de S. Bento.
(A Província, do Recife, de 12.03.1927).

1927 - A lei Municipal n° 97, de 29 de setembro, eleva à categoria de distrito (vila) a povoação de Retiro que mais tarde passaria a se chamar Cabanas (Anexo 1, de 14 de janeiro de 1944, do Decreto-Lei Estadual n° 952, de 31 de dezembro de 1943.

1927 - Em 31 de dezembro, Érico Guilherme de Azevedo assume como prefeito municipal.

1928 - Eleições Municipais - As chapas organizadas – S. Bento: prefeito, Érico Guilherme de Azevedo; subprefeito Manoel Inocêncio Carvalho Cavalcanti. Conselho Municipal: Tomás Elias de Melo, José Belarmino Teixeira, Antônio Camelo Lins, Liberato Augusto de Siqueira, Juventino César Valença, Gercino Amaro da Silva, Abdon da Silva Jordão, Luiz Gonzaga de Souza, Cirilo Veloso da Silva.
(A Província de 26.09.1928).

1929 - Na Fazenda Maniçoba, de seu filho major Pedro Soares da Rocha, faleceu em 27 de agosto, aos 98 anos e quatro meses, o capitão Joaquim Soares da Rocha, considerado como o primeiro prefeito eleito do município de S. Bento.

1929 – A secretária do Partido Republicano Democrata divulgou a seguinte nota: O diretório do Partido Republicano Democrata do município de S. Bento constituiu-se assim: Eutrópio Guilherme de Azevedo, presidente; Alfredo Cavalcanti Cintra e Manoel Tavares de Lira.
(Jornal Pequeno de 25.10.1929).

1930 - Em 1º de fevereiro, Euclides da Mota Valença assume como prefeito municipal eleito.

1930 “Pelos Municípios”. São Bento. Centenário da Matriz. O padre João Firmino Cabral de Andrade há dias que vem levantando a simpática ideia de comemorarmos com vivo interesse o centenário da construção da matriz e da fundação da cidade de São Bento. Esse feliz acontecimento que somente uma geração pode celebrar porque, quando se repete o centenário, já é outra que vive, está empolgando a alma popular. Para festejarmos este fato condignamente, o vigário tem convidado em domingos sucessivos seus paroquianos para uma grande reunião com o fim de estudarmos e resolvermos o que é preciso fazer-se. Realizou-se ela ontem na matriz. Foi uma grande assembleia presidida pelo reverendíssimo vigário na qual tomaram parte o Exmo. Sr. Dr. Manoel Cirilo, o prefeito Érico Azevedo, o delegado, funcionários da justiça e das repartições fiscais, comerciantes, fazendeiros, senhoras, senhorinhas e o povo em geral. O vigário expondo o fim da reunião, disse que devemos celebrar o centenário da matriz com seus reparos: forro, mosaico, pintura, conserto da torre, parapeitos e uma capela para a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, calculando em cerca de 20 contos o necessário para a execução dessas obras. Essa quantia avantajada ao que parece não devia desanimar a ninguém, mas ao contrário, a dificuldade em arrecadá-la devia enrijar a nossa alma católica e atirar-nos com zelo de apóstolos ao campo das realidades. A ideia foi acolhida com a expressão de íntima satisfação, transparecendo em todos o interesse cristão de empregarem atividade e dispensarem sua generosidade no intuito de engrandecer e embelezar a passagem do primeiro centenário do templo consagrado ao Senhor Bom Jesus Pai dos Pobres Aflitos, o qual se ergueu com os primeiros alicerces da cidade. Já em mil oitocentos e oitenta e quatro, em vinte e um de janeiro, a Câmara Municipal dizia em ofício ao presidente da Província: ‘A Igreja matriz desta Vila pode-se dizer que é um dos melhores templos da Província, excetuando os das grandes cidades’. Pelo secretário, capitão Virgílio Paiva, foi apresentado e com satisfação e aplausos gerais da assembleia aceita a ideia de ser ereto em frente da matriz um monumento com a inscrição dos nomes de todos os párocos e que durante o decurso do primeiro século foi confiada a cura das almas do povo de S. Bento. Esse obelisco em colunata vem atestar duas coisas perpetuando-as: primeira, o cuidado da igreja na assistência perene e desinteressada dos interesses eternos dos grandes e pequenos; segunda, a fé cristalina que atua e que encandece os corações, traduzindo-se por obras duradouras de generosidade e gratidão aos verdadeiros benfeitores. Resolveu-se que sob a direção do vigário haja um tesoureiro, uma comissão de agentes na cidade, subagentes nos distritos sob a inspeção dos primeiros, uma comissão de comerciantes para agenciarem donativos entre os seus amigos na capital e entre os seus fregueses, uma comissão aqui de senhoras e outra de senhorinhas.
Foram organizadas as seguintes comissões:
- Diretor – padre João Firmino Cabral de Andrade,
- Tesoureiro – major Elias Cintra Valença.
- Comissão de agentes:
José Augusto de Siqueira, Alfredo Cinta Valença e José Raimundo da Silva.
Comissão de agentes na capital: Rodolfo Paiva & Filhos, José Manso da Silva, Aristides José dos Santos e major Elias Cintra Valença.
- Subagentes nos distritos:
Cirilo Veloso da Silva, Manoel Ferreira de Omena, Odilon Cordeiro de Farias, Cristóvão de Carvalho Cavalcanti, Antônio Correia da Silva, Antônio Bezerra da Silva, Manoel Avelino do Nascimento, José Demétrio Pereira de Melo, Álvaro Esteves Braga, Olímpio Tenório de Almeida, Manoel José do Nascimento Filho, Pedro Soares da Rocha, Flávio César Valença, Joaquim Correia de Melo, Celso Crespo Costa, Epaminondas de Almeida Valença, José Guilherme Vilela, Zacarias Simão da Costa, Antônio Marinho de Almeida, Miguel Agostinho da Silva, Filadelfo Pacheco, Artur Tenório de Almeida, Celestino Silva, José Luiz da Silva, Agostinho Xisto e Lafaiete Rodrigues de Freitas.
- Comissão de Senhoras:
Maria Wanderlei, Leonor Paiva, Mariá Paiva, Zulmira Paiva, Umbelina Cintra, Alice Santos, Rosária Siqueira, Maria Honório Fonseca, Generosa Azevedo, Isabel Morais, Isabel Manso, Alzira Silva, Júlia Soares, Amélia Ezequiel, Emília Valença, Teresa Lemos, Amélia Souza Valença e Amélia Camelo.
- Comissão de senhorinhas:
Alzira Costa, Ester Siqueira, Ester Siqueira Sobrinha, Marcionila Morais, Arminda Lemos, Isaura Camelo, Francisca Cintra, Stella Paiva, Maria Cordeiro, Emília Siqueira, Elvira Soares, Júlia Dantas, Elza Valença, Cândida Valença e Ernestina Cintra.
Foi aberta a subscrição e assinadas as importâncias de cinquenta mil réis, de cem mil réis, de duzentos mil réis que atingiram logo a cerca de quatro contos de réis. O prefeito Érico Azevedo, este moço para quem se estão voltando as esperanças do Município, prometeu auxiliar nas festas centenárias da cidade e da matriz. 03 de fevereiro de 1930.
(Jornal do Recife de 18.02.1930).

1930 – O presidente do Estado da Paraíba, por ato recente, nomeou o Dr. Manoel Cândido Carneiro da Silva delegado-geral de polícia daquele Estado. Em Pernambuco, o Dr. Manoel Cândido exerceu vários cargos públicos, inclusive o de delegado do 1º distrito policial do Recife. O cargo de delegado-geral de polícia do Estado da Paraíba fora criado em 27.01.1930.
(Jornal do Recife de 06.03.1930).

1930 – Em 1º de março, realizaram-se as eleições para presidente da República, saindo vitorioso o candidato governista, Júlio Prestes, que tinha sido presidente do Estado de S. Paulo. No entanto, um movimento militar revolucionário iniciado no Rio Grande do Sul em 03 de outubro depôs o presidente Washington Luiz e Getúlio Vargas, que havia perdido a eleição, assumiu como chefe do governo provisório em 03 de novembro, data que assinala o fim da República Velha no Brasil.

1930 – Carta enviada pelo padre João Firmino Cabral de Andrade – “São Bento, 4 de março de 1930. Ao “Diário” comunico com muita tristeza que amanheceu hoje, terça-feira, a população alarmada e indignada contra um forte tiroteio feito à porta do Dr. Manoel Cirilo Wanderlei, juiz de direito, às 24 horas de ontem. A população pacata estava dormindo e acordou com essas descargas de armas de fogo. A população comenta este fato doloroso de graves consequências na educação das novas gerações com revolta e ao mesmo tempo dor. O fato só se pode prender a um protesto que um fiscal de uma seção eleitoral do distrito Retiro em que votaram eleitores que nunca lá foram apresentou perante o juiz. Para intimidar este e não seguir o mesmo protesto o seu destino. Apresento ao “Diário” amigos os meus protestos de estima. Servo em Jesus Cristo”.
(DP de 07.03.1930).

1930 - Em 1º de abril, Eutrópio Guilherme de Azevedo assume como prefeito municipal, tendo ficado no cargo até 16 de outubro de 1930 quando foi destituído em razão do movimento revolucionário de 03 de outubro de 1930. Eutrópio tentou permanecer no cargo ao declarar em telegrama, de 07 de outubro, ao governador Carlos de Lima Cavalcanti, que, na qualidade de presidente do diretório liberal, tinha assumido o cargo de prefeito revolucionário.

1930 – Entre os vários telegramas recebidos pelo governador Carlos de Lima Cavalcanti está um provindo de nossa cidade: “S. Bento, 7 – Na qualidade de presidente do diretório do partido liberal, deste município, acabo de receber de vossa excelência telegrama destinado ao prefeito revolucionário, tendo assumido hoje cargo de prefeito no qual mantenho-me aguardando instruções de vossa excelência. Reina absoluta paz em todo o município. Saudações atenciosas. a) Eutrópio Guilherme de Azevedo, presidente do diretório”.
(DP de 12.10.1930).

1930 - Em princípios de outubro, o governador Carlos de Lima Cavalcanti recebeu o seguinte telegrama, provindo de S. Bento e assinado por Antônio Camelo Lins, comissário pelo delegado de polícia: "Nomeado pelo governo decaído, achava-me sem forças no sentido de evitar que grupo de Belo Jardim tomasse em algumas horas a cadeia e o telégrafo, não se
dando à deposição do prefeito provisório graças à reação do povo e à intervenção de pessoas apaziguadoras, orientadas responsabilidades suas futuras, desocuparam os pontos referidos incidentes. Cidade em perfeita calma. Saudações”.
(DP de 15.10.1930).

1930 - Por ato assinado em 17 de outubro, o governador Carlos de Lima Cavalcanti nomeou Virgílio Paiva para exercer o cargo de prefeito do município de S. Bento, até que ficasse restaurada a vida constitucional do Estado e do País e enquanto bem servisse ao programa revolucionário. (DP de 18.10.1930).

1930 - Em telegrama ao governador Carlos de Lima Cavalcanti, datado de 19 de outubro, Virgílio de Azevedo Paiva comunicava que assumira o cargo de prefeito revolucionário de São
Bento em obediência ao telegrama de 17 de outubro. De notar que Virgílio recebeu o cargo do seu cunhado, Eutrópio Guilherme de Azevedo.

1930 – (DP de 27.12.1930). Vigário de São Bento. Solicitando a manutenção na freguesia de S. Bento do respectivo vigário, João Firmino Cabral de Andrade, foi enviada dali ao Exmº. Sr. bispo de Garanhuns a seguinte representação subscrita pelo mais idôneos representantes de todas as classes do município, cerca de 800 assinaturas.:
“Exmo. e Reverendíssimo Bispo Diocesano. Nós, abaixo-assinados, chefes de famílias e pessoas de responsabilidade, maiores de 21 anos, domiciliados nesta Paróquia de São Bento, Estado de Pernambuco, vimos espontaneamente perante v. excia. reverendíssima dar testemunho público de que, há dez anos, o padre João Firmino Cabral de Andrade vem cumprindo honrada e criteriosamente seus deveres de pároco desta freguesia e dispensando a todos, sem distinção de classe, a devida consideração e respeito. São Bento, 17 de novembro de 1930”.

1931 – Crônica social. Segue hoje para S. Bento o funcionário público estadual, Armando Vieira Santos, recentemente nomeado coletor estadual naquele município. (Jornal do Recife, de 03.05.1931).

1931 - O DP de 26 de setembro noticia a fundação da "Sociedade Beneficente de S. Bento", cuja finalidade é amparar os necessitados e flagelados e enfermos de outros lugares que busquem guarida na cidade. Fundadores: Dr. Júlio Azevedo, Virgílio Paiva, Desidério Valença, capitão João Gomes, Getúlio Valença, Armando Santos, Gonçalo Valença, José Lima, Alfredo Amaral e Pedro Valença.

1931 – Governo do Estado. O interventor federal no Estado de Pernambuco resolveu exonerar Virgílio de Oliveira Paiva do cargo de prefeito do município de S. Bento e determinar que fique respondendo pelo expediente da mesma prefeitura o atual agente do Tesouro do Estado ali, Armando Vieira dos Santos que servirá sem prejuízo de suas funções e até que seja nomeado o prefeito efetivo.
(Jornal do Recife de 04.10.1931).

1931 – Em 21 de outubro, Armando Vieira Santos, ex-coletor estadual de S. Bento assume a prefeitura por dez dias.

1931 – Em 31 de outubro, César de Barros Barreto, assume como prefeito municipal.

1932 – O bagaço de alguns postulados revolucionários. S. Bento sob a inepta administração de um pobre diabo. Pelas suas possibilidades econômicas, centro industrial dos mais adiantados do Estado e também por seu clima que é um dos fatores decisivos do seu progresso material, S. Bento devia ser governado por um homem decente. Não o está sendo, porém, circunstância essa que muito há concorrido para o desprestígio, ali, da ideologia revolucionária vitoriosa nas primeiras arrancadas de 03 de outubro de 1930. Lamento que o senhor interventor federal, moço que sempre me mereceu as maiores provas de solidariedade política e afeto pessoal, talvez influenciado por elementos locais sabidamente inidôneos, se obstine em manter à frente da pública administração de S. Bento o senhor Cezar de Barros Barreto, cercando-o ainda de um tal prestígio, contra os verdadeiros elementos de ação eficiente do município, que se tem a impressão de que sua excelência perdeu a medida exata das coisas. Cavalheiro sem imputabilidade, vivendo a embriagar-se todas as noites, sem a menor noção do que sejam os interesses de S. Bento, o senhor Cezar de Barros Barreto tomou-se de ódio contra o coronel Elias Cintra Valença e demais homens de bem dali, sem um só motivo digno de registro. Apenas por ambição, tola vaidade e uma absoluta falta de bom senso. Relatemos em síntese, sem carregar muitos nas cores, os últimos fatos ali desenrolados e que motivaram meu pedido de demissão (excelentíssimo senhor interventor se esqueceu, ao demitir-me, de declarar que o fizera a meu pedido!), a demissão do capitão Luiz Sabino, oficial correto, e a transferência de todo o destacamento local. São páginas que de certa forma afetam a administração do senhor Dr. Carlos de Lima Cavalcanti. Recebendo de minhas mãos o cargo de prefeito de S. Bento, o senhor Cezar de Barros Barreto confessou-me, um pouco acanhado, não ter aptidões para exercê-lo. Orientei-o então no que me fora ao momento permitido fazer. Mas, o carioca, acostumado à malandrice, incapaz de uma iniciativa própria, trapalhão por excelência, sem a menor dose de decoro pessoal e administrativo, cedo ou tarde, havia de revelar-se. Fê-lo mais cedo do que esperávamos. Em presença de sua excelência, o ilustre Dr. João Cleofas, de cuja atividade dinâmica à frente da secretaria de Agricultura, Viação e Obras Públicas todo pernambucano deve orgulhar-se, ao passar por S. Bento, e porque ele, no momento, se declarara incapaz, incumbiu o coronel Elias Cintra de administrara construção de um açude público, imprescindível às necessidades da população. E do acordo então estabelecido, orçadas as despesas em 30 contos de réis (30:000$000) pelo Dr. Gouveia Moura, apenas com 17 contos entravam os poderes públicos, sendo 10 do governo federal, 5 do Estado e 2 do município. Pelo resto se responsabilizava o coronel Elias Cintra. E por lembrança deste, ficou combinado que o prefeito apenas efetuaria os pagamentos da obra a ser feita. Dias depois, porém, agindo sob influência direta e ostensiva dos inimigos do coronel Elias Cintra e do próprio município, o prefeito começou a querer intervir desabusadamente na construção do açude. Queriam, dizia roubar-lhe a glória de haver dotado S. Bento de uma obra de indiscutível necessidade pública. O certo é que tanto fez, tantas mentiras miseráveis teceu, que o coronel Elias Cintra, num gesto que muito o honra, desistiu da construção do açude projetado. O prefeito alcançara os
seus fins. Mas, o resultado não tardou. Voaram os 17 contos e o açude continua sendo uma velha aspiração local. Pela cidade andam agora angarinhando meios para conclui-lo. Mas será mesmo para tal fim?... O que vem também caracterizando a ação do prefeito de S. Bento é uma indébita intervenção nos negócios policiais, o que está em desacordo com a ideologia revolucionária e as expressas recomendações do interventor. Tendo o coronel José Burgos, um dos chefes liberais de Garanhuns, atualmente ali (S. Bento) descansando, protestado contra o fato de o prefeito ter ordenado a derrubada de uma cerca de sua propriedade, o senhor CezarBarreto, que anda a fazer alarde da proteção de (que) lhe dispensa o senhor George Latache, oficial de gabinete da interventoria, queria por força que o capitão Luiz Sabino, delegado de polícia, efetuasse a prisão do referido coronel. Interferência indébita, absurda contra todos os princípios sadios revolucionários. Desatendido, o carioca farrista jurou vingar-se. E gritou, desesperado, pela ruas de S. Bento que havia de mostrar se tinha ou não prestígio junto ao governo. Havia de demitir e transferir quem lhe caísse no desagrado! E para vergonha e opróbio da terra de S. Bento obteve tudo do governo. Mas tudo quanto gritava que havia de obter: o capitão Luiz Sabino foi demitido e transferido o destacamento. Quanto a mim, que sempre sofri as piores perseguições dos governos reacionários, surpreendeu-me o governo com a minha transferência para Surubim. Não aceitei e protestei, depondo nas mãos do senhor Lima Cavalcanti o cargo que ocupava e para o qual ele me nomeara espontaneamente. E se eu lhe depus às mãos o cargo que exercia, ao recusar a transferência, o governo devia fazer constar no decreto de minha demissão que esta fora levada a pedido meu. - Prova de descaso – É de tal ordem e significação o descaso desse pobre diabo pelos negócios do município, que tendo o Dr. João Cleofas lhe recomendado, quando ali passou, ligeiros reparos na estrada na estrada de S. Caetano à cidade, ele os prometeu fazer enquanto se achava à presença do secretário do governo. Mal, porém, o Dr. João Cleofas saiu disse para o coronel Elias, com quem ainda se dava: ‘Tinha graça o município consertar estradas para o secretário de Viação passear’. E tanto este episódio é autêntico que até hoje os reparos não foram feitos. – Coisas... – Rapaz reconhecidamente pobre, percebendo 500 mil réis mensais, o senhor Cezar Barros Barreto vem semanalmente ao Recife, dando-se ao luxo de viajar até Caruaru de automóvel. Sua senhoria devia explicar a reprodução do milagre bíblico da multiplicação das coisas... – Alongar-me-ia muito ainda, massando os leitores, com a narrativa ou simples relato de outros fatos que colocam em tristíssima evidência o prefeito que desgoverna S. Bento. Por isso vou referir-me apenas a mais uma de suas infâmias. É encarregado do trecho da estrada de rodagem ligando Garanhuns a S. Bento o engenheiro Pedro Albuquerque. Solicitando-lhe certa vez condução para fiscalizar o serviço (sem especificar, contudo, a qualidade da condução), o prefeito mandou-lhe um automóvel e foi queixar-se, depois, ao Dr. Cleofas de que o distinto engenheiro lhe exigira tal meio de transporte, o que não era alçada da prefeitura nem esta podia com aquele luxo. Depois, como fosse interpelado pelo engenheiro Pedro Albuquerque, negou tudo alegando que o Dr. Cleofas ouvira mal! Emendou-se o homenzinho? Em absoluto. Mais trade, acusava publicamente o engenheiro, a que estou aludindo, da autoria de complicados casos íntimos. Interpelado pela vítima, não corou ao afirmar-lhe que quem o informara de tais coisas fora o Dr. João Cleofas. Este, ciente do procedimento moral do prefeito, não podia deixar de ficar revoltado e profundamente surpreso. E, em palestra, exprobou, ao que sei, a incrível leviandade do senhor Cezar Barreto. É esse homem, de um tão curioso e repelente feito moral, pernambucanos, o atual chefe da edilidade de S. Bento. É provável que eu ainda volte a fixar-lhe, em tintas mais fortes, o perfil abjecto. – O escrivão Balbino... - Está aí um personagem capaz de impressionar um escritor de ardente e prodigiosa imaginação. Cachaceiro, estando sendo processado por crime de desacato a um comerciante, serviu com desvelos incríveis a todos os governos da velha república, razão por que talvez continue servindo aos da atual. Agora, uma surpresa sensacional: Balbino Guilherme de Azevedo é, por uns tantos motivos e coisas que já estão sendo rosnadas pela cidade o candidato do prefeito ao lugar de coletor! Vai substituir-me esse beberrão inveterado! É possível isto? E os postulados revolucionários? Quero crer, porém, que o interventor Lima Cavalcanti despertará ainda em tempo de salvar o seu governo das graves responsabilidades dos fatos de S. Bento. Reconheço-lhe, apesar de tudo, uma grande dose de boa intenção. O desejo de acertar sempre, embora inúmeras vezes tenha desacertado devido a umas tantas influências. –
O juiz de direito de S. Bento é um moço outônico, de uma estatura quase minúscula. A gente na rua é capaz de topá-lo só porque não o vê. Pois este juiz, Dr. Cincinato Pires Raposo de Oliveira, bacharel fenomenalmente inculto, alvo ali de certas sátiras cortantes como gume de navalhas, é elemento de nenhuma eficiência para uma boa distribuição de justiça, coisa que a revolução tanto prometeu. E por tudo isso é que o açude público de S. Bento empacou e tudo ali caminha numa desordem absoluta. Parece até terra de ninguém. Recife, 07 de março de 1932. ARMANDO VIEIRA SANTOS (Ex-coletor estadual de S. Bento). (Jornal do Recife, 09.03.1932).
Nota: Armando Vieira dos Santos foi funcionário da fazenda estadual de Pernambuco e na qualidade de coletor estadual foi prefeito interino de S. Bento, por dez dias, ou seja de 21.10.1931 a 31.10.1931). Armando substituiu o primeiro prefeito revolucionário que ficou no cargo de 17.10.1930 a 21.10.1931).

1932 - Falecimento em 25 de março de Rodolfo Monteiro de Paiva, político, comerciante e industrial, criador das "bolachinhas sertanejas" e principal proprietário do “Armazém Fé em Deus”. Ele exerceu o cargo de prefeito de S. Bento de 15.11.1916 a 15.11.1919.

1932 – 15 de setembro, Francisco Caraciolo de Oliveira Valença assume como prefeito municipal.

1933 – Em 17 de outubro, João Alves da Luz assume como prefeito municipal.

1934 - Por ato do Interventor Federal de 30 de junho, foi exonerado, a pedido, o Dr. João Alves da Luz do cargo de prefeito do município de S. Bento e nomeado Getúlio Alves Valença para exercer o mesmo cargo, enquanto bem servisse ao programa revolucionário e até que ficasse restaurada a vida constitucional do Estado e do País. (Jornal do Recife de 01.07.1934).

1934 – Em 04 de julho, Getúlio Alves Valença assume como prefeito municipal nomeado pelo interventor federal em Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti.

1934 – Ato do interventor federal em Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti, removendo o Dr. Manoel Cândido Carneiro da Silva do cargo de promotor público da comarca de S. José do Egito para a de Buíque.

1935 – Famosa foto do instrutor e atiradores do Tiro de Guerra n° 44 sob o comando do sargento do Exército Abelardo e formatura dos primeiros atiradores, considerados reservistas de 2ª categoria.

1935 - Por ato de 04 de abril, o governador do Estado exonerou Getúlio Alves Valença do cargo de prefeito do município de S. Bento e nomeou Dirceu Valença de Oliveira, 2º tabelião do município de S. Bento para exercer, em comissão, o cargo de prefeito do município de S. Bento, ficando temporariamente afastado do exercício do seu cargo efetivo.
(DP de 05.07.1935).

1935 – Falecimento do ex-prefeito de S. Bento, Domingos Ferreira de Morais, tendo exercido o cargo de 28.11.1913 a 15.11.1916). Ele foi um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato Pastoril do Município de São Bento.
(DP de 20.10.1935)

1936 - Em 09 de julho, José Luiz de Barros Lima, farmacêutico, assume como prefeito municipal.

1936 - Em 22 de dezembro, Getúlio Alves Valença, candidato único, assume como prefeito eleito sob a égide da Constituição pernambucana de 1935. Pela primeira vez, é eleita uma câmara legislativa municipal cujos membros são denominados vereadores: Pedro de Souza Cavalcanti,
Heronides Alves de Siqueira, José Manso da Silva, Federalino da Silva Lemos (Senhor Lemos), Manoel Valença Braga, Alípio César Valença, Gercino de Oliveira Cintra, Juventino Gomes e Alfredo Cavalcanti Cintra.

1937 - Em 22 de agosto seria, como de fato foi, inaugurado solenemente o União Sport Club (USC), em moderno casarão situado na Rua João Pessoa esquina com a Av. Manoel Cândido. Seu fundador e primeiro presidente foi o médico Adelmar de Almeida Paiva. Os fazendeiros, comerciantes e demais pessoas que contribuíram para a construção do belo casarão, em estilo eclético, receberam o título de "sócio remido".

1937 - Em 10 de novembro, o presidente constitucional, Getúlio Vargas, outorga ao país nova constituição, destituindo os membros da Câmara dos Deputados, Senado, assembleias legislativas e câmaras de vereadores, instituindo um regime autoritário que duraria até 29 de outubro de 1945.

1938 - Em 09 de janeiro, Pedro de Souza Cavalcanti assume como prefeito municipal nomeado pelo Estado Novo, implantado pelo golpe de Estado de 10.11.1937.

1938 - Em 05 de abril, Adalberto de Oliveira Paiva assume como prefeito municipal, nomeado por ato do interventor federal Agamenon Magalhães.

1938 – No dia 18 de julho, faleceu, aos 73 anos, o capitão da Guarda Nacional, Liberato Augusto de Siqueira, músico e compositor de dobrados, além de secretário do Conselho Municipal, da prefeitura e oficial do registro civil, além de mestre de obras de acentuada qualidade. (Jornal Pequeno de 20.07.1938).

1938 – O interventor federal, Agamenon Magalhães, nomeou, ontem, o bacharel Manoel Cândido Carneiro da Silva para exercer o cargo de promotor público em Bom Conselho. (DP de 18.11.1938).

1938 – Em 31 de dezembro, era juiz de direito da comarca de S. Bento o bacharel Cincinato Pires Raposo de Oliveira.

1939 - O Sr. Melquíades, são-bentense que morava no Recife, reabriu o cinema Eldorado com outro nome: Cine Trianon que ficava na atual Praça João Rodrigues (antiga casa de Zezé Raimundo). Em seguida Osvaldo Maciel adquiriu o cinema Eldorado o rebatizou como Cineteatro Rex, transferindo o cinema para o prédio n° 65 da atual Avenida Osvaldo Maciel, hoje transformado em supermercado. O Cine Rex, sob nova administração, mudaria o nome para Cine Plaza.

1939 - Pelo ato n° 1002, de 21 de agosto, o interventor federal no Estado de Pernambuco, Agamenon Sérgio de Godói Magalhães, designou prefeito municipal o Dr. Manoel Cândido Carneiro da Silva, para exercer em comissão o cargo de prefeito do município de S. Bento, percebendo pelo seu cargo efetivo apenas 1/3 dos seus vencimentos. Na ocasião, Cândido exercia o cargo de promotor público na comarca de Bom Conselho. Ele substituiu Adalberto de Oliveira Paiva. Manoel Cândido foi um dos prefeitos mais dinâmicos, tendo dado início ao processo de modernização da cidade com a demolição do "Mercado Público", o assentamento de meio-fio, pavimentação e uniformização das calçadas e a construção de uma sede para prefeitura, além da construção de uma estrada vicinal, ligando São Bento a então vila de Cachoeirinha. (DP de 22.08.1939).

1940 - Falecimento do ex-prefeito Eutrópio Guilherme de Azevedo, no Recife, em 28 de junho, sendo sepultado no cemitério de Santo Amaro. Foi casado com Leonor de Oliveira Paiva, filha do também ex-prefeito Rodolfo Monteiro de Paiva. Irmão de Érico, Eufrásio, Eriberto Guilherme de Azevedo. Cunhado de Adalberto, Virgílio, José de Oliveira Paiva. (DP de 29.06.1940).

1940 – Desfalque do Tesouro do Estado. Recolhidos, ontem, ao presídio o tesoureiro, César de Barros Barreto (ex-prefeito nomeado para S. Bento entre os anos de 1931 e 1932) e o pagador, bacharel Oscar Viana. O delegado João Roma remeteu a juízo o competente inquérito. (DP de 01.08.1940). Nota: César de Barros Barreto foi prefeito de S. Bento de 31.10.1931 a 12.09.1932.

1940 - Em 18 de agosto, o prefeito Manoel Cândido Carneiro da Silva, em comemoração ao primeiro ano de sua administração, promoveu importantes melhoramentos na cidade de S. Bento. As ruas principais receberam meio-fio e linha d'água. Novo prédio para a prefeitura estava sendo construído, devendo numa das suas alas funcionar o Posto de Higiene. Os próprios estaduais como o Grupo Escolar e a Cadeia Pública devidamente conservador pela Municipalidade. Na Cadeia, a Prefeitura construiu dependências para a Delegacia de Polícia,
alojamento de soldados e outras obras. Foi inaugurado um novo mercado para substituir o antigo que estava situado no meio de uma praça e que a prefeitura demoliu recentemente. As estradas de Lajedo a S. Bento e de S. Bento ao Tronco Central (Belo Jardim). Estavam sendo realizados estudos para a construção de obras de arte (pontes) sobre os rios Ipojuca e Una na estrada S. Bento a Belo Jardim. O prefeito Manoel Cândido determinou a construção, pelo Município, de uma estrada marginando o rio Una para ligar a sede à vila de Cachoeirinha é de grande utilidade e menos dispendiosa visto não exigir obras de arte.

1940 - O recenseamento contou 29.918 habitantes no município, sendo 15.204 em S. Bento, 3.588 em Cachoeirinha, 6.646 em Capoeiras e 4.480 em Retiro (hoje, Cabanas).

1941 - Em 15 de maio, Luiz Marques da Natividade Melo assumiu como prefeito municipal.

1941 – Em 1º de julho, o interventor federal, Agamenon Magalhães, assinou ato removendo o promotor público, Manoel Cândido Carneiro da Silva, da comarca de Bom Conselho para a de Belo Jardim. (DP de 02.07.1941).

1942 – Em 26 de janeiro, Antônio Félix da Silva assume como prefeito municipal.

1943/1944 - Acréscimo da expressão "do Una" ao topônimo S. Bento, conforme anexo nº 1, do Decreto-lei estadual n° 952, de 31/12/1943, publicado em 01/01/1944. No entanto, o referido Anexo n° 1 só seria publicado no Diário do Estado de Pernambuco na sexta-feira, dia 14 de janeiro de 1944. O decreto-lei em si não cogitava de mudança de nome, que apenas acontece no desgarrado anexo, que versa sobre a divisão judiciária e administrativa de Pernambuco para o quinquênio de 1944 a 1948. O romancista Gilvan Lemos atribuiu ao general João Augusto de Siqueira a sugestão para o acréscimo da expressão "do Una". Nos anos 30, o IBGE iniciou a política com vistas a evitar que municípios, em estados diversos, tivessem a mesma denominação.

1944 – As cadeiras das Escolas Reunidas Governador Barbosa Lima eram de 2ª instância. Tinham a seguinte numeração: 95 – Nair Valença da Fonseca, sede; 96 – Edeltrudes Alves de Oliveira, sede; 97 – Ester Augusta de Siqueira, sede; 98 – Tarcila Maria Soares, Cachoeirinha e 99 – Doroteia Souza de Barros, Capoeiras. (Diário Oficial do Estado n° 11, de 15.01.1944).

1944 – O Interventor Federal recebeu o seguinte telegrama de S. Bento: “Muita satisfação comunicar vossência que excelentes chuvas caíram (sic) neste município, açudes do Doutor e do Missionário, localizados na cidade, achavam-se secos e transbordaram, cisterna municipal apanhou água bastante, todos os açudes das fazendas encheram. Segundo opinião de pessoas mais idôneas do município foi sem favor a maior chuva verificada depois de 1924. Impossível descrever a alegria da população já preparada para deixar a cidade por falta do precioso líquido. Saudações atenciosas, Antônio Félix (da Silva), prefeito. (Diário Oficial do Estado n° 19, de 25.01.1944).

1944 – Governo de Pernambuco, secretária do Interior. Portaria do secretário de n° 20, de 26 de janeiro, admite o Dr. Clóvis de Azevedo Paiva par, no corrente ano, exercer o cargo de médico oftalmologista da Diretoria de Educação Física, com o salário mensal de Cr$ 500 (quinhentos cruzeiros) que será pago pela verba do jogo. (Diário Oficial do Estado n° 21, de 27.01.1944).

1944 - Por ato do governo estadual de 28 de julho, foi exonerado, a pedido, Antônio Félix da Silva, do cargo de prefeito municipal do município de S. Bento do Una e nomeado o bacharel Décio de Souza Valença para exercer o referido cargo. (DP de 29.07.1944).

1944 - Em 05 de agosto, Décio de Souza Valença assume como prefeito municipal. O promotor público era o bacharel Pedro Cupertino Callou.

1944 – “Ontem, Hoje e Amanhã”, coluna de Mário Melo. Um leitor escreve ao responsável pela nova nomenclatura de algumas idades pernambucanas: “A unificação dos nomes das cidades brasileiras foi uma necessidade, ficando muitas com nomes novos mais elegantes e mais sugestivos como Nazaré da Mata, São Bento do Una, Sertânia e muitos outros”. (Jornal Pequeno de 03.11.1944).


1945 - Em 27 de agosto, vítima de problemas cardíacos, faleceu, no Recife, Manoel Cândido Carneiro da Silva, ex-prefeito de S. Bento que em pouco de ano e meio deu nova feição ao centro da cidade. Natural de Paudalho, Cândido nasceu em 29.05.1884.

1945 – União Democrática Nacional (UDN) - A comissão municipal estava assim constituída: Conselho Deliberativo: Aprígio Santos, presidente; Manoel Valença Braga; Manoel Cordeiro de Souza; Adauto de Almeida Paiva; e Federalino Lemos, mais conhecido como Senhor Lemos. Conselho Administrativo - coronel Armando Gonçalves da Silva, presidente; Orlando Valença, vice-presidente; Ernani Gonçalves da Silva, 1° secretário; Abílio Braga, 2° secretário e Edvaldo Ribeiro, tesoureiro. Comissão de Alistamento - Luiz Pereira de Barros; Alfredo Cavalcanti Cintra; Antônio de Melo Cavalcanti; Jerônimo Cordeiro de Moraes; José Manoel do Nascimento; Aníbal Lopes; Áurea Augusta de Siqueira; Tereza Alves e Iracema Gonçalves da Silva.
Comissão de Propaganda - capitão José de Aguiar Rego; Pedro Raimundo Neto; capitão José de Andrade; José Medeiros; Olímpio Tenório de Almeida; Elizeu Cordeiro de Farias; Admour Barbosa Maciel; Manoel Porfírio dos Santos; Guilherme Simões de Macedo; Ismael Alves da Silva; José Lima; Guilherme de Medeiros; Ovídio José da Silva; Sérgio Gonçalves de Souza; Maria Augusta de Oliveira; Emília Augusta de Siqueira; Isabel de Albuquerque Santos; Maria Luiza de Barros Couto; Maria Paraguaçu Crespo Costa; Maria Burgos; Maria dos Anjos de Andrade e Amélia Santana Lima. Comissão de Recepção - João Alves de Siqueira Filho (Joãozinho Borrego); Dilermando Gonçalves da Silva; Manoel Medeiros; Leonor Siqueira; Maria de Andrade; Laércia Valença e Felícia de Andrade. Delegados junto à UDN – Seção de Pernambuco - Manoel Valença Braga, Armando Vieira dos Santos e Manoel Cordeiro de Souza. (DP de 19.09.1945).
1945 – Engrossando as fileiras democráticas. Gesto altivo e digno de Adalberto Paiva sogro do Dr. Décio Valença, prefeito do município. Transcrito do Diário de Pernambuco de hoje: Tendo um governista covarde, oculto no anonimato e assinando Manoel de Almeida, desconhecido completamente neste município, escrito na Folha da Manhã de 16.09.1945, referências à família Paiva, por meio desta, convido-o a tirar a máscara para receber em outra carta a resposta merecida. Aviso para que todos saibam que estou trabalhando pelo brigadeiro Eduardo Gomes em quem votarei desassombradamente. Estou afastado de todos os meus inimigos ainda mesmo que sejam brigadeiristas e estaria junto deles, como disse o anônimo, se seguisse o exemplo dos que se embriagam para brigar e depois se embriagam para fazer as pazes. São Bento do Una, 18.09.1945 (Jornal Pequeno de 22.09.1945).
1945 - O interventor federal, desembargador José Neves Filho exonerou o bacharel Décio de Souza Valença, do cargo de prefeito do município de S. Bento do Una ao tempo em que designou o juiz de direito da comarca de São Bento do Una, bacharel Miguel Braz Pereira de Lucena, para responder cumulativamente pelo expediente da mesma municipalidade nos termos da legislação em vigor. (DP de 20.11.1945).
Nota: A substituição dos prefeitos, nomeados pelo Estado Novo, pelos juízes de direito partiu de uma recomendação do ministro da Justiça, Sampaio Dória.

1946 - Em 04 de julho, Dirceu Valença de Oliveira assumiu o cargo de prefeito municipal, ficando no cargo até 06 de setembro do mesmo ano.

1946 – Nomeado por ato de 09 de setembro, o capitão da Força Policial de Pernambuco, Amaro Rodrigues Barbosa, assumirá como prefeito municipal no dia 16 de setembro, tendo permanecido no cargo até 05.03.1947. (Jornal Pequeno de 14.09.1946).

1947 – Em 10 de abril, Homero de Farias Neves assume como prefeito municipal até a posse do prefeito eleito que tomaria posse em 15 de novembro.

1947 – Em 19 de janeiro realizaram-se as eleições para a Assembleia Constituinte do Estado de Pernambuco. Décio de Souza Valença é eleito deputado estadual constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD). A proclamação dos eleitos se verificaria em 11 de abril de 1947. (DP de 12.04.1947).

1947 – Campanha de Alfabetização de Adultos – Telegrama recebido pelo secretário de Saúde e de Educação proveniente de S. Bento; “Indicado meu nome (a) esse departamento (pelo) inspetor escolar professor João Lima (para) reger (a) cadeira (de) ensino supletivo (em) esta cidade (de) São Bento do Una, aceito (a) regência (da) referida cadeira ficando aguardando (as) ordens (de) vossência sobre matrículas início aulas. Atenciosas saudações. Ester Siqueira de Sousa, professora cadeira n° 117”. (Jornal Pequeno de 17.04.1947).

1947 – Entrevista com José Raimundo da Silva apontado candidato a prefeito pelas forças coligadas do município de São Bento do Una. Em convenção realizada recentemente, os partidos coligados de oposição escolheram os seus candidatos para o pleito de 26 de outubro. A candidatura a prefeito ficou com José Raimundo da Silva. Trata-se de antiga figura da terra, onde conta com reais simpatias entre todo o povo democrático da região e goza de largo prestígio político. Tabelião há 27 anos, apresenta na sua vida de funcionário inestimáveis serviços a sua terra. Estando na capital, Zé Raimundo falou à reportagem do Jornal Pequeno e expôs vários aspectos da situação política de sua terra. Disse das demissões que vêm ocorrendo quase diariamente no município e realizadas pelo governo interino e instigadas pelo atual prefeito, pessoa sem os escrúpulos devidos nos seus atos e completamente estranha à gente e aos interesses da terra. Citou o caso do fiscal geral do município e de uma cunhada do mesmo , os quais foram demitidos sumariamente por questões políticas e hoje se encontram às portas da miséria. Apontou o caso do zelador do açude que teve o mesmo destino. Este, aliás, um golpe errado do PSD: pensaram que o pobre era eleitor coligacionista quando, na verdade, nem sabia ler. A respeito do seu programa, Zé Raimundo disse que teria de voltar suas atenções para os distritos abandonados de São Bento: Cabanas, Cachoeirinha... Terras sem água nem luz e até cemitério como é o caso de Cabanas. Ali, os cães, à noite, desenterram os cadáveres e arrastam os membros apodrecidos para o meio da rua num espetáculo contristador de relaxamento e miséria.
A chapa dos candidatos dos partidos coligados ficou assim constituída:
Prefeito, José Raimundo da Silva;
Subprefeitos: 1°disitrito (sede), Antônio Valença Cavalcanti; 2° distrito (Cabanas), José Cintra Sobrinho; 3° distrito (Cachoeirinha), omissis; 4º distrito (Capoeiras), Adalberto Bezerra de Melo.
Para vereadores:
Aprígio Alves dos Santos, Federalino da Silva lemos, Manoel Valença Braga, Antônio de Melo Cavalcanti (Antônio da Violinha), Alfredo Alves Espíndola, José Medeiros, Vital de Carvalho Cavalcanti, Zacarias Soares de Sousa e Antônio Simões de Macedo. (Jornal Pequeno de 18.09.1947).

1947 – Primeira eleição, realizada em 26 de outubro, para prefeito de S. Bento do Una após a redemocratização do país com a promulgação da Constituição de 18 de setembro de 1946. O médico Lívio de Souza Valença, do Partido Social Democrático (PSD), derrotou o escrivão José Raimundo da Silva, da União Democrática Nacional (UDN).

1947 – Em 15 de novembro, o médico Lívio de Souza Valença assume como prefeito eleito que fica no cargo até 30 de janeiro de 1951, passando a Prefeitura ao presidente da Câmara de Vereadores, Alfredo Cavalcanti Cintra que fica no cargo até a posse, em 07 de novembro de 1951, do prefeito eleito, José Cadete de Almeida Calado.

1947 – Festiva inauguração do campo de pouso da Fazenda Agra no domingo 28 de dezembro. Mais de uma dúzia de teco-tecos pousam no novo campo de aviação. Foi um grande avanço para a época em que só dispúnhamos de uma única viagem diária de trem no sentido Recife-Belo Jardim e vice-versa. As estradas eram péssimas e sem nenhuma pavimentação. O grande comandante do feito foi Valdemar Gonçalves Agra que incluiu nossa cidade no mapa aeronáutico de então.

1948 – O deputado Décio Valença traçou, ontem, na Assembleia Legislativa, um retrato quase espantoso do que ocorre no município de São Bento do Una, enjeitado da assistência estadual. De auxílios a título de fomento agropecuário, o município só tem até agora recebido bois tuberculosos. O grupo escolar é um pardieiro sujo, arruinado e povoado de morcegos. Só se sabe que é um grupo escolar se alguém o disser, pois nem bancas escolares existem nas classes. A cadeia pública vai não vai, desaba qualquer um desses dias. E o município que recolheu aos cofres do Estado, nos últimos dez anos, cerca de quatro milhões de cruzeiros somente pôde merecer despesas, por parte do Estado, no valor de pouco mais de um milhão.(Jornal Pequeno de 09.07.1948).

1948 – Colou grau em 18 de dezembro, Milton de Azevedo Paiva, cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia da Universidade do Recife. Natural de São Bento, hoje São Bento do Una, exerceu a profissão em sua terra natal. Filho de Virgílio de Oliveira Paiva (Nô) e de Mariá de Guilherme de Azevedo.

1948 - Falecimento do ex-prefeito de S. Bento, Érico Guilherme de Azevedo em 17 de dezembro. (DP de 22.12.1948).

1949 - Luz elétrica - Com o empréstimo de 350 mil cruzeiros que o prefeito (Lívio Valença) deste município obteve dos cofres do Estado, para solucionar o problema da luz elétrica da cidade, vai dar-se início à compra de um motor possante, capaz de fornecer de fornecer luz regularmente a toda a cidade. Isto assinalará, sem dúvida, uma fase de progresso e bem-estar para o povo são-bentense que há muito luta para ter o seu rádio em casa, sem recorrer ao uso enfadonho e precário de baterias. Se com os trezentos e cinquenta mil cruzeiros do empréstimo, o prefeito não conseguir, além da compra do motor, fazer uma nova e completa instalação, consoante tudo prenuncia, então ficará uma boa parte da obra prejudicada e posta à margem, à mercê de verbas futuras. Além do motor, o município precisa de uma completa rede de fios para corrente alternada, novos postes em substituição aos atuais, já tão danificados e velhos, casa nova e apropriada para a adaptação da usina. Isto representa, na época atual, uma avultada soma em cruzeiros, deduzindo-se daí que só com esses 350 mil cruzeiros do empréstimo, o município não poderá levar a efeito todas essas realizações tão urgentes e necessárias. (DP de 09.07.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).
Nota: Realmente, foi comprado de Pesqueira um motor usado que foi instalado numa edificação da Rua Sete de Setembro. Esse motor foi um verdadeiro elefante branco porque quebrava sempre e as peças tinham que ser fabricadas já que não mais existiam em estoque e não resolveu o problema de luz elétrica em São Bento do Una. Foi um dinheiro emprestado pelo Estado e jogado no ralo.

1949 - Turfe. Notas de Itamar Pereira. O conhecido “turfman” Almir Correia, juntamente com o treinador Moacir Santos, esteve no dia 13, em São Bento do Una, na fazenda de Getúlio Valença, interessado em adquirir as éguas Odalisca e Havaiana, famosas nas pistas do interior. Getúlio Valença, proprietário dos animais, exigiu 40 contos de réis pelas duas éguas, ficando Almir Correia de apresentar depois a sua resposta. (Jornal Pequeno de 15.06.1949).

1949 – Calçamento - Uma das principais praças desta cidade encontra-se quase totalmente calçada. Não obstante, as anêmicas possibilidades do município, os serviços de urbanização estão se efetuando regularmente. O calçamento das ruas é uma velha e justa aspiração do povo de São Bento do Una que já se está tornando objetivo visível e palpável.
- Chuvas – As chuvas continuam caindo constantemente, molhando suficientemente a terra e dando vigor às plantações. Tudo indica que a safra vindoura seja mais vantajosa que as anteriores, dada a situação da lavoura, o seu viço e desenvolvimento e o número de hectares cultivados.
- Festas Juninas – Mesmo sem canjica, pamonha e milho assado (isto devido ao retardamento do inverno) os festejos de S. João e S. Pedro foram animados e divertidos. Desde muito antes, o pipocar incessante dos fogos enchia a cidade de uma alegria intensa e ruidosa. Inúmeras fogueiras foram acesas; e venerada a tradição de suas chamas. Elas, pontos bem nítidos na escuridão da noite, refletem singelamente a alegria que se renova todos os anos no coração do sertanejo. Vários bailes foram realizados, sendo os mais dignos de nota os promovidos nas sociedades – União Sport Club e Comércio Futebol Clube, por Osvaldo Celso Maciel e Joaquim Gomes da Silva respectivamente. (DP de 09.07.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).


1949 – Inauguração, em 08 de julho, da estrada que tem início na propriedade dos Apeninos, deste município e vai até Angelim numa extensão de vinte quilômetros. Para a consecução desse objetivo, o município dispôs da quantia de 11 mil cruzeiros e da cooperação dos fazendeiros residentes na região cortada pela estrada. Isto significa para São Bento do Uma um aumento de mais de 20 quilômetros, além dos 120 já existentes. (DP 16.07.1949, “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – A água para a cidade – Este município sempre foi um dos castigados anualmente pela falta de água boa para saciar a sede do seu povo. Este ano, apesar de ter chovido suficientemente o bastante para formar uma apreciável safra, os dois açudes do município não encheram. Não receberam água suficientemente para satisfazer ao povo durante o período estival. As chuvas foram finas, caíam e, simultaneamente, penetravam o seio poroso da terra argilosa sequiosa. Quase não houve enxurradas. Os dois açudes de que o dispõe para abastecer a sua população, o “Missionário” e o “Açude do Doutor”, se apresentam agora, já quando escasseiam as chuvas, com insignificante quantidade do indispensável líquido. Além da quantidade que não satisfaz, a água não é boa. O povo a consome por falta de outra melhor. O “Açude do Missionário” fornece água, se bem melhor e mais clara que a do “Açude do Doutor”, é mais grossa e impregnada de uma substância verde e limosa. E custa uma carga (4 latas) a onerante importância de 3 cruzeiros. A maioria da população da cidade – a pobreza, portanto – recorre logicamente ao “Açude do Doutor” que, além de ser mais próximo da rua, o seu líquido é muitíssimo mais barato: custa, apenas, o esforço natural para obtê-lo, a viagem de ida e volta, com a vasilha à cabeça. Apesar de ser a água do “Açude do Doutor” a pior de todas que se consomem nesta terra, é, também, infelizmente, a mais consumida. E, graças à ignorância, nenhuma análise foi feita até hoje, nesse líquido barrento, de coloração mais chegada ao leite que à água propriamente dita, fonte inexaurível de bacilos, onde a ameba predomina potente e desoladora. Enquanto não se perfuram poços nesta cidade, enquanto não se constrói um açude de grandes proporções, em local adequado, capaz de suprir regularmente as necessidades da população, o são-bentense continua vassalo submisso do “Missionário” e do “Açude do Doutor” – dois portadores ricos de ameba e outros bacilos que não matam a sede, mas arruínam a vida. (DP de 16.07.1949, “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Cooperativa Agropecuária – A Cooperativa de São Bento do Una talvez seja a mais anônima e desconhecida de todas as cooperativas do Estado de Pernambuco. Jamais apresentou um balancete pelos jornais à semelhança do que fazem todas as outras regularmente nem a seus membros tão pouco tem reunido para resoluções deliberativas. E lá estão dormindo os milhões de cruzeiros do Estado que foram dados abnegadamente para uma campanha verdadeiramente justa, ou seja, assistência financeira e técnica ao agricultor e criador. Completamente fora da rota que lhe origem, à semelhança da alavanca desviada do seu fulcro, a Cooperativa Agropecuária de São Bento do Una Ltda., nada tem feito, realmente, no sentido de debelar, ou pelo menos amenizar, essa situação precária, essa falta de meios e de conhecimentos que domina o pequeno e o médio agricultor deste município. Empregou uma boa quantia dos milhões em prédios bonitos, outra avultada soma em “whisky”, champanhe, vinho Madeira, quinados finos, coisas supérfluas, etc, etc e não facilita ao matuto uma enxada, um punhado de sementes selecionadas, uma lata de carrapaticida ou outras mercadorias correlatas à sua profissão, como naturalmente deveria ser. Uma autarquia sujeita ao governo direto de uma só cabeça, suas transações são um emaranhado arcano e desconhecido Para o qual nenhum órgão de imprensa, até hoje, se fez veículo de publicidade, ante à ansiosa expectativa popular. E essa situação continuará dominando prejudicialmente até não se sabe quando. Enquanto reina esse desinteresse pela coisa pública, ao matuto que anda às tontas para obter uma enxada mais barata, ou um punhado de sementes selecionadas, ou uma porção de veneno para matar formiga, ou uma lata de carrapaticida para limpar o gado, que se lhe dê pra olhar um rótulo bonito de “whisky” ou de champanhe Michelon que ele, com natural e perdoável ignorância não saberá compreender. (DP de 16.07.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 - Turfe. Notas de Itamar Pereira. Finalmente, Odalisca virá. Voltaram ao cartaz as éguas matutas Odalisca e Havaiana, propriedades de Getúlio Valença, fazendeiro em São Bento do Una. Agora, porém, Odalisca virá definitivamente para o Recife. A compra da famosa égua verificou-se ontem mesmo no Jóquei Clube, com a presença do senhor Valença nesta capital. Seu novo proprietário será Saturnino Pessoa que pagou 15 mil cruzeiros (15 contos de réis) e ainda deu de volta a égua Boa Viagem. (Jornal Pequeno de 20.07.1949).


1949 – Visita governamental. São Bento do Una teve na segunda-feira passada (dia 18) a honrosa visita do governador. Esse acontecimento, quase surpresa, revela uma particularidade curiosa do governo do Dr. Barbosa Lima Sobrinho. Só às últimas horas, tivemos conhecimento de sua vinda a esta cidade. Era o saldo a uma velha dívida governamental, contraída nos dias tumultuosos da campanha passada. Desavisados, os são-bentenses não ofereceram uma recepção como almejavam fosse feita ao chefe do executivo pernambucano. Mais ou menos às 11 horas, deu entrada na Avenida Manoel Cândido a caravana governamental, dirigindo-se incontinenti à Fazenda de Criação do Estado, situada nas proximidades da cidade. Já uma incontida curiosidade dominava a população. Um movimento de pedestres e de veículos iniciou-se então com relativa intensidade. No edifício da Prefeitura, várias autoridades e grande massa de povo aguardavam ali o chefe do governo de Pernambuco, Mas, tudo isso se fazia em um ápice sem pompa, sobriamente, à moda sertaneja. Não tardou muito e por volta da 11horas e 30 minutos, a caravana estacionava à frente do Governo Municipal , onde já a esperava grande massa popular. Sua excelência, acompanhada do prefeito local, do deputado Décio Valença, do Dr. Barros Barreto, secretário de Agricultura, componentes da caravana e do Dr. Anísio Carapeba, dirigiu-se ao salão nobre da Prefeitura onde lhe foram apresentadas várias pessoas e vários problemas locais. Nesse momento se fez ouvir a saudação do Dr. José Bezerra Filho (juiz de direito da comarca) ao nobre visitante. Foi uma oração sincera, realista e encarnou com justeza os sentimentos e a solidariedade do povo da terra – foi o que de mais solene teve São Bento do Una para o Dr. Barbosa Lima. Essas palavras resumiram tudo: a admiração pelo atual governo e a gratidão pela visita memorável. Também, o deputado Décio Valença saudou o governador. Finalmente, agradecendo a manifestação recebida, sua excelência dirigiu-se com admiração ao povo são-bentense. Admirava-lhe o ambiente político: perfeito entrelaçamento amistoso entre as correntes de opinião; paz e concórdia, luta pelo progresso e acentuada harmonia popular. Eis São Bento do Una: não há choques nem tensões políticas O ambiente é de trabalho e de mansuetude. Há entendimento e concórdia entre os homens mais influentes da terra que não obstante militarem em facções diferentes, se procuram mutuamente. Alguns deles são até compadres. Palestram à beça durante o dia e à noite, juntos, tomam médias nos bares e cafés. O Dr. Barbosa Lima teve daqui uma boa impressão dessas que comovem e, às vezes, confortam um chefe de governo. Sua excelência percorreu vários pontos da cidade. Observou as obras municipais em realização. Percorreu as Escolas Reunidas (anteriormente Grupo Escolar Barbosa Lima). Observou a empresa de luz elétrica de Severino Jatobá, atualmente deficiente para a cidade. Visitou o septuagenário Elias Cintra – um ramo sazonado de sua árvore genealógica. Por fim, quis conhecer de perto a água que bebemos, lá no seu lugar de onde é tirada e foi ao “Açude do Doutor”. Aí não encontrou água, porém um líquido barrento, impuro, limoso, detestável, um líquido que inspira piedade aos rins. E, apesar dos climas excelentes – o físico e o político – voltou compadecido da gente desta terra.
(DP de 23.07.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Falecimento: Há pouco, nesta cidade, faleceu a anciã Ana Feliciana Jacé, nascida em janeiro de 1844. A extinta viveu toda sua existência neste município.
(DP de 16.07.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Cooperativa Agropecuária - Sábado passado, fiz ver às autoridades competentes, através destas colunas, o lamentável desvio da Cooperativa de São Bento do Una Ltda. Não sei se todas as demais cooperativas agropecuárias estão em condições idênticas à que nesta cidade pratica o cooperativismo a seu bel-prazer, isenta da mais leve forma de fiscalização do Estado. Não é possível que o que se está passando com a daqui seja coisa comum demais. Não queremos cometer uma heresia a esse respeito. Que os homens responsáveis pelo patrimônio público tomem conta do que, mais uma vez, vou exigir através destas linhas. Essa repartição que, em São Bento do Una, tem o nome de Cooperativa Agropecuária e que teve origem como meio de auxílio e estímulo aos agricultores e criadores, não é mais nem menos que uma casa comercial, à semelhança de outra qualquer onde impera o predomínio patronal de uma só cabeça. Enquanto isso se vem a patentear, uma série de erros e irregularidades se vem processando, sem que haja uma intervenção salvadora no sentido de evitar a tempo a catástrofe que já se avizinha. Alguém pensará que o autor destas linhas esteja sofismando. Ele não sofisma, aponta fatos. Fatos concretos e incontestáveis, todos já conhecidos do povo são-bentense. Se eu disser que a Cooperativa Agropecuária desta cidade não é capaz de dar conta dos milhões de cruzeiros do Estado, não estou sofismando. Se eu afirmar que os agricultores e criadores deste município não se estão beneficiando com a atual diretriz dessa repartição, eu não estou sofismando. Em se afirmar que pessoas sem merecimentos se locupletaram de vantagens dadas espontaneamente pela cooperativa local, também não se está sofismando, porque tudo que aí vai, bem apontado, é verdade clara como luz meridiana. Só não a veem os que têm olhos convenientes. Certo cidadão, que não é filho destas plagas, mas que aqui passou alguns meses e conseguiu com funcionário da cooperativa a que nos aludimos e fazer-se associado da mesma, depositando, para isso, a ridícula importância de 60 cruzeiros, dentro de pouco tempo conseguira um empréstimo de 30 mil cruzeiros junto a essa mesma repartição que o admitira benevolamente como empregado e associado. E ninguém pense que os 30 mil cruzeiros desse empréstimo foram aplicados na lavoura ou na pecuária. Com esse dinheiro, o cidadão forasteiro comprou um caminhão e meteu-se na estrada... até hoje. Há quem diga que há uns 300 mil cruzeiros assim como esses 30 mil cruzeiros, isto é, incobráveis. A comissão fiscal da referida autarquia não aprovara o empréstimo em questão. Mas os 30 mil cruzeiros foram para o bolso do privilegiado. Por isso, um dos membros da referida comissão demitiu-se sumariamente. Fez como Pilatos. E de lá para cá não houve mais comissão para refrear essa expansividade criminosa, essa mão aberta desnecessária. Não me atreveria a mencionar aqui outros empréstimos da mesma natureza, para fins os mais diversos. Isto seria uma tarefa demasiado enfadonha e mais cabível a uma comissão fiscalizadora. Este ano, a cooperativa não fez um só empréstimo a agricultores. Não soube aproveitar essa chance invernosa que é uma coisa rara neste Nordeste de tanta soalheira. Preferiu restringir, o mais possível, o programa de ação estabelecido inicialmente. Há quem diga que os seus cofres estão vazios. Convenhamos ser esta hipótese uma realidade. Então, perguntaremos: e os depósitos particulares? Só o Sr. Aureliano Tenório de Almeida depositou nos cofres da referida autarquia mais de 400 mil cruzeiros. Afora este, há muitos outros. E o que é feito desse dinheiro todo? Onde os milhões do Estado e os depósitos de particulares, se a cooperativa não distribuiu sementes nem enxadas, nem adquiriu máquinas agrárias para facilitar a árdua peleja dos agricultores? É isso que se chama cooperativismo? Além dos 2 milhões de cruzeiros do Estado, a cooperativa consumiu todos os depósitos particulares. E tudo isso está acontecendo sem que a fiscalização intervenha e leve ao conhecimento da autoridade competente os abusos cometidos. Há quem diga por aqui que o governador Barbosa Lima esteja ciente dessa situação. De minha parte, acho que deva desmanchar essa aparência. Sua excelência de nenhum modo poderia ter ciência dessa patuscada de cooperativismo. Do contrário, o diretor-presidente da introvertida autarquia o qualificaria de um fidus achates. Isto que vai aqui exposto é coisa já do conhecimento público, dita e comentada abertamente, sem reservas. O desconhecido, o mais grave, portanto, encontra-se nos arquivos nos principais livros da escrita que nenhum fiscal, até hoje, teve a audácia de examiná-la convenientemente. Cabe, portanto, à autoridade diretamente responsável pelos destinos da repartição em apreço, as providências que o caso exige. É preciso salvar alguma coisa dessa cooperativa. Não é justo que ela queime, tão ingloriamente os seus últimos solenes cartuchos.
Nota da Redação: “Por se tratar de assunto administrativo e de interesse coletivo, damos acolhida ao comentário acima, do nosso correspondente em S. Bento do Uma. Indica ele uma situação anárquica que vai pela Cooperativa Agropecuária daquela cidade e que, se verdadeira, como tudo faz crer, está mesmo a exigir urgentes e decisivas providências”.
(DP de 21.07.1949, seção “Pelos Municípios”, do correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 - Aspectos da cidade e do município.
(...). São Bento do Una é uma dessas cidades desconhecidas que viviam indiferentes ao mundo jornalístico; alheia ao conhecimento daqueles que poderiam estimá-la se a conhecessem como o centro da indústria de laticínios do Estado de Pernambuco. Cidade quieta, de clima ameno, adorável nos seus dias frescos e sombrios de inverno, deleitante e cismadora nas suas tardes de melancólicos crepúsculos, de visão sonolenta nos dias poeirentos de seca bravia. Aqui há paisagens: a do inverno quando o solo se cobre de croma esmeraldina; a do verão quando a clorofila cede ao rigor do estio e tudo se enegrece, avultando somente na visão desolada ante a combustão da soalheira, o juazeiro e os cactos. O paciente que diariamente vai à Rua Direita e compra para o seu consumo um quilo de manteiga Castelo, Mauriceia ou Surpresa, talvez não saiba que essa manteiga lhe seja enviada destas plagas. Nutre-se da deliciosa manteiga de São Bento do Una e fica indiferente ao lugar que lhe manda tão rico e cobiçado alimento. Somente através do representante da terra na Câmara Estadual, deputado Décio Valença (de quem o município espera de decisivo para o seu futuro), o recifense tem a ideia de que São Bento do Una existe, encravada no sertão pernambucano. E poucos são os que sabem das coisas desta terra, de sua vida, de seu comércio, sua indústria, sua produção. Aqui repousam as maiores fábricas de laticínios do Estado, sobressaindo-se, em primeiro plano, as de Cadete & Irmão, Souza Valença & Cia., Antero Lins & Cia., J. V. de Morais e José Dias Fernandes. Afora estas há um avultado número de gangorras espalhadas através do município e todas elas produzindo compensadoramente. A entrada de leite nas principais fábricas atinge diariamente cerca de 40 mil litros no inverno, aumentando ainda no verão, com o uso sistemático de farelo e caroço de algodão na alimentação do rebanho bovino. São Bento possui também um notável comércio de cereais. Seus três distritos (Cabanas, Cachoeirinha e Capoeiras) têm feiras concorridas e bastante movimentadas. Nos distritos é explorada também a indústria de laticínios, com exceção de Cabanas que é uma zona notadamente agrícola. A renda do município para os cofres estaduais atingiu, durante o exercício de 1948, a mais de um milhão de cruzeiros, inclusive depósitos de origens diversas. A renda municipal que naquele ano fora orçada em 350 mil cruzeiros, atingira 700 mil cruzeiros. Este ano tudo indica que sejam ultrapassados os cálculos mais otimistas. Não fora a falta de água boa e a ausência de transporte regular que desesperam o povo, São Bento do Una poderia ser uma das mais procuradas e frequentadas cidades do interior pernambucano. Houve uma época em que o ar de São Bento curava pulmões, restituía saúde, prolongava vida e o seu leite era o tônico abençoado para os que tinham o peito carcomido. E para aqui vinham, frequentemente, oriundos quase sempre da capital, em busca de ar e leite milagrosos esses espectros dos grandes centros, filhos das noitadas eternas, levados à ruína talvez pelo éter e pela vigília. Mas, São Bento deixou de ser o ancoradouro preferido, espécie de porto de salvamento costumeiro dos desgraçados de saúde. Para aqui nunca mais aportaram esses fantasmas de vida real em busca de conforto e de esperança. E a cidade ficou entregue aos filhos da terra, somente por eles vivida e sentida. São Bento possui, ainda, suas 2.800 propriedades territoriais variando todas conforme o tamanho, a produção e os valores estimativos. Dentre as principais e mais notórias destacam-se a do Sr. Lafaiete de Souza Leão, situada no distrito de Cabanas, com 3 mil hectares alugados a mais de 500 matutos, e um litígio territorial permanente, há 10 anos, com a propriedade Caldeirão, do Sr. João Tenório de Freitas, atual subprefeito de Cabanas e adversário intransigente de Lafaiete nas inconciliáveis questões de terra; Santa Rita, com mais de 1 mil hectares, pertencente à Sr.ª Pânfila Oliveira Lima, sobrinha do extinto Barão de Suassuna; Santa Fé também com mais de 1 mil hectares, pertencente ao Sr. Filadelfo Noronha Branco; Velhana, com cerca de 800 hectares, pertencente ao octogenário Odilon Claudino de Almeida; Zé Bento, com 300 hectares, adquirida recentemente pelo norte-americano Max Ellis Wright e assim por diante até as insignificantes, as que foram dispensadas do imposto territorial, de valor a 10 mil cruzeiros, conforme lei votada e aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado. Eis, em ligeiros traços, a cidade de São Bento do Una, caracterizada por grandes possibilidades econômicas. Terra boa, de gente sofredora e paciente, que não sabe w gritar alto e bom som por suas reivindicações justas, mas que adora a paz e a harmonia. Gente que não tem água boa para beber, mas que bebe confortadamente a única que possui barrenta e impregnada de amebas. Gente que luta também, sem estardalhaços, por um meio de transporte sóbrio neste lugar de péssimas estradas por onde não cruza nunca um ônibus qualquer ou qualquer espécie de transporte coletivo. Gente boa e hospitaleira, portanto digna de melhor sorte, digna de piedade dos poderes públicos nessa sua jornada estoica e pacífica que reflete a infinita doçura do viver sofrendo – esse sofrer quotidiano do povo – sem recorrer à ajuda e a interferência dos poderes de fora.
(DP de 06.08.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Poço Artesiano – Esteve ultimamente nesta cidade, acompanhado por uma comitiva de técnicos, o Dr. Barros Barreto, secretário de Agricultura, a fim de estudar e localizar lugares onde deverá ser perfurado, dentro de poucos dias, um poço artesiano. Levada a efeito essa tarefa meio dispendiosa, a população terá finalmente, a seu dispor, pela primeira vez na história da terra, água limpa, cristalina e realmente digna de ser bebida.
(DP de 06.08.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Cadeia Pública – A cadeia pública é um caso digno de nota. Construíram-na os empreiteiros, aproveitando boa parte do indispensável material do sobrado antigo que, antes do prédio novo, servia para esse mister, e esqueceram-se, todavia, de alguns melhoramentos indispensáveis à vida desgraçada dos detentos. Esqueceram-se (é natural o esquecimento...) de construir um banheiro e um fogão, duas coisas tão indispensáveis a um estabelecimento dessa natureza, onde os seus moradores, impossibilitados por lei de comunicar-se com o exterior, permanecem ali anos seguidos, limitados ao conforto que somente aquele ambiente poderá favorecer. Além de não terem uma dormida confortável, nem um fogão onde possam cozinhar a sua comida, os detentos da recém-construída cadeia pública desta cidade também não têm o sagrado direito de banhar-se diariamente, como se o banho não fosse indispensável à saúde e higiene de cada criatura. Por isso, o ambiente ali pode cheirar mal...
Novo Grupo Escolar – Como todo mundo deve saber, brevemente terá início aqui, na sede do município, um grupo escolar, orçado em 200 mil cruzeiros, consoante projeto votado e aprovado pela Assembleia Legislativa Estadual. Não sei se vão aparecer empreiteiros para esse grupo nem o local onde ele vai ser construído. Apenas, convém advertir, quem não estiver em condições de construí-lo regularmente como manda a sinceridade e honestidade profissionais que se abstenha dessa próxima vindoura empreitada. “É melhor recuar com glória...” que avançar de maneira comprometedora.
(DP de 23.08.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).
Nota: O Grupo Escolar, que receberia o nome do comerciante e ex-prefeito, Rodolfo Monteiro de Paiva, só seria inaugurado no ano letivo de 1954, quase cinco anos depois, sendo desativadas as Escolas Reunidas Dom Moura que antes tivera o nome de Escolas Reunidas Governador Barbosa Lima que teve como empreiteiro da obra o coronel da Guarda Nacional, João de Oliveira Cintra e a um custo de mais de 14 contos de réis.

1949 – Criação de Feira Livre – Cerca de sessenta damas da sociedade local, dirigiram um requerimento ao prefeito solicitando seja criada uma feira livre, no meio da semana, a fim de ser combatida a carestia.
Abaixo-assinado - Aos deputados Décio Valença, Paulo Cavalcanti, Gilberto Osório de Andrade, Luiz de França, Osvaldo Lima Filho e Severino Mário foi dirigido um abaixo-assinado com mais de 400 assinaturas de moradores da fazenda Cabanas, do extinto Lafaiete de Souza Leão, pedindo a desapropriação da citada fazenda, por motivos que vão explicitamente expressos no mencionado documento. (DP de 23.08.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Câmara Municipal – O legislativo municipal discutiu e aprovou a criação de uma feira livre para combater a carestia, iniciativa de um grupo de senhoras de nossa sociedade. Atendendo ao apelo, os vereadores isentaram de todas as taxas, durante o período de um ano, os produtos expostos à venda, na feira livre, que terá início dentro de poucos dias.
Promoção ao generalato – Por motivo da recente promoção a general de brigada, do coronel João Augusto de Siqueira, as pessoas de sua família, residentes nesta cidade, vêm recebendo felicitações.
(DP de 06.09.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 – Abastecimento de Água – Uma promessa do governador Barbosa Lima Sobrinho, ao povo são-bentense, acaba de ser cumprida. Trata-se da máquina perfuratriz que o governo mandaria para esta cidade, a fim de perfurar aqui um poço artesiano. É a primeira terra a ser penetrada pelo aço resistente de sua broca. No dia 12 (de setembro), teve lugar o ato inaugural ao qual compareceu o secretário de Agricultura que veio especialmente para esse fim. Às 10 horas, a máquina entrava em franco funcionamento, ostentando ante os olhos curiosos do povo da terra, os braços enormes que sustem por meio de um cabo de aço, a peça que irá buscar nas entranhas da terra, o líquido precioso e indispensável com o qual o povo desta terra mitigará a sua sede. Esse poço, que se vai cavar, representa um oásis neste deserto de águas. Nele, milhares de beduínos, mitigarão a sua sede. E a água potável não aqui, jamais, privilégio dos que podem captá-la na Vila Maria em Garanhuns. Com esse poço que se vai cavar, desaparecerá a angústia penosa do são-bentense que não possui viaturas motorizadas e que no dorso caloso das alimárias percorre diariamente grandes distâncias em busca de água que não seja salgada, para amenizar a sede enervante e assoladora do verão. São Bento do Una está em festa. Festa sem pompa, onde o cartão de convite é a vontade de cada um, é a alma e o coração libertos às vicissitudes do progresso e do bem-estar coletivos. Decerto, esses meninos que aqui lutam pela vida não mais percorrerão as estradas poeirentas desta terra, sob o lombo de seus jumentos, com a missão quotidiana de matar a sede de inúmeras gargantas sequiosas. Eles, esses intrépidos lutadores adolescentes, terão por finda a tarefa que estoicamente desempenhavam.
Eleições Municipais – Realizaram-se domingo transato (19 de setembro) as eleições para preenchimento de claros na Câmara Municipal. Como a Oposição Coligada não apresentasse candidato para concorrer ao pleito, houve grande abstenção do eleitorado. Ainda não foi feita a apuração. De qualquer modo, os coligados não poderiam votar. Se comparecessem às urnas, levariam as mãos e os bolsos vazios.
(DP de 22.09.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1949 - Colégio Santa Sofia de Garanhuns. As solenidades de colação de grau das professorandas de 1949, do curso pedagógico, do Santa Sofia serão realizadas no dia 8 de novembro próximo. O paraninfo escolhido foi o monsenhor José de Anchieta Callou e a homenageada de honra, a professora Almira da Mota Valença.
São as seguintes as novas professoras: Maria José Maia Leite, Eli Ferraz, Eugênia Gonçalves de Medeiros, Eunice Vasconcelos de Andrade, Edna da Silva Barros, Gilva Fernandes da Silva, Herundina Barros da Silva, Lenita Fontes Cintra (oradora), Maria Araújo Duarte e Olívia Fernandes da Silva.
(Jornal Pequeno de 18.10.1949)

1949 – Banda Musical Santa Cecília – A Banda Musical Santa Cecília comemorou, dia 25 de novembro, 95 anos de existência, constituindo-se, assim, uma tradição na vida da cidade. É um patrimônio comum do povo de São Bento do Una, mantido pela perseverança da família Siqueira. A Banda Musical Santa Cecília vem animando as várias festividades que aqui se realizam. Noventa e cinco anos de bons serviços prestados à cidade, esta banda está integrada à tradição de diversas gerações são-bentenses. Não se justifica, porém, que seja relegada a segundo plano, negando-se-lhe auxílio para a sua manutenção. Infelizmente, a Banda Musical Santa Cecília, apesar dos grandes esforços da família Siqueira, está fadada a se extinguir, uma vez que lhe está sendo negado subsídio. Isso ocorreu recentemente na Assembleia Legislativa do Estado que, injustamente, negou-lhe a subvenção que garantiria a sua existência. Está São Bento do Una, assim, ameaçada de ficar sem sua banda de música e o Estado de perder um dos seus antigos mais antigos conjuntos musicais.
(DP de 04.12.1949, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 - Dotação orçamentária para o Estado de Pernambuco, exercício de 1950: Maternidade de São Bento do Una, Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros).
(DP de 04.01.1950).

1950 – A cidade de São Bento do Una está realizando, desde o dia 28 de dezembro, a festa do Senhor Bom Jesus, seu excelso padroeiro e que este ano se reveste de maior brilhantismo e imponência. O encerramento será no próximo dia 6, de acordo com o programa organizado. Todas as noites, a partir do dia 29, vem-se celebrando o novenário, seguido de festejos externos abrilhantados pela Banda Musical Santa Cecília. No dia 31, às 23 horas, realizou-se solene Hora Santa e às 24 horas, após uma salva de 21 tiros, foi cantado um Te Deum, seguindo-se de missa solene. Ontem, dia 3, pelas 9 horas, verificou-se a chegado do bispo diocesano, dom Juvêncio de Brito e às 15horas ado monsenhor Arruda Câmara, pregador do tríduo final e da festa do Senhor Bom Jesus. O programa do dia 6 é o seguinte: 5 horas, alvorada e salva de 21 tiros; 6 horas, missa por todos os protetores falecidos; 7 horas, missa pelos protetores da festa; 9 horas, missa pelo apostolado feminino da Matriz; 11 horas, missa solene, om assistência pontifical, a grande orquestra cantada pelo coro da matriz de Água Fria, do Recife, sob a direção do respectivo vigário. Ao evangelho, sermão do monsenhor Arruda Câmara. 14 horas, entrega de esmolas ao vigário para a festa do Senhor Bom Jesus. 20 horas, solene procissão e, ao recolher, sermão pelo bispo diocesano e bênção do santíssimo sacramento. 21 horas e 30 minutos, entrega da bandeira aos juízes da festa de 1951, Dr. Lívio de Sousa Valença e Odete Lemos Valença. Na parte externa da matriz, funcionarão diversões populares, e serão queimados vistosos fogos de artifícios. Realizar-se-á, também, o grande leilão de 100 garrotes doados pelos fazendeiros são-bentenses ao Bom Jesus, e de vários objetos em benefício da festa. A comissão da festa deste ano está constituída dos seguintes elementos: padre João Rodrigues, diretor; Dr. Lívio Valença, presidente de honra; Osvaldo Maciel, presidente efetivo; Adauto Paiva, juiz; Teócrito Duperron, secretário; Ludgero Simões, tesoureiro. Estão encarregados do leilão dos animais doados os senhores Joaquim Ferreira Costa, Enoque Honorato, Sebastião Fernandes e Isaias Porfírio.
General João Siqueira – Está sendo esperado aqui, amanhã, o nosso conterrâneo, general João Augusto de Siqueira que já se encontra no Recife, chegado pelo avião da carreira do dia 2 do corrente. O general vem acompanhado dos seus filhos Terezinha e Fernando e aqui aguardará a chegada da sua esposa que viaja pelo navio “Araraquara”, devendo se demorar no seio de sua família, aqui residente, cerca de um mês.
(DP de 04.01.1950).

1950 - O problema da luz.
Reuniu-se, no dia 27 de dezembro de 1949, extraordinariamente, a Câmara Municipal a fim de tratar de vários assuntos de interesse do município. Entre outros problemas de importância, figurou o da luz para São Bento do Una. Atualmente, dispõe o município de dois motores, um dos quais, já um tanto deteriorado, fora comprado, por 80 mil cruzeiros, a Severino Jatobá. O outro tipo Caterpillar, alta rotação, fora comprado, recentemente, a uma firma do Recife, mediante a entrada de 57 mil cruzeiros e prestações mensais de 10 mil cruzeiros. A condição de iluminação desta cidade é assunto conhecido, e este correspondente já aludiu ao caso várias vezes neste Diário de Pernambuco. Entretanto, já se possui melhor iluminação hoje. Acontece, porém, que nos debates da sessão extraordinária houve quem lutasse para que o atual preço da luz fosse taxado à base antiga, isto é, Cr$ 031 (trinta e um centavos de cruzeiro). Essa tentativa de aumento foi, contudo, vencida e o preço agora é de Cr$ 0,20 (vinte centavos de cruzeiro), dando oportunidade a que todos possam ter energia elétrica em casa. Essa conquista se deve em grande parte ao vereador udenista, Aprígio Santos, que foi quem mais se debateu pela manutenção do preço de Cr$ 0,20(a vela), auxiliado por Antônio de Melo Cavalcanti (Antônio da Violinha), da UDN, José Manso da Silva, Waldemar Cordeiro de Morais (Demas Pacheco) e Joaquim Armando Sobral, todos do PSD. O fato, porém, é que São Bento do Una possui, atualmente, melhor iluminação elétrica e a um preço mais acessível a todos, solucionando-se, destarte, um antigo problema que parecia de todo insolúvel.
(DP 05.01.1950, “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 - Diário Social. Viajantes.
Pelo navio "Araraquara" está sendo esperada, hoje, nesta cidade, a senhora Maia Cândida Geraldo de Siqueira, esposa do general João Augusto de Siqueira.Após curta demora, a referida dama, em companhia do seu esposa, seguirá para São Bento do Una, onde permanecerá cerca de um mês no seio de sua família ali residente.
(DP de 19.01.1950).

1950 - Atos do Governo Estadual . O governador Barbosa Lima Sobrinho assinou, ontem, os seguintes atos, dentre os quais um nomeando a professora Ademilda de Almeida Paiva para a regência efetiva da cadeira nº 144, 2ª entrância, padrão C, localizada na sede do município de São Bento do Una, presentemente vaga e nomeando a professora Lenita Fontes Cintra para a regência efetiva da cadeira nº 147, 2ª entrância, localizada na sede do município de São Bento do Una, presentemente vaga.
(DP de 11.02.1950).

1950 - São Bento do Una, fevereiro. Jeferson de Souza, em curiosa referência a este município, através do Jornal do Comércio sobre uma possível deficiência de combate à malária em São Bento do Una, afirmara, ironicamente, que aqui era a “terra mais infeliz do mundo, onde tudo saiu errado”. Não queremos abordar os fatos que fizeram esse médico combatente do impaludismo formular sobre São Bento um juízo dessa natureza. Mas, de certo modo, secundando aquele médico e comentarista, poderemos dizer que aqui é, infelizmente, a terra do fracasso. Se aqui tudo não saiu errado, pelo menos, segunda a prova evidente dos fatos, as coisas nunca terminaram bem. Há um azar estranho nesta região de ansiedade tão amplas. Dir-se-ia, para não discordar da superstição popular haver enterrada, nas terras de São Bento, uma cabeça de bicho, motivo poderoso contra todas as iniciativas do progresso, de melhora e renovação. Se o combate à malária não causou sucesso nestas plagas, muito menos a máquina perfuratriz para aqui mandada pelo Sr. Barros Barreto quando secretário de Agricultura. Meses seguidos, instalada à margem direita do rio Una, numa parte declivosa que dá acesso para a cidade, novíssima máquina perfuratriz, empenhada na sua árdua tarefa de arrancar das entranhas compactas deste deserto um fio cristalino que dessedentasse o povo são-bentense, penetrou mais de cem metros no seio da terra, após o esforço contínuo de muitos dias e, quando atingiu um lençol líquido, ninguém pôde resisti-lo. Era sal puro. Para quem está com sede, sal é uma decepção. É uma indiferença irônica à garganta sequiosa. Com o sal líquido jorrando à flor da terra, a máquina parou as suas atividades. E agora, após alguns meses de imperturbável inércia desse engenho inestimável, o secretário de Agricultura ordena a sua volta ao Recife, mandando até cá o engenheiro Clodoveu Dias, incumbido por aquela autoridade do governo de Pernambuco, de desmontar a perfuratriz e remetê-la ao lugar de origem. Isto que dizer que o Estado simplesmente gastou uma centena de contos de réis e não conseguiu o objetivo almejado – água capaz de matar a sede da população. E, assim, vai-se embora essa “samaritana” ingrata, olvidando todos os apelos desesperados dos que, anualmente, são ameaçados pelo rigor da seca e pela imprevidência inconsciente da Natureza. Outro fato notório de São Bento do Una foi aquele motivado pelo Grupo Escolar. A Assembleia Estadual votou um crédito de 200 mil cruzeiros para a construção desse grupo. Os dias se foram passando; os desinteresses se foram sucedendo aos dias; o crédito caiu afinal, indefeso e inerme, no bojo insaciável do exercício findo. E, adeus grupo escolar! (...) A feira livre que as donas de casa conquistaram, para fazer frente à carestia, iniciativa feliz das senhoras da terra, aprovada pela Câmara Municipal e dispensada de todas as taxas, durante um ano, e que foi um aborto provocado pela Prefeitura, também não é um motivo de fracasso. Finalmente, aquela reunião realizada em 27 de dezembro (de 1949) à qual o vereador pessedista, José Manso da Silva, apresentou uma resolução de diminuição da taxa de luz elétrica, e substituindo a de 31 centavos de cruzeiro por vinte centavos a vela, não é outra prova lastimável de fracasso chocante? Os senhores vereadores naquela reunião, apenas com um voto discrepante, aprovaram a baixa da luz (pois não se justificava cobrar aqui a taxa mais elevada do Brasil). A Câmara enviou toda matéria aprovada ao prefeito para a devida sanção. A resolução aprovada caiu em decêndio, sem que houvesse veto, total ou parcial por parte do executivo municipal. O presidente da Câmara, em desobediência flagrante à Lei de Organização Municipal, deixou de promulgar a resolução “enjeitada”. E as coisas aí ficaram nesse confucionismo injustificável um salvando a aparência do outro, fazendo um jogo petulante, um jogo de jogadas “magistrais”, furta cores. Acontece, porém, que chega o dia 10 de fevereiro, data de instalação da primeira sessão do ano. Os senhores vereadores, antes da leitura e aprovação da ata, que precede, ordinariamente, os trabalhos de uma sessão, procederam à eleição dos componentes da mesa. Por fim, puseram, inconscientemente, incompetentemente, um remendo defeituoso na ata da sessão anterior, um clássico nota bene de última hora no qual reconheciam a primazia da taxa de Cr$ 0,31 (trinta e um centavos de cruzeiro) a vela, desfazendo, assim, o que fora feito por eles na sessão anterior. E até o autor da resolução que se diz ter palavra de rei, recuou três passos falseantes, após ter dado um passo positivo à frente. Acontecesse isso no município do Recife, Caruaru, ou até mesmo no de Garanhuns, e o mundo teria vindo abaixo. E esses homens públicos estariam hoje irremediavelmente desacreditados perante a opinião pública. Os protestos seriam os mais acesos e irreverentes. Aqui, infelizmente, se protestar abusos dessa natureza é estar condenado à opinião os senhores do município. Surge cara feia em todas as esquinas. Mas, os que são livres, os que acham que o pensamento não deve ser monopolizado subservientemente, não perderam, ainda, a esperança de que preceitua o brocardo – Chi la dura la vinc (em italiano algo como: quem persevera, vence). Não é, pois, tudo isso um evidente fracasso desta terra? E abstenho-me, ainda, de enumerar outros mais, que ficarão guardados.
(DP de 18.02.1950, seção "Pelos Municípios", do correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 - Cronica do Interior. Samuel Soares.
Ligeira visita a São Bento do Una.
Estivemos fora da cidade durante os dias de carnaval. Fomos ter à Fazenda Caracol, no município de São Bento do Una, cujo proprietário, Sr.Joaquim Muniz,pelo sua hospitalidade soube convertê-la num recanto adorável para ligeira ou longa vilegiatura.
Ao ensejo desses dias, quisemos rever a sede do município onde estivemos em abril ou maio de 1943, há sete anos portanto. Era nosso propósito conhecer as causas do progresso que vai pela aprazível cidade, apreciando a arrecadação municipal e o que tem sido invertido na realização de serviços e melhoramentos locais.
A despeito porém deste desejo, não nos foi possível satisfazê-lo. São Bento do Una na terça-feira última estava, como é natural, entregue aos folgares de Momo e neles tomavam parte democraticamente, em comunhão com o povo, os seus dirigentes e responsáveis pela administração.
Lá vimos, ao chegar, o deputado Décio Valença, e outros elementos de escol, comandando a turma de foliões e dando uma amostra do que o são-bentense costuma e sabe divertir-se. E tanto isso é verdade que pessoas de Garanhuns, à frente o deputado Elpídio Branco ali também se encontravam em plena e alvoroçada folia.
Mesmo assim, a ligeira visita nos porporcionou a oportunidade de observar que São Bento do Una está em franco progresso. O seu aspecto geral demonstra os cuidados da atual administração. O centro está bem calçado a paralelepípedos, havendo praças e logradouros bem aprazíveis. A seu turno, o número de construções particulares é considerável, revelando a boa situação econômica do município que é o maior produtor de laticínios do Estado.
Assim, resultou-nos da visita feita a São Bento do Una uma excelente impressão. Apenas, lamentamos a falta de tempo para uma observação mais positiva sobre as condições da comuna.
O problema capital da cidade é o que se refere ao abastecimento d'água. Capital e de solução indiscutivelmente difícil, pois que, agora mesmo, foi tentada a perfuração de um poço artesiano, sem o resultado esperado, pois que a escavação atingiu mais de cem metros de profundidade, resultando encontrar-se um lençol d'água imprestável para o consumo público.
Sabemos que a Prefeitura, dentro dos seus recursos limitados, está empregando meios para atenuar as dificuldades existentes; todavia não é possível esperar que somente destas providências possam advir os benefícios de que tanto necessita a progressiva e futurosa cidade.
(DP de 25.02.1950).

1950 - Diário Social. Viajantes. Após uma temporada de repouso no seio de sua família, em São Bento do Una, encontra-se, nesta cidade, onde demorará alguns meses, o general João Augusto de Siqueira, nosso coestaduano e que, durante vários anos, serviu na 7ªRegião Militar. O general está hospedado na casa do seu irmão, Manoel Siqueira, à Rua Carvalho de Mendonça n° 94, e se acha acompanhado de sua esposa, Maria Cândida de Siqueira que também conta, entre nós, vasto círculo de relações.
(DP de 01.03.1950).

1950 – Reunião íntima na Fazenda Caracol.
Na pitoresca mansão de Joaquim Muniz, na Fazenda Caracol, onde não se faz notar a ingerência da política e onde o mutismo da vida campestre, o sossego e a paz bucólica são o penates (deus romano dos lares) do humilde e a ventura do matuto, teve lugar, na simplicidade adorável do casarão de largas janelas e alpendre aberto, no dia 19 de fevereiro, uma animada buchada – esmero da culinária sertaneja desta região, com que o velho Joaquim Muniz, autêntico sertaneja, homenageou o jornalista Samuel Soares, seu velho amigo. Longe dos gritos de Momo, da agitação citadina, recolhido ao sossego e à contemplação das coisas sertanejas, o gerente do Diário de Pernambuco, liberto por três dias, do jornalismo absorvente, veio buscar aqui o contato de velhos amigos, amizades que os dias idos consagraram. Antônio de Melo Cavalcanti, mestre da viola, homem que arranca do seu instrumento prosaico harmonias balsâmicas e retrata na música que sai das cinco cordas sonoras, motivos de sua terra, coisas e aspectos do sertão; Argemiro Valença, professor de caçadas, que domina as caatingas, varando-as nas noites tenebrosas, caçando por diletantismo, caçando onde não existe caça, mais por amor ao esporte que por prazer em degustar a presa, são dois velhos e íntimos amigos de Samuel Soares. Um penetrou-lhe a alma talvez com o poder mágico da sua viola, das canções caboclas, das toadas melancólicas que acalentam e embalam. O outro tocou-lhe o coração com gestos esportivos, histórias de caçadas, serões ao luar, caminhadas longas em demanda da presa incauta e inocente. Foi um carnaval silencioso, ameno, temperado de velhas camaradagens, o que viveu aqui o gerente do Diário, durante o tríduo de Momo na hospitaleira vivenda de Joaquim Muniz. Entre as inúmeras pessoas que compareceram à buchada, destacavam-se o general João Siqueira e esposa, José Siqueira, Antônio de Melo Cavalcanti, Argemiro Valença, o industrial João Batista Davi Madeira, do engenho Soberano, de Quipapá e Antônio Barbosa Coelho, fazendeiro em Canhotinho. O ambiente foi cordial e íntimo. Esqueceram-se aí, por algumas horas, os vexames da vida e olvidou-se o fantasma multiforme e dantesco da política. Se a política convulsiona a nação, sacode todos os partidos, agita uma infinidade de futuros candidatos, na casa de Joaquim Muniz, não se sabe nem se trata disso. O homem da fazenda Caracol não é político nem entende de política. Vive concentrado nas atividades da sua vida simples e operosa. Mesmo, não tem boa saúde. Sofre do fígado, nervos etc. Tem uma personalidade sisuda, ar fechado de quem acha a vida enfadonha, simulando ojeriza a conversas prolongadas. Há muita semelhança entre a fisionomia do fazendeiro Joaquim Muniz, motivada pela doença, pelo mau funcionamento de alguns órgãos, e a fisionomia do político atual (de que espera coelhos na moita da sucessão) também motivada por “doença” e “doença” até difícil de se curar. O político hodierno é um sujeito que sofre de neurose, tem o fígado funcionando mal e a alma “intoxicada”. Fala-se em eleição para uma nova mesa, mesmo aqui no interior, através das Câmaras Municipais e ele se alvoroça, fica com a saúde abalada, aspira “analgésicos”, exaspera-se etc. Aparece outro que não está satisfeito com o partido, devido ao seu “caso” e insiste na procura de um “antídoto” qualquer, nessa emergência impiedosa quando todos os laboratórios políticos manipulam medicamentos falsos e põem rótulos para fazer sonhar.
Subsídios de vereadores
Durante os trabalhos da1ª sessão do ano, os vereadores deste município, que vêm se batendo com estardalhaço mesmo, pelas coisas do município, fazendo todo empenho para que sejam poupadas as verbas municipais, resolveram elevar os seus subsídios. E ficou acertado que cada vereador são-bentense iria perceber, neste exercício, por comparecimento à casa das deliberações, a quantia de 500 cruzeiros. Isto, talvez, para fazer face à carestia. Pois se o custo de vida cresce por um lado, faz-se necessário aumentar o subsídio do vereador, no lado oposto, para equilibrar os pratos da balança. Diz a Lei de Organização Municipal que os subsídios dos vereadores são calculados sobre a arrecadação de cada município. Mas não sobre a receita bruta, como alguém poderá achar viável. Há muita diferença entre uma coisa e outra. Os vereadores são-bentenses não observaram, aliás, essa diferença. Englobaram o orçamento todo no cálculo para taxação pro domo sua (em causa própria) dos novos subsídios. Nem puseram de lado os créditos extraordinários, o empréstimo do Estado, as contribuições do funcionalismo ao Instituto que tudo isso faz parte da receita municipal. E o resultado é o que aí está: 500 cruzeiros por cada comparecimento. E 500 cruzeiros per capita equivalem, para o município, 13.500 cruzeiros por cada sessão, afora despesas de transporte. Os senhores vereadores que baixaram o preço da luz para elevá-lo de imediato, argumentando que a situação municipal não era boa, que o município estava “sobrecarregado” e, após 40 dias, contra os dois votos da oposição (Antônio de Melo Cavalcanti e Manoel Valença Braga), forçaram aquele remendo na ata da sessão de 27 de novembro do ano transato (1949), são os que agora elevam em 100% os próprios subsídios. Isto equivale a um desrespeito à anemidade da Tesouraria Municipal, tão defendida por eles nestes últimos meses. O município anda, de fato, sobrecarregado. Poupem-no, pois, senhores vereadores, nessas sangrias imerecidas. E através destas colunas fazemos um apelo ao nobre vereador Aprígio Santos, autor do injustificável projeto de majoração de subsídios, pedindo-lhe o empenho todo especial na defesa das verbas municipais. Escolhemos, de preferência, o vereador Aprígio Santos, político ativo desde 1911, por estar mais em forma, particularmente, dada a notoriedade de sua veemência quando defende leis.
(DP de 02.03.1950, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 – Flagrantes Turfísticos. Parain trocará de nome. Durante uma palestra que ontem manteve conosco, em Paulista, o novo turfman e fazendeiro, Waldemar Agra, proprietário de "Parain", revelou que trocará o nome do seu parelheiro para "Rio Una", estando a estreia dele marcada para maio próximo. Waldemar Agra registrará a sua jaqueta com as cores alvinegras. Revelou ainda ao repórter que pretende instalar um Stud em sua magnífica fazenda de São Bento do Una. Surge assim mais um elemento de prestígio que já fez muito pelo Aeroclube e que muito promete no Jóquei Clube.
(DP de 03.03.1950).

1950 - Governo do Estado. O governador assinou ontem diversos atos entre os quais o que nomeou Maria Maciel Valença para a regência interina da cadeira nº 144, 2ª entrância, padrão C, localizada nas Escolas Reunidas Dom Moura, na sede do município de São Bento do Una, durante o impedimento da efetiva, Nair da Fonseca Valença.
(DP de 19.03.1950).

1950 - Seção "Pelos Municípios". São Bento do Una. Do correspondente Sebastião Soares Cintra. (Omissis). Apelo ao Secretário de Agricultura.
Os agricultores são-bentenses, à medida que a crise se acentua e se agrava mais e mais, e a vida se vai tornando difícil, apelam para as autoridades constituídas no sentido de um amparo em face dessa contingência que os agrava. Sabem eles que em Lajedo se vende enxadas por 12 ou 13 cruzeiros e que em Belo Jardim há enxadas ademaristas, distribuídas gratuitamente pelo PSP. Só os agricultores de São Bento do Una nada têm, nenhum amparo, nenhum conforto dado pelo governo: nem enxadas nem sementes nem uma barraca onde pudessem conseguir gêneros a preços módicos.
Em face de um esquecimento e de um desprezo dessa natureza, os agricultores deste município, através desta coluna, solicitam ao secretário de Agricultura, Artur Rui de Carvalho, que lhes dê a mão, ao menos, com algumas enxadas, mesmo que não sejam as de Ademar.
(DP de 01.04.1950).
Nota: O ano de 1950 foi ano de eleição para presidente e vice-presidente da República quando Ademar de Barros, de São Paulo, foi candidato pelo PSP (Partido Social Progressista).

1950 - Coluna "Pelos Municípios". "Garanhuns e o Dr. Butler". Artigo de Pelópidas Soares. Transcremos apenas a parte referente à cidade de São Bento onde o Dr. Butler esteve com um grupo de evangelistas:
"Houve momentos verdadeiramente épicos na cruzada empreendida pelo Dr. Butler em Garanhuns. Por ele morreu Né Vilela assassinado pelos fanáticos em São Bento do Una, (...).
(DP de 11.04.1950).

1950 – Vocação administrativa (Augusto Lins).
Com a política municipalista, visão ampla e altamente significativa dos constituintes de 1946, os municípios foram impelidos, obrigatoriamente, para uma nova fase de progresso e de ressurreição de interesses comuns à vida do interior. Disso adveio, naturalmente, o prestígio dos municípios. Com as quotas federais, os prefeitos do interior vêm planos e empreendimentos só possíveis com a ingerência monetária da nação na vida municipal. Já se observa, por aí afora, um aspecto novo, um surto de melhoramentos através do Estado. E, diga a bem da verdade, deve-se tudo isso ao imposto de renda federal, que os constituintes de 1946 souberam aplicar, proporcionalmente, a cada município. Muito esporadicamente, apareceram alguns municípios que empreenderam realizações avultadas antes do regime municipalista, São Bento do Una, por exemplo, foi dos que realizaram alguma coisa, antes de obter a primeira etapa das cotas federais. E deve-se esse empreendimento, esse milagre, ao senhor Augusto Lins, então presidente da Câmara de Vereadores, desempenhando as funções de prefeito municipal. Antes dele, já em regime democrático, ninguém havia feito nada. E não havia panaceia que curasse esse marasmo do município. Não se tapou, ao menos, um buraco de estrada. Com Augusto Lins à frente da administração municipal, mesmo em caráter provisório, a coisa tomou um aspecto diferente. O até então pesado e enferrujado mecanismo do governo do município, empacado e inerte, começou a se movimentar e pôs-se em funcionamento. No primeiro mês dessa administração provisória, verificou-se um acréscimo de arrecadação de 4 mil cruzeiros, sem que fossem majoradas as taxas fiscais ou criadas novas fontes de receita. No segundo mês, esse acréscimo se positivou mais ainda. E foi o bastante para que Augusto Lins, com sua férrea vontade de realizar, se lançasse ao campo do trabalho e fizesse alguma coisa em prol da sua terra. Iniciou ele o calçamento da cidade. Ao mesmo tempo voltou-se para Cachoeirinha onde iniciou e concluiu os trabalhos de meio-fio. Nessa mesma vila fez também um açougue. Substituiu o casarão sujo que se prestava a esse mister por uma casa asseada e confortável; trocou meia dúzia de mesas velhas, oscilantes, pretas e nojentas, onde capeavam a larga os tapurus, por uma tarimba de cimento, higiênica e adequada. Fez, ainda, Augusto Lins na vila de Cachoeirinha um curral para animais e primou pela limpeza pública, tanto na sede como nos distritos. Cachoeirinha deve ao seu benfeitor o aspecto novo da sua praça, as calçadas largas das ruas por onde hoje se caminha sem topadas.; o açougue; o curral de animais. A sede do município deve-lhe a iniciativa e início do calçamento. Tudo isso foi conseguido no espaço de três meses e dentro das precárias possibilidades do município. Depois, com o afastamento e consequente renúncia, em caráter irrevogável, de Augusto Lins, vieram as quotas federais. O município começou a nadar em dinheiro da Nação. E o seu continuador não teve outro remédio senão aplicar as novas verbas nos empreendimentos já iniciados. Por aí se deduz, cabalmente, que o ex-presidente da Câmara Municipal deste município foi um prefeito á altura do cargo. Foi dinâmico e não fez besteira; não acarretou prejuízos à sua administração. E é a homem dessa estirpe, trabalhador e cheio de boa vontade, que se procura olvidar, esquecer. Imagine-se se esse homem tivesse tido a primazia de receber e aplicar no município os 300 mil cruzeiros da nação!
(DP de 15.04.1950, seção “Pelos Municípios”, correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 - Coluna "Pelos Municípios". "Os Municípios em Revista", artigo assinado por P.L. vindo de Caruaru. Transcrevemos apenas o que se refere ao nosso município.
"Cooperativismo. Com a criação do Centro de Estudos e Divulgação do Cooperativismo, nesta capital, é possível que o movimento cooperativista neste Estado tome mais incremento e sobretudo mais seriedade. Porque o que constatamos é essa situação paradoxal: muitas cooperativas e pouco cooperativismo, ou quase nenhum. Ainda agora chegam-nos de São Bento do Una essa notícia, com os naturais e veementes protestos dos prejudicados: A cooperativa agropecuária local estava (não sabemos se ainda continua) vendendo as enxadas que lhe fornece a Secretaria de Agricultura para distribuição entre os agricultores pelo preço de custo, a 16 e 17 cruzeiros por unidade, o que é positivamente uma indignidade. Por esses instrumentos de trabalho agrícola, símbolo do nosso atraso agrário, não podiam ser vendidas ali por mais de 12 cruzeiros, que é o seu preço de custo em São Bento, incluindo o carreto. Ao Centro de Estudos e Divulgação do Cooperativismo recai a enorme responsabilidade de, com a finalidade específica, definida na sua própria denominação, exercer ativa e vigilantemente também, e sobretudo, a defesa dos princípios cooperativistas, reduzidos neste Estado à exploração de muitos por alguns - e que constitui o avesso do espírito cooperativista".
(DP de 25.04.1950).

1950 – Os municípios em revista. (Coluna de P. L.) - Cooperativismo. Cooperativismo invertido é o que estão realizando em São Bento do Una, através de sua Cooperativa Agropecuária, pelo que se sabe e pelo que diz, em todo o Estado, com raras e honrosas exceções. O caso em foco reveste-se de aspectos tão estranhos, que insisto em mais este comentário à guisa de crítica construtiva. Verberei, da vez passada, o fato de a Cooperativa de São Bento estar vendendo aos agricultores por cinco e seis cruzeiros acima do preço de custo as enxadas fornecidas pela Secretaria de Agricultura, e que ficam naquela localidade por menos de doze cruzeiros por unidade. O que não passa de câmbio negro, que equivale à prostituição do cooperativismo. Crime tão feio quanto à simonia sacerdotal. O mais triste do fato, porém, não é o comércio negro em si desse cooperativismo invertido. O que é mais espantoso é que o presidente, diretor, gerente ou que outro nome tenha o chefe da Cooperativa Agropecuária de São Bento do Una, é um cavalheiro batizado, crismado e registrado com o nome de João Rodrigues, geralmente conhecido como “padre João Rodrigues”, vigário daquela paróquia. E isto me leva a pensar no que seria da Igreja, na terra do caricaturista Armando Santos, e onde tem uma fazenda o prefeito Morais Rego, se fosse ela uma cooperativa em que os paroquianos tivessem que comprar passagem para o céu... O céu que é gênero de primeira necessidade para todo moribundo. Não creio que o próprio Dr. Pinto Ferreira venha a dispensá-lo na undécima hora.
(DP de 03.05.1950).

1950 –Notas sobre a “Suíça Brasileira” – A Folha da Manhã do dia 30 de abril insere, à página 11, uma reportagem sobre este município, à qual este correspondente não poderia deixar de fazer uma referência. O articulista do órgão acima mencionado, “enviado especial” para promover São Bento do Una à “Suíça Brasileira”, limitou-se apenas a escrever o que lhe ditaram, sem se preocupar jamais com a origem ou procedência do que aqui teve oportunidade de observar com os olhos curiosos do praciano. Iniciou ele a sua reportagem, falando sobre a indústria leiteira, citando nomes das fábricas, mencionando produção diária de leite, etc. Referiu-se, largamente, às riquezas dependentes da iniciativa privada, às condições naturais do município. Está tudo muito bem. Todos nós sabemos que São Bento do Una é o centro de laticínios do Estado; que aqui há muito queijo gordo e muita manteiga gostosa; muita vaca bonita e grande quantidade de suínos. Tudo isso já foi mencionado inúmeras vezes através da imprensa. Interessa-nos também dizer que essas riquezas não dependeram de nenhuma administração municipal; que elas surgiram como já disse acima do bojo das iniciativas privadas, do tino particular, persistente e realizador. Passando-se os olhos na página 11 do órgão situacionista do dia 30 de abril e fazendo-se uma análise justa e sincera (não uma análise a convite especial...) teremos, então, de homenagear administradores que já estiveram à frente do governo do município quando o município não tinha ainda projeção econômica ou política. Então, o leitor terá de invocar a figura dinâmica do saudoso Manoel Cândido, o renovador de São Bento do Una, que lhe deu o Paço Municipal, o meio-fio, o açougue e uma estética racional. Teremos de lembrar, também, por imposição natural dos fatos e das circunstâncias, o nome de Augusto Lins, ex-presidente da Câmara Municipal, prefeito durante três meses, que foi o iniciador teórico e prático de tudo o que aqui existe de novo e bonito, e que foi exaltado na Folha da Manhã do dia 30 de abril. O articulista fez a apologia da obra recém-construída de São Bento do Una; lembrou as praças, o calçamento, etc, etc, e não se preocupou com a origem desses melhoramentos, os seus inspiradores e iniciadores. No entanto, essa prática de alcandorar alguém com os recursos de outrem, não é boa nem útil. Porque visamos a selecionar elementos capazes de administrar realmente. Precisamos selecionar, é lógico, porque devemos escolher “homens para os cargos e não cargos para os homens”. Mas o articulista não se preocupou muito com essas coisas e, inopinadamente, injustamente, acorrentou todos os melhoramentos que aqui viu, à bagagem de uma Suíça Platônica, de uma “Suíça” cuja maioria esmagadora do seu povo é composta de maltrapilhos, famintos e analfabetos; de uma “Suíça” de estradas carroçáveis, por onde mal se arrastam os caminhões; de uma “Suíça” onde não há respeito ao pensamento alheio e onde predomina a baixa perseguição política; de uma “Suíça” onde, durante as secas prolongadas, o seu povo só tem água salgada para beber. Qual Suíça qual nada, seu moço! Todo município tem o direito natural de almejar progresso, de ascender na escada da grandeza econômica. Mas tudo isso deve ser encarado com realismo e sinceridade. É um mal muito grande para São Bento do Una a essa altura toda, na qual lhe querem botar seus gajeiros alcandorados. Uma “Suíça” sem escolas, sem estradas, com feridentos expostos em via pública aos dias de feira, é uma “Suíça” fracassada e falida. Uma “Suíça” que trai o próprio nome... O articulista, mal conhecedor que é das coisas deste município, diz, no final de sua reportagem, que aqui não há oposição. Santa infantilidade! Aqui há oposição atualmente, como houve em dezembro de 45. Foi ou não foi a oposição que aqui deu ganho de causa ao Sr. Neto Campelo? Quem foi, então?
Talvez não haja oposição lá na Suíça de lagos belíssimos, quietos e solenes lá no cume dos Alpes. Porque na verdadeira Suíça não há remendadores de atas entre os representantes de um parlamento municipal, não há perseguições injustiificáveis; lá também não se entregam os cofres públicos a forasteiros oportunistas.
O enviado especial da "Folha" fez uma omissão em sua reportagem. Deixou de mencionar nela o tão próspero distrito da "Suíça". Deixou de falar de Cachoeirinha. Por que? Apenas por isto porque em Cachoeirinha Augusto Lins começou e terminou todos os melhoramentos que levou a efeito naquela vila: praça, meio-fio, açougue, curral de animais etc.
Por que não dar a César o que é de Cesar?
E todos os melhoramentos nascidos com o governo de Augusto Lins não tiveram o apoio amplo e vital das quotas federais. Esta é que é a verdade. Pode vir aqui qualquer representante de jornal e levará a conclusão do que digo.
Quanto ao caso de se saber se aqui há ou nõ há oposição, haveremos de provar, por ocasião das eleições de 3 de outubro próximo e as de janeiro de 1951. O enviado especial que aqui passou quase uma semana pelas macias poltronas da Prefeitura, com "boas conversas" e café pequeno no salão nobre, levando depois cerca de 4.000 cruzeiros do município, só podia ter construído uma "Suíça" da maneira que lhe pediram. Uma "Suíça" fugaz, fictícia, que desaparece a olhos vistos, como bolhas de sabão.
Agora, a população, todos finalmente, querem saber por qual verba vão sair esses contos de réis gastos galhardamente na "Suíça Brasileira".
(DP de 11.05.1950, Seção "Pelos Municípios", correspondente Sebastião Soares Cintra).
Nota: O nome do jornal citado no texto era "Folha da Manhã", ligado ao Partido Social Democrata (PSD).

1950 - Seção "Pelos Municípios". Bom Conselho, 10 de maio. Excursão.
Visitou a cidade de São Bento do Una uma caravanacomposto de 60 alunos do Ginásio São Geraldo, desta cidade, chefiada pelo diretor do educandário e os professoresJoaquim Cirilo e José Ferreira da Silva.
A caravana chegou àquela cidade às 9 horas, onde foi recebida na residência do Dr. José Bezerra, juiz de direito da comarca, achando-se presente no momento o Dr. Lívio de Souza Valença, prefeito do município e grande número de famílias da sociedade local.
Às 10 horas, os excursionistas, à frente o juiz de Direito, visitaram toda a cidade, sendo destacadas as visitas ao prédio da Prefeitura, Fórum, Empresa da Luz e a Fábrica de Laticínios algumas destas obras realizadas na gestão do prefeito Lívio Valença.
Às 14 horas, o prefeito do município, juntamente com o juiz daquela comarca, ofereceu aos caravaneiros um baile na sociedade do União Sport local. Em seguida foi oferecido pelo prefeito um "lunch" aos visitantes. Nesta ocasião, falou o aluno Joaldi Soares que agradeceu a recepção bem como a hospedagem. (...).
(DP de 18.05.1950).

1950 - São Bento do Una. Cenas de Feira.
Não faz muito tempo, verificou-se, em certa cidade do interior pernambucano, um episódio interessante. Era dia de feira. O povaréu da circunvizinhança de 3 a 4 léguas se aglomerava, como de costume, no pátio onde se verificavam as feiras semanais.
Tudo ali respirava rebuliço, atividade, vozerio. E repercutiam, de quando em quando, com uma musicalidade e ritmo comovedores, os pregões de feira: gritos com ressonâncias melancólicas, que às vezes arrancavam da alma evocações dolentes - poesia em meio à promiscuidade de um ambiete vulgar, tão frequentado e conhecido.
Em lugar pitoresco, dois cantadores de viola temperavam o ambiente com o repente irrisório de seus versos e com a voz cabocla de seus cantos. Uma curiosidade gritante se estampava nos semblantes dos espectadores em torno.
Em dado momento, dá entrada no recinto, solene e austero, um militar de boa aparência e feição jovial.
Um dos cantadores, olhando na multidão em torno o único militar presente, - alvo de evidente contraste - inrompeu, de chofre, com uma quadra exaltante de verso quente e moroso, pondo o militar nas alturas mais vertiginosas para, finalmente, aureolá-lo com o galão de tenente - posto que considerava merecedor e digno dele o cabo que o ouvia, atento, imóvel, lisonjeado em meio à horda curiosa.
Passando alguns minutos, e como nenhum gesto de mão à algibeira nascesse do militar, que permanecia indiferente, sisudo, bizantino, o mesmo cantor, refletindo nos olhos lampejos de súplica malograda, irônico e mordaz, faz estrondar, com os apupos e risos finais dos assistentes, a quadra seguinte:
O galão que ele merece
É um galão diferente;
É um pau com duas latas
Uma atrás, outra à frente!
...
De outra feita, agora em um povoado, também do interior de Pernambuco, onde a maioria de seus habitantes é de devotos do padre Cícero, e distila, ingênua e sinceramente, a mística do Juazeiro, passou-se, ao tempo das caravanas políticas através do interior, outro fato curioso: uma caravana política que tinha como componente um representante da companhia de capitalização, veio ter, dia de feira, a esse povoado.
Os oradores, chegada a hora de iniciar o comício, dirigiram-se ao pátio da feira, onde deveriam escolher um lugar que se prestasse muito bem para servir de palco à falação.
A essa altura, o rapaz dos títulos de capitalização diz para os companheiros:
- Eis o melhor lugar para se armar a tribuna", e aponta para um vago, uma clareira aberta entre a massa humana, nas proximidades de uma tolda que vendia café com pão doce e outras iguarias populares.
O rapaz da tolda, boquiaberto com a presença daqueles senhores no seu torrão, protesta, a dois passos, a iniciativa do caravaneiro:
- Aqui, não. Esse negócio vai prejudicar o meu movimento... e há muito espaço pra lá"...
Para não contrariarem o vendedor, os oradores tomaram posição a alguns metros de distância da barraca e, improvisada a tosca tribuna, deitaram o verbo.
A multidão, em derredor, comprimia-se, curiosa e exaltada, aplaudindo, delirantemente, os caravaneiros. Homens, mulheres, crianças em plena agitação.
Encerrando o comício, usou a palavra o rapaz da companhia de capitalização que, em meio à sua falação, fez ligeira pausa, pôs a mão no bolso, tirou um pacote que o desembrulhou e, dirigindo-se novamente à asistência:
- Trago aqui uma lembrança para o povo hospitaleiro e bom desta terra. São uns santinhos do padre Cícero. Mas, como não dão para satisfazer a todos, eu vou jogá-los daqui, para os que forem mais felizes.
E arremessou pelos ares, em demanda da barraca que gerou a desarmonia inicial, uma dezena de retratos multicores de "santos e santas milagrosas'.
A confusão foi tremenda. A multidão na luta titânica para apanhar os santos do padre Cícero, abalou de encontro a barraca do vendedor que, diante da avalanche humana, virou bagaço, não ficando, cessada a luta, um só pão doce ileso, ante a fúria insana dos devotos do Juazeiro.
(DP de 23.05.1950, seção "pelos Municípios", correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 - Crônica do Interior. Samuel Soares. Necessidade de São Bento do Una.
Transitaram pela Assembleia Legislativa, logrando aprovação, dois projetos do deputado Décio Valença visando à realização de dois importantes serviços em São Bento do Una: a construção de uma ponte sobre o rio, bem próxima à cidade na estrada que a liga com Belo Jardim e a edificação de um Grupo Escolar.
Não sabemos porque datam esses projetos de um ou dois anos passados, sem que, até agora, se lhes tenha dado a devida e necessária execução, por isso que se tratam de dois serviços que se tornam exigidos pelas condições da cidade e do importante município são-bentense.
É inconcebível que São Bento do Una não tenha um grupo escolar instalado em prédio condizente com seu progresso e com as necessidades do ensino. É a cidade sede de um município bastante populoso, contando boa produção agrícola e pastoril e um comércio muito desenvolvido.
Por isso mesmo, tendo-se em conta o interesse do Estado em construir grupos escolares em muitas sedes municipais e até em algumas vilas, é estranhável que a cidade de São Bento do Una permaneça à margem de tão oportunas realizações.
Coisa igualmente singular é que o projeto da ponte sobre o rio Una, às portas da cidade e numa estrada que a põe em ligação rodoviária com o ponto mais próximo da via férrea, que é Belo Jardim, tenha permanecido, até hoje, sem execução, sabido que São Bento, pelas suas condições de riqueza e de produção, carece de meios de comunicação e de transporte em todas as épocas do ano.
É de se esperar que o Executivo se decida, quanto antes, a prestigiar a iniciativa do operoso deputado são-bentense mediante a construção dos dois serviços que foram objeto de uma proposição aprovada pelo Legislativo, em virtude de se tratar de necessidades evidentes para o maior progresso da importante comuna.
Não há que admitir, para tanto, a dificuldade de ordem financeira que vai pela administração estadual, pois que a realização dessas obras importará, sobretudo, em atender a um imperativo reclamado por um município que tanto contribui para a receita ordinária do Estado.
(DP de 25.05.1950).

1950 - Cinquentenário de São Bento do Una. Fundação histórica da cidade.
Junho, 8. São Bento do Una comemora hoje, solenemente, o seu cinquentenário.
Para termos uma ideia precisa do acontecimento histórico, teremos de mergulhar no passado e e ir até os anos já distanciados de 1831 e 1832 quando deu chegada à então fazenda Santa Cruz, de Inácio Tomás de Aquino e Joaquim Benevides Falcão. Oriundo das matas de Panelas de Miranda, vítima da chamada guerra dos Cabanos, um número de imigrantes que aqui se fixou à terra, laborando na lavoura, e alargando as possibilidades da gleba.
Nesta data, São Bento do Una revive o seu passado desde os dias plácidos da madorrenta fazenda de Santa Cruz, de baraúnas altaneiras, emaranhadas de cipoais medonhos até os dias atuais neste transcurso de seu meio século de existência, de trabalho e engrandecimento.
Revestida de uma solenidade grave, a manhã de hoje trouxe aos são-bentenses, na alvorada deste dia histórico, de rememorações tocantes, como se tudo nos chegasse pela voz de uma sinfonia do passado, o retrato em cores bem vivas de um São Bento antigo, de um São Bento recuado, nascendo de uma fazenda abandonada no deserto das caatingas, na solidão bravia do território despovoado.
A fazenda Santa Cruz, com seus primitivos habitantes Inácio Tomás de Aquino, José Clemente da Rocha, Venâncio de Benevides Falção, Joaquim de Benevides Falcão e Francisco Correia Câmara, em colaboração com o missionário da época, padre José Francisco Correia, fundou a povoação de Santa Cruz, dando-lhe o seu nome original.
Os proprietários da histórica estância de Santa Cruz, Inácio Tomás de Aquino e Joaquim Benevides Falcão doaram ao Bom Jesus dos Aflitos o terreno onde foi erigida a capela do Bom Jesus, que ainda hoje existe, ampliada e elevada à matriz, com a sua imponência e o seu prestígio histórico consagrado pelo tempo e cujo testemunho bem vivo dessa consagração anosa é o galo metálico encimado na paste posterior do templo, - o anunciador místico de todas as manhãs.
À povoação deram-lhe o nome de fazenda que, mais tarde, a conselho do pregador espiritual, padre José Francisco Correia, nas suas constantes peregrinações através das caatingas, em sermões bem vivos, trouxe aos habitantes de Santa Cruz a lembrança do nome de São Bento, dada a quantidade considerada de cobras venenosas que infestavam o lugar, invadiam as habitações, infundindo o medo e o pavor. E São Bento é o nome que perdura, o qual nasceu de uma necessidade, que teve a sua origem bem fundada - símbolo do pavor às serpes venenosas.
Os primeiros exploradores, recém-chegados das matas de Panelas de Miranda, batidos pela guerra dos cabanos, aqui se dedicaram à lavoura, ao desenvolvimento dos campos de pastagens e criação de rebanhos.
A Câmara Municipal de São Bento teve a sua instalação solene no dia 7 de janeiro de 1861.
A povoação pertenceu primeiramente, como distrito policial à comarca do Bonito, depois a Garanhuns e mais tarde a Caruaru até quando foi instalado o desmembramento deste município, em agosto de 1890, o município de Canhotinho.
São Bento foi elevado a cidade pela Lei Estadual nº 440, de 8 de junho de 1900. O 1º distrito foi criado pela Lei Provincial nº 309, de 12 de maio de 1853 e o Cartório do Registro Civil do 1º distrito em 15 de outubro de 1888, sendo o primeiro oficial José Domingos Rodrigues dos Santos, tendo o primeiro enlace matrimonial realizado no dia 18 de janeiro de 1889, e o primeiro registro de nascimento foi processado em 13 de janeiro do mesmo ano.
As primeiras escolas primárias foram criadas em 1884 pelo presidente da Província. A agência postal do 1º distrito foi criada em 1880 (sic) e a primeira estação telegráfica foi inaugurada em 7 de setembro de 1917. Duas coletorias, uma provincial e outra do governo imperial, foram criadas em 1884, muito embora, tempos depois a segunda coletoria foi mudada para Canhotinho. São Bento foi elevado a termo pela Lei Provincial nº 466, de 30 de abril de 1860, ficando agregado a (comarca de) Garanhuns, passando mais tarde, em 1877, para (a comarca de) Caruaru.
Pela Lei Provincial n° 1.491, de 21 de junho de 1881, passou São Bento à comarca de 1ª entrância, sendo o seu primeiro juiz Manoel Cabral de Melo. O primeiro prefeito de São Bento foi empossado em 15 de novembro de 1892 (sic), no ano seguinte ao da promulgação da primeira Carta Constitucional da República e foi ele o cidadão Joaquim Soares da Rocha.
A primeira eleição municipal realizou em 30 de setembro de 1892, saindo eleito presidente da primeira Câmara (sic) o coronel João de Oliveira Cintra.
A inauguração da iluminação elétrica teve lugar no ano de 1925.
Comemorando-se, hoje, o 8 de junho de 1950, São Bento do Una volta-se para o passado, para os dias primitivos de sua formação, quando então o aglomerado de cinco casas sentia o desejo natural de evolução. E as suas venerandas figuras do passado, desde o padre Francisco José Correia, com suas pregações religiosas; desde Joaquim Soares da Rocha, o primeiro prefeito, até Manoel Cândido, todas essas figuras memoráveis deverão estar presentes no espírito envaidecido do são-bentense dos nossos dias, como construtores que foram deste patrimônio comum.
Merece a nossa lembrança, também, o coronel João de Oliveira Cintra, chfe político durante 18 anos ininterruptos, sob cuja influência (sic), em 1900, São Bento foi elevada à categoria de cidade.
Quando, um dia, se tentar escrever a história de São Bento do Una, não será por falta de material abundante que se deixará de retratar o seu passado em páginas dilatadas. Porque há aqui uma fonte histórica, que armazena materiais para a pena paciente de um colecionador de fatos.
A fundação do lugar, sua origem histórica, seus vultos respeitáveis de construtores, suas riquezas naturais, tudo isso passará para o papel não ficando à margem, porém, a história pitoresca dos seus chefes políticos que não desancavam mais...
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Em nome dos são-bentenses, deixo aqui um agradecimento especial ao deputado Pedro Afonso, nome de evidência no Parlamento Estadual, pela lembrança feliz de ter pleiteado um crédito de 30 mil cruzeiros que se destinaria aos festejos do cinquentenário de São Bento do Una.
Tudo aqui, em homenagem à data, foi feito modestamente, sem artifício nem pompa. Aqui a solenidade não teve o brilhantismo nem a festividade do cinquentenário de Quipapá.
Mas a lembrança do deputado Pedro Afonso passou aos anais da história da terra como uma relíquia de bondade e de abnegação, que irá repercutir no futuro, posivelmente daqui a 50 anos.
(DP de 13.06.1950). Ed. 133.

1950 - Flagrantes Turfísticos. Regresso de um turfman.
Está sendo esperado de sua rápida viagem a São Bento do Una, pela manhã de hoje, o estimado turfman e fazendeiro, Waldemar Agra.
A rapidez do seu regresso prende-se ao fato da participação do parelheiro "Rio Una", de sua propriedade, na próxima domingueira. Waldemar Agra traz grande fé no seu animal, acreditando mesmo na vitória. Ao meio-dia de hoje, na filial do Jardim da Botijinha, será recepcionado pelos seus companheiros de jornada no turfe, especialmente pelos industriais Domingos Eirado e Milton Lundgren.
(DP de 17.06.1950).

1950 - Diário Social. Viajantes.
Procedente do Rio e em companhia do seu filho, 1° tenente da Aeronáutica, Paulo Gurgel de Siqueira, transitou, pelo Recife com destino a São Bento do Una, ondfe visitará pessoas de sua família, o general João Augusto de Siqueira.
Também para aquele município pernambucano e com idêntica finalidade, seguiu o advogado Antônio Augusto de Siqueira, recém-chegado dos Estados Unidos.
(DP de 20.06.1950).

1950 – Diretório da UDN em São Bento do Una.
Presidente, José Augusto de Siqueira; 1° vice-presidente: Manuel Cordeiro de Souza; 2º vice-presidente, Dr. Lourival Gonçalves Alves; 1° secretário, José Raimundo da Silva; 2° secretário, Aliete Alves de Oliveira; tesoureiro, Antônio Valença Cavalcanti.
Vogais: Maria Dulce Agra, Antônio de Melo Cavalcanti (Antônio da Violinha), Francisco Raimundo da Silva (Chico Cadete Novo), Manoel Valença Braga; João Alves de Siqueira (João Borrego), José Cintra Sobrinho, Antônio Simões de Macedo, Sérgio Gonçalves de Souza e Mário Cordeiro de Farias.
Conselho Deliberativo: Aprígio Santos, Federalino Lemos (Senhor Lemos), Antônio de Melo Cavalcanti, Manoel Cordeiro de Souza, Antônio Valença Cavalcanti, Antônio Simões de Macedo, Sérgio Gonçalves de Souza, Mário Cordeiro de Farias, Armando Silva, José Raimundo da Silva, Antônio Ivaldo Cavalcanti, Francisco Raimundo, João Hemetério do Nascimento, Mamede Florentino Leite, Dr. Lourival Gonçalves Agra, Adolfo Coriolano Freitas, Ovídio Silva, Ivaldo Valença Cavalcanti, José Joaquim de Oliveira, Luiz Cadete Sobrinho, José Hipólito da Fonseca, José Augusto de Siqueira, Adelaide Siqueira, Manoel de Almeida Valença, Manoel da Silva Manso, Anita Alves de Freitas, José Alexandre Filho, Luiz de Siqueira Campos, Emília Augusta de Siqueira, Maviael Raimundo da Silva, Iracema Cintra da Silva, Lourival Coriolano Melo, Maria Dulce Macedo Agra, Leonor Cintra de Siqueira, Rivaldo Valença Cavalcanti, Aliete Alves de Oliveira, Luiz Ferreira de Souza, Teodomiro Leite Martins, José Cintra Sobrinho, José Pedro Raimundo Sobrinho, José Manoel do Nascimento, João Alves de Siqueira Filho (Joãozinho Borrego), José Alves Leite e Odilon Claudino de Almeida.
(Jornal Pequeno de 28.06.1950).

1950 - Carta de São Bento do Una. A propósito de "Suiça Brasileira".
O jornalista José Lucas Meira em "editorial" inserto na "Folha da Manhã" do dia 11 do corrente quis renovar o seu propósito de promover São Bento do Una, a "Suíça Brasileira". Está muito bem. Quanto a isto, não quero mais me opor. E poderá mesmo o jornalista Lucas Meira dizer aí no Recife, entre inúmeros confrades, que é "suíço" de São Bento do Una. Para mim, é indiferente.
O que me espanta e surpreende, após tanto tempo da publicidade de uma correspondência minha no "Diário de Pernambuco" é vir "seu" Lucas arrotando chocos requalquer, ferido na sua aparente sensibilidade, dizer de público uma série de desaforos pagos, com o fim de ridicularizar-me e defender interesses inconfessáveis.
Antes de tudo, devo dizer que estranhei o vocabulário do homem que se diz jornalista e que domina uma pena de ouro... A linguagem do "seu" Lucas é a linguagem da tarimba, do serviçal obediente de última hora que reflete uma mentalidade anormal. Que nomes, que qualificativos o seu dicionário registra, e como eles são vomitados, após um rápido aceno, após um sopro ao ouvido!
Jornalista plasmado para o elogio, Lucas Meira arvora-se de defensor dos interesses alheios. Tenho a dizer a esse "defensor" energúmeno que esta terra nada tem a agradecer-lhe a investida cabotinesca. Precisava que "seu" Lucas convivesse alguns anos neste município para conhecer a vida que ora deturpa por conveniência.
Um dia, senhor jornalista, V. Sª conhecerá a verdadeira história de minha terra. Saberá quando custa se dizer uma verdade nesta democracia abafada, irrespirável. Este conhecimento de gabinete, de salão nobre, não refleta a realidade objetiva dos fatos e das coisas. Ademais o articulista não está credenciado para discutir "in loco" os problemas de minha terra. Quando digo minha terra, é porque realmente nasci aqui, à margem esquerda do rio Una.
O defensor da "Suíça" diz na sua catilinária que eu não sou jornalista. Isto, todo mundo o sabe. Eu não vivo de jornal. Apenas como correspondente do "Diário de Pernambuco" procurei servir a minha terra, sem ganhar ceitil, sem nenhuma proposta pecuniária.
No entanto, "seu" Lucas que é jornalista de mão cheia, utiliza seu talento genial para deturpar verdades e glorificar mentiras, a troco de barganhas deploráveis...
O articulista, que da primeira vez levou dos cofres municipais a bagatela de quatro mil cruzeiros para dar curso à "Suíça Brasileira", desta vez, para caluniar-me quanto levou da algibeira dos seus patrões?
Eu não disse blasfêmias de minha terra, consoante está esboçado no seu artigo. Não ataquei os brios de ninguém. Aliás, essa questão de brios está sendo muito sensível... não acha?
Há um trecho da catilinária "suíça" que vou transcrever aqui:
"Há pessoas cujo fadário nesta vida é destruir, é o achincalhe, a crítica violenta e satânica, a inveja mais desbragada". Estas palavras, "seu" Lucas, refletem o seu próprio "eu", esboçado no artigo que saíu de sua pena maravilhosa. Qual a inveja que eu poderia ter? Inveja do senhor que ganhou quatro mil cruzeiros em troca de uma reportagem? Não. O senhor está enganado. Eu não invejo a sua glória, eminente jornalista.
O senhor diz, também, que sou ingrato. Se o articulista nunca me viu, não me conhece, consoante afirma na sua "verrina capadoçal", como apregoa que sou ingrato? Como difama tanto a uma pessoa que não conhece, que nunca teve com ela o menor contato? É lógico isto? É direito? Há fundamento? S. Sª cai em contradição, "seu" Lucas. Eu sou ingrato porque não quis comungar na panelinha do elogio e da subserviência. Apenas por isso, eminente jornalista.
"Falta de escrúpulo", "seu" Lucas, deve ter quem ganha para dizer inverdades abjurantes, para extravazar recalques alheios... Ao contrário do que diz, eu não tenho complexo de inferioridade. Complexo de inferioridade tem quem o portador que lhe foi levar o precioso material para o senhor se servir dele, alimentando a pena do grande jornalista... O que eu tenho, senhor articulista, em vez de complexo de inferioridade, é repugnância a tanta baixeza, a tanta degenerescência moral que campeia por toda parte e mui especialmente à Cia. de Elogios S.A., da qual o senhor é um autêntico representante.
Outro trecho da sua catilinária deletéria: "São Bento do Una é tudo o que eu disse na minha reportagem de abril último e mais alguma coisa". Concordo. É tudo o que o senhor disse, em face dos quatro mil cruzeiros; será mais alguma coisa se sair mais dinheiro que alimente a sua sagacidade pantagruélica.
Francamente, senhor articulista, a sua pena está sendo instrumento transmissor de desaforos, de ódios recalcados. Muita coisa do seu "editorial" não saíu da sua cachola. Uma fonte cristalina lhe deu água para beber...
Uma prova de que o articulista renomado não está a par das coisas do município e não ter lido as correspondências anteriores. Se as tivesse lido, não tomaria para si o título de "forasteiro oportunista", que é atribuído a outro cidadão, presenteado pelos compadres com uma cadeira de vereador neste município.
É assim que as coisas acontecem. Por esta, tiram-se as outras. V. Sª está pisando em terreno falso.
Finalizando, deixo bem patente nestas linhas que nunca me preocupei com a grandeza, a honorabilidade de seus patrões.Eu nunca recorri ao ataque rude, com fez V. Sª em relação à minha pessoa, para haurir propina. Eu sempre me preocupei com fatos administrativos, nunca com ataques pessoais. Portanto, "seu" Lucas mente quando diz que ataco nomes ou mancho reputações. Atacada, escabrosamente atacada, foi uma ilustre e digna família desta terra. Se o articulista der prosseguimento à "honrosa" missão, ao sombrio sensacionalismo, eu serei forçado a contar episódios passados, em abono da minha defesa, mostrando que não sou aqui o maculador da reputação alheia, conforme propala o nobre, o grande, o incomensurável jornalista da "Folha da Manhã", que todo o Recife admira...
São Bento do Una, junho de 1950
(a) Sebastião Soares Cintra
(DP de 29.06.1950).

1950 – 5 de Julho em São Bento do Una de onde recebemos o despacho telegráfico que abaixo transcrevemos, dando notícia do êxito alcançado pela concentração popular levada a efeito em comemoração ao heroísmo dos “18 do Forte de Copacabana” em 1922. É o seguinte o texto do telegrama em apreço: “Comício de ontem muito entusiasmo, tendo falado o Sr. João Siqueira, vereador Aprígio Santos, estudante Anerson Vilanova, senhorita Aliete Oliveira e comerciante José Raimundo Filho entre outros, sendo todos demoradamente aplaudidos. Foram delirantemente aclamados os nomes do brigadeiro Eduardo Gomes, João Cleofas e general Siqueira”.
(Jornal Pequeno de 07.07.1950).

1950 - São Bento do Una. Comício da UDN.
O dia 5 de julho foi solenemente comemorado nesta cidade. A União Democrática Nacional (UDN) local fez o seu primeiro comício, iniciando, assim, a vida política do município.
À noite, à Praça Marechal Deodoro, realizou-se o comício udenista com a presença do povo da cidade e da Banda Musical Santa Cecília. Vários oradores se fizeram ouvir. O feito histórico dos 18 de Copacabana foi lembrado pelo vereador Aprígio Santos que evocou todos os episódios daquela luta, as esperanças e os insucessos dos tenentes de 1922 quando a mocidade brasileira de então se voltava para os destinos do Brasil.
Por último, falou o general Augusto de Siqueira, candidato à deputação federal. O general que tem o seu destino ligado a São Bento do Una. terra que lhe viu nascer e onde também nasceram e hoje repousam seus ancestrais, falou na linguagem simples e compreensível dos homens de boa-fé, dos problemas mais evidentes de sua gleba. Lembrou as necessidades prementes de um colégio, de um hospital e de um hotel em São Bento do Una.
(DP de 13.07.1950).

1950 - Anúncio. "Gratifica-se com 400 cruzeiros a quem encontrou um pacote contendo livros fiscais e comerciais da minha firma comercial no percurso de São Bento do Una à Rua Tobias Barreto, entregar à Rua da Águas Verdes 130.
a) Orestes de Pontes Belo
(DP de 18.07.1950).

1950 - Flagrantes Turfísticos. Mais cinco haras.
O Stud Book Brasisleiro acaba de registrar mais outros haras recentemente fundados. Ei-los: "Sertanejo" em São Bento do Una, Pernambuco, de propriedade de Getúlio Valença; "Pesqueira" em Pesqueira, Pernambuco, de propriedade de Ezio M. de Araújo;"Paraíso" em Itatiba, São Paulo; "Beduschi" em Gaspar, Santa Catarina.
(DP de 03.08.1950).

1950 - São Bento do Una. A Política.
Um apelo, através destas linhas, ao povo de São Bento do Una, a todos os filhos desta terra que almejam um clima de segurança e de tranquilidade, durante a campanha política já em curso e que culminará, no dia 3 de outubro próximo, com a eleição para os diversos postos parlamentares e governamentais. Um apelo que tenha ressonância acolhedora, que encontre abrigo na alma hospitaleira dos filhos de São Bento do Una.
Há uma inquietação, uma ânsia emotiva retratada na fisionomia do povo são-bentense. E essa inquietude se traduz justamente nesta hora que estamos vivendo, na falta de convicção, na vontade de servir simultaneamente a todos os políticos e no e no medo bestial de uma definição.
Nós estamos vivendo uma democracia que ainda tem amparo no texto de uma lei, na Carta Constitucional da República com apenas quatro anos de vida, elaborada por aqueles nos quais o povo depositou a sua confiança. Todo cidadão, nesta hora que atravessamos, tem o direito, o dever e a liberdade de pronunciar-se politicamente, de filiar-se a qualquer partido legal, sem que isso incorra em crime. Ninguém será punido por abrir a boca e dizer, alto e bom som, o nome do candidato da sua preferência. Não há motivo para timidez, porque nada há que possa interferir na vontade livre do cidadão.
Aproxima-se o 3 de outubro. O povo de São Bento do Una deve enfrentá-lo com altivez e galhardia, sem temer malefícios, infenso a provocações. Vai haver garantia e segurança para o pleito que se avizinha. Caso seja necessário, isto é, se a segurança do povo são-bentense for ameaçada, se a coação desesperada acentuar-se no âmbito municipal, então uma tropa do Exército virá para aqui e garantirá a liberdade do eleitorado.
Que o povo são-bentense não dê ouvidos a essa balela que corre por aí, a essa futrica andeja porque, na realidade, tudo isso não passa de jogo político dos que querem ocupar um posto, lançando mão de artefícios, explorando aqueles que, infelizmente, ainda não sabem estabelecer a linha delimitadora entre os direitos e deveres do cidadão.
O voto, convém ressaltar, é um dever de consciência, não é para ser utilizado na paga de favores. Deve ser dado em proveito da nação, do Estado e do município. O voto não é presente: tem finalidade elevada. Dele dependem o progresso da pátria e o bem-estar do povo. Favores se pagam com favores.
Há ameaças, sintomas de intranquilidade, bulícios, rumores em nossa terra. Confiemos nas autoridades independentes, naquelas que nos inspiram confiança e garantia, nas que estão estribadas na lei e tenhamos cautelas com aqueles que, pouco conscientes com suas responsabilidades, se expõem ao perigo da parcialidade.
Ainda há pouco, na convenção do partido situacionista, o deputado Agamenon Magalhães, candidato a governador, em discurso pronunciado no Teatro Santa Isabel quando traçou os rumos da sua campanha política, pregando a harmonia e o respeito partidário, disse a certa altura: "Vamos para a luta, a luta alta pela persuação, pela propaganda, pelos ideais. Não devemos olhar os adversários como se fossem inimigos, mas como futuros colaboradores. Isto porque não é possível, dentro do regime de representação proporcional da Democracia brasileira governar sem a cooperação de todos os partidos".
Infelizmente, estas palavras do maior vulto do PSD de Pernambuco não encontraram eco. Está havendo incoerência de propósitos entre o chefe supremo do pessedismo estadual e de alguns dos seus representantes.
A coação é sinônimo de desprestígio, de falta de confiança em si mesmo e no povo. A coação só produz ódio, separação, desconfiança; só gera rancor, intriga; e baliza o caminho para a tragédia, para o amargor e o luto das "horas dramáticas".
Que o povo são-bentense compreenda a gravidade do ambiente em que vive, mas arreceie. Que olhe com indiferença e desdém a fúria política dos que só sabem ver as coisas inilateralmente. E sufrague nas urnas de 3 de outubro os nomes mais capazes de redimir nossa gleba dos problemas que nos pesam como fardos irremovíveis. Que o povo são-bentense olhe para os problemas angustiosos de sua terra. Lembremo-nos de que no vasto perímetro do Açude do Doutor há centenas de lares humildes sem uma fossa higiênica; pensemos naquelas figuras humanas pálidas e opiladas desse bairro pobre, onde a febre tifo tem ceifado vidas desgraçadas e inermes; pensemos, enfim, no destino das crianças desse mesmo bairro, no futuro desses pequeninos seres de tez enverdeada, ventre grande, eternamente descalços, a pisar sobre excrementos humanos, retratos da anemia e da subnutrição - os homens e as mulheres de amanhã - vítimas, todos, da incúria e do abandono.
(DP de 19.08.1950, seção "Pelos Municípios", correspondente Sebastião Soares Cintra).

1950 – O general João Siqueira fez longo pronunciamento na Rádio Jornal do Comércio, concitando o povo pernambucano a sufragar os nomes do brigadeiro Eduardo Gomes, para presidente da República e de João Cleofas para governador. Transcreve-se, a seguir, apenas, a parte em que o general faz referência ao nosso município:
“Dirijo-me e finalmente ao povo de minha terra – a São Bento do Una. São-bentenses, marchai também firme e conscientemente com Eduardo Gomes e João Cleofas para que tenhais o que tanto necessitais, o que muito exige o teu pauperismo, o que solicita o teu abandono, mas, impõe a tua dignidade de gente hospitaleira e boa digna e patriótica, religiosa e ordeira – a água potável para saciar a tua sede; colégio e grupo escolar que instruirão e educarão dignamente teus filhos; hospitais, maternidades e mais assistência médica que cuidarão de tua saúde e higiene; trabalho profícuo e justiça social, com assistência eficiente para teus operários; auxílio e financiamento ao comércio, agricultura, pecuária e a tua pequena, porém promissora indústria; estradas acessíveis e meios coletivos de transporte para teu intercâmbio comercial e social. Finalmente, com os nomes de Eduardo Gomes e João Cleofas, nas urnas, podereis depois de 3 de outubro ficar tranquilos e felizes bendizendo e louvando os bons governos que a tua ação nobre e a tua consciência reta, deram ao Brasil para a sua grandeza, e a Pernambuco para nossa felicidade”.
(Jornal Pequeno de 30.08.1950).

1950 - São Bento do Una. Tragédia.
O sítio Baixa do Pau Ferro, deste município, foi palco inicial de uma hedionda tragédia, no dia 22 do corrente, quando, no lar do casal Maria e Cassimiro Germano, teve lugar um banquete dantesco onde 3 convivas foram presas inocentes do arsênio,- condimento macabro que mãos criminosas puseram, premeditadamente, na panela das iguarias.
Até o presente, apenas dois comensais não sobreviveram à tragédia - uma velha, serviçal e uma sobrinha do casal. Outros, em estado grave, resistem, ainda, ao efeito maligno da droga.
A polícia local, em averiguações constantes,investigando pormenores no sítio Baixa do Pau Ferro, chegou à conclusão de que tudo ali se consumara premeditadamente tendo surgido, ainda, por força das circunstâncias, um personaghem estranho e misterioso - mola inconsciente e trágica naquela enlutada e tosca vivenda da Baixa do Pau Ferro. Esse personagem curioso, de nome Natalício, era o carreiro e serviçal do campo dno imóvel rural da família Germano com quem, segundo rumores emanados dos próprios acontecimentos, Maria Germana vinha mantendo relações amorosas, chegando ao extremo de pôr veneno na refeição do lar, medida esta que visava a liquidar toda a família, ficando livres os dois personagens costumeiros do flirt criminoso.
A intenção de Maria Germano de ficar livre do próprio marido e da família para juntar em seguida o seu destino ao de Natalício, já fora externado por este ultimamente.
Figura central de todo esse desenrolar trágico, moída pelo remorso da própria desgraça, essa mulher morena gordíssima, com 113 quilos, que se chama Maria Germana resolveu, afinal, pôr termo, também, à própria vida. E o fez no dia 25 do corrente, nesta cidade, com uma faca peixeira cuja lâmina sulcou-lhe o pescoço e cortou-lhe a carótida por onde jorrou, inexoravelmente, todo o sangue do seu corpo.
A suicida deixa 4 filhos menores, dois dos quais estão envenenados. Natalício encontra-se no xadrez local à disposição da autoridade competente.
(DP de 31.08.1950).

1950 - Atos do Governo Estadual. O governador do Estado assinou, ontem, o seguinte ato: exonerando, a pedido, João Vasconcelos da Silva do cargo de comissário de polícia da cidade e município de São Bento do Una.
(DP de 02.09.1950).

1950 – O recenseamento geral arrolou 53.545 habitantes no município de S. Bento do Una, sendo 29.323 no distrito-sede de S. Bento do Una; 6.073 em Cachoeirinha; 11.431 em Capoeiras e 6.718 em Cabanas. Nesse censo, trabalhou nessa coleta Sebastião Bernardino de Souza, então morador do Riachão, logrou passar na prova com mérito, disputando uma das vagas com os rapazes da chamada elite da cidade. A prova de conhecimento foi aplicada por Manoel Alves Feitosa (Nezinho), então agente do IBGE em São Bento do Una.

1951 - São Bento do Una. Administração do Município.
Há alguns meses, protestei, através destas linhas, algumas irregularidades cometidas irritantemente pelos membros da Câmara Municipal deste município.
Se assim o fiz, não foi com espírito demolidos, mas para despertar nos representantes do povo de minha terra a chama sagrada do cumprimento aos compromissos assumidos perante o povo que lhes deu assento no Órgão Deliberativo Municipal. É que, por esse tempo, os senhores vereadores criaram o chamado "caso da luz", aliás bem original, por meio do qual culminaram com um atentado à austeridade e à autoridade moral do mesmo Órgão, que se prestara afinal para remendar atas, cometer crimes ideológicos e desfazer, sem constrangimento nem arrepio de consciência o que aprovara na véspera.
Passados, já, vários meses, e a cidade vem registrar novamente, com pesar profundo, a reincidêmcia deprimente de espetáculo idêntico, promovido pela mesma Câmara Municipal que não se peja de capitular ante a desconfiança do povo, que a fustiga com palavras ríspidas de uma argumentação irrespondível.
Vamos ao âmago da questão: o prefeito, para ser diplomado deputado estadual, passou, consoante dispositivo legal, as rédeas do governo municipal ao presidente da Câmara. Isto há uns quinze dias. Vem o 10 de fevereiro data fixada em lei para a nova eleição da mesa, e é reeleito o vereador que vem exercendo o cargo de prefeito, isto é, o que fora eleito presidente da Câmara para o período que acaba de expirar.
Acontece, porém, que surge o vereador Aprígio Santos, vice-presaidente em exercício com sua maneira sui generis de interpretar as leis e convence o prefeito vereador a renunciar ao mandato, uma vez que ele, como prefeito, não poderia exercer dois cargos. Foi tiro, e queda. O prefeito ex-officio, vereador Alfredo Cintra, prontamente remete o ofício de renúncia à Câmara que toma conhecimento do mesmo e Aprígio Santos, o "mentor" dos colegas, que faz bolinha com a lei, malabarista impecável das "interpretações" dos textos.
Foi lavrada a ata, assinada e aprovada. Que restaria finalmente? Quem tem alguma noção do assunto há de convir que o Sr. Alfredo Cintra é apenas um cidadão reduzido à sua condição de munícipe e despojado de qualquer investidura nos poderes do município; que a prefeitura passará ser ocupada por outro, no caso, o novo presidente Aprígio Santos.
Ao rabiscar estas linhas, observo o ambiente citadino agitado, pedestres em movimento mais intenso e, entre eles, algumas figuras de cenho pálido, emocionado - são os vereadores. Agora, "tramam" uma saída para acertar a coisa. E vão à Prefeitura, voltam, procuram-se mutuamente. E lá está a Câmara aberta para receber nova reunião, essa agora "extraordinária"... E vão ao juiz consultar a possibilidade de um "jeito", um remédio, como se houvesse panaceia na Lei para remediar a incompetência e a inobservância.
Querem, afinal, a renúncia da renúncia do prefeito ex officio, nova eleição, anulação de tudo quanto foi feito, um x de revogação no ventre bojudo da ata já assinada e pronto, tudo "right", vamos começar de novo.
Até onde irá essa caminhada lúgubre dos senhores vereadores de São Bento do Una. Quando, afinal, a nossa Câmara Municipal deixará de ser uma casa de brinquedo onde nove crianças fazem traquinadas, se divertem com lápis e papel à mão, com uma sofreguidão e uma indiferença inconsciente aos que lhes observam deste mundo real, de desenganos e desencantos?
Ultimamente, perguntando este correspondente a um vereador qual o candidato da sua preferência para presidencia da Câmara, ele respondeu com ar de quem não vai viajando no bonde errado: "Eu estou com a maioria; para o lado que a maioria tiver, eu estou com ela". Não lhe revelo o nome, para não irritar o partido que o foi buscar para sua representação.
Que será do município, onde a Câmara Municipal perdeu a sua austeridade e anda revolucionada por "crianças" que brincam com brasas e que, ao se queimarem, esperam encontrar em qualquer parte e a qualquer tempo o "analgésico" para as suas dores e o "perdão" para as suas "travessuras"?
(DP de 21.02.1951).

1951 - Atos do Governo Estadual. O governador do Estado assinou, ontem, designando Wolney Mendonça Ramos, aprovado em concurso, continue na interinidade de escrivão, padrão F, da Coletoria de 3ª classe em São Bento do Una no impedimento do efetivo.
(DP de 11.04.1951).

1951 - Atos do Governo Estadual. O governador do Estado assinou, ontem, ato transferindo o 3º sargento da Polícia Militar de Pernambuco, Clidenor de Araújo Carvalho, do cargo de delegado de polícia o município de Macaparana para idêntico cargo no município de São Bento do Una, e deste para aquele o 2º sargente da mesma corporação, Adelmar de Oliveira e Silva.
(DP de 30.03.1951).

1951 - Atos do Governo Estadual. O governador do Estado assinou ato, ontem, nomeando João Vicente de Araújo para exercer o cargo de suplente de delegado de polícia do município de São Bento do Una, atualmente vago, ficando exonerado do de suplente de comissário de polícia do mesmo município.
(DP de 26.04.1951).

1951 - Assembleia Legislativa do Estado. O deputado Lívio Valença encaminhou à mesa diretora um projeto de lei que autoriza o poder Executivo a criar um posto de higiene em São Bento do Una. Justificou a proposição com as seguinte palavras: Sabemos que o Estado não se encontra em condições de obedecer rigorosamente o que determina o artigo 149, inciso IV da Constituição Estadual. No entanto, municípios há como São Bento do Una que reclamam urgentemente esta solução. Com efeito, existem ali 53.674 habitantes(4.281 na sede). E como serviços de assistência aos indigentes, porém, dispõe São Bento do Una apenas de um posto municipal.
(DP de 01.05.1951).

1951 - Seção "Pelos Municípios". Limoeiro. Correspondente Antônio Vilaça.
Leite - Limoeiro mandava para o consumo na Capital cerca de 12 mil litros de leite no inverno e 8 mil no verão. Agora está mandando, apenas, 8 mil no inverno. Quando o verão estiver no seu ponto culminante, talvez não cheguemos a mandar nem 4 mil litros. A razão do decréscimo explica-se: antes, comprávamos vacas leiteiras a São Bento do Una. Agora, a fórmula está invertida. Nós é que estamos vendendo vacas para São Bento. Faz uma semana, numa só partida, se foram 100 vacas de qualidade. Outras remessas irão. Não compensa tirar leite. Será bom a Secretaria da Agricultura ir tomando nota do "aviso aos navegantes", pois quando faltar leite no Recife, não haverá necessidade de estudos para saber a causa da escassez.
(DP de 20.07.1951).

1951 – Derrubada a garagem pelo caminhão. S. Paulo (Meridional) – Dirigindo o caminhão de chapa 2-56-71, José J. de Torres ao manobrar na “Garagem Nacional”, à Rua Correia de Andrade n° 224, provocou uma colisão com uma coluna que sustentava o telhado do edifício, levando ao desmoronamento parcial do estabelecimento. Em consequência do desastre, recebeu ferimentos graves e foi internado, no Hospital das Clínicas, o motorista Agenor Cintra Lins, de 45 anos, casado, residente em São Bento do Una, Pernambuco. O fato foi objeto de inquérito pelo plantão da Polícia Central que solicitou a vistoria do local pelos peritos da polícia técnica.
(Diário da Noite, do Rio de Janeiro, de 23.07.1951).

1951 - Governo do Estado. O governador do Estado assinou, ontem, ato nomeando Luiz Cadete Sobrinho para o cargo de adjunto de promotor público da comarca de São Bento do Una, ficando exonerado Geraldo de Souza Valença, visto ter sido nomeado para outro cargo...
(DP de 29.07.1951).

1951 - Assembleia Legislativa. São Bento do Una e a estiagem.
(continua)
(DP de 30.08.1951). Ed. 198.

1951 – Em 07 de novembro, assume como prefeito eleito de S. Bento, José Cadete de Almeida Calado.

1952 – Em 20 de janeiro, falecimento de Bento Corrêa Crespo, político municipal e proprietário, aos 84 anos de idade, filho de Olavo Corrêa Crespo e de Jacinta Emília de Oliveira.

1952 – Em 03 de maio, falecimento, aos 57 anos, no Rio de Janeiro, do general de brigada João Augusto de Siqueira, nascido em S. Bento em 16.08.1894, filho de Liberato Augusto de Siqueira. Casado em primeiras núpcias com Adelvina Gurgel de Siqueira com quem tive três filhos: o capitão aviador Paulo Gurgel de Siqueira, o tenente Rubens Gurgel de Siqueira e Terezinha Gurgel de Siqueira. Do segundo casamento com Maria Cândida Geraldo de Siqueira, o general Siqueira deixou dois filhos menores, Fernando e Pedro. Seus irmãos: Manuel Augusto de Siqueira, comissário de polícia no Recife; José Augusto de Siqueira, coletor aposentado; Dr. Antônio Augusto de Siqueira, advogado no Rio de Janeiro; Emília Augusto de Siqueira; Áurea Siqueira de Lucena, viúva de Antônio Balbino de Lucena; Maria Augusto de Siqueira, casada com José Higino Homem de Lucena, fiscal de rendas neste Estado; e a professora Ester Siqueira de Sousa, casada com Manoel Cordeiro de Souza, comerciante em S. Bento do Una. Durante a última campanha política (1950), o extinto foi candidato a deputado federal pela Coligação Partidária.
(Jornal Pequeno de 05.05.1952).

1952 – O momento político. Febre de emancipação.
Presentemente, o deputado Lívio Valença vem pugnando pela emancipação do distrito de Cachoeirinha, localizado em São Bento do Una. Com uma febre tal de emancipação, é ou não para se ficar com a mosca na orelha.
(Jornal Pequeno de 11.06.1952).

1953 – Ontem, na Assembleia Legislativa. Sem água a população de São Bento do Una. O deputado Lívio Valença fez um apelo para que seja enviado um caminhão-tanque da Secretaria de Viação para transportar água de Belo Jardim para a população de São Bento do Una.
(Jornal Pequeno de 19.08.1953).

1953 – A reportagem do Jornal Pequeno esteve ouvindo, ontem, diversos deputados sobre a ideia de alguns jornalistas no sentido de metade da verba destinada às comemorações do “Tricentenário da Restauração Pernambucana” seja empregada na construção de um hospital que passaria a se chamar “Hospital da Restauração”. Inicialmente, ouvimos o deputado Lívio Valença, médico, que disse o seguinte: “Nós não podemos nos dar ao luxo de comemorar pomposamente uma data, por mais importante que ela seja quando sabemos que há cidades, no interior do Estado, como São Bento do Una, que tem 53 mil habitantes e não possui um posto de higiene pelo menos. Acho que toda a verba e mais alguma coisa deve ser empregada na construção do Hospital ou então na melhoria dos já existentes”. (Jornal Pequeno de 28.08.1953).

1953 – Em 18 de novembro, falecimento de Francisco de Almeida Calado (Chiquinho Cadete), capitão da Guarda Nacional, proprietário e político tendo exercido os cargos de conselheiro Municipal, de presidente e vice-presidente do Conselho Municipal e de prefeito e subprefeito do município de S. Bento. Era filho de Antônio Francisco de Almeida Calado e de Maria Cordulina de Almeida e viúvo de Isabel de Almeida Calado, sem geração, filha de Joaquim de Almeida Calado e de Tereza de Almeida Calado.


1953 – Miséria e abandono. Fugindo do fantasma da fome, um agricultor, com esposa e dez filhos, está entregue à sua própria sorte. José Cândido Aniceto e família viveram até pouco tempo em São Bento do Una. A família tinha um casebre, uma quadra de terra, xerimbabos e um mundo de terra a perder de vista, onde os garotos rebolavam felizes, empanturrados de farinha de mandioca. Tudo acabou de repente e o pobre agricultor que na vida aprendeu apenas a cavar a terra, da noite para o dia viu-se transformado em pária, obrigado a fugir com os seus, de matulão às costas, para vir aumentar o número de miseráveis que se arrastam o seu infortúnio e as mazelas pelas ruas da cidade (Recife) num espetáculo constrangedor.
(Jornal Pequeno de 10.12.1953).

1955 – Segundo dados do Serviço de Estatística da Produção, do Ministério da Agricultura, referentes a 1954, entre todos os municípios do Brasil, o de Pesqueira é o que produz maior quantidade de tomate 45.408.000kg. O segundo, terceiro e quinto municípios maiores produtores de tomate no país são: Sanharó, com 15.200.00kg; São Bento do Una, com 12.000.000kg e Alagoinha, com 4.785.000kg. O quarto lugar é ocupado pelo município paulista de Monte Alto com 10.019.500kg.
(Jornal Pequeno de 14.04.1955).

1955 - Em 07 de novembro, José do Patrocínio Mota, que fora candidato único, assumiu as funções de prefeito municipal de São Bento do Una, tendo comunicado o fato ao governador de Pernambuco através de telegrama.
(DP de 15.11.1955).

1956 - A vaca "Pepita", mestiça holando-zebu, de propriedade de José do Patrocínio Mota, prefeito de São Bento do Una, bate todos os recordes de produção leiteira, na 16ª Exposição Nordestina de Animais, sagrando-se campeã com média de 31 litros de leite por dia.

1957 – Vítima de fatal afogamento, que aconteceu em 24 de março, em poço do rio Una, após salvar amigas que participavam de um piquenique, no sítio Caldeirão, a professora Lenita Fontes Cintra, natural do município de São João (PE), filha de Joaquim Cintra Valença e de Vitória Lins Fontes.

1957 – A Lei Municipal n° 409, de 18 de maio, cria o distrito de Espírito Santo, com terras do distrito de Cachoeirinha.

1958 - Fundação do Ginásio Municipal Lenita Fontes Cintra pelo professor Jurandir Tenório de Lima na administração do prefeito José do Patrocínio Mota, utilizando, inicialmente, no período noturno, as instalações do Grupo Escolar Rodolfo Monteiro de Paiva. O projeto de criação do Ginásio Municipal foi de autoria do vereador José Alfredo Cintra, dito Alfredinho.

1958 – A lei estadual n° 3309, de 17 de dezembro desmembra de S. Bento do Una os distritos de Cachoeirinha e Cabanas (ex-Retiro) para formar o município de Cachoeirinha. A instalação do município de Cachoeirinha se deu em 1° de março de 1962.

1959 – Luz da Chesf. A primeira grande reivindicação do deputado Lamartine Távora ao atual governador, Cid Sampaio, é a obtenção de luz elétrica para o município de São Bento do Una. O jovem parlamentar pernambucano conseguiu a inclusão do município no plano geral da Chesf para o ano de 1959 e agora está obtendo do secretário Leal Sampaio com que vem mantendo repetidos contatos, a colaboração indispensável da secretaria de Viação para a concretização final da obra.
(DP de 12.02.1959).

1959 – Osvaldo Celso Maciel, comerciante, venceu a Manoel Soares da Rocha, mais conhecido como Mané Veinho, com uma vantagem de 874 votos sobre o candidato dos Valença. Osvaldo tomou posse em 07 de novembro. Sua vitória eleitoral foi muito comemorada, especialmente pelo seu sogro João Alves de Siqueira, mais conhecido como João Borrego, que soltou nas ruas da cidade de São Bento e da vila de Capoeiras, quantidade de borregos que representaram a vantagem eleitoral do seu genro.

1959 – Falecimento, em 18 de dezembro, do padre João Firmino Cabral de Andrade, ex-pároco da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Pobres Aflitos.

1960 – O recenseamento geral apontou uma população residente de 57.338 habitantes no município, sendo 29.676 em S. Bento, 6.852 em Cachoeirinha, 11.953 em Capoeiras, 5.005 em Cabanas e 4.205 em Espírito Santo.

1960 – Faleceu às 22h15min do dia 20 de abril, no Hospital Português, onde se achava internado, o antigo comerciante no município de S. Bento do Una, Virgílio de Oliveira Paiva. Deixa o extinto os seguintes filhos: professor Clóvis Paiva, médico nesta Capital; Dr. Milton Paiva, cirurgião-dentista; Rui Paiva, funcionário público estadual; José Paiva, funcionário federal; Noêmia Paiva Santos, esposa do advogado Malaquias Abrantes dos Santos e mais Maria Augusta e Creusa de Azevedo Paiva. Deixa ainda os seguintes irmãos: Adalberto de Oliveira Paiva e Leonor Paiva Azevedo. O ex-capitão da Guarda Nacional e 1° prefeito revolucionário de São Bento em 1930, Virgílio Paiva, foi sepultado no cemitério de Santo Amaro no Recife. Filha não citada pelo jornal: Stela.
(DP de 21.04.1960).
Nota: Stela, filha, não foi citada, no texto, pelo Diário de Pernambuco; assim como o irmão José de Oliveira Paiva (i.m).

1960 - O prefeito Osvaldo Celso Maciel preside as solenidades comemorativas do centenário de emancipação de S. Bento do Una. Em frente ao prédio da Prefeitura, várias autoridades
fizeram uso da palavra. Após, houve o desfile estudantil aberto pela banda marcial do Colégio Diocesano de Garanhuns, seguido pelo Ginásio Municipal, Grupo Escolar Rodolfo Monteiro Paiva e escolas municipais. Na Câmara Municipal, em sessão solene, o professor Jurandir Tenório de Lima profere a famosa "Oração do Centenário" sendo vivamente aplaudido. Sempre presente nos momentos festivos, a Banda Musical Santa Cecília abrilhantou a solenidade.

1960 - Resultado da eleição presidencial em São Bento do Una, realizada em 03 de outubro e presidida pelo juiz Hélio Machado da Silva Porto, titular da 52ª Zona Eleitoral de Pernambuco: para presidente da República: Jânio Quadros, 2131 votos; general Teixeira Lott, 1487 votos e Ademar de Barros, 193 votos. Para vice-presidente da República: Milton Campos, 1959 votos; João Goulart, 1509 votos e Fernando Ferrari, 193 votos.

1960 - 19ª Exposição Nordestina de Animais. Ao concurso de leite e de gordura, concorreram doze vacas. Sagrou-se campeã de leite e de gordura a vaca "Pepita", da raça zebu-holandesa, proprietário José do Patrocínio Mota. Em três dias de competição, Pepita produziu 79,650 kg de leite e 3,574 kg de gordura. O ordenador foi João Alves, da fazenda Lagoa da Pedra. (DP 27.11.1960).

1960 – Antônio Vilaça, em “Notas Cooperativas”, diz no trecho final: “São Bento do Una – O jornalista Sebastião Soares Cintra retrata muito bem a Cooperativa Agropecuária de sua terra. Prédios monumentais, mobiliário mais que adequado, riqueza de elementos para crescer. Contudo, faltou entusiasmo para continuar uma obra tão bem alicerçada. A Cooperativa é, hoje, um fantasma. Mais parecem aqueles prédios todos os restos de uma cidade morta. No entanto, não há lugar para uma experiência cooperativista melhor que São Bento do Una. Terra de homens ricos, onde a maior e melhor pecuária do Estado viceja, São Bento pode ter a melhor cooperativa do Estado, bastando um bocado de amor-próprio de sua gente, que deve ser estimulada por um líder de fôlego e que não arrede pé da luta ao menor ou maior sinal de fracasso. Quando vejo São Bento com sua Cooperativa fechada, lembro-me de Maranguape, no Ceará, uma cidade do mesmo porte de São Bento e com terras, em derredor, muito semelhante. Ali, dois cooperativistas plantaram uma semente que germinou, não sem regras e cuidados. Mas, lá está a árvore frondosa: Maranguape é seda da maior cooperativa do Nordeste, com um capital realizado da ordem de 20 milhões de cruzeiros e com um rodapé que já passa de 150 milhões de cruzeiros. São Bento pode e deve ter uma grande cooperativa, trabalho que não é difícil, desde que, com coragem, seus homens enfrentem a situação, ou seja, assumam um modesto compromisso que a entidade tem para com a Caixa de Crédito. E isso seria o mais fácil desde que poderia Félix Mendonça conceder a faculdade de um desdobramento da dívida para dez anos, tempo suficiente para a Cooperativa se refazer e saldar o compromisso sem atropelos. O novo diretor do D.A.C deve começar o seu trabalho por São Bento, justamente como, em 1942, Costa Porto fez com Limoeiro no começo de sua administração profícua. Limoeiro estava pior que São Bento. E hoje é o que se vê e o que se sabe.

1962 - Na edição de 05 de agosto, do Diário de Pernambuco, era anunciado que as cidades de S. Bento do Una e Lajedo estavam recebendo, naquela data, a energia elétrica da CHESF num ato festivo que contou com a presença do governador Cid Feijó Sampaio e do candidato a governador pela UDN, João Cleofas de Oliveira. Os dois líderes pernambucanos falaram, no ato inaugural, ao povo das duas cidades. O prefeito de S. Bento do Una, Osvaldo Celso Maciel, mandou armar um palanque diante do prédio da prefeitura para recepcionar as autoridades e saudar o povo por esse tão esperado sonho de ter luz elétrica de qualidade 24 horas por dia. Sabe-se por testemunho de gente que assistiu à festa que as luzes foram
acesas por volta das 19 horas pelo governador Cid Sampaio, sob grandes aplausos do povo reunido na Praça Marechal Deodoro, hoje Praça Cônego João Rodrigues de Melo. A grande atração artística ficou por conta do afamado sanfoneiro, Luiz Gonzaga, que cantou para a multidão o baião "Paulo Afonso".

1963 - Água para São Bento: O presidente João Goulart prometeu ao prefeito de São Bento do Una, Osvaldo Maciel, que o problema do abastecimento d´água daquela cidade seria resolvido pela Sudene. O abastecimento da cidade de São Bento era feito através de caminhões que transportavam a água de Belo Jardim. (Última Hora, de 31.07.1963).

1963 - Eleições para prefeito de São Bento do Una: Antônio Valença Porto (PSD, PTB, Governo), vence as eleições por uma maioria de 241 votos, sobre Augusto Lins dos Santos. (Última Hora, de 22.08.1963).

1963 – Anúncio de venda da Fazenda Agra. Fazenda de 200 quadros, casa grande com 900 metros quadrados de área construída. Água encanada e luz de motor. Estribarias, estábulos. Pequena fábrica de laticínios. Pequenos armazéns. Cisternas, barreiros e pequeno açude. 50 quadros de palma. Sete casas para moradores. Toda cercada de avelós e arame farpado. Um trator International funcionando e em ótimo estado. Um moinho de farelo. Três pequenos silos para cereais. Campo de pouso. Situada na margem da estrada S. Bento-Belo Jardim, a um
quilômetro da cidade de São Bento. Tratar com Valdemar Agra na “Casa Agra” (...). (Última Hora de 08.10.1963).

1963 – A Lei Estadual nº 4998, de 21 de dezembro, criou o município de Capoeiras, desmembrado do município de São Bento do Una. A instalação se deu em 08 de julho de 1964.

1964 - Inaugurada, em 04 de janeiro, pelo governador Miguel Arraes a fábrica de resfriamento e industrialização do leite (CILPE), convocando o povo e os criadores a colaborar no desenvolvimento da pecuária e na melhoria do abastecimento em Pernambuco e principalmente no Recife. Estiveram presentes ao ato o prefeito Antônio Valença Porto e o vice-prefeito José Alfredo Cintra. (Última Hora, Recife, de 05.01.1964).

1964 - Em data imprecisa, e considerando a queda da produção leiteira, Délio Valença e Laurindo Lins fundam a Cooperativa Mista dos Produtores Rurais. Nessa época, Délio César Valença resolveu ser o primeiro granjeiro, começando com uma criação de 200 pintos na Granja Santa Lúcia. Isso levou a comentários irônicos na cidade quando muitos diziam ser "esse negócio de criar galinha coisa de mulher".

1968 - Nas eleições realizadas no dia 15, foram eleitos pelo povo do nosso município:
Prefeito: José do Patrocínio Mota;
vice-prefeito: Lourival Rodrigues da Silva.
Vereadores: Altino Soares da Rocha, Dorgival Alves, Fausto Soares da Rocha, José Anselmo, Feliciano da Silva Nilo, Jaime Fontes Cintra, Ivaldo Valença Cavalcanti, Severino José da Silva e Edson José do Nascimento.
(DP de 26.11.1968).

1969 - Em 05 de janeiro, realizou-se, no fórum da cidade, o lançamento do livro de "Jutaí Menino, de Gilvan Lemos, com a presença do prefeito Antônio Valença Porto. A tarde de autógrafos foi organizada por Leone Valença e a apresentação do livro ficou a cargo do deputado estadual Lívio Valença. (DP de 30.01.1969).

1970 - Em 08 de maio, o secretário estadual de Educação, Roberto Magalhães, inaugura a Escola Elpídio Barbosa Maciel. (DP 10.05.1970).

1970 - Em 27 de junho, vítima de ataque cardíaco fulminante junto ao portão de entrada de sua residência, faleceu o ex-prefeito e ativo comerciante, Osvaldo Celso Maciel, deixando esposa Eurídice Alves de Siqueira e os filhos Carlos Gilberto Maciel e Maria Glauce Maciel.

1972 - No pleito de 15 de novembro, os candidatos a prefeito são José Alfredo Cintra (Arena) e Altino Soares da Rocha (MDB), sendo que a vitória sorriu para o primeiro.

1973 - Em 1º de janeiro, José Alfredo Cintra (Alfredinho) assume como prefeito municipal.

1973 – O governador Eraldo Gueiros Leite vem a S. Bento pra inaugurar o serviço de abastecimento de água. (DP de 10.06.1973).

1973 - Em comemoração ao cinquentenário da PRA-8, pioneira da radiodifusão no Brasil, o prefeito José Alfredo Cintra, em 17 de junho, rebatiza uma praça do centro da cidade como Praça Rádio Clube de Pernambuco. (DP de 17 e 22.06.1973).

1975 - Com uma produção mensal de 10 milhões de ovos e mais de 200 mil de aves de corte, São Bento do Una torna-se o maior produtor aviculturista. A produção avícola teve início em 1964, tomando o lugar da pecuária leiteira.

1976 – Falecimento, em 31 de agosto, do ex-prefeito José Cadete de Almeida Calado, antigo comerciante, fazendeiro e industrial, fundador da Fábrica de Laticínios Castelo em 1938, localizada nos Terreiros em S. Bento do Una.

1979 - Em 23 de junho, falece o ex-prefeito Adalberto de Oliveira Paiva, nascido em São Bento em 25.11.1885, historiador, tenente-coronel da Guarda Nacional e antigo proprietário da Padaria Sertaneja.

1980 - Início da 2ª Vaquejada que irá até o dia 20 no Parque de Exposição Eládio Porfírio de Macedo. Durante a sua realização serão armada barracas com comidas e bebidas típicas, apresentações de grupos folclóricos, repentistas, aboiadores e outras atrações.
(DP de 14.01.1980).

1980 - Fábrica Peixe é acusada de perseguir camponeses. Os administradores do latifúndio da Fábrica Peixe, em Pesqueira, estão poibindo o abastecimento d'água por carros-pipa da Sudene aos trabalhadores rurais a fim de forçá-los a abandonar as terras, segundo denúncia da Federação dos Trabalhadores Agricultura de Pernambuco (Fetape). Na propriedade Milho Branco nos limidtes com o município de São Bento do Una, houve casos de tentativa de expulsão de moradores com a utilização da força policial, não se verificando uma chacina devido à presença de espírito do oficial que comandava os policiais-militares. O drama dos agricultores da região começou no ano passado quando o grupo de Carlos de Brito vendeu a fábrica a empresários ligados à Brascan. Os agricultores chegaram a plantar 3 mil hectares de tomate e possuiiam apenas um hectare para a cultura de subsistência, além de assistência médica e religiosa. Com o novo grupo, passaram a cultivar somente 500 hectares, diminuindo a produtividade e aí surgiram as demissões em massa.
(DP de 01.02.1980).

1980 - Água em mais doze cidades. Com o objetivo de levar água tratada às populações do interior e visando a dar cumprimento a uma das metas da Administração de Marco Maciel, de proporcionar melhores condições de vida ao poovo, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) vai iniciar arrojado plano de ação beneficiando nove municípios entre os quais o de São Bento do Una.
(DP de 01.03.1980).

1980 - ABC do Turfe. Três haras estão em formação no Nordeste, sendo dois em Pernambuco e um na Paraíba. Em São Bento do Una está sendo formado o Haras TC, de Tomé Carlos Dias que já conta com as matrizes Cilia e Hand Kala e o reprodutor Pady Way. As outras cidades onde stão sendo organizados haras são Palmares (PE) e Teixeira (PB).
(DP de 08.03.1980).


1980 - A Cooperativa dos Produtores de São Bento do Una Ltda., CGC (hoje CNPJ) 11.648.508/0001-17, situada na Rua João Pessoa 241, possuía um quadro social de 1.155 associados e o presidente era Laurindo Lins Cavalcanti.
(DP de 22.03.1980).

1980 - Coluna de Paulo Fernando Craveiro. Mofando na Prisão.
Acusado de homicídio e ferimento, um homem está preso na cadeia pública de São Bento do Una. Ele foi auutuado em flagrante delito. O agricultor Júlio Lu da Silva não foi ouvido pela jutiça, o promotor não apresentou denúncia e nenhum testemunha foi interrogada a respeito.
O advogado Bóris Trindade impetrou habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça com apenas quinze palavras.
"Para um absurdo deste, quinze palavras bastam", afirmou.
(DP de 02.04.1980).

1980 - Em partida amistosa, realizada em 27 de abril, com vistas a solenizar a entrega das faixas de “Campeão do Torneio do Centenário de Garanhuns”, ao ASA, este foi derrotado pelo Central de Caruaru pelo escore de 2 x 1. O gol dos locais foi marcado por Mita, quando o Central já vencia por dois x zero. A renda somou 93.350 cruzeiros e o público foi de 2.250 pagantes. O Campeão do
Centenário de Garanhuns levou a campo a seguinte formação: Nairo; Edinho, Tachinha, Bibi e Dodinha; Expedito, Lívio e Tita; Mita, Paulinho e Nifito.
(DP de 28.04.1980).

1980 – A crise em São Bento do Una se arrasta desde a seca de 1979 quando faltou milho e paralisou a produção durante meses. Este ano de 1980 a crise é de água. A produção de ovos que era de 18 milhões caiu para 14 milhões. Os 40 a 50 mil litros de leite produzidos diminuíram para 15 mil e até 10 mil litros. O abate de gado de 35 a 40 reses por semana não chega a 20 reses em vista do elevado preço da ração e a devastação das pastagens. O abate de galetos que era de 350 mil quilos por mês decresceu para 230 mil em abril. “Nervoso e às vezes mal educado, o prefeito José do Patrocínio Mota fez inúmeros apelos ao Governo no sentido de que o problema d´água seja urgentemente resolvido, sob pena de não haver água para preparar os alimentos”.
(DP de 16.05.1980).

1980 – Durante a 8ª Exposição Pernambucana de Caprinos e Ovinos e 5ª Exposição Nordestina de Caprinos e Ovinos, foi promovido um concurso leiteiro de cabras, obtendo o primeiro e segundo prêmios, respectivamente, “Belina” e “Claudina”, ambas da raça saanen e de propriedade Luiz Tavares Valença. A produção diária de leite da primeira cabra foi de 4,093 litros por dia e da segunda, 3,943 litros por dia. A título de curiosidade, informamos que a cabra que obteve o terceiro lugar, “Tabajara”, da raça anglo-nubiana, de Elísio Marques, de Sertânia, produziu apenas 2,588 litros por dia.
(DP de 23.07.1980).

1980 – O presidente da Câmara de Vereadores de São Bento do Uma, Antônio Ivo de Andrade, endereçou o seguinte telegrama aos Associados do Recife:
“Câmara Vereadores de São Bento do Una hipoteca solidariedade face fechamento de suas atividades neste Estado fato que trouxe perplexidade e constrangimento a todo o Estado e Nordeste pelos relevantes serviços a que a pioneira TV Rádio Clube de Pernambuco prestara a todo Nordeste brasileiro”.
(DP de 24.07.1980).

1981 – Em 29 de março, uma antiga reivindicação dos agricultores e pecuarista foi concretizada, tal seja a inauguração de uma unidade armazenadora da CAGEP (Companhia de Armazéns Gerais do Estado de Pernambuco), com capacidade para abrigar 1.980 toneladas e que funcionará em cooperação com a Cooperativa dos Produtores Avícolas do município.
(DP de 30.03.1981).

1981 – Ainda em 29 de março, o governador Marco Maciel inaugurou a pavimentação do trecho de 21 quilômetros entre S. Bento do Una e Belo Jardim, com recursos do Projeto Asa Branca, sonho alimentado por muitas décadas pela população da cidade. A ora foi executada pela empreiteira Queiroz Galvão, com a supervisão do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PE). Mais de duas mil pessoas foram assistir à solenidade de inauguração da rodovia. O prefeito José do Patrocínio Mota afirmou, em discurso, que “jamais poderia deixar de comparecer a esta solenidade”. “Sou da oposição, fui eleito pela oposição, mas não posso deixar de afirmar que o governador Marco Maciel que sou admirador de sua administração”. Zé Mota lembrou o tempo em que o estudante Marco Maciel costumava passar as férias em São Bento do Una na casa de familiares (Osvaldo Maciel). Zé Mota destacou o fato de que o Governo do Estado iniciou a colocação dos canos para o melhoramento do sistema de abastecimento de água. O governador Marco Maciel, após considerações sobre as obra inauguradas, disse “Não posso, nesta oportunidade, deixar de lembrar que desde cedo comecei a frequentar esta cidade “. Acrescentou que “nos meus tempos de garoto costumava passar minhas férias na casa de Osvaldo e Eurídice Maciel”. “Osvaldo Maciel cujo desaparecimento prematuro lamento muito”, finalizou o governador Marco Maciel.


1981 – No sábado, dia 10 de outubro, o município de São Bento do Una teve um dia festivo com a inauguração pelo governador Marco Maciel da agência n° 100, do Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe). O prefeito José do Patrocínio Mota foi o primeiro a discursar. Também falaram os deputados federais José Mendonça e Ayron Rios, o estadual José Tinoco, o presidente do Bandepe André Alves de Paula e o diretor Sérgio Coutinho. (DP de 12.10.1981).

1981 – O professor Albert, de Juiz de Fora (MG), ministrou curso em São Bento do Una, destinado aos produtores rurais, destacando a utilização do leite de cabra na fabricação de queijo. (DP de 17.11.1981).

1981 – Em clima de festa, o governador Marco Maciel inaugurou as melhorias na PE-193 que liga Capoeiras a São Bento do Una. O prefeito José Valtoso de Macedo, de Capoeiras, afirmou que antes o percurso entre Capoeiras para São Bento do Una era cumprido em duas, três horas. Agora, com a inauguração da rodovia vamos fazê-lo em meia hora, economizando tempo e combustível. (DP de 30.11.1981).

1981 - O governador Marco Maciel inaugura, hoje, o posto telefônico e a unidade mista de saúde no município de São Bento do Una. (DP de 06.12.1981).

1981 - Iniciadas as obras do sistema de abastecimento de água de S. Bento do Una. (DP de 20.12.1981).

1982 – O Santa Cruz Futebol Clube, jogando amistosamente em S. Bento do Una, ontem, venceu a equipe local da Associação São-bentense de Atletismo (ASA) pelo elevado escore de seis x zero. O jogador Rivaldo foi a grande atração da equipe visitante, marcando três gols. O ASA teve a seguinte formação: Nairo (Carlinhos); Batatinha, Zezinho, Bibi e Dodinho (Luciano); Expedito, Lívio (Roberto) e Mita (Gevaldo); Tita, Paulinho (Cal) e Capoeira (Misita). (DP de 05.04.1982).

1982 - O agricultor José Magno, conhecido como Zé Mago, encontrou pedaço de mandíbula de mastodonte (animal que viveu há mais de 10 mil anos), no leito de um açude em S. Bento do Una. Segundo paleontólogos da Universidade Federal de Pernambuco, o achado fóssil, de cinco quilogramas, comprova que esse tipo de mamífero habitou regiões do Agreste de Pernambuco. (DP de 09.05.1982).

1982 - Tribunal de Contas de Pernambuco rejeita as contas do município de S. Bento do Una. As irregularidades nas contas tem a ver com a Câmara de Vereadores, exercício de 1981, cujos nove vereadores receberam a mais a importância de Cr$ 288.092,75. O mais cômico dessa história é que o Tribunal de Contas de Pernambuco, através do processo 1095/82, emitiu parecer prévio recomendando à Câmara Municipal de S. Bento do Una a rejeição das contas do prefeito José do Patrocínio Mota, do PMDB, por irregularidade por ela própria cometidas. (DP de 12.08.1982).

1982 – Sagração episcopal. O padre Jaime Mota de Farias, filho de Odilon Cordeiro de Farias e de Otília Mota Farias, nasceu em S. Bento do Una PE, em 12.11.1925. A sagração se deu na diocese de Garanhuns PE em 11 de setembro. Foi nomeado bispo auxiliar da diocese de Nazaré da Mata
e depois bispo titular da diocese de Alagoinhas BA de 1986 a 24.04. 2002 quando apresentou sua renúncia ao papa João Paulo II.
(DP de 21.07.1982).

1982 – Para as eleições municipais de 15 de novembro, estavam aptos a votar em S. Bento do Una 11.954 eleitores.
(DP de 02.11.1982).

1983 – Falecimento em 25 de janeiro, na Casa de Saúde Rio-Cor, em Ipanema, Rio de Janeiro (RJ), o padre Edson Pereira de Moraes, filho do antigo comerciante de S. Bento do Una, Luiz Pereira de Barros e de Isabel Pereira de Moraes. O padre Edson fez o curso médio no Colégio Nóbrega, do
Recife e o curso de teologia no Instituto de Teologia do Recife (ITER). Há três anos era pároco da matriz de Nossa Senhora da Assunção, no Rio, onde gozava de grande estima entre os paroquianos.
(DP de 28.01.1983).

1983 - Edital referente ao depósito dos documentos exigidos pela Lei 6766, 19.12.1979, no cartório do Registro Geral de Imóveis de São Bento do Una pertinente ao “Loteamento Torres”, da firma Torres Imobiliária Ltda., CGC (MF) 08.183.261/0001-04, localizado na zona leste do perímetro urbano desta cidade, conforme desenho aprovado pela Prefeitura Municipal de S. Bento do Una em 25.01.1983. O loteamento é composto de 22 quadras e 277 lotes.
(DP de 11.02.1983).

1983 - Em carta à redação, a historiadora Ivete de Moraes Cintra faz críticas aos erros cometidos na 17ª Monografia, editada pela Fidepe (Fundação de Informações para o Desenvolvimento de Pernambuco), referente ao município de S. Bento do Una.
(DP de 24.08.1983).

1983 - O pintor Alberto Simões, nascido em São Bento do Una no ano de 1950, morou em S. Paulo nos de 1979 e 1981, onde fez o Curso de Orientação Artística do Museu Lasar Segall. Ele também é desenhista e escultor. São de muito bom gosto suas cenas campestres e marinhas. (DP de 16.12.1983).

1984 - Com a presença do governador Roberto Magalhães foram inauguradas em S. Bento do Una, quatro dezenas de escolas rurais. Utilizando-se de matérias de baixo custo, o prefeito Paulo Afonso Cintra fez edificar, em apenas dois meses, 40 escolas com recursos que no estilo convencional permitiria a construção de apenas quatro escolas.
(DP de 10.02.1984).

1991- “Anarquia salarial cria prefeitos marajás”- “Em São Bento do Uma, cidade de 50 mil habitantes a 200 quilômetros de Recife, a Câmara Municipal determinou que o salário do prefeito deve corresponder a 4% da arrecadação, o do vice a 2% e o dos vereadores, juntos, a 4%. Em julho, o prefeito Lêucio de Oliveira Mota deveria ter recebido Cr$ 4 milhões. Como a prefeitura tinha muitas dívidas e estava com o pagamento do funcionalismo atrasado há três meses, o prefeito, temeroso da reação popular, renunciou a 50% dos seus vencimentos, assim como o vice. ‘Fiquei com vergonha do que estava acontecendo’, diz o prefeito”.
(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18.08.1991).

1993 - Festa no Interior” - “A pequena São Bento do Una, no agreste pernambucano, viverá um dia inteiro de festas na próxima sexta-feira (30.04.1993). O motivo será a visita do ministro do Exército, Zenildo de Lucena, natural da cidade. Vereadores locais dizem que é desejo do povo unanense ver seu ilustre conterrâneo disputando a presidência da República em 1994”.
(O Globo, do Rio de Janeiro, de 26.04.1993).

1996 – Falecimento em 06 de outubro, do médico Lourival Gonçalves Agra, nascido no Recife em 26.01.1908.

2004 – Falecimento em 15 de abril, o ex-prefeito de São Bento do Una, José do Patrocínio Mota, natural de Pesqueira, tendo nascido em 19.03.1921.

2007 - “Maracutaias” - “Em Pernambuco, não há um só dia que o Tribunal de Contas não incrimine um prefeito. O último foi o de S. Bento do Una, o padre José Aldo Mariano da Silva, que foi relapso no cumprimento da lei que estabelece a obrigatoriedade de investir 25% do orçamento em Educação. E-mails enviados ao blog do Magno informam que existem outras maracutaias envolvendo o prefeito-padre”.
(DP de 28.05.2007).

2013 – Em 18 de junho, falecimento, em Arcoverde, do ex-prefeito Lêucio de Oliveira Mota, filho de João Mota Sobrinho, nascido em S. Bento do Una em 15.12.1940.

2014 – Em 18 de novembro, inauguração da agência do Banco do Nordeste do Brasil, especializada em micro e pequenas empresas e micro e pequenos produtores rurais, situada na Avenida Vereador Valdemar Cordeiro de Morais, 48. O município de S. Bento do Una é considerado o berço da pecuária leiteira e da avicultura do Nordeste do Brasil.
(Portal de São Bento do Una – “Últimas notícias”).

2015 – No seu apartamento do edifício Mandacaru, centro do Recife, é encontrado sem vida, no sábado 1º de agosto, o corpo do escritor Gilvan de Souza Lemos, nascido em São Bento do Una em 1º de julho de 1928. Foi sepultado em sua cidade natal.

2017 – Débora Luzinete de Almeida é empossada como prefeita do município de São Bento do Uma para o período administrativo de 01.01.2017 a 31.12.2020.

2017 – Falecimento, em 26 de março, do general de Exército, Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena, natural de São Bento do Una, ex-ministro do Exército, de 02.10.1892 a 09.06.1999, nas administrações dos presidentes da República, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.



NOTAS:

1. De acordo com um processo criminal do ano de 1818, do termo de Garanhuns, pertencente à antiga comarca do Sertão do Ararobá (grafia atual Ororubá), cuja cabeça ficava na vila de Cimbres, encontramos os nomes de diversas localidades onde moravam as testemunhas do crime ocorrido na localidade de Cabana ou Retiro de Baixo: sítio Riachão, Poço da Lama na ribeira do Ipojuca, sítio Basílio, Conceição, fazenda do Caldeirão, Gameleira, Taquara, Brejo da Taquara, fazenda Poço Doce, São Bento, sítio Santa Cruz na ribeira do Una e Gurjão. Esta informação foi tirada do livro de Sebastião Cintra, "Inocentes e Culpados no Tribunal do Júri de São Bento", e por si só retifica informação prestada à historiadora Ivete de Morais Cintra, no seu livro "O queijo do Xucuru", de que o nome "Gurjão" foi dado por Jacinto Ferreira Calado que por volta do início da segunda metade do século 19 comprou uma légua de terra na região.
2. Este trabalho não tem a menor pretensão de ser definitivo. À medida que formos apurando novos fatos relevantes a respeito do nosso município, faremos os devidos acréscimos e possíveis correções.
Pau Amarelo PE 20 de agosto de 2017 – Ano 157º da nossa separação de Garanhuns.


Prosseguirei este trabalho com mais informações
sobre São Bento do Una.

Nota de Reconhecimento: A maior parte deste trabalho só foi possível ao excelente site da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro que disponibiliza, para pesquisas, vários jornais e outras publicações do passado.

Pau Amarelo PE 20 de agosto de 2017

Orlando Calado é bacharel em direito.


Colunas anteriores:

Coluna 246 - 16/07/2017 - História de São Bento do Una, Pernambuco, Brazil
Coluna 245 - 10/05/2017 - Pleito de gratidão a Dirceu e Ludgero
Coluna 244 - 14/04/2017 - Historia Municipal - A morte do mesário eleitoral
Coluna 243 - 13/02/2017 - Treze anos sem Sebastião Soares Cintra
Coluna 242 - 27/01/2017 - Injustiça imperdoável
Coluna 241 - 22/01/2017 - Sem memória não há História
Coluna 240 - 18/12/2016 - Felipe Manso, o prefeito que não foi
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Coluna 238 - 30/11/2016 - O Açude do Doutor Olavo
Coluna 237 - 24/11/2016 - São Bento, vida política e administrativa em 1930
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Coluna 234 - 07/06/2016 - Esmeraldino Bandeira, um esquecido na nossa História
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Coluna 232 - 29/05/2016 - Agamenon Magalhães e São Bento do Una
Coluna 231 - 11/09/2015 - As meretrizes da São Bento dos velhos tempos
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Coluna 229 - 06/02/2015 - Rodolfo Paiva, um são-bentense honorário
Coluna 228 - 03/01/2015 - Breve História de Adelmar Paiva e do seu tempo (6)
Coluna 227 - 02/01/2015 - Monsenhor José de Anchieta Callou
Coluna 226 - 27/12/2014 - Padre Joaquim Alfredo, um mártir
Coluna 225 - 19/09/2014 - Breve História de Adelmar Paiva e do seu tempo (5)
Coluna 224 - 29/07/2014 - Breve História de Adelmar Paiva e do seu tempo (4)
Coluna 223 - 15/07/2014 - Breve História de Adelmar Paiva e do seu tempo (3)
Coluna 222 - 23/06/2014 - Breve História de Adelmar Paiva e do seu tempo (2)
Coluna 221 - 05/06/2014 - Breve História de Adelmar Paiva e do seu tempo (1)
Coluna 220 - 15/05/2014 - Uma pena: Clávio de Melo Valença nos deixou
Coluna 219 - 13/05/2014 - O que foi feito de nossas coisas antigas? Cadê?
Coluna 218 - 12/05/2014 - Zé Bico e Beni, dois são-bentenses notáveis
Coluna 217 - 09/04/2014 - Cícero Romão Batista, o santo do Nordeste do Brasil
Coluna 216 - 17/10/2013 - É hora de o político abrir os olhos
Coluna 215 - 02/10/2013 - A elite reacionária de ontem, de hoje e de sempre
Coluna 214 - 06/09/2013 - Custa caro um deputado federal pernambucano
Coluna 213 - 18/07/2013 - É duro ser um brasileiro comum, pagador de impostos
Coluna 212 - 14/07/2013 - Considerações várias sobre uma pequena cidade
Coluna 211 - 29/06/2013 - Lêucio Mota, estadista são-bentense do Una
Coluna 210 - 27/06/2013 - Nobre é a missão do professor
Coluna 209 - 21/06/2013 - Este País parece que não tem jeito mesmo
Coluna 208 - 16/06/2013 - Apolônio Sales, estadista brasileiro, o homem que tirou o Nordeste das trevas
Coluna 207 - 06/06/2013 - Registro histórico da posse de Gilvan Lemos na APL
Coluna 206 - 14/05/2013 - A grande seca de 2013
Coluna 205 - 06/05/2013 - Quebra de sigilo bancário
Coluna 204 - 30/04/2013 - Datas notáveis de São Bento do Una, edição revista e ampliada
Coluna 203 - 26/04/2013 - E as bombas da maratona de Boston?
Coluna 202 - 16/01/2012 - Enaltecendo São Bento e a Festa dos Santos Reis
Coluna 201 - 30/04/2011 - São Bento do Una: 151 anos de governo próprio
Coluna 200 - 05/04/2011 - Padre João Rodrigues, o semeador de templos
Coluna 199 - 15/10/2010 - O espírito pioneiro são-bentense do Una (1)
Coluna 198 - 22/07/2010 - Jackson do Pandeiro, o ritmista virtuoso
Coluna 197 - 13/04/2010 - Datas notáveis de S. Bento do Una desde os primórdios ao centenário de sua emancipação política em 1960
Coluna 196 - 28/02/2010 - Legado à posteridade
Coluna 195 - 22/01/2010 - Considerações finais a respeito do Governo Provisório da República de 1889
Coluna 194 - 30/12/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (37) (Fim da Série)
Coluna 193 - 20/12/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (36)
Coluna 192 - 09/12/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (35)
Coluna 191 - 02/12/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (34)
Coluna 190 - 25/11/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (33)
Coluna 189 - 18/11/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (32)
Coluna 188 - 11/11/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (31)
Coluna 187 - 04/11/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (30)
Coluna 186 - 27/10/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (29)
Coluna 185 - 21/10/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (28)
Coluna 184 - 14/10/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (27)
Coluna 183 - 07/10/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (26)
Coluna 182 - 30/09/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (25)
Coluna 181 - 23/09/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (24)
Coluna 180 - 16/09/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (23)
Coluna 179 - 09/09/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (22)
Coluna 178 - 02/09/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (21)
Coluna 177 - 26/08/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (20)
Coluna 176 - 19/08/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (19)
Coluna 175 - 12/08/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (18)
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Coluna 173 - 29/07/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (16)
Coluna 172 - 22/07/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (15)
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Coluna 170 - 08/07/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (13)
Coluna 169 - 01/07/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (12)
Coluna 168 - 25/06/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (11)
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Coluna 166 - 09/06/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (9)
Coluna 165 - 27/05/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (8)
Coluna 164 - 17/05/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (7)
Coluna 163 - 29/04/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (6)
Coluna 162 - 22/04/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (5)
Coluna 161 - 15/04/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (4)
Coluna 160 - 08/04/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (3)
Coluna 159 - 01/04/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (2)
Coluna 158 - 21/03/2009 - A República Brasileira de 1889, uma instituição militar positivista (1)
Coluna 157 - 25/02/2009 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (14) (final da série)
Coluna 156 - 22/11/2008 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (13)
Coluna 155 - 08/11/2008 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (12)
Coluna 154 - 25/10/2008 - S.Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (11)
Coluna 153 - 18/10/2008 - São Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (10)
Coluna 152 - 11/10/2008 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (9)
Coluna 151 - 27/09/2008 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (8)
Coluna 150 - 20/09/2008 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (7)
Coluna 149 - 13/09/2008 - São Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (6)
Coluna 148 - 06/09/2008 - S. Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (5)
Coluna 147 - 30/08/2008 - São Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (4)
Coluna 146 - 24/08/2008 - São Bento do Una, um breve passeio ao longo de sua história (3)
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Coluna 143 - 02/08/2008 - O presídio de Fernando de Noronha e seu regime jurídico no final do Império (3/3)
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Coluna 137 - 14/06/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (24) - A abolição da escravatura no Ceará, a povoação de Boa Viagem do Recife entre outros assuntos
Coluna 136 - 07/06/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (23) - A crise no abastecimento de água no Recife. Relatório do governo: as chuvas diminuem a bandidagem
Coluna 135 - 31/05/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (22) - O projeto de lei de Joaquim Nabuco abolindo a escravidão e a chamada Lei Saraiva que restringiu o voto
Coluna 134 - 24/05/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (21) - Ainda os efeitos da grande seca na Vila de S. Bento; o Ginásio Pernambucano em 1879
Coluna 133 - 17/05/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (20) - Os efeitos da grande seca em São Bento
Coluna 132 - 10/05/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (19) - A corrupçao na vida pública; o espírito empreendedor do barão de Mauá
Coluna 131 - 03/05/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (18) - A terrível seca dos três sete
Coluna 130 - 26/04/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (17) - A inauguração do palacete da rua da Aurora enquanto a febre amarela grassa em Pernambuco
Coluna 129 - 19/04/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (16) - A revolução nas comunicações e o desfecho da Questão Religiosa
Coluna 128 - 12/04/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (15) - Dom Vital e a Questão Religiosa
Coluna 127 - 05/04/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (14) - A Lei do Ventre Livre
Coluna 126 - 29/03/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (13) - A Guerra do Paraguai
Coluna 125 - 22/03/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (12) - A Guerra do Paraguai
Coluna 124 - 15/03/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (11)
Coluna 123 - 08/03/2008 - Pingos de história do Império Brasileiro (10)
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Coluna 78 - 21/04/2007 - A Guarda Nacional da Vila e Município de São Bento
Coluna 77 - 14/04/2007 - Fatos & gente são-bentenses das décadas de 1930 e 1940
Coluna 76 - 07/04/2007 - Uma breve visita à nossa querida São Bento do Una
Coluna 75 - 31/03/2007 - Planejamento familiar no Brasil: uma necessidade inadiável
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Coluna 73 - 17/03/2007 - "Eu vi o mundo... Ele começava no Recife"
Coluna 72 - 10/03/2007 - Reminiscências de um menino de São Bento (7)
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Coluna 66 - 27/01/2007 - A revolta da chibata
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Coluna 64 - 13/01/2007 - Apolônio Sales, um estadista de grande valor
Coluna 63 - 06/01/2007 - 2006: Um ano de saldo positivo apesar do pouco crescimento econômico
Coluna 62 - 30/12/2006 - A "Batalha da Borracha", um episódio esquecido da história do Brasil
Coluna 61 - 23/12/2006 - Alguns suicidas famosos (2/2)
Coluna 60 - 16/12/2006 - Alguns suicidas famosos (1/2)
Coluna 59 - 09/12/2006 - Aumentando os conhecimentos gerais (16)
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Coluna 57 - 25/11/2006 - Congresso Nacional perdulário, povo paupérrimo
Coluna 56 - 18/11/2006 - Aumentando os conhecimentos gerais (14)
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Coluna 54 - 14/10/2006 - Modos de falar diferentes no Brasil e em Portugal (4/4)
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Coluna 32 - 01/04/2006 - Brasil, nova potência petrolífera mundial!
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Coluna 30 - 18/03/2006 - Biodiesel: um combustível social e ecológico
Coluna 29 - 11/03/2006 - Os livros de Sebastião Cintra
Coluna 28 - 04/03/2006 - Um sábado sangrento no Recife
Coluna 27 - 25/02/2006 - O início do resgate da nossa dívida social
Coluna 26 - 18/02/2006 - Fim da pobreza mundial até 2015
Coluna 25 - 11/02/2006 - Reminiscências de um menino de São Bento (3)
Coluna 24 - 04/02/2006 - Aspectos gerais da lei de responsabilidade fiscal
Coluna 23 - 28/01/2006 - Pernambuco começa a sair da letargia
Coluna 22 - 21/01/2006 - Perfil demográfico no mundo rico
Coluna 21 - 14/01/2006 - Brasil, potência mundial em 2020
Coluna 20 - 07/01/2006 - Os gatunos da esperança
Coluna 19 - 31/12/2005 - Josué Severino, o mestre e a Banda Santa Cecília
Coluna 18 - 24/12/2005 - Reminiscências de um menino de São Bento (2)
Coluna 17 - 17/12/2005 - Pequenas idéias para o desenvolvimento de São Bento do Una
Coluna 16 - 10/12/2005 - Do Estado pouco ou nada espero
Coluna 15 - 04/12/2005 - A América do Sul e o nazismo
Coluna 14 - 27/11/2005 - A Venezuela bolivariana de hoje
Coluna 13 - 26/11/2005 - Reminiscências de um menino de São Bento (1)
Coluna 12 - 13/11/2005 - A crise argentina
Coluna 11 - 13/11/2005 - A saga de Delmiro Gouveia
Coluna 10 - 10/11/2005 - O velho na legislação brasileira
Coluna 9 - 31/10/2005 - O projeto São Francisco
Coluna 8 - 24/10/2005 - Correio eletrônico, maravilha do nosso tempo
Coluna 7 - 13/10/2005 - Um século sem presidente paulista
Coluna 6 - 09/10/2005 - O Grande Pronome 'Lhe' Morreu!
Coluna 5 - 29/09/2005 - Brasil 2005 - Uma Economia Mais Forte
Coluna 4 - 22/09/2005 - As Vestais da Moralidade Pública
Coluna 3 - 15/09/2005 - Mordomia & Nepotismo
Coluna 2 - 07/09/2005 - Tratamento de Excelência
Coluna 1 - 07/08/2005 - Hiroshima - uma covardia inominável


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